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Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Agência Brasil | domingo (15) de março de 2026


Fenaj, Abraji e Sindicato dos Jornalistas do DF cobram proteção a profissionais que atuam em frente ao Hospital DF Star.


Foto: Marcelo Camargo
Foto: Marcelo Camargo

Entidades que representam jornalistas brasileiros repudiaram as agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa que trabalham em frente ao Hospital DF Star, em Brasília, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13).


A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção aos profissionais que acompanham a movimentação no hospital.


Segundo a Abraji, os ataques começaram após uma influenciadora digital bolsonarista divulgar um vídeo em que acusa jornalistas que aparecem em imagens gravadas na porta da unidade hospitalar de desejarem a morte do ex-presidente. O conteúdo foi compartilhado por parlamentares e também pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem milhões de seguidores nas redes sociais.


Na avaliação da associação, a divulgação do vídeo, sem verificação prévia, foi irresponsável e expôs profissionais que estavam apenas exercendo o trabalho jornalístico a ameaças, ofensas e campanhas de difamação.


A Abraji informou ainda que as agressões não ficaram restritas ao ambiente digital. Pelo menos duas repórteres teriam sofrido ataques presenciais após serem reconhecidas na rua. Segundo a entidade, também passaram a circular montagens e vídeos produzidos com uso de inteligência artificial, incluindo simulações de violência contra uma jornalista, além da exposição de fotos de filhos e parentes de profissionais da imprensa como forma de intimidação.


Em nota conjunta, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembraram que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico. As entidades informaram que devem solicitar reforço da Polícia Militar em frente ao hospital para impedir agressões e cerceamento ao trabalho da imprensa.


As organizações também pediram apuração rigorosa das ameaças virtuais, identificação dos responsáveis e responsabilização dos autores. Além disso, cobraram das empresas jornalísticas apoio jurídico e condições de segurança para os trabalhadores escalados para a cobertura.


Internação


Bolsonaro está internado na UTI do Hospital DF Star tratando de uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Segundo boletim médico divulgado neste domingo, o quadro clínico é estável, com melhora da função renal, mas houve elevação de marcadores inflamatórios, levando os médicos a ampliar a dosagem de antibióticos.


Ainda não há previsão de alta da UTI. Após deixar o hospital, Bolsonaro deverá retornar à Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados.


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Por Raul Silva para O Estopim | 04 de janeiro de 2026


A madrugada de 3 de janeiro de 2026 expôs a víscera mais inflamada da extrema-direita brasileira. Enquanto bombas norte-americanas estilhaçavam a soberania de uma nação sul-americana e tropas estrangeiras sequestravam um chefe de Estado no Palácio de Miraflores, uma parcela ruidosa de parlamentares brasileiros não sentiu apreensão, cautela ou respeito diplomático. Eles sentiram êxtase.


A mascara caída do falso patriotismo — Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP, Saul Loeb/AFP e Mario Agra/Câmara dos Deputados
A mascara caída do falso patriotismo — Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP, Saul Loeb/AFP e Mario Agra/Câmara dos Deputados

A celebração de figuras como Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Bia Kicis e Flávio Bolsonaro diante da Operação Absolute Resolve não é apenas um sintoma de antipetismo patológico. É a confissão definitiva de que o movimento bolsonarista abandonou qualquer pretensão de nacionalismo para abraçar um projeto de submissão colonial. A festa com a queda de Caracas é, na verdade, um pedido de socorro de quem falhou em dar um golpe com as próprias mãos em 8 de janeiro de 2023 e agora implora para que o "Grande Irmão" do Norte venha terminar o serviço em Brasília.


A peregrinação da traição: de Brasília a Washington Patriotismo


Para entender o júbilo de janeiro de 2026, é preciso olhar para o trabalho de formiga feito nos anos anteriores. O bolsonarismo inaugurou uma nova modalidade de política externa: a diplomacia da delação premiada.


Desde a derrota em 2022, comitivas lideradas por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Gustavo Gayer (PL-GO), acompanhadas de influenciadores como Paulo Figueiredo, transformaram os corredores do Capitólio dos EUA em um muro das lamentações contra o Brasil. O objetivo nunca foi defender interesses comerciais nacionais, mas sim implorar por sanções contra a própria pátria.


