Israel Rubis diz que foi citado sem relação com o caso e apresenta sua versão sobre tumulto na Câmara de Arcoverde
- Raul Silva

- 21 de abr.
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Em entrevista por telefone ao Jornal Itapuama, na manhã desta terça-feira, ex-vice-prefeito afirmou que estava na academia quando ouviu seu nome ser mencionado na sessão, foi ao plenário para cobrar explicações e reagiu após o que classificou como ofensas e provocação
Por Raul Silva, da redação de O estopim - Fonte: Jornal Itapuama | 21 de abril de 2026

A crise política que voltou a expor a Câmara de Vereadores de Arcoverde na noite da segunda-feira, 20 de abril, ganhou novo capítulo na manhã desta terça-feira, 21, com a entrevista concedida por telefone por Israel Rubis à jornalista Zalxijoane Lins, durante o Jornal Itapuama. Na conversa, o ex-vice-prefeito e delegado apresentou sua versão para o tumulto registrado no plenário e sustentou que não tinha qualquer envolvimento com o processo político que dominava a sessão, afirmando que só foi até a Casa Legislativa depois de ouvir seu nome ser citado durante a transmissão. A sessão discutia o parecer da comissão prévia sobre o caso envolvendo Claudelino Costa, que havia renunciado ao mandato horas antes, e terminou interrompida em meio a bate-boca, acusações e confusão no plenário.
Na entrevista, Israel Rubis buscou, desde o início, construir uma defesa apoiada na ideia de distanciamento da política eleitoral e de ausência de vínculo com o episódio em debate na Câmara.
“Como é público e notório, em 2022, eu renunciei a um mandato. De lá pra cá, eu venho construindo gradativamente um cenário de me afastando do debate público e eleitoral”, afirmou.
Na mesma linha, acrescentou que sua rotina hoje é centrada no serviço público, nos estudos e na vida pessoal, tentando afastar a imagem de alguém movido por disputa política ou por desejo de confronto.
“Eu sou um sujeito de personalidade tranquila”, disse. “Minha vida é uma vida muito tranquila. Eu sou um cara de casa para o trabalho.”
O contexto da sessão ajuda a dimensionar o peso dessa declaração. A reunião da Câmara ocorreu poucas horas depois de Claudelino Costa formalizar a renúncia ao mandato em Arcoverde, em meio a acusações que vinham tensionando o ambiente político local. Com a saída do então vereador, o parecer em discussão apontava para o arquivamento do caso por perda de objeto, já que o processo de cassação não chegaria a ser concluído após a renúncia. Foi nesse cenário de desgaste institucional que a tribuna livre se transformou no principal foco de tensão da noite.
Segundo Israel Rubis, ele não acompanhava a sessão presencialmente. Disse que estava na academia com a esposa, mantendo sua rotina habitual, quando resolveu ouvir a transmissão.
“Ontem, como eu costumeiramente faço, fui para a academia com minha esposa”, relatou. Em seguida, explicou como passou a acompanhar o que se dizia no plenário: “Durante a atividade física, deu vontade de ver a sessão da Câmara. Eu estava escutando uma videoaula com um fone. Aí botei na sessão da Câmara.”
Foi, segundo sua narrativa, nesse momento que ouviu referências ao seu nome e decidiu deixar a academia para ir ao prédio do Legislativo.
Na versão apresentada por Rubis, o incômodo começou quando a discussão em tribuna, que na avaliação dele deveria se limitar ao mérito jurídico e político do caso em pauta, passou a incluir ataques pessoais.
“Ao invés de falar a respeito do processo lá, do mérito que ele desejava sustentar, ele começou a fazer julgamentos, começou a praticar ofensas”, declarou.
Em seguida, afirmou que o discurso atingiu primeiro seu irmão, o advogado Fernandes Braga, e depois passou a mencioná-lo nominalmente.
“Ele começou a me ofender, começou a querer me ridicularizar, me ofender. Eu não tenho nada a ver com esse processo de cassação.
A transmissão ao vivo da própria Câmara de Vereadores, confirma que a escalada de tensão teve início a partir do uso da Tribuna Popular pelo advogado Eldy Magalhães, que atuou em nome do empresário Micael Lopes no caso envolvendo Claudelino Costa. O advogado fez críticas a Fernandes Braga e também citou a vereadora Célia Galindo, o que ampliou a irritação no plenário. Em dado momento, ao rebater a parlamentar, Eldy Magalhães fez referência a embates anteriores envolvendo Israel Rubis, aumentando ainda mais a temperatura política da sessão.
