Professor é afastado por suspeita de abuso sexual em escola estadual no RecifeAgência de Rádio Conexão Notícias | Repórter: Diogo Bastos.
RECIFE, PE – Um professor da rede estadual de ensino foi afastado de suas funções após a abertura de uma investigação por suspeita de abuso sexual e conduta agressiva dentro de sala de aula. O caso ocorreu na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Luís Delgado, localizada no bairro da Boa Vista, área central do Recife.
O afastamento é preventivo e ocorre em meio a procedimentos administrativos instaurados tanto pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) quanto pela Secretaria de Educação e Esportes do Estado (SEE-PE).
Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Luiz Delgado fica no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife — Foto: Reprodução/Google Street View
A denúncia e a investigação do caso de abuso sexual
Segundo informações divulgadas no Diário Oficial do Ministério Público nesta quarta-feira, o órgão recebeu uma denúncia anônima em dezembro de 2025. O relato aponta que o docente teria cometido assédio sexual contra alunas da instituição, além de apresentar comportamento agressivo durante as aulas.
Diante da gravidade das acusações, a Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos. O nome do professor e o número exato de vítimas não foram divulgados para preservar a identidade das estudantes e a integridade da investigação, que corre sob sigilo.
Posicionamento da Secretaria de Educação
A Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco (SEE-PE) confirmou que foi notificada pelo Ministério Público e agiu de imediato. Além de determinar o afastamento do servidor para evitar o contato com as estudantes durante a apuração, a pasta abriu um processo administrativo interno (sindicância).
Em nota, a Secretaria reforçou o compromisso com a segurança da comunidade escolar:
"A pasta reafirma o compromisso com a proteção dos estudantes e com a manutenção de um ambiente escolar seguro e respeitoso, permanecendo à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações." — Secretaria de Educação e Esportes de PE.
A EREM Luís Delgado é uma das escolas tradicionais do centro do Recife. A gestão escolar e a Gerência Regional de Educação (GRE) Recife Norte acompanham o caso para garantir o acolhimento das alunas e a continuidade das aulas sem prejuízos pedagógicos.
Por Raul Silva | Analista de Sistemas, Jornalista e ProfessorData: 11 de janeiro de 2026 | Tempo de Leitura: 6 min
Como a Tecnopolítica manipula a Política Pernambucana? Raul Silva analisa o uso de algoritmos e dados nas eleições de Arcoverde, revelando o novo "Curral Eleitoral Digital".
Exemplos práticos de Tecnopolítica são apps que permitem ao usuário enviar ou assinar projetos de lei e robôs que fiscalizam gastos públicos. | Foto: Reprodução
Era uma tarde de domingo na Praça da Bandeira. Antigamente, em ano eleitoral como este de 2026, esse cenário estaria tomado por carros de som, bandeiras e o aperto de mão suado dos candidatos. Hoje, a praça está silenciosa. O barulho mudou de lugar: ele agora vibra no bolso da calça, na notificação do WhatsApp, na timeline infinita do Instagram.
Não se engane: o "coronelismo" não morreu, ele apenas fez um upgrade.
Como jornalista que cobre os bastidores da Prefeitura de Arcoverde e, acima de tudo, como Bacharel em Sistemas de Informação que entende o que roda por trás da tela preta do seu celular, trago um alerta urgente. O voto de cabresto, que antes era trocado por um par de botinas ou um saco de cimento, foi digitalizado. O cabo eleitoral agora é um bot e o favor trocado é a validação do seu próprio ódio. Bem-vindos à era da Tecnopolítica no Sertão.
Do Coronel de Pano ao Coronel de Dados: a modernização do atraso
A Política Pernambucana sempre foi marcada por figuras carismáticas, os chamados "caciques". Mas em 2026, o carisma foi substituído