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Sociedade

Por Michael Andrade, da redação de O Estopim - Fonte: Agência Brasil | terça-feira (24) de fevereiro de 2026


Ministros do STF acompanham o voto de Alexandre de Moraes e condenam envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio de Fernanda Chaves.


Imagem: Reprodução Rede Globo
Imagem: Reprodução Rede Globo

Em um julgamento marcado pela definição das responsabilidades dos envolvidos no caso Marielle Franco e Anderson Gomes, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira (24) os réus acusados pelo assassinato da vereadora e do motorista, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves. O julgamento, realizado em plenário, se concentrou nas acusações de homicídio e obstrução de justiça, com penas a serem definidas posteriormente.


O voto do ministro Alexandre de Moraes foi seguido pelos ministros Cristiano Zanin, Cármem Lúcia e Flávio Dino. Segundo Moraes, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, o ex-deputado e conselheiro do TCE-RJ e seus comparsas foram responsáveis pela execução do assassinato, com a participação de outros membros do esquema criminoso.


Acusações e condenaçõesO caso teve como base as delações premiadas, incluindo a de Ronnie Lessa, réu confesso do assassinato de Marielle Franco. O Supremo identificou que os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa atuaram como mandantes, enquanto outros réus como Ronald Alves de Paula e Robson Calixto tiveram papéis executivos na logística do crime.


No julgamento, Moraes votou pela condenação dos irmãos Brazão por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio de Fernanda Chaves. O ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, foi condenado por obstrução de justiça e corrupção passiva. Já Ronald Alves e Robson Calixto, ambos envolvidos diretamente na execução dos crimes, também receberam condenações pela sua participação no esquema.


Testemunhos e provasO voto dos ministros Zanin e Cármem Lúcia corroboraram com o entendimento de Moraes, destacando a credibilidade das delações premiadas que foram determinantes para a identificação dos responsáveis. Apesar das dúvidas sobre a participação direta de Rivaldo Barbosa nos homicídios, todos os ministros concordaram com as condenações por obstrução de justiça e corrupção.


Próximos passosO julgamento entra agora na fase de definição das penas, com a possibilidade de revisão de sentenças conforme as alegações finais de defesa e acusação. A conclusão desse julgamento é um marco importante na busca por justiça no caso Marielle e Anderson, que continua a mobilizar o Brasil.


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Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Agência Brasil | segunda-feira (16) de fevereiro de 2026


Ação amplia divulgação do Ligue 180, orienta sobre importunação sexual e reúne 18 estados, incluindo Pernambuco, com pontos de apoio e material informativo.


Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Para reforçar que assédio, importunação sexual e desrespeito às mulheres não têm espaço no carnaval, o Ministério das Mulheres mobilizou secretarias estaduais de políticas para as mulheres para ampliar o alcance da campanha “Se liga ou eu ligo 180”. A iniciativa busca incentivar a denúncia e o enfrentamento à violência durante a folia.


De acordo com a pasta, em ambientes de grande aglomeração, como blocos de rua e shows, são recorrentes relatos de toques indevidos, beijos forçados, apalpamentos, abordagens insistentes e comentários de teor sexual. O ministério ressalta que essas condutas violam direitos, causam constrangimento e podem gerar responsabilização criminal, independentemente da roupa da vítima ou do consumo de bebida alcoólica.


Ao todo, 18 estados aderiram à campanha: Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins.


Ações durante a folia


Em diversos estados, foram montados pontos de apoio e tendas em áreas de grande circulação, com faixas e mensagens de orientação para denúncia. Também estão sendo distribuídos folhetos e brindes informativos, como fitas, adesivos, tatuagens temporárias, pulseiras e viseiras, com indicação de estruturas públicas de proteção e acolhimento a mulheres.


O Ministério das Mulheres informou ainda a instalação de balões infláveis em avenidas de capitais e a divulgação do Ligue 180 por mensagens enviadas a celulares em sete cidades com grandes comemorações: Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Recife, Olinda e Maceió.


Como denunciar


A campanha orienta que qualquer toque, abordagem ou exposição sem consentimento é crime e deve ser denunciado. A Lei nº 13.718/2018 tipifica a importunação sexual como crime, com pena de reclusão de um a cinco anos, quando o ato não constitui crime mais grave.


Os canais indicados são:


  • 180 – Central de Atendimento à Mulher: orientação, registro de denúncias e encaminhamento à rede de proteção;

  • 190 – Polícia Militar: para situações de risco imediato, como agressão, ameaça, perseguição ou violência em andamento;

  • DEAMs – Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher: atendimento presencial, registro de ocorrência e encaminhamentos;

  • Organização do bloco ou do evento: para acionar seguranças e equipes de apoio e garantir proteção imediata.


O Ligue 180 funciona 24 horas, todos os dias, com ligação gratuita. A denúncia pode ser anônima e também pode ser feita via chat no WhatsApp (61) 9610-0180.

Parcerias e outras campanhas


A mobilização conta com apoio da Caixa Econômica Federal, com mensagens em bilhetes emitidos em lotéricas, e da Polícia Rodoviária Federal, com divulgação em faixas nas rodovias federais. Concessionárias de rodovias também exibem mensagens em painéis eletrônicos e praças de pedágio.


