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Por Raul Silva para O estopim | 13 de abril de 2026




Fachada do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, Edifício Antônio Camarotti. Vidros refletem céu azul. Plantas e brasão visíveis.
TRE-PE interrompe pesquisa Veritá sobre governo de Pernambuco, destacando a disputa por credibilidade no início da corrida eleitoral de 2026. | Foto: Junior Soares/Folha de Pernambuco

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco suspendeu, em decisão liminar desta segunda-feira, 13, a divulgação da pesquisa do Instituto Veritá sobre a disputa pelo Governo do Estado que havia apontado empate técnico entre a governadora Raquel Lyra, do PSD, e o ex-prefeito do Recife João Campos, do PSB. A medida atendeu a pedido do diretório estadual do MDB, partido aliado de Campos, e determinou a retirada do conteúdo já publicado sob responsabilidade do instituto, com multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. O relator, desembargador Fernando Braga Damasceno, apontou indícios de falhas metodológicas, inconsistências estatísticas e deficiência de transparência no registro do levantamento.


A decisão não entra, neste momento, no mérito eleitoral da disputa entre os nomes mais competitivos do Estado. O foco da liminar é a regularidade técnica do levantamento registrado sob os números PE-02184/2026 e BR-04215/2026.


Pelas informações reproduzidas da decisão e pelos dados públicos da própria pesquisa, o relator identificou três eixos de problema.


  • O primeiro foi o plano amostral. A Justiça Eleitoral entendeu que a descrição apresentada não permitia verificar com segurança como a amostra foi distribuída e controlada no território pernambucano, o que é central em um estado de forte desigualdade regional e peso político distinto entre Região Metropolitana, Zona da Mata, Agreste e Sertão.

  • O segundo ponto foi a consistência estatística. O magistrado registrou haver indícios de inconsistência grave, expressão incomum e juridicamente relevante em decisões sobre pesquisas. Quando um tribunal usa esse vocabulário, o que está em discussão deixa de ser apenas uma divergência entre adversários e passa a atingir a confiabilidade do produto divulgado ao eleitor.

  • O terceiro eixo foi a metodologia de coleta. O relatório do Veritá informa que as entrevistas foram conduzidas por unidade automatizada de respostas, com reconhecimento de voz e transcrição de áudio para texto. Para o relator, a forma como essa metodologia foi descrita não assegurava fiscalização suficiente pelas partes interessadas e tampouco permitia aferir, de modo adequado, a fidedignidade das respostas.


A íntegra do levantamento mostra que a pesquisa ouviu 2.010 eleitores entre 24 e 30 de março, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O relatório também informa custo de R$ 154.770 e registra a pesquisa como iniciativa do próprio instituto, sem contratante externo declarado.


No cenário estimulado para governador, Raquel Lyra e João Campos aparecem com 35,4% cada nas intenções de voto brutas, o que gera empate técnico e, no material de divulgação, produz o principal efeito político do levantamento: a narrativa de equilíbrio numa disputa que, em outros estudos recentes, vinha mostrando vantagem para João Campos.


O mesmo relatório traz um dado politicamente sensível para o Palácio do Campo das Princesas: aprovação de 61,3% para a gestão Raquel Lyra. Na prática, a combinação entre aprovação majoritária da governadora e empate eleitoral com o principal adversário oferecia um insumo valioso para a comunicação política do grupo governista.


A liminar suspende a divulgação da pesquisa, mas não produz sentença definitiva sobre fraude, manipulação deliberada ou eventual responsabilidade de agentes políticos externos ao instituto. Esse ponto é decisivo para separar fato comprovado de suspeita política.


O que está documentado, até aqui, é o seguinte: houve uma representação do MDB, houve acolhimento parcial do pedido em tutela de urgência e houve determinação judicial para retirada do conteúdo por risco de dano ao processo eleitoral. O mérito ainda será julgado.


Essa distinção importa porque, em Pernambuco, pesquisas passaram a funcionar não só como medição de humor do eleitorado, mas como instrumento de guerra simbólica entre blocos que já se movimentam para 2026. Quando um levantamento sugere empate, ele muda cálculo de alianças, discurso de viabilidade, arrecadação, comportamento de prefeitos e até a disposição de partidos médios em negociar.


Dois indivíduos lado a lado. O homem fala ao microfone; a mulher sorri, com adesivos no peito. Fundo colorido e animado.
João Campos e Raquel Lyra | Foto-montagem: Rafael Melo / Folha de Pernambuco e Ricardo Fernandes / Folha de Pernambuco

Até o momento, não há documento público localizado que comprove contratação da pesquisa suspensa pelo governo Raquel Lyra, pelo PSD de Pernambuco ou pela estrutura política da governadora.