Foi diante dessa citação, segundo sua entrevista, que Rubis decidiu ir à Câmara.
“De repente, vem meu nome numa situação lá de cima, de uma coisa que eu não tinha nada a ver”, disse.
Já no plenário, afirmou que permaneceu atrás e que não chegou ao local para partir imediatamente para a agressão.
“Se eu tivesse toda a vontade e a consciência de querer agredi-lo, eu tinha partido de onde eu estava”, declarou.
A frase funciona, na lógica de sua defesa, como tentativa de rebater a imagem divulgada em vídeos e relatos segundo a qual ele teria avançado sobre o advogado durante a confusão. Registros públicos do episódio publicados por perfis e veículos locais apontam que houve contenção física no plenário e que a sessão acabou encerrada após o tumulto.
Ao detalhar o momento decisivo da confusão, Israel Rubis disse que tentou interpelar o advogado após o encerramento da fala na tribuna.
“Eu sinalizei que eu estava querendo falar com ele. Eu disse: ‘Velho, o que aconteceu? Ficou difícil pra você me falar meu nome aqui’”, relatou.
Na sua versão, o quadro saiu do campo verbal para o físico quando, segundo ele, houve um gesto de intimidação.
“Ele simplesmente, em determinado momento, partiu com o dedo em riste dentro da minha cara. E aí eu realmente me irritei profundamente”, afirmou.
Em outro trecho, disse que seu desejo era deixar o local e voltar para casa:
“Eu quero ir pra minha casa.”
Essa narrativa é semelhante, em parte, à que já havia aparecido em relatos reproduzidos por veículos da região na cobertura da noite anterior. Em um deles, Rubis afirmou ter sido “agredido verbalmente” e declarou que o advogado o ofendeu sem que ele tivesse, segundo sua versão, qualquer relação com o caso. O mesmo relato aponta que, após o bate-boca, pessoas que estavam no plenário contiveram os envolvidos, enquanto o presidente da Câmara encerrou a sessão por falta de condições de prosseguimento.
Outro ponto central da fala de Israel Rubis foi a tentativa de separar sua figura da atuação profissional do irmão, Fernandes Braga, alvo de parte das críticas feitas na sessão.
“Meu irmão é um homem de 45 anos, tem a formação própria dele, é professor universitário, é advogado. E não cabe a mim dizer quem deve ou quem não deve ser defendido pelo meu irmão”, afirmou.
A declaração foi usada para responder, de maneira indireta, à linha de ataque que vinha sendo construída a partir da atuação jurídica de Fernandes no caso relacionado a Claudelino Costa.
No plano político, a entrevista também procurou fixar a imagem de Rubis como alguém que não pretende retornar à disputa eleitoral.
“Não tenho interesse de ser candidato, de me filiar a partido nenhum, de apoiar B, C, D, E, J, o que for. Não tenho interesse”, disse.
Trata-se de uma afirmação relevante porque o ambiente de Arcoverde tem sido marcado por sucessivas crises entre vereadores, denúncias, trocas de acusações e reacomodações de grupos políticos. A renúncia de Claudelino Costa, anunciada ontem, já havia alterado a pauta e o eixo do debate legislativo local, e o tumulto acrescentou mais instabilidade a um quadro que já era delicado.
O que se tem de objetivamente consolidado até o momento é que a sessão da Câmara de Arcoverde terminou em confusão, que a pauta estava diretamente ligada aos desdobramentos da renúncia de Claudelino Costa e que a intervenção de Eldy Magalhães na tribuna foi o estopim imediato para a desordem no plenário. A partir daí, a dinâmica exata do confronto entre o advogado e Israel Rubis permanece atravessada por versões dos envolvidos e pela disputa pública em torno da responsabilidade pelo episódio.
Na entrevista ao Jornal Itapuama, Israel Rubis deixou claro qual é a interpretação que deseja fixar sobre os fatos: a de que não fazia parte do conflito político central da sessão, a de que foi nominalmente atacado sem ter ligação com o caso debatido e a de que sua reação se deu, segundo ele, depois de ofensas e provocação direta.
“Eu não tenho envolvimento nenhum com essa situação”, declarou.
Em uma Câmara que já vinha operando sob temperatura alta, a manhã desta terça-feira serviu menos para esfriar os ânimos do que para ampliar a batalha de versões sobre um episódio que expôs, mais uma vez, o esgarçamento da política local. Em Arcoverde, o plenário virou arena; novidade, infelizmente, só para quem ainda acredita em conto de fadas legislativo.
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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim, com atuação em política, poder local e fiscalização do setor público.
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