Com apoio do Ministério das Mulheres, o Governo Federal também divulgou outras campanhas para o período, como “Sem Racismo o Carnaval Brilha Mais” e “Pule, Brinque e Cuide”, voltada ao enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes.


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Por Dante Montenegro Analista de Geopolítica \ 25 de janeiro de 2026


A arquitetura de segurança global, aquela velha catedral erguida sobre os escombros de 1945 e sustentada pelo mito da "ordem liberal baseada em regras", não está apenas em ruínas; ela foi implodida e o terreno já foi vendido para o maior lance. O retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025 não inaugurou apenas uma nova administração, mas uma nova era geológica na política internacional: a era da Pax Armada.


Agente federal e manifestante gesticulam durante protesto contra o assassinato de Renee Nicole Good em Minneapolis, Minnesota, EUA8 de janeiro de 2026 | Foto: Tim Evans/Reuters
Agente federal e manifestante gesticulam durante protesto contra o assassinato de Renee Nicole Good em Minneapolis, Minnesota, EUA 8 de janeiro de 2026 | Foto: Tim Evans/Reuters

Esqueça as ilusões do "Fim da História" de Fukuyama, onde a democracia liberal seria o destino inevitável da humanidade. Neste novo teatro, a distinção clássica entre segurança pública interna e guerra externa evaporou completamente. O mesmo aparato estatal que hoje negocia a soberania da Ucrânia como se fosse um ativo imobiliário tóxico é o que aplica táticas de contrainsurgência militar, testadas em Bagdá e Cabul, nas ruas do Meio-Oeste americano. Para o observador atento, o Heartland de Mackinder, a região pivô da Eurásia, e as avenidas geladas de Minneapolis agora obedecem à mesma lógica de Realpolitik brutal: a soberania tornou-se um privilégio condicional, e a segurança, uma commodity transacionável, acessível apenas àqueles que podem pagar a taxa de proteção do hegemon.


Pax Armada: A falência corporativa da Ucrânia


O "plano de paz" para a Ucrânia, arquitetado nos bastidores por nomes como Keith Kellogg e Richard Grenell, deve ser lido não como um exercício de diplomacia clássica, mas como uma reestruturação de falência corporativa agressiva (um hostile takeover). A estratégia da "dupla coerção", a ameaça simultânea a Moscou com o fornecimento irrestrito de armas de longo alcance e a Kiev com o corte total de fundos vitais, produziu o resultado desejado pelo capital financeiro, não pelos humanistas de Genebra.


O congelamento das linhas de fronteira e a criação de "zonas autônomas" no leste ucraniano nada mais são do que a aceitação tácita da força bruta como legisladora das fronteiras. Estamos testemunhando a criação de um novo Muro de Berlim, mas desta vez, ele não é ideológico; é funcional. Ao negar à Ucrânia o reconhecimento de jure sobre seus territórios perdidos, mas aceitar o controle de facto russo, Washington cria um estado de limbo permanente, uma "Coreia no Dnieper", onde a instabilidade controlada serve aos interesses de contenção sem o risco de armagedom nuclear.


Follow the Money: A geopolítica do lítio


Mas o que a mídia tradicional ignora, distraída pela retórica política inflamada e pelos tweets presidenciais, é o imperativo geoeconômico: follow the money. A paz na Eurásia não foi negociada com promessas de liberdade, foi comprada com lítio, titânio e terras raras.


O acordo bilateral pouco divulgado, que canaliza 50% das receitas futuras da exploração mineral ucraniana para um fundo de investimento gerido pelos EUA, revela a verdadeira natureza do jogo. Em um mundo faminto por baterias para veículos elétricos e ligas para a indústria aeroespacial, a Ucrânia possui algumas das maiores reservas inexploradas da Europa. A conclusão é cínica, porém inegável: Kiev não está sendo "salva" por seus valores democráticos ocidentais, mas preservada como um elo vital e cativo na cadeia de suprimentos da indústria bélica e tecnológica americana, visando reduzir a dependência da China.


A reconstrução do país, com custos estimados em meio trilhão de dólares, não será um Plano Marshall estatal e altruísta focado no bem-estar social. Será um banquete privado para gigantes como a BlackRock, o JPMorgan e empreiteiras de defesa como a Halliburton. O que assistimos é a privatização definitiva da segurança nacional, onde o lucro da reconstrução é garantido pelo contribuinte americano, mas os dividendos são inteiramente privados.


O boomerang imperial: Minnesota como laboratório


Enquanto as taças de champanhe tilintam em acordos secretos nos hotéis de luxo da Europa, a democracia sangra no front doméstico. O filósofo Michel Foucault e a teórica Hannah Arendt já alertavam sobre o "efeito bumerangue": as técnicas de repressão e controle desenvolvidas nas colônias inevitavelmente retornam para serem aplicadas contra os cidadãos da metrópole.