Ao contrário, o relatório público do próprio levantamento registra de forma expressa que o contratante foi o próprio Instituto Veritá, ou seja, iniciativa própria. Esse é hoje o dado documental mais objetivo disponível sobre a origem formal da pesquisa.


Também não localizei, nesta apuração, decisão judicial, registro eleitoral, documento de contratação pública ou prova material que autorize afirmar que Raquel Lyra encomendou o estudo suspenso.


Isso não elimina o interesse político que o resultado produziu para o grupo governista, nem impede questionamentos sobre circulação seletiva do conteúdo ou aproveitamento político do levantamento. Mas interesse político e autoria da encomenda são coisas diferentes. No jornalismo e no processo judicial, essa diferença precisa ser preservada.


Há, sim, elementos de contexto que ajudam a entender por que a pesquisa virou alvo imediato de contestação.


O Instituto Veritá divulgou, no mesmo pacote de dados, números favoráveis ao ambiente político da governadora, como a aprovação de 61,3% da gestão estadual. Em Pernambuco, aliados e adversários passaram a ler o material não apenas como fotografia estatística, mas como peça de reposicionamento narrativo da pré-campanha.


Há ainda circulação, em ambientes políticos e em publicações partidárias ou alinhadas a grupos de oposição e de governo, de acusações sobre supostas relações entre institutos e contratos públicos. Nesta apuração, porém, essas acusações não vieram acompanhadas, no caso específico da pesquisa suspensa do Veritá, de prova documental suficiente para sustentar a afirmação de que houve encomenda por Raquel Lyra.


Em linguagem direta: há vantagem política potencial para a governadora no conteúdo divulgado, mas não há, até aqui, prova pública de que ela ou seu grupo tenham contratado essa pesquisa.


O relatório do Veritá informa coleta automatizada com reconhecimento de voz, além de filtros de consistência e auditoria de 20% das entrevistas por telefone ou visita domiciliar. Em tese, métodos automatizados não são proibidos. O problema começa quando a descrição técnica não basta para permitir auditabilidade externa, rastreabilidade do procedimento e aferição independente da qualidade do dado.


Esse é um ponto sensível porque a Justiça Eleitoral exige mais do que apresentação de números finais. Exige transparência suficiente para que partidos, adversários, Ministério Público e a própria sociedade possam compreender como aqueles números foram produzidos.


Num cenário eleitoral antecipado, pesquisa sem transparência robusta deixa de ser apenas estatística e passa a ser artefato de influência. Foi justamente esse risco que o relator disse querer conter ao conceder a liminar.


A suspensão do levantamento não redefine, por si só, o quadro eleitoral. Mas devolve peso aos outros estudos recentes que não mostravam o mesmo nível de equilíbrio entre Raquel Lyra e João Campos.


Também fortalece uma leitura que já circulava nos bastidores: a de que a batalha por Pernambuco começou antes da campanha formal e será travada, em boa medida, na arena da credibilidade. Quem conseguir apresentar números mais confiáveis, narrativa mais consistente e alianças mais amplas sairá na frente.


Para João Campos e seu campo de apoio, a decisão serve como reação institucional a um levantamento que reduzia sua vantagem simbólica. Para Raquel Lyra, o efeito é mais delicado: um material que lhe era politicamente favorável passa a carregar a marca da suspensão judicial, o que pode converter bônus narrativo em desgaste.


Ainda falta conhecer o inteiro teor oficial da decisão com acesso público mais amplo ao processo, a manifestação formal do Instituto Veritá nos autos e eventual defesa técnica detalhada sobre os pontos levantados pelo TRE-PE.


Também será necessário acompanhar se o tribunal manterá a liminar no julgamento do mérito ou se o instituto conseguirá demonstrar regularidade suficiente para reverter a suspensão.


No momento, o que se pode afirmar com segurança é que a Justiça Eleitoral de Pernambuco viu risco real na circulação daquele levantamento e decidiu interromper seus efeitos imediatos.


Em ano pré-eleitoral, isso não é detalhe técnico. É um aviso político e jurídico de que, em Pernambuco, a guerra das pesquisas já começou.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim, com atuação voltada para política, poder regional e investigação de temas de interesse público.

