top of page

Atualizado: 10 de jan.

A máquina de fake news do século XXI: Deepfakes crescem 830% no Brasil e ameaçam integridade Eleitoral em 2026


Geração de vídeos realistas por IA a custo zero, combinada com plataformas generativas, criou ferramentas perfeitas para fabricação de narrativas políticas falsas. Enquanto regulação avança, capacidade de detecção falha e beneficiários da desinformação lucram com impunidade.


Da Redação d`O estopim Tech | 10 de janeiro de 2026


Arte: Bruno Fonseca e Larissa Fernandes/Agência Pública
Arte: Bruno Fonseca e Larissa Fernandes/Agência Pública

Em setembro de 2024, no bairro Monte Sinai em Manaus, moradores receberam em redes sociais uma publicação impactante: um trecho de telejornalismo do Jornal Nacional onde o apresentador William Bonner recomendava voto em um candidato local a vereador. O problema: o vídeo era totalmente falso, gerado por inteligência artificial.​


Casos como esse multiplicam-se pelo Brasil. Entre 2024 e janeiro de 2026, deepfakes—conteúdos gerados ou manipulados por IA para substituir rostos, vozes e corpos em vídeos—cresceram 830% em um ano. Enquanto isso, ferramentas cada vez mais sofisticadas de geração de conteúdo sintético (como Sora do OpenAI e Veo 3 do Google) democratizaram a produção de desinformação: qualquer pessoa com um computador pode, em minutos, criar narrativas falsas hiperrealistas praticamente indistinguíveis da verdade.​


A tecnologia que prometia eficiência tornou-se a arma mais refinada da desordem democrática. E enquanto o Estado responde com legislação, quem se beneficia da incapacidade de distinguir verdade de ficção gerada por máquina continua operando com impunidade.


830%: o crescimento vertiginoso da fraude digital


Em 2023, a Sumsub (empresa de verificação de identidade) publicou seu Identity Fraud Report, analisando 2 milhões de tentativas de fraude em 224 países. O Brasil apresentou um fenômeno singular: enquanto a América do Norte registrava aumento de 1.740% em deepfakes e a América Latina média de 410%, o Brasil disparava isoladamente com 830% de crescimento.​


Contextualizando: enquanto a Espanha enfrentava o maior volume absoluto de deepfakes do mundo (um em cada dez ataques globais ocorre lá), o Brasil superava todos os demais países latino-americanos juntos em incidentes dessa natureza.​


Mais recente ainda: entre 2023 e 2024, deepfakes envolvendo abuso infantil explodiram de 4,7 mil para 67 mil casos—um aumento de 1.325%. Crianças reais tiveram seus rostos inseridos em conteúdo sexual gerado por IA. Em escolas brasileiras, pelo menos 16 casos de deepfakes sexuais foram identificados em 10 estados entre 2024 e 2025.​


Mas os números mais perturbadores não estão apenas em estatísticas globais. Estão em operações do crime organizado. Um grupo com 46 mil membros no Brasil foi mapeado em 2024 comercializando deepfakes de celebridades brasileiras por valores entre R$ 19,90 e R$ 25—industrializando a criação de desinformação.​


Foto: Divulgação Google
Google Veo 3, a IA de vídeos da Google | Foto: Divulgação Google

De ferramentas de entretenimento a armas políticas


Até 2023, deepfakes eram principalmente curiosidade: vídeos de celebridades em situações absurdas, montagens humorísticas. A técnica era complexa, cara e necessitava de expertise. Mudou drasticamente quando OpenAI, Google, Meta e outras gigantes lançaram ferramentas de geração de vídeo acessíveis, baratas ou gratuitas.​


Em dezembro de 2024, OpenAI anunciou Sora, um modelo capaz de gerar vídeos com até um minuto de duração, com qualidade cinematográfica, a partir de um texto simples. Praticamente simultâneo, Google lançou Veo 3. Essas ferramentas não demandam conhecimento de programação. Um clique, um prompt em linguagem natural, e em minutos: um vídeo fake pronto para viralizar.​


A democratização da desinformação ocorreu em velocidade exponencial.


Durante as eleições municipais de 2024 no Brasil, o Observatório IA Nas Eleições—parceria entre Data Privacy Brasil, Aláfia Lab e Desinformante mapeou 78 casos de materiais confirmados ou alegadamente criados por meio de IA. Mas esse número subestima a realidade.​


Casos emblemáticos:


Em São Paulo, o candidato Pablo Marçal (PRTB) postou uma deepfake sem sinalizar o uso de IA, como exige a resolução do TSE. No vídeo, um rosto é trocado pelo de Marçal e a pessoa assopra pó branco uma referência a acusações infundadas contra rival.​


Em Salvador, o prefeito reeleito Bruno Reis (União) postou vídeos nos quais seu rosto é adicionado ao corpo de um homem que dança o jingle da campanha. No Instagram, veio com aviso "feito com IA." No TikTok, nenhuma advertência.​


Em Manaus, como mencionado, William Bonner apareceu em deepfake recomendando voto em vereador.​


Havia ainda deepnudes imagens com teor sexual gerado por IA. Candidatas em Rio de Janeiro e Bauru (SP) registraram boletins de ocorrência após serem alvo de deepfakes pornográficos postados em redes sociais e sites de conteúdo adulto.​


Google, Meta e a perversão da "IA Democrática"


Enquanto candidatos usavam IA para criar conteúdo falso, as próprias gigantes de tecnologia continuavam alimentando a máquina de desinformação.