A articulação com o deputado republicano Chris Smith para aprovar o No Funding or Enforcement of Censorship Abroad Act (HR 9850) é a prova cabal dessa traição. Parlamentares brasileiros eleitos com o voto popular trabalharam ativamente para que uma potência estrangeira cortasse verbas e impusesse sanções a autoridades judiciais brasileiras, sob o pretexto falacioso de "liberdade de expressão". Eles pediram, em bom inglês, que os EUA punissem o Brasil porque o STF ousou defender a democracia contra seus ataques.


O "Deus, Pátria e Família" do bolsonarismo tem um asterisco: a Pátria só serve se for governada por eles. Caso contrário, que seja sancionada, isolada ou, como sonham ao olhar para a Venezuela, invadida.


O espelho de Caracas e a fantasia golpista


A reação nas redes sociais foi pedagógica. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) não se limitou a comentar; ele divulgou montagens substituindo o rosto de Nicolás Maduro pelo do presidente Lula sendo preso por agentes estrangeiros. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), num ato falho de desejo reprimido, profetizou que "Lula será delatado" e que o "Foro de São Paulo acabou".


Essa euforia revela a impotência política do grupo que defende o "Patriotismo". Tendo falhado em mobilizar as Forças Armadas brasileiras para um golpe clássico, e vendo o cerco da Polícia Federal se fechar sobre a trama de 8 de janeiro, o bolsonarismo terceirizou sua esperança golpista para Donald Trump. Eles olham para os helicópteros Black Hawk sobre Caracas e não veem uma tragédia geopolítica; veem um trailer do que desejam para o Palácio do Planalto. É a "Síndrome de Vira-Lata" elevada à categoria de estratégia militar.


#CongressoInimigoDoPovo: A guerra interna


Enquanto seus olhos brilham com a intervenção externa, suas mãos operam a destruição interna. A bancada que aplaude o imperialismo é a mesma que transformou o Legislativo no #CongressoInimigoDoPovo. A coerência é macabra: eles odeiam a soberania nacional tanto quanto odeiam o bem-estar da população brasileira.


  1. A Anistia da Impunidade: A obsessão pela PL da Anistia para os golpistas de 8 de janeiro não é sobre justiça; é sobre autoperdão. Parlamentares como Carla Zambelli e Bia Kicis sabem que a punição dos executores é o prelúdio da punição dos mandantes. Eles querem apagar a história da tentativa de abolição do Estado de Direito para ficarem livres para tentar de novo — desta vez, talvez, com apoio logístico externo.


  2. PEC das Praias (A Venda do Litoral): O mesmo Flávio Bolsonaro que celebra a invasão da Venezuela é o relator da famigerada PEC 3/2022, que abre caminho para a privatização de terrenos de marinha. Sob o disfarce de regularização, a proposta entrega o patrimônio ambiental e estratégico do litoral brasileiro à especulação imobiliária, muitas vezes internacional. É a soberania fatiada e vendida em lotes para resorts de luxo, enquanto a população local é empurrada para longe do mar.


  3. PL do Estupro (O Ódio às Mulheres): A bancada fundamentalista, liderada por nomes como Sóstenes Cavalcante, tentou impor o PL 1904/24, equiparando o aborto legal (mesmo em casos de estupro) ao homicídio. É o sadismo legislativo: punir meninas estupradas com penas maiores que as de seus estupradores.


Não podem voltar nunca mais


A invasão da Venezuela funcionou como um reagente químico, revelando a verdadeira cor do bolsonarismo. Não é verde e amarelo; é a cor da submissão.


Um grupo político que:


  • Pede sanções econômicas contra o próprio país em Washington;

  • Celebra o bombardeio de uma capital sul-americana;

  • Posta montagens sonhando com a prisão do seu presidente por tropas estrangeiras;

  • Tenta anistiar quem destruiu os Três Poderes;

  • Quer privatizar as praias e revitimizar mulheres violentadas;


Este grupo não é "oposição". É uma facção antinacional. A defesa da democracia brasileira em 2026 passa, obrigatoriamente, pelo banimento político, através do voto, desta casta que, se pudesse, trocaria a faixa presidencial por um cargo de gerente regional de uma colônia norte-americana. O Brasil é grande demais para ser governado por quem sonha em ser pequeno.

Deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA) será o responsável por analisar a representação por quebra de decoro parlamentar. O processo, que pode levar à cassação do mandato do filho do ex-presidente, entra agora em sua fase inicial.

Por Redação d'O estopim | 26 de setembro de 2025


Brasília – O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, Julio Arcoverde (PP-PI), definiu nesta sexta-feira (26) o relator do processo disciplinar movido contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O escolhido para conduzir a análise inicial do caso foi o deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), um político experiente e membro de um partido que recentemente adotou uma postura de independência em relação ao governo.


Confira nossa análise em áudio

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Leur Lomanto Júnior, e os próximos passos rumo à possível cassaçãoO estopim

Leur Lomanto Júnior (União-BA) - Fonte: Portal da Câmara dos Deputados
Leur Lomanto Júnior (União-BA) - Fonte: Portal da Câmara dos Deputados

A definição do relator é um passo crucial e dá início formal à tramitação de um dos processos mais politicamente sensíveis da atual legislatura. A representação, protocolada em conjunto pelos partidos PSOL e Rede Sustentabilidade, acusa o parlamentar de quebra de decoro por supostamente ter feito ameaças a outros congressistas e por discursos que, segundo os autores, atentariam contra as instituições democráticas e o Estado de Direito.


Quem é o relator?


Leur Lomanto Júnior pertence ao União Brasil, partido que acaba de formalizar sua saída da base de apoio do governo Lula. Essa posição de "independência" coloca o relator em uma posição-chave, teoricamente menos suscetível às pressões diretas tanto do Palácio do Planalto quanto da oposição bolsonarista.


Membro de uma família com longa tradição na política baiana, Lomanto Júnior é visto como um parlamentar de perfil moderado, filiado ao chamado Centrão. Sua atuação será fundamental para ditar o ritmo e a direção do processo. A escolha de um nome do União Brasil para a relatoria é, por si só, um elemento de imprevisibilidade no desfecho do caso.


Quais os próximos passos?


Com a designação oficial, o rito processual começa a correr. Leur Lomanto Júnior terá agora um prazo de 10 dias úteis para apresentar um parecer preliminar. Neste documento, ele deverá decidir por uma de três vias:


  1. Arquivamento: Caso entenda que a denúncia não tem fundamento ou não constitui quebra de decoro, pode recomendar o arquivamento imediato do processo.

  2. Continuidade: Se considerar que há indícios de infração ética, ele recomendará a continuidade das investigações.

  3. Diligências: O relator pode ainda solicitar a realização de diligências para coletar mais informações antes de tomar sua decisão.


Se o parecer for pela continuidade, ele será votado pela maioria simples dos membros do Conselho de Ética. Aprovado, o processo entra na fase de instrução, na qual Eduardo Bolsonaro será notificado para apresentar sua defesa por escrito e arrolar até oito testemunhas. O relator, por sua vez, poderá ouvir as testemunhas de acusação e defesa, coletar provas e, ao final, elaborar um parecer de mérito, que também será submetido à votação no colegiado.


As possíveis punições e o cenário político


O processo no Conselho de Ética pode resultar em um leque de penalidades, que variam em gravidade, desde uma censura verbal ou escrita, passando pela suspensão temporária do mandato por até seis meses, até a punição máxima: a cassação do mandato parlamentar.


A instauração do processo e a escolha do relator elevam a temperatura política em Brasília. Para a base governista e partidos de oposição a Bolsonaro, o caso é um teste para a capacidade do Conselho de Ética de punir o que consideram "excessos" e reafirmar os limites da imunidade parlamentar. Já para os aliados do ex-presidente, o processo é visto como mais um capítulo de uma suposta "perseguição política" contra a família Bolsonaro e seus apoiadores.


A definição do relator marca o início de uma batalha jurídica e política que deve se estender pelos próximos meses no Congresso Nacional. O parecer de Leur Lomanto Júnior será o primeiro termômetro crucial sobre a força da representação e as chances reais de uma punição efetiva a um dos principais nomes e influenciadores do bolsonarismo no país.

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