Por Michael Andrade, da redação de O estopim | domingo (12) de abril de 2026


Encerramento do evento religioso no CEDEC também foi marcado pela presença de lideranças e pré-candidatos de diferentes grupos políticos.


Foto: Reprodução redes sociais
Foto: Reprodução redes sociais

O domingo foi marcado por forte movimentação política em Arcoverde. Durante o encerramento da 22ª Festa da Divina Misericórdia, realizada no CEDEC, lideranças e pré-candidatos de diferentes grupos estiveram presentes no evento religioso.


A programação de encerramento, na Terra da Misericórdia, reuniu não apenas fiéis, mas também nomes centrais da política pernambucana em meio às articulações para 2026.


A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, participou do evento acompanhada do deputado federal Túlio Gadêlha, além da vice-governadora Priscila Krause. Também estiveram no local o prefeito Zeca Cavalcanti, o vice-prefeito Siqueirinha e vereadores que integram a base governista no município.


Foto: Reprodução redes sociais
Foto: Reprodução redes sociais

Já o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, também marcou presença. Ele chegou acompanhado do presidente da Câmara de Vereadores de Arcoverde, Luciano Pacheco, da ex-prefeita Madalena Britto, do deputado federal Felipe Carreras e do deputado estadual Diogo Moraes.


Foto: Reprodução redes sociais
Foto: Reprodução redes sociais

A presença de lideranças de campos políticos distintos transformou o encerramento da festa em mais um espaço de visibilidade e articulação política no município.


A Festa da Divina Misericórdia é um dos principais eventos religiosos da região e, neste ano, foi realizada entre os dias 9 e 12 de abril, reunindo momentos de fé, oração e grande participação popular.


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Por Raul Silva para O estopim | 9 de abril de 2026



Dois indivíduos em close: homem à esquerda em terno escuro e mulher à direita com camisa clara. Fundo colorido. Olhares sérios.
Nova pesquisa eleitoral em Pernambuco mostra João Campos à frente na disputa pelo governo estadual, superando a governadora Raquel Lyra. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A nova pesquisa RealTime Big Data para o Governo de Pernambuco, divulgada em 8 de abril e feita com 1.600 entrevistas entre os dias 7 e 8, mostra João Campos (PSB) na dianteira da corrida estadual, com vantagem relevante sobre a governadora Raquel Lyra (PSD). No cenário estimulado principal, o ex-prefeito do Recife tem 50% das intenções de voto, contra 33% da atual governadora. O resultado chega poucos dias depois da saída formal de João da Prefeitura para disputar o Palácio do Campo das Princesas e num momento em que a disputa pelo Senado também pressiona a montagem das chapas.


O dado mais forte do levantamento é a distância entre os dois principais nomes quando o eleitor recebe a lista de candidatos. João Campos aparece com 50%, Raquel Lyra tem 33%, Eduardo Moura marca 8% e Ivan Moraes fica em 2%. Nulo ou branco soma 4%, e 3% não souberam responder.


Gráfico de barras comparando intenção de voto em Pernambuco. João Campos e Raquel Lyra lideram. Cores: vermelho e cinza.
Intenção de voto estimulada em Pernambuco para governador: João Campos lidera com 50% no cenário 1 e 52% no cenário 2, seguido por Raquel Lyra com 33% e 40%, respectivamente. | Fonte: RealTime Big Data

Há um segundo recorte ainda mais duro para o Palácio. Num cenário reduzido aos dois nomes centrais, João sobe para 52%, e Raquel vai a 40%. A margem de erro do estudo é de 2 pontos percentuais, o que recomenda cautela antes de transformar o número em previsão fechada de vitória em primeiro turno. Ainda assim, o desenho é claro: no retrato de agora, João entra na fase aberta da pré-campanha em posição de comando.


Se o cenário estimulado empurra João para perto da maioria absoluta, a espontânea traz um alerta metodológico e político. Quando o entrevistado responde sem receber nomes, 48% dizem não saber em quem votariam. João aparece com 21%, Raquel com 18%, Eduardo Moura com 1%, outros nomes somam 3%, e nulo ou branco fica em 9%.


Gráfico de barras sobre intenção de voto para governador em PE. João Campos lidera com 21%. 48% não sabem. Cores: vermelho e tons de cinza. Texto: % dos entrevistados.
Intenção de voto espontânea para governador em Pernambuco: João Campos lidera com 21%, seguido por Raquel Lyra com 18%, enquanto 48% dos entrevistados ainda estão indecisos. | Fonte: RealTime Big Data

A leitura é importante. A vantagem de João é real, mas o eleitorado ainda não está inteiramente consolidado. A espontânea revela uma disputa em que o favorito é reconhecido, porém ainda convive com um grande estoque de indecisão. Isso significa que a campanha entra em campo com espaço para crescimento, ataque e reposicionamento.