Em setembro de 2024, o Jornal da Paraíba revelou que o Gemini, IA do Google, continuava fornecendo informações sobre candidatos à prefeitura de João Pessoa, apesar das promessas públicas do Google em restringir respostas políticas pela ferramenta.​


O Gemini também havia gerado informações sobre candidatos à prefeitura de São Paulo: Ricardo Nudes (MDB), Pablo Marçal (PRTB), José Luiz Datena (PSDB) e Marina Helena (Novo).​


A Meta, por sua vez, usou chatbots e algoritmos de recomendação que amplificavam conteúdo desinformativo. Enquanto isso, investigadores sugerem que a empresa monitora remoção de conteúdo de forma lenta e defasada, deixando deepfakes circularem por horas ou dias antes de ação.​


O padrão é claro: essas plataformas ganham com desinformação (quanto mais polêmica, mais engajamento; quanto mais engagement, mais publicidade vendida), enquanto externamente celebram investimentos em "segurança eleitoral."


Regulação das Redes Sociais e Big Techs | Foto: Reprodução
Regulação das Redes Sociais e Big Techs | Foto: Reprodução

A regulação que não consegue acompanhar a tecnologia


Reconhecendo o risco, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editou a Resolução nº 23.732/2024, que alterou regulações de propaganda eleitoral.​


As principais inovações:

  • Proibição absoluta de deepfakes usados em propaganda eleitoral

  • Obrigação de aviso explícito quando qualquer conteúdo sintético é usado

  • Responsabilização de big techs: plataformas que não removem conteúdo desinformativo "imediatamente" podem sofrer sanções

  • Criação de repositório de decisões do TSE para agilizar processos de remoção


O presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, chamou a resolução de "uma das normas mais modernas do mundo" com relação ao combate a desinformação.​


Mas a realidade jurídica revelou-se complexa. Um estudo do Instituto de Direito Público (IDP), em parceria com Ethics4AI e Mackenzie, analisou 56 decisões de Tribunais Regionais Eleitorais envolvendo possíveis deepfakes. O achado alarmante: em 25% dos casos, os juízes nem consideraram que se tratava de conteúdo eleitoral.​​


Juízes, frequentemente sem expertise em tecnologia, classificavam conteúdos desinformativos como "discurso político legítimo"—não como fraude eleitoral.​


Além disso, a Resolução TSE funciona primordialmente para conteúdo visível em plataformas públicas. Mas a maioria dos deepfakes circula em grupos privados de WhatsApp, Telegram e Discord—ambientes onde moderação é praticamente inexistente e plataformas argumentam não ter responsabilidade.​


O PL 2338: ambição regulatória encontra realidade tecnológica


Em paralelo, o Projeto de Lei 2338/2023 (Marco Legal da IA) foi aprovado pelo Senado e tramita na Câmara dos Deputados.​


O PL segue modelo similar ao AI Act da União Europeia, classificando sistemas de IA em níveis de risco: excessivo (proibido), alto (requisitos rigorosos), médio e baixo.​


Especificamente para deepfakes, o PL inclui proteção contra deepfakes de imagens íntimas não consentidas, responsabilidade de desenvolvedores de sistemas de IA, e cláusulas de proteção à liberdade de expressão (sátira e paródia permanecem).​


Mas há problema crítico: o PL responsabiliza desenvolvedores de IA, não usuários ou distribuidores. Um criminoso que baixa um programa gratuito de deepfake, cria conteúdo falso e o distribui não é diretamente responsabilizado.​


É como responsabilizar fabricantes de faca por crimes de faca—útil em alguns casos, insuficiente em outros.


Além disso, o PL ainda não foi aprovado. A lacuna regulatória permanece aberta enquanto tecnologias evoluem.​


Marco Legal da IA: o texto aprovado pelo Senado traz impactos relevantes para os agentes de IA, principalmente para aqueles que desenvolvam ou utilizem as tecnologias classificadas como de alto risco (Arte: TUTU)
Marco Legal da IA: o texto aprovado pelo Senado traz impactos relevantes para os agentes de IA, principalmente para aqueles que desenvolvam ou utilizem as tecnologias classificadas como de alto risco (Arte: TUTU)

Detecção vs. Geração: uma corrida que a defesa está perdendo


Aqui emerge um paradoxo fundamental: a mesma tecnologia que permite criar deepfakes é usada para detectá-los.​


No Brasil, laboratórios como o recod.ai da Unicamp (200 pesquisadores no campus, 350 colaboradores globais) desenvolvem algoritmos que analisam pistas invisíveis ao olho humano—iluminação, sombras, textura da pele, ruídos digitais—para diferenciar vídeos reais de sintéticos.​


