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Sobreviventes de ataques de tubarão em Pernambuco relatam sequelas e cobram medidas para evitar novos casos

Por Michael Andrade, da redação de O estopim

Fonte: G1 | Fotos: Reprodução TV Globo | quinta-feira (4) de junho de 2026


Estado soma 84 incidentes com tubarões desde 1992; vítimas relembram traumas após novos casos registrados em Piedade e Boa Viagem.


Charles Heitor e Charles Veras sobreviveram a incidentes com tubarções em Pernambuco                                              Foto: Reprodução/TV Globo
Charles Heitor e Charles Veras sobreviveram a incidentes com tubarções em Pernambuco Foto: Reprodução/TV Globo


Os recentes ataques de tubarão registrados no litoral pernambucano reacenderam o debate sobre segurança nas praias do estado. Pernambuco contabiliza 84 incidentes desde 1992 e sobreviventes de casos antigos afirmam que as sequelas físicas e emocionais permanecem por toda a vida.


Entre eles está Charles Heitor, hoje com 48 anos. Em 1º de maio de 1999, aos 21 anos, ele surfava na praia de Boa Viagem, no Recife, quando foi atacado por um tubarão cabeça-chata. O incidente resultou na amputação das duas mãos.


Segundo Charles, após o resgate começou uma longa jornada de recuperação e adaptação. As próteses biônicas só foram obtidas mais de uma década depois, após uma ação judicial contra o Estado. Os equipamentos, importados da Escócia, custaram cerca de R$ 654 mil.


Charles Heitor teve as duas mãos amputadas após mordida de tubarão na Praia de Boa Viagem.                    Foto: Reprodução/TV Globo
Charles Heitor teve as duas mãos amputadas após mordida de tubarão na Praia de Boa Viagem. Foto: Reprodução/TV Globo

Atualmente bacharel em Direito, Charles também fundou a Associação de Vítimas de Tubarão (Avituba), criada em 2021 para apoiar sobreviventes de ataques. O projeto, porém, não teve continuidade por falta de apoio.


Outro sobrevivente é Charles Roberto Soares Veras, de 47 anos. Em janeiro de 1993, quando tinha 14 anos, ele foi atacado por um tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e perdeu parte da perna esquerda.


Charles Veras teve parte da perna arrancada por mordida de tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes  Foto: Reprodução/TV Globo
Charles Veras teve parte da perna arrancada por mordida de tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes Foto: Reprodução/TV Globo

Após anos de tratamento e fisioterapia, Charles seguiu a vida profissional como representante comercial, convivendo com as limitações deixadas pelo ataque.


Os relatos ganharam força após os dois casos registrados nesta semana. No domingo (31), João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, foi mordido por um tubarão na praia de Piedade e teve a perna esquerda amputada. Já na segunda-feira (1º), Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, foi atacada na praia de Boa Viagem e perdeu a perna direita.


As duas vítimas seguem internadas no Hospital da Restauração, no Recife.


Para os sobreviventes, além da conscientização dos banhistas, é necessário ampliar ações preventivas e fortalecer pesquisas sobre o comportamento dos tubarões na costa pernambucana.


Charles Heitor defende a utilização de alertas enviados diretamente aos celulares da população em períodos considerados de maior risco.


Já Charles Veras chama atenção para a necessidade de manter pesquisas e monitoramento contínuos dos animais.


Os dois estão entre as primeiras vítimas registradas pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). Mais de três décadas após os primeiros registros oficiais, eles afirmam que o desafio de reduzir novos incidentes continua presente no litoral pernambucano.


Foto: Reprodução


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