Nos dados segmentados, João Campos aparece numericamente à frente entre homens, mulheres e em todas as faixas etárias exibidas na pesquisa. Entre os homens, ele tem 48%, contra 35% de Raquel. Entre as mulheres, a diferença cresce para 52% a 31%.


Por idade, o ex-prefeito registra 53% entre eleitores de 16 a 34 anos, 50% na faixa de 35 a 59 anos e 47% entre os que têm 60 anos ou mais. Raquel marca 31%, 35% e 32%, respectivamente.


Gráfico de barras comparando João Campos (vermelho) e Raquel Lyra (cinza) por gênero, idade e renda. Campos lidera em todas as categorias.
Distribuição percentual de apoio a João Campos e Raquel Lyra por gênero, faixa etária e renda, destacando as diferenças entre os grupos analisados no cenário 1. | Fonte: RealTime Big Data

O corte de renda ajuda a entender a geografia social da disputa. João chega a 54% entre quem recebe até dois salários mínimos, enquanto Raquel tem 29%. Na faixa de dois a cinco salários, a diferença diminui para 46% a 40%. Entre os eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, a governadora aparece numericamente à frente, com 46%, contra 37%.


Esse bloco sugere um ponto sensível para a campanha de Raquel. Seu melhor desempenho está justamente na faixa de renda mais alta, menor em volume dentro da amostra. João, ao contrário, domina entre os segmentos de renda mais baixa, onde a massa eleitoral é mais larga.


A pesquisa também mede rejeição múltipla, e o resultado reforça o tamanho do problema para a governadora. 39% dizem que não votariam em Raquel Lyra. O índice é maior que o de João Campos, com 30%, de Ivan Moraes, com 33%, e de Eduardo Moura, com 25%.


Gráfico mostra rejeição e potencial de voto para governador de PE. Destacam-se Raquel Lyra e João Campos em barras coloridas.
Gráfico mostrando a rejeição e o potencial de voto para governador em Pernambuco: Raquel Lyra lidera em rejeição com 39%, enquanto João Campos tem o menor índice de rejeição entre os principais candidatos, mas lidera em certeza de voto com 23%. | Fonte: RealTime Big Data

Quando se observa a votabilidade, João também leva vantagem. Entre os entrevistados, 23% afirmam que votariam nele com certeza, e 40% dizem considerar essa possibilidade. É um potencial receptivo de 63%. Raquel soma 19% de voto certo e 35% de possibilidade, chegando a 54%. Ao mesmo tempo, 41% dizem conhecê-la e não votar nela. Em João, esse grupo fica em 31%.


Em linguagem de campanha, isso significa que João parte de uma base mais ampla de expansão e enfrenta uma barreira negativa menor. Raquel continua competitiva, mas precisa crescer enfrentando um teto de rejeição mais pesado.


Um dos dados mais relevantes do levantamento está na diferença entre aprovação administrativa e força eleitoral. O trabalho da governadora é aprovado por 51% e desaprovado por 45%. Em tese, é um saldo positivo.


Gráfico de pizza e barras sobre a avaliação da governadora em PE. 51% aprovam, 45% desaprovam. Ótimo/Bom 29%, Regular 46%, Ruim/Péssimo 22%.
Gráfico mostrando a aprovação do trabalho da governadora de Pernambuco, com 51% de aprovação, 45% de desaprovação e 4% de NS/NR. Na avaliação do governo, 29% consideram ótimo/bom, 46% regular e 22% ruim/péssimo, com 3% de NS/NR. | Fonte: RealTime Big Data

Mas a avaliação qualitativa revela entusiasmo contido. Apenas 29% classificam a gestão como ótima ou boa. A maioria, 46%, escolhe a opção regular. Outros 22% veem o governo como ruim ou péssimo.


Esse descolamento ajuda a explicar por que uma governadora com maioria simples de aprovação não lidera a disputa. Aprovar uma gestão não é o mesmo que desejar sua recondução automática. O eleitor pode reconhecer entregas, mas ainda assim preferir mudança, sobretudo quando um adversário entra no jogo com alto recall, baixa rejeição relativa e discurso de continuidade com renovação.