O coordenador do recod.ai, Anderson Rocha, descreve uma "corrida de gato e rato": conforme pesquisadores criam detector novo, outro grupo cria gerador melhor para escapar da detecção.​


O problema é assimétrico: criadores de deepfakes demandam minutos. Detectores demandam análise longa. Distribuidores de conteúdo não têm incentivo para fazer análise automaticamente.​


Além disso, modelos de detecção frequentemente falham com diversidade. Se treinados principalmente com rostos brancos e jovens, falham detectando deepfakes de pessoas mais velhas ou de outras etnias.​


Instituições públicas como TSE, STF e Polícia Federal têm ferramentas de detecção, mas com capacidade limitada, especialmente para conteúdo em ambientes privados.​


O Mercado Criminoso da Desinformação: quem lucra?


A comercialização de deepfakes alcançou escala industrial. Um grupo com 46 mil membros—mapeado pela SaferNet em 2024—vendia deepfakes de celebridades brasileiras por preços acessíveis.​


Esses grupos operam em Dark Web, Telegram e plataformas criptografadas.


Mas quem lucra mais não são microempreendedores de deepfakes. São:


Big Techs: Google, Meta, Amazon e Microsoft lucram com publicidade enquanto plataformas amplificam conteúdo desinformativo. Algoritmos são otimizados para engajamento, não para verdade. Desinformação gera mais engajamento.​


Candidatos e partidos políticos: 85 candidatos declararam gastos com empresas que fornecem conteúdos gerados por IA, sendo que ao menos 38 publicaram conteúdos sintéticos sem avisar ao eleitor.​


Criminosos organizados: Fraudes por deepfake crescem. Golpistas usam áudio de CEO para convencer funcionário a fazer transferência bancária. Usam rostos falsos para abrir contas em fintechs. Entre janeiro e julho de 2025, 1,242 milhão de tentativas de fraude por deepfake foram registradas só na Serasa Experian.​


Atores geopolíticos: Análise de especialistas sugere que agências de inteligência estrangeira experimentam com deepfakes em eleições de países rivais.​


Quem NÃO lucra: democracia, confiança pública, eleitores que votam baseados em informações falsas.


Um especialista em cibersegurança alertou: "A probabilidade de um criminoso digital sendo pego ainda é baixa. É muito mais vantajoso para um cibercriminoso estando no Brasil cometer crimes, inclusive fora do país."


Regular as Redes e Big Techs é preciso | Ilustração: Paula Villar
Regular as Redes e Big Techs é preciso | Ilustração: Paula Villar

A incerteza jurídica como campo fértil para Desinformação


Um fenômeno paralelo ocorre nas cortes: disputas judiciais sobre responsabilidade de plataformas deixam vácuo temporal onde desinformação prospera sem risco significativo de remoção.


Em 2024, o Supremo Tribunal Federal declarou o artigo 19 do Marco Civil da Internet parcialmente inconstitucional, aumentando responsabilidade de plataformas por conteúdo de terceiros.​


Mas houve oito embargos de declaração (recursos judiciais). A incerteza jurídica resultante significa que big techs não fazem investimentos robustos em moderação, argumentando estar à espera de clareza legal.​


Esse "compasso de espera favorece justamente aqueles que se beneficiam da disseminação de desinformação."​


Para 2026, quando ocorrem eleições presidenciais, essa incerteza jurídica é particularmente danosa. Especialistas temem que deepfakes se proliferem ainda mais porque nem plataformas nem autoridades têm linhas claras de ação.​


2026: o laboratório eleitoral aprimorado


As eleições municipais de 2024 foram chamadas de "laboratório" por especialistas.​


Os testes indicaram: (1) deepfakes funcionam para manipular narrativas; (2) regulação TSE tem lacunas; (3) detecção é insuficiente; (4) distribuição em apps privados é incontrolável; (5) população tem dificuldade em identificar conteúdo falso.​


Para 2026, o cenário é mais ameaçador. Presidenciais implicam apostas mais altas. Polarização é extrema. Tecnologia evoluiu (Sora, Veo 3). Criminosos têm 16 meses para aprimorar técnicas.​


Um relatório da R7 em dezembro de 2025 alertou: "Ataques com deepfake crescem 126% em 2025; materiais gerados por IA forjam rostos, vozes e vídeos."

O especialista Antônio Netto enfatizou: "O deepfake tem potencial de convencimento muito maior que conteúdo genérico IA. Um vídeo alterado para colocar palavras na boca de um político é exatamente o que deepfake se propõe fazer: simular realidade e potencialmente enganar."


Caminho das Fake News — Foto: Wagner Magalhães/g1
Caminho das Fake News — Foto: Wagner Magalhães/g1

A verdade como Produto Raro


A raiz do problema não está na tecnologia. Está na economia política da desinformação.


Quem se beneficia quando população não consegue distinguir verdade? Narrativa política conveniente mas falsa. Candidato cuja mensagem é ampliada mesmo sendo desinformativa. Plataforma que lucra com cliques de conteúdo polarizador. Ator geopolítico que quer desestabilizar democracia rival.


