Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: G1 | quinta-feira (19) de março de 2026
André Maia Oliveira estava foragido havia mais de 24 horas e foi preso após mandado judicial por tentativa de feminicídio e descumprimento de medida protetiva.
Foto: Divulgação
A Polícia Civil prendeu, na tarde desta quinta-feira (19), André Maia Oliveira, investigado por invadir o prédio da ex-companheira e atirar diversas vezes contra a porta do apartamento onde ela estava, no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife. Segundo as informações divulgadas, ele estava foragido havia mais de 24 horas.
De acordo com a apuração divulgada, André Maia Oliveira se apresentou na Delegacia de Casa Amarela, no Recife, e depois foi levado para a Delegacia da Mulher, no bairro do Rosarinho. A prisão ocorreu em cumprimento a mandado expedido pela Justiça, após solicitação da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.
O caso aconteceu na terça-feira (17), na Rua Santo Elias, no Espinheiro. Segundo o relato, o investigado derrubou o portão da garagem do edifício com o carro, subiu até o andar onde mora a ex-companheira com a mãe e atirou ao menos 20 vezes contra a porta do imóvel. Testemunhas afirmaram ainda que ele levava um galão de gasolina e que havia a suspeita de tentativa de incêndio.
Ainda segundo as informações divulgadas, a vítima possuía medida protetiva contra o ex-companheiro. Após a fuga, o carro utilizado na ação foi encontrado nas proximidades do Shopping Plaza, em Casa Forte, e a arma usada no crime também foi apreendida.
Após os procedimentos policiais, André Maia Oliveira deve ser encaminhado ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, onde ficará à disposição da Justiça.
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Por Atlas Siqueira para O estopim Tech | 3 de Março de 2026
O que antes era uma promessa de ficção científica virou rotina de quartel. Na guerra que se abriu com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, sistemas de inteligência artificial deixaram de ser apenas apoio periférico e passaram a ocupar o centro do tabuleiro: filtrando imagens, cruzando sinais, sugerindo alvos e encurtando o tempo entre ver e destruir.
Guerra na Ucrânia | Foto: Reprodução
O resultado prático é um tipo de conflito em que a vantagem não é só ter mais mísseis. É ter mais dados e capacidade de transformar dados em decisões. A diferença é que, quando a decisão vira um fluxo automatizado, o erro também ganha escala.
O que mudou no campo de batalha
A ofensiva começou com ataques aéreos e de mísseis contra estruturas estratégicas, em especial alvos ligados a capacidades nucleares e ao complexo de mísseis do Irã. Em poucos dias, a guerra passou a ter dois rostos simultâneos.
O primeiro é o do choque político e simbólico, com a decapitação de lideranças e uma disputa pela narrativa do que foi atingido, por quê e com qual legalidade.
O segundo é o do impacto humano, mais silencioso e mais brutal. Um dos episódios mais graves desta escalada foi o ataque que atingiu uma escola de meninas no sul do país, com relatos de dezenas de crianças mortas e imagens que correram o mundo. A tragédia não é apenas um acidente colateral. Ela é o retrato do risco de um conflito que tenta operar rápido demais.
A engrenagem invisível: como a inteligência artificial entra na guerra
Quando militares falam em encurtar a “cadeia de destruição”, estão falando de reduzir o caminho entre identificar um alvo e disparar. A inteligência artificial tem sido usada exatamente para isso.
Na prática, esse tipo de sistema funciona como uma central de triagem do caos. Ele recebe volumes gigantescos de informação de satélites, drones, radares, interceptações, bancos de dados e relatórios de campo. Depois, usa modelos de visão computacional para marcar padrões em imagens, rastrear mudanças em instalações, identificar equipamentos e destacar o que “parece relevante”.
A camada mais nova é a dos modelos de linguagem, usados para resumir relatórios, cruzar descrições, sugerir hipóteses e priorizar a lista de alvos. Em vez de dezenas de analistas lendo documentos e comparando mapas, parte desse trabalho vira recomendação automatizada. O ser humano continua assinando, mas assina sob pressão de tempo.
É aqui que nasce o novo problema. Quando a operação acontece em minutos, o espaço de dúvida vira uma inconveniência. E a dúvida é justamente a fronteira entre uma ação militar e um crime.
Drones, enxames e defesa aérea: o laboratório da autonomia
A guerra no Irã também escancara o papel dos drones e das munições de espera, os chamados kamikazes. Eles já haviam mudado o campo de batalha na Ucrânia. Agora, entram em um teatro com alta densidade de sensores, jamming e defesa aérea integrada.
A lógica dos enxames é simples e cruel: saturar. Um drone barato, por si só, pode ser derrubado. Centenas deles, combinados com mísseis e iscas, fazem a defesa gastar interceptadores caros e abrir brechas. É economia política aplicada no céu.
A inteligência artificial aparece nesse ponto como cola tática. Ela ajuda a navegar com menos dependência de sinal, a reconhecer alvos com câmeras térmicas e a ajustar rotas para evitar áreas de maior risco. Também dá fôlego a uma guerra eletrônica em que o objetivo é cegar o adversário.
O Irã, que construiu parte da sua dissuasão em torno de drones e mísseis, colhe o lado amargo de uma guerra em que a mesma família de armas pode ser copiada, barateada e devolvida como contra-ataque.
Quem ganha e quem perde: a economia da guerra com IA
Toda guerra cria um mercado. A diferença desta é que o produto central não é só munição. É software.
