Classificação de PCC e CV como grupos terroristas pelos EUA gera debate sobre segurança e soberania
- Michael Andrade

- 6 de jun.
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Por Michael Andrade, da redação de O Estopim Fonte: Jornal Nacional | sexta-feira (5) de junho de 2026
Especialistas divergem sobre impactos da medida americana para o combate ao crime organizado e a cooperação internacional.

A decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas provocou reações de autoridades e especialistas em segurança pública. O debate envolve possíveis impactos na cooperação internacional, no combate ao crime organizado e na soberania nacional.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, classificou a medida como um equívoco e afirmou que a decisão não altera a forma como o Brasil enfrenta as organizações criminosas.
Segundo ele, a legislação brasileira diferencia grupos terroristas de facções criminosas, uma vez que organizações terroristas possuem motivações ideológicas, religiosas ou políticas, enquanto as facções atuam com foco no lucro por meio de atividades ilícitas.
Rodrigues destacou que a estratégia brasileira de combate ao crime organizado está baseada na integração entre instituições, na prisão de lideranças e na descapitalização financeira das organizações.
No governo federal, a orientação é manter o diálogo com as autoridades americanas para evitar impactos negativos tanto na área da segurança quanto nas relações econômicas entre os dois países.
O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, avalia que a medida pode prejudicar a cooperação atualmente existente entre órgãos brasileiros e agências norte-americanas.
Já o coordenador da Escola de Segurança Multidimensional da Universidade de São Paulo (USP), Leandro Piquet, entende que a decisão pode abrir espaço para ampliar mecanismos de fiscalização, controle financeiro e troca de informações relacionadas ao crime organizado.
Segundo ele, medidas como congelamento de ativos e rastreamento de recursos no exterior podem contribuir para dificultar a atuação das facções.
O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, afirmou que a decisão pode gerar reflexos para o ambiente de negócios e investimentos, mas defendeu o fortalecimento do diálogo institucional para esclarecer a atuação das instituições brasileiras.
Até o momento, não houve anúncio de mudanças concretas na cooperação entre Brasil e Estados Unidos. Especialistas apontam que os efeitos práticos da medida dependerão dos desdobramentos diplomáticos e jurídicos nos próximos meses.
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