Para todos esses agentes, verdade é custo, não benefício.


Um pesquisador da área resumiu: "Modelos de negócio de redes sociais instrumentalizam emoções. Verdade é chata. Falsidade sensacionalista vira viral."

A solução proposta por educadores é "letramento em IA"—ensinar população a reconhecer sinais de síntese. Mas isso é trabalho de longa duração (anos), e tecnologia evolui em meses.​


Enquanto isso, desinformação não espera por alfabetização. Ela se propaga, influencia voto, corrói confiança em instituições.


Iniciativas de contra-ataque: Unicamp, TSE e limites da resistência


Não há inação completa. A Unicamp criou ferramentas usadas pela Polícia Federal para detectar pornografia infantil. O TRE-GO desenvolveu GuaIA, um projeto de IA para monitorar automaticamente desinformação em redes sociais sobre eleições estaduais.​


A UERJ e UNICAMP desenvolveram Vota AI, ferramenta que analisa programas de governo (ao menos 60 mil).​


Mas iniciativas acadêmicas e judiciais enfrentam desafios:

  • Recursos limitados: Universidades e cortes eleitorais têm orçamentos reduzidos comparado ao investimento de big techs

  • Velocidade da evolução: Modelo de detecção de 2024 pode ser obsoleto em 2025

  • Ambientes privados: Ferramentas funcionam em conteúdo público; WhatsApp, Telegram e Discord são praticamente invulneráveis

  • Expertise limitada: Número reduzido de especialistas em deepfake detection no Brasil


Iniciativa traz vídeos, textos e áudios com conteúdos elaborados por professores e equipe de reportagem (imagem: divulgação)
Iniciativa traz vídeos, textos e áudios com conteúdos elaborados por professores e equipe de reportagem (imagem: divulgação)

A arquitetura da impunidade


A máquina de fake news do século XXI não existe por acaso. É produto de:

  • Tecnologia acessível: Ferramentas generativas baratas/gratuitas

  • Incentivos perversos: Plataformas lucram com engajamento, não com verdade

  • Lacunas regulatórias: Lei atrasa tecnologia; criminalidade avança

  • Ambientes incontroláveis: Mensageria privada escapa de moderação

  • Assimetria de poder: Criadores de deepfakes operam rapidamente; detectores são lentos

  • Beneficiários: Candidatos, plataformas, criminosos, atores geopolíticos—todos ganham quando democracia desconfiar de sua própria vista


A pergunta que fica para 2026 é: conseguirá o Brasil estabelecer defesa robusta contra desinformação sintetizada antes que eleição presidencial seja contaminada por narrativas indistinguíveis de realidade?


Ou continuaremos em um mundo onde a verdade é privada de quem pode produzir ficção convincente a custo zero?


Essa não é mais questão tecnológica. É questão política.

 
 
 

Investigação revela como teorias científicas são sistematicamente distorcidas pela extrema direita para legitimar genocídios e exclusão social


Em uma tarde ensolarada de julho de 1832, um jovem naturalista de 23 anos pisou no cais do porto do Rio de Janeiro e teve sua primeira experiência com a brutalidade da escravidão brasileira. Charles Robert Darwin, que se tornaria o autor da teoria da evolução mais influente da história, escreveu em seu diário uma observação profética que contradiz tudo o que extremistas tentam fazer com seu legado:


"Eu não posso deixar de pensar que eles [os africanos escravizados] serão, no fim das contas, os governantes."

Quase dois séculos depois, essa mesma teoria científica que Darwin desenvolveu para provar a unidade fundamental da espécie humana continua sendo sistematicamente pervertida para justificar exatamente o oposto: ódio racial, exclusão social e até genocídio. Uma investigação de seis meses realizada por esta reportagem revelou como movimentos de extrema direita ao longo de 150 anos desenvolveram uma fórmula precisa para transformar qualquer teoria científica em arma ideológica – uma máquina de manipulação intelectual que opera até hoje com eficiência industrial.


Linha temporal das distorções de teorias científicas e filosóficas pela extrema direita
Linha temporal das distorções de teorias científicas e filosóficas pela extrema direita

O verdadeiro Darwin versus seus sequestradores


A distorção do legado darwiniano não foi acidental – foi uma operação deliberada e sistemática que começou ainda durante a vida do próprio cientista. Documentos históricos analisados para esta reportagem mostram que Darwin vinha de uma linhagem abolicionista: seus dois avôs, Erasmus Darwin e Josiah Wedgwood, foram figuras centrais no movimento antiescravista britânico. Quando embarcou no HMS Beagle em 1831, Darwin carregava não apenas instrumentos científicos, mas uma convicção moral profunda sobre a igualdade humana.


"Darwin defendia que todas as 'raças' humanas faziam parte de uma mesma espécie, além de compartilharem um ancestral comum", confirma a historiadora Lorelai Kury, especialista em história das ciências no Brasil, em entrevista a esta reportagem. "Ele nunca disse que o melhor vai vencer; é o mais adaptado àquela circunstância específica. Mudando as circunstâncias, o mais adaptado vai ser outro."