A pesquisa foi divulgada logo após uma etapa decisiva do calendário eleitoral. João Campos oficializou sua pré-candidatura ao governo em março e deixou a Prefeitura do Recife em 2 de abril para cumprir a exigência legal. Em 6 de abril, Victor Marques tomou posse como novo prefeito. Raquel Lyra, por sua vez, permanece no cargo e segue combinando agenda de governo com movimento eleitoral.


Esse contexto importa porque reduz a zona cinzenta da disputa. O eleitor passa a olhar menos para suposições e mais para candidaturas efetivamente em marcha. O RealTime Big Data capta justamente esse momento de transição entre especulação e enfrentamento direto.


Poucos dias antes, um levantamento do instituto Veritá havia apontado um quadro muito mais apertado, com empate entre João Campos e Raquel Lyra. O contraste entre as duas fotografias não autoriza conclusão apressada sobre tendência definitiva, mas revela uma campanha que ainda está em deslocamento acelerado.


Em outras palavras, o retrato de abril não é de estabilização plena. É de rearranjo. João larga na frente nesta rodada, mas o tamanho da indecisão espontânea e a velocidade das mudanças mostram que o jogo ainda admite variações.


Se no governo há um favorito, na disputa para o Senado o cenário é mais fragmentado. Em todos os cenários testados, Marília Arraes aparece na liderança.


Gráfico de barras mostra cenários eleitorais no Senado de Pernambuco, com colunas em vermelho, cinza e azul. Nomes e porcentagens exibidos.
Desempenho dos candidatos ao Senado de Pernambuco nos cenários consolidados, destacando Marília Arraes na liderança, seguida de Miguel Coelho e Anderson Ferreira, com variação entre os três cenários analisados. | Fonte: RealTime Big Data

No cenário 1 consolidado, que reduz a soma de primeiro e segundo votos para 100%, Marília tem 27%, seguida por Miguel Coelho, com 20%, Anderson Ferreira, com 18%, Humberto Costa, com 17% e Mendonça Filho, com 12%.


No cenário 2 consolidado, sem Miguel e com Eduardo da Fonte, Marília vai a 29%, Anderson marca 19%, Humberto fica com 17%, Mendonça registra 15% e Eduardo da Fonte chega a 11%.


No cenário 3 consolidado, com Miguel Coelho e Túlio Gadelha, Marília aparece com 28%, Miguel com 21%, Anderson com 19%, Humberto com 17% e Túlio com 8%.


A conclusão política é direta. A primeira vaga, hoje, parece mais próxima de Marília. A segunda segue aberta e depende fortemente da composição das chapas, da nacionalização da disputa e da capacidade de cada bloco de organizar palanque e transferência.


Quando o entrevistado aponta qual deve ser a prioridade do próximo governador, segurança pública lidera com 24%, seguida por saúde, com 20%, transporte, com 14%, e educação, com 12%. Economia e infraestrutura aparecem com 8% cada.


Gráfico de barras mostra prioridades para o próximo governador de Pernambuco: segurança pública (24%), saúde (20%), transporte (14%) e mais.
Prioridades do eleitorado em Pernambuco para o próximo governador: 24% destacam segurança pública, seguido por saúde com 20% e transporte com 14%. | Fonte: RealTime Big Data

O dado tem peso estratégico. Ele indica que a eleição pernambucana, ao menos neste momento, tende a ser menos abstrata e mais prática. O eleitor quer saber quem entrega ordem, serviço e circulação. A pesquisa ainda traz um item final repetido como infraestrutura em uma das lâminas, com 6%, o que exige cautela na leitura desse último bloco. Mesmo assim, a hierarquia principal está nítida.


Para João Campos, o desafio é clássico de quem lidera cedo: evitar a acomodação e impedir que a frente ampla que o cerca se torne um espaço de disputa interna pelo Senado e pela vice. Sua vantagem cresce quando a eleição se simplifica, mas ele ainda precisa converter popularidade municipal e capital simbólico em maioria estadual duradoura.


Para Raquel Lyra, a tarefa é mais complexa. Ela precisa transformar aprovação administrativa em desejo de recondução, reduzir rejeição, recuperar terreno entre eleitores de renda média e baixa e impedir que João consolide a narrativa de mudança segura. Como governadora no cargo, tem a máquina, a vitrine e a agenda. Mas carrega também o peso da comparação constante entre gestão e promessa.


A pesquisa RealTime Big Data ouviu 1.600 eleitores de Pernambuco entre 7 e 8 de abril de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança. O levantamento está registrado sob o número PE-05363/2026.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, eleições, dados públicos e temas de interesse coletivo.

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