Plataformas de análise e fusão de dados, nuvens militares, modelos de linguagem treinados para “entender” relatórios de inteligência e sistemas de comando e controle viraram o novo pacote premium. Empresas que já vendiam sistemas de previsão, policiamento e inteligência corporativa agora operam no coração do planejamento de ataques.
Esse ciclo tem dois efeitos perigosos.
O primeiro é o incentivo para transformar conflito em vitrine. Se um sistema promete reduzir o tempo de resposta, a guerra vira prova de conceito.
O segundo é a normalização de uma cadeia de responsabilidades que se dilui. Quando um algoritmo sugere, outro filtra, um operador valida e uma chefia aprova, a culpa se espalha em camadas. No fim, o cadáver continua no chão.
A guerra dos chips por trás da guerra real
Armas “inteligentes” dependem de eletrônica comum: chips, sensores, memória, módulos de comunicação, peças que circulam por cadeias globais e muitas vezes escapam de sanções por rotas indiretas.
Há um ponto desconfortável para o Ocidente: boa parte do que torna drones e sistemas de guerra mais precisos vem de componentes produzidos por empresas e fábricas que alimentam o mercado civil. É a mesma lógica da indústria de smartphones aplicada ao campo de batalha.
Por isso, a disputa por controle de exportações, rastreabilidade e acesso a hardware avançado virou extensão direta da guerra. Sem semicondutor não há autonomia. E sem autonomia, a promessa de “decidir mais rápido” desaba.
O estopim: o risco de uma guerra sem freio humano
A discussão sobre armas autônomas costuma parecer abstrata até o dia em que um ataque erra o alvo, atinge civis e ninguém consegue explicar, com transparência, como a decisão foi tomada.
Em teoria, a regra é manter um humano no comando. Na prática, o que se consolida é o humano como carimbador de um processo que já veio pronto. Isso reduz a fricção moral, acelera o gatilho e aumenta a chance de escaladas por reação automática.
O efeito geopolítico é ainda maior. Quando Estados com capacidade tecnológica demonstram que é possível operar uma campanha em ritmo de dados, outros correm para copiar. E países com menos recursos podem buscar atalhos, comprando soluções fechadas, dependentes de fornecedores externos e pouco auditáveis.
Para o Brasil, a lição é direta. Não existe soberania digital se a defesa do país depende de caixa-preta estrangeira, seja em satélites, em nuvem, em chips ou em modelos de inteligência artificial. Sem capacidade própria de cibersegurança, rastreabilidade de hardware e governança de dados, qualquer estratégia vira dependência.
A guerra no Irã não é apenas um capítulo do Oriente Médio. É a consolidação de um novo modelo de guerra, onde a decisão vira produto, o alvo vira dado e a velocidade vira argumento. O futuro, se não for regulado com rigor e transparência, tende a ser mais rápido, mais opaco e mais letal.
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Atlas Siqueira é editor de tecnologia e inovação e analista-chefe de tendências digitais de O estopim. Investiga a geopolítica dos chips, a economia dos dados e o impacto social da inteligência artificial no Sul Global.
Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Agência Brasil | domingo (15) de fevereiro de 2026
Plataforma permite emitir alerta de roubo, furto ou perda e escolher o que bloquear, como aparelho, linha telefônica e acessos bancários; serviço tem 3,81 milhões de usuários cadastrados.
Imagem: MJSP/Divulgação
Em meio ao aumento de circulação nas ruas durante o carnaval, o Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta a população a utilizar o aplicativo Celular Seguro, disponível para celulares e também em versão web, para comunicar roubos, furtos ou perda de aparelhos e reduzir o risco de golpes e prejuízos.
A ferramenta permite que, com um único alerta, o dono do aparelho informe a ocorrência e escolha o que deseja bloquear, incluindo o aparelho, a linha telefônica e acessos ligados a aplicativos bancários e instituições financeiras. O alerta também pode ser emitido por uma pessoa de confiança previamente cadastrada, usando outro celular, tablet ou computador.
De acordo com o ministério, não é necessário ter registro prévio no aplicativo no momento da ocorrência, nem informar o IMEI (Identificação Internacional de Equipamento Móvel). Caso a vítima ainda não esteja cadastrada, o cadastro poderá ser feito em até 15 dias após o ocorrido.
Como se cadastrar
O passo a passo indicado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública inclui:
acessar o site do Celular Seguro ou instalar o aplicativo;
cadastrar pessoas de confiança, que poderão emitir alertas em nome do usuário;
registrar o telefone, informando se é titular da linha. Se não for, será necessária autorização do responsável.
Segundo o ministério, não há limite de quantidade de dispositivos cadastrados na plataforma.
Como emitir o alerta
Em caso de roubo, furto, perda ou extravio, o usuário ou contato de confiança deve selecionar o aparelho cadastrado e emitir o alerta. Após o envio, é gerado um número de protocolo, que deve ser guardado para atendimentos posteriores com instituições parceiras.
Números do serviço e melhorias previstas
Criada em dezembro de 2023, a ferramenta tem atualmente 3,81 milhões de usuários cadastrados. Em 2025, foram registrados 98.786 alertas, crescimento de cerca de 5,5% em relação a 2024. Para este ano, o governo federal planeja ampliar o serviço com integração às polícias civis, incluindo ações como bloqueio de IMEI, linhas e contas em instituições parceiras, modo recuperação com envio de mensagens e criação automática de boletim de ocorrência.
Consulta antes de comprar celular usado
Antes de comprar um celular usado, o cidadão também pode consultar se o aparelho possui restrições nas bases do Celular Seguro e da Anatel.
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