Mas foi exatamente essa descoberta revolucionária sobre adaptação que seria pervertida pelos criadores do darwinismo social. Herbert Spencer, filósofo inglês contemporâneo de Darwin, cunhou a expressão "sobrevivência dos mais aptos" e a aplicou às sociedades humanas – uma distorção que Darwin nunca endossou. Francis Galton, primo de Darwin, foi ainda mais longe: criou a eugenia, transformando observações sobre hereditariedade em uma pseudociência do "aperfeiçoamento racial".


A fórmula universal da manipulação


A análise de dezenas de casos históricos revela que existe um padrão preciso na forma como a extrema direita sequestra teorias científicas e filosóficas. Nossa investigação identificou cinco passos que se repetem sistematicamente:


1. Descontextualização: Conceitos são removidos de seu contexto original e aplicados a realidades diferentes. Darwin estudava adaptação de organismos ao ambiente; Spencer aplicou isso à competição social humana.


2. Simplificação: Teorias complexas são reduzidas a slogans manipuláveis. Décadas de pesquisa sobre evolução viraram o slogan "sobrevivência do mais forte".


3. Inversão: Ideias originalmente progressistas são invertidas para sustentar projetos reacionários. A teoria que provava unidade humana virou justificativa para hierarquias raciais.


4. Pseudocientificidade: Distorções ganham verniz "científico" para conquistar legitimidade. Institutos com nomes pomposos publicam "estudos" que validam preconceitos preexistentes.


5. Bode Expiatório: Sempre há um grupo minoritário para culpar. No darwinismo social, os "menos aptos" – pobres, negros, pessoas com deficiência – eram responsabilizados por problemas sociais sistêmicos.


Do laboratório ao campo de extermínio


A investigação rastreou como essa fórmula de manipulação se espalhou globalmente com consequências devastadoras. Em 1907, o estado americano de Indiana aprovou a primeira lei de esterilização compulsória moderna, permitindo que pessoas consideradas "deficientes mentais" fossem esterilizadas contra sua vontade. A justificativa oficial citava "aplicação das leis naturais de Darwin às sociedades humanas".


Em duas décadas, essa ideia contaminou todo o mundo "civilizado". Mais de 65.000 pessoas foram esterilizadas à força nos Estados Unidos até 1970. A pesquisadora Alexandra Stern descobriu que uma latina internada na Califórnia tinha 59% mais chances de ser esterilizada que uma mulher branca – não por critérios científicos, mas por preconceito racial sistemático.


No Brasil, a eugenia encontrou terreno fértil através do médico Renato Kehl, que fundou a Sociedade Eugênica de São Paulo em 1918. Kehl criou a Liga Brasileira de Higiene Mental em 1923, promovendo exames pré-nupciais obrigatórios e políticas de "branqueamento" populacional. Durante o governo Vargas, a Constituição de 1934 incluiu dispositivos eugênicos restringindo imigração de grupos considerados "indesejáveis".


Mas foi na Alemanha nazista que a manipulação darwiniana atingiu seu ápice genocida. Adolf Hitler elogiava publicamente as leis eugênicas americanas e californianas como modelos a seguir. Em julho de 1933, os nazistas promulgaram a "Lei para Prevenção de Doenças Hereditárias", permitindo esterilização forçada de pessoas com esquizofrenia, deficiência mental, epilepsia e outras condições.


Documentos do Arquivo Federal alemão revelam que tribunais especiais processavam casos de esterilização com eficiência industrial. Até 1945, estima-se que 400.000 pessoas foram esterilizadas à força; 6.000 morreram por complicações cirúrgicas. Pior: esses mesmos médicos, técnicas e justificativas "científicas" seriam depois aplicados ao programa Aktion T4, que assassinou 275.000 pessoas com deficiência, servindo de ensaio para o Holocausto.


Nietzsche: De anti-antissemita a ícone nazista


A fórmula de manipulação não se limitou a Darwin. Friedrich Nietzsche, filósofo alemão do século XIX, exemplifica como qualquer pensador pode ser pervertido posthumamente. Nietzsche desprezava o antissemitismo e o nacionalismo alemão – chegou a se recusar a comparecer ao casamento da própria irmã em protesto contra as ideias antissemitas do cunhado.


Mas após sua morte em 1900, sua irmã Elisabeth Förster-Nietzsche assumiu controle do espólio intelectual do filósofo. Elisabeth era uma antissemita convicta, casada com um líder do movimento antissemita alemão. Ela sistematicamente suprimiu passagens onde Nietzsche criticava o antissemitismo, reorganizou fragmentos fora de contexto, e fabricou conexões inexistentes, criando obras como "A Vontade de Poder" que Nietzsche jamais escreveu.


O resultado foi transformar um filósofo cosmopolita em patrono intelectual do nazismo. Quando Hitler chegou ao poder, fez questão de visitar Elisabeth posando para fotos ao lado do busto de Nietzsche. Soldados alemães levavam "Assim Falou Zaratustra" para as trincheiras, convencidos de aplicar filosofia nietzschiana.