A "Operação Metro Surge" em Minnesota é a materialização desse pesadelo. Ao transformar cidades americanas em laboratórios de guerra urbana, despachando 3.000 agentes federais táticos (ICE e CBP) para ocupar Minneapolis, Washington cruzou o Rubicão. O alvo não é o crime comum, mas populações específicas, comunidades Hmong e Somali, tratadas sob a ótica da "população suspeita" típica de zonas de conflito.


A erosão da Posse Comitatus, a lei sagrada de 1878 que historicamente impedia as forças militares de agirem como polícia civil, é o sinal mais claro de que o Império voltou suas armas para dentro. Quando drones de vigilância sobrevoam subúrbios americanos e agentes federais sem identificação detêm cidadãos em veículos descaracterizados, a República cede lugar ao Estado de Segurança Nacional. A dissidência interna passa a ser tratada com o mesmo hard power reservado a insurgentes estrangeiros.


Agentes do ICE imobilizando Alex Pretti antes de sua execução | Foto: Tim Evans/Reuters
Agentes do ICE imobilizando Alex Pretti antes de sua execução em 25 de janeiro de 2026 | Foto: Tim Evans/Reuters

O alvo nas costas do Brasil


E é aqui que o Brasil precisa acordar urgentemente de seu sono dogmático e de sua diplomacia de "boas intenções". A nova doutrina de Washington, que permite classificar cartéis de drogas como "combatentes ilegais" (unlawful combatants), é a ameaça jurídica mais grave à soberania sul-americana em décadas.


Esta designação não é mera retórica; ela tem peso jurídico internacional, baseado no precedente de Guantánamo pós-11 de setembro. Ao classificar grupos criminosos como combatentes militares em vez de civis, os EUA retiram as proteções do devido processo legal e autoatribuem-se o direito de guerra. É a ressurreição do Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe, agora anabolizado com drones Reaper e inteligência artificial.


Para os estrategistas do Pentágono, a distinção entre uma operação policial colaborativa contra o narcotráfico e uma intervenção militar cinética (ataques de precisão, inserção de forças especiais) na Amazônia ou na Tríplice Fronteira tornou-se meramente semântica. Se o PCC ou o Comando Vermelho forem rotulados como braços de uma ameaça terrorista global, a soberania brasileira sobre seu próprio território será considerada, por Washington, um obstáculo burocrático a ser contornado em nome da "segurança hemisférica".


O triângulo de pressão e a necessidade de realismo


O Brasil encontra-se, portanto, em um triângulo de pressão asfixiante, exigindo uma sofisticação estratégica que Brasília raramente demonstra.


  1. O Vértice Econômico (O Dilema do Agronegócio): O setor respira aliviado com a possibilidade de normalização do fluxo de fertilizantes russos e bielorrussos, essenciais para nossa segurança alimentar e balança comercial. No entanto, essa dependência nos torna vulneráveis a "sanções secundárias" caso os EUA decidam usar o sistema financeiro (SWIFT) como arma para forçar alinhamento político.


  2. O Vértice Territorial (A Amazônia): Nossa soberania na floresta nunca esteve tão ameaçada. Não por invasões de exércitos regulares marchando sobre a fronteira, mas pela erosão gradual da autoridade estatal frente à internacionalização do combate ao crime organizado. A "ajuda" americana pode vir acompanhada de bases, consultores e, eventualmente, diretrizes operacionais que ignoram o comando em Brasília.


  3. O Vértice Diplomático (A Corda Bamba): A nossa tradicional diplomacia de "neutralidade ativa" e a aposta na multipolaridade dos BRICS irritam profundamente uma Casa Branca que opera agora sob uma lógica binária maniqueísta: "ou você é um vassalo, ou é um rival". A tentativa do Brasil de se posicionar como líder do Sul Global pode ser interpretada por Trump não como autonomia, mas como cumplicidade com o eixo China-Rússia.


Si vis pacem, para bellum


A conclusão é amarga, mas necessária para qualquer mente sóbria. A era da diplomacia de salão, dos coquetéis na ONU e das notas de repúdio inócuas acabou. O Direito Internacional tornou-se uma ficção reconfortante que os fracos citam e os fortes ignoram.


O Brasil não pode mais se dar ao luxo de ingenuidades ideológicas, seja à esquerda ou à direita. Washington não tem amigos, tem interesses corporativos predatórios; Moscou não tem parceiros, tem reféns estratégicos e clientes.


Se quisermos sobreviver à Pax Armada sem nos tornarmos um protetorado de fato, o Brasil deve parar de terceirizar sua segurança e sua estratégia. Precisamos blindar a Amazônia não com retórica ambientalista vazia para agradar ONGs europeias, mas com presença militar dissuasória, tecnologia de monitoramento soberana e infraestrutura real de integração. Devemos navegar o mercado global aproveitando o pragmatismo das commodities, mas sabendo que, neste novo tabuleiro de xadrez tridimensional, quem não projeta poder (Hard Power), torna-se inevitavelmente território de extração.


O mundo mudou radicalmente. A complacência será punida com a irrelevância ou, no pior dos cenários, com a intervenção direta.

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