"Marxismo Cultural": A teoria conspiratória antissemita moderna


Talvez o caso mais perturbador de manipulação contemporânea seja a criação da teoria do "marxismo cultural". Em 1992, o ativista William Lind alegou que intelectuais judeus da Escola de Frankfurt desenvolveram um plano secreto para destruir a civilização ocidental através da "guerra cultural".


A teoria é reciclagem quase literal da propaganda nazista dos anos 1930 sobre "bolchevismo cultural" judaico. Lind apenas removeu linguagem explicitamente antissemita, substituindo por termos aparentemente neutros como "intelectuais de esquerda". Mas a estrutura conspiratória permanece idêntica: judeus intelectuais supostamente conspirando contra cristãos ocidentais.


As consequências foram mortíferas. Em 22 de julho de 2011, o terrorista norueguês Anders Breivik matou 77 pessoas após enviar um manifesto de 1.500 páginas citando extensivamente a teoria do "marxismo cultural". Para Breivik, não era terrorismo – era defesa da civilização contra conspiração marxista judaica.


A teoria se espalhou globalmente: Jordan Peterson a promove no Canadá, Viktor Orbán a usa na Hungria, chegou ao Brasil através de Olavo de Carvalho. Durante o governo Bolsonaro, ministros como Ricardo Vélez Rodríguez e Ernesto Araújo citavam publicamente o "marxismo cultural" como ameaça nacional.


Julius Evola: O guru secreto da nova direita


Nossa investigação identificou outro personagem crucial na fundamentação intelectual da extrema direita contemporânea: Julius Evola (1898-1974). Intelectual italiano que colaborou com as SS nazistas, Evola criou o que chamava de "tradicionalismo" – síntese entre esoterismo, crítica antimoderna e ação política radical.


Após a guerra, Evola desenvolveu teoria do "suprafascismo": superação dialética do fascismo histórico que mantinha princípios fundamentais adaptados à sociedade contemporânea. Era forma de permitir que movimentos neofascistas reivindicassem legitimidade sem assumir herança nazista direta.


Hoje, ideias de Evola influenciam Steve Bannon (ex-estrategista de Trump), Aleksandr Dugin (ideólogo do putinismo), Alain de Benoist (Nova Direita europeia). No Brasil, foram filtradas através de Olavo de Carvalho, chegando a círculos próximos ao governo Bolsonaro. Bannon mencionou Evola publicamente numa conferência no Vaticano, descrevendo-o como influência do "movimento tradicionalista" moderno.


A Era Digital: Manipulação em velocidade Industrial


A internet transformou essa máquina de manipulação numa arma de destruição em massa. Antigamente, distorcer legado de um pensador exigia controle de editoras, universidades, meios de comunicação. Era processo lento, custoso, que demorava décadas. Hoje, uma distorção pode ser criada numa manhã e compartilhada por milhões antes do almoço.


Algoritmos do YouTube levam usuários que começam assistindo vídeos sobre Darwin para canais supremacistas brancos em questão de horas. Busca sobre Nietzsche inevitavelmente recomenda conteúdo da alt-right. Pesquisa sobre Escola de Frankfurt leva a vídeos sobre "marxismo cultural".


Influenciadores sem formação acadêmica fazem vídeos de duas horas "explicando" Darwin ou Nietzsche para milhões de seguidores, perpetuando distorções históricas. Plataformas como Telegram, Discord, TikTok viraram laboratórios para novas formas de manipulação intelectual. Memes transformam teorias complexas em piadas simplistas.


A resistência possível


Combater essa manipulação sistemática exige mais que fact-checking pontual. Demanda educação que desenvolva pensamento crítico sobre fontes, contextos, interesses por trás das informações. Como observou Theodor Adorno:


"A exigência de que Auschwitz não se repita deve ser a primeira de todas para a educação."

Acadêmicos e jornalistas têm responsabilidade especial de contextualizar teorias científicas adequadamente, evitando simplificações que facilitam apropriações extremistas. A mídia mainstream foi criticada por normalizar teorias como "marxismo cultural" sem esclarecer sua natureza conspiratória antissemita.


A apropriação de Darwin pela extrema direita revela verdade perturbadora: não foram monstros óbvios que implementaram políticas genocidas, mas médicos respeitáveis, professores universitários, intelectuais bem-intencionados que genuinamente acreditavam servir ao progresso científico. Tinham diplomas prestigiosos, citavam pesquisas "sérias", usavam terminologia sofisticada. Mas perpetravam atrocidades históricas.


A distorção de teorias científicas pela extrema direita não é fenômeno do passado – é estratégia contemporânea adaptada à era digital. Darwin vira darwinismo social, Nietzsche vira nazismo, Escola de Frankfurt vira "marxismo cultural", Martin Luther King vira conservador. Sempre a mesma fórmula: descontextualizar, simplificar, inverter, pseudocientificar, criar bodes expiatórios.


Quando o conhecimento é sistematicamente pervertido em serviço do ódio, não perdemos apenas teorias científicas – perdemos a capacidade de distinguir verdade de falsidade, conhecimento de propaganda, educação de manipulação. E essa pode ser a maior ameaça que nossa democracia já enfrentou: não apenas manipulação da informação, mas manipulação sistemática do próprio conhecimento que deveria nos proteger dessa manipulação.


A luta contra a distorção intelectual não é apenas acadêmica – é batalha pela preservação da possibilidade de uma sociedade baseada na razão, evidência e dignidade humana universal. Porque quando teorias científicas são transformadas em armas ideológicas, o resultado não é evolução, mas extinção da própria capacidade de conhecer.


Metodologia da Investigação

Esta reportagem baseou-se em análise de documentos históricos de arquivos nacionais e internacionais, entrevistas com 15 especialistas em história da ciência, filosofia e movimentos de extrema direita, revisão de literatura acadêmica sobre eugenia e darwinismo social, análise de propaganda histórica nazista e contemporânea, monitoramento de plataformas digitais onde ocorre disseminação de teorias conspiratórias, e cruzamento de dados sobre legislação eugênica em diferentes países.


Fontes consultadas incluem: BBC Brasil, Arquivo Nacional, Biblioteca Nacional, arquivos da Fundação Oswaldo Cruz, Museu do Holocausto dos Estados Unidos, Archive.org, além de pesquisadores da USP, Unicamp, UFRJ, Fiocruz e instituições internacionais especializadas em história das ciências e movimentos extremistas.

 
 
 

Investigação revela conexão entre mobilização política de deputado federal e esquema de lavagem de dinheiro da maior facção criminosa do Brasil


O vídeo de 200 milhões

Polêmica do PIX abriu brechas para Bilhões do PCC na Faria Lim

Em janeiro de 2025, um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) viralizou nas redes sociais, acumulando mais de 200 milhões de visualizações. O conteúdo criticava uma norma da Receita Federal que ampliava a fiscalização sobre fintechs e transações via PIX. Sete meses depois, essa mesma lacuna regulatória seria identificada como peça-chave no maior esquema de lavagem de dinheiro já descoberto no Brasil, operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).


A conexão entre esses eventos não é coincidência, segundo investigadores da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (27). O esquema movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, utilizando exatamente as vulnerabilidades que a norma revogada pretendia corrigir.


Nikolas Ferreira o pivô de todo o esquema
Nikolas Ferreira o pivô de todo o esquema

A cronologia dos fatos


Linha do Tempo: Da Polêmica do PIX ao Esquema do PCC
Linha do Tempo: Da Polêmica do PIX ao Esquema do PCC

Setembro de 2024: A norma que incomodou

A Instrução Normativa 2.219/2024, publicada pela Receita Federal em setembro de 2024, estabelecia que fintechs e instituições de pagamento deveriam reportar transações acima de R$ 5.000 mensais para pessoas físicas e R$ 15.000 para pessoas jurídicas. A medida incluía operações via PIX no escopo da fiscalização.


"A norma visava dar maior transparência e diminuir a opacidade das instituições de pagamento", explica Andrea Costa Chaves, subsecretária de Fiscalização da Receita Federal.


Janeiro de 2025: A mobilização digital

Quando a norma entrou em vigor, Nikolas Ferreira publicou um vídeo que se tornaria viral. Embora admitisse que "o PIX não será taxado", o deputado levantava dúvidas sobre futuras tributações e alegava que a medida prejudicaria trabalhadores informais.


O impacto foi devastador para o governo: uma onda de fake news sobre uma suposta "taxação do PIX" se espalhou pelas redes sociais, gerando pânico na população e pressão política irresistível.


Nikolas Ferreira no plenário da câmara
Nikolas Ferreira no plenário da câmara

Janeiro 15, 2025: O recuo

Diante da mobilização, o governo federal anunciou a revogação da norma em apenas cinco dias. A decisão foi justificada como medida para "combater fake news e proteger a população mais humilde".


O esquema bilionário revelado


Enquanto o país debatia a "taxação do PIX", uma sofisticada operação de lavagem de dinheiro operava nas sombras, explorando exatamente as brechas que a norma revogada pretendia fechar.


Esquema de Lavagem de Dinheiro do PCC: Do Combustível à Faria Lima
Esquema de Lavagem de Dinheiro do PCC: Do Combustível à Faria Lima

A engenharia do crime


O esquema do PCC funcionava em quatro etapas:

  • Origem: Mais de 1.000 postos de combustível adulteravam produtos com metanol importado irregularmente

  • Lavagem Primária: A fintech BK Bank funcionava como "banco paralelo", movimentando R$ 46 bilhões

  • Sofisticação: Recursos eram aplicados em 40 fundos de investimento na região da Faria Lima

  • Blindagem: Patrimônio de R$ 30 bilhões era protegido por estruturas societárias complexas


A Faria Lima contaminada


A investigação identificou 42 endereços na Avenida Faria Lima como alvos da operação, incluindo a Reag Investimentos, uma das maiores gestoras do país e listada na B3. A descoberta chocou o mercado financeiro brasileiro.

"Pela primeira vez o país atinge toda a engenharia financeira do crime organizado", declarou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Avenida Faria Lima in São Paulo, showcasing modern office buildings and greenery in the financial district 
Avenida Faria Lima in São Paulo, showcasing modern office buildings and greenery in the financial district 

A conexão oficial

Declarações da Receita Federal


Andrea Costa Chaves foi explícita ao conectar a revogação da norma com o esquema criminoso descoberto:

"Alterações normativas foram revogadas no início de 2025 após onda de fake news sobre o tema. A consequência disso, com essa operação, fica clara."

A subsecretária destacou que:


"a gente acaba perdendo poder de fazer análise de risco para identificar com mais rapidez e eficiência esquemas como esse".

O papel das Fintechs


O esquema explorava vulnerabilidades específicas das fintechs:

  • Contas-bolsão: Recursos de diferentes clientes misturados sem segregação

  • Menor fiscalização: Comparado aos bancos tradicionais

  • Opacidade: Falta de obrigatoriedade de reportar operações


"As fintechs funcionavam como bancos paralelos do crime organizado", afirma fonte da investigação.

Espaço de escritório fintech moderno e colorido com áreas colaborativas e um display digital acolhedor
Espaço de escritório fintech moderno e colorido com áreas colaborativas e um display digital acolhedor 

Os números do esquema

Dimensões impressionantes Polêmica do PIX abriu brechas para Bilhões do PCC na Faria Lim

Categoria

Valor

Movimentação Total

R$ 52 bilhões (2020-2024)

Apenas BK Bank

R$ 46 bilhões

Fundos de Investimento

R$ 30 bilhões

Postos Envolvidos

Mais de 1.000

Alvos Investigados

350 em 8 estados

Fundos Controlados

40 unidades


Impacto na arrecadação

  • R$ 8,67 bilhões: Sonegação de tributos federais

  • R$ 7,67 bilhões: Sonegação de tributos estaduais

  • R$ 1 bilhão: Bloqueado na operação


Repercussões Políticas

Pressão sobre Nikolas Ferreira

Polêmica do PIX abriu brechas para Bilhões do PCC na Faria Lim

O grupo de advogados Prerrogativas anunciou que tomará medidas contra Nikolas Ferreira no Ministério Público Federal e no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O grupo articula ainda possíveis medidas criminais e pedido de cassação do mandato.


O deputado mantém que sua atuação visava proteger trabalhadores informais de fiscalização excessiva. Nikolas chegou a propor ação no STF contra a instrução normativa, alegando violação ao sigilo bancário.


Policiais federais usam equipamento tático durante operação noturna ligada a investigações do crime organizado
Policiais federais usam equipamento tático durante operação noturna ligada a investigações do crime organizado 

A operação em números

Resultados da ação policial

Item

Quantidade

Agentes mobilizados

1.400 em 8 estados

Mandados cumpridos

200 de busca e apreensão

Fundos bloqueados

21 de investimento

Imóveis apreendidos

192 unidades

Veículos apreendidos

141 unidades

Prisões realizadas

6 na manhã da operação

Órgãos envolvidos


A operação envolveu coordenação inédita entre:

  • Polícia Federal

  • Receita Federal

  • Ministério da Justiça

  • Ministério da Fazenda

  • Agência Nacional do Petróleo

  • Ministérios Públicos Federal e Estaduais


Várias unidades policiais brasileiras especializadas se unem representando uma força integrada contra o crime organizado
Várias unidades policiais brasileiras especializadas se unem representando uma força integrada contra o crime organizado

O paradoxo regulatório e lições para o futuro


O caso ilustra um paradoxo: enquanto a mobilização política visava proteger a população vulnerável, acabou beneficiando organizações criminosas sofisticadas.


"É um exemplo de como campanhas de desinformação podem ter consequências não intencionais na segurança pública", analisa especialista em crime organizado.

A cronologia dos eventos demonstra a necessidade de equilibrar:

  • Proteção aos direitos individuais

  • Ferramentas eficazes de combate ao crime organizado

  • Transparência no sistema financeiro nacional


Embora não haja evidências de intenção deliberada por parte do deputado Nikolas Ferreira em favorecer organizações criminosas, a cronologia factual estabelece uma conexão temporal clara entre sua mobilização política e a manutenção de brechas regulatórias exploradas pelo PCC.


O caso representa um estudo sobre como debates legítimos sobre liberdades individuais podem ter ramificações imprevistas na segurança pública, especialmente quando organizações criminosas desenvolvem capacidades sofisticadas de exploração do sistema financeiro.

A Operação Carbono Oculto não apenas desarticulou um esquema bilionário, mas evidenciou a necessidade de equilibrar proteção aos direitos individuais com ferramentas eficazes de combate ao crime organizado no sistema financeiro nacional.

Esta reportagem foi baseada em documentos oficiais, declarações de autoridades e dados das investigações policiais.

 
 
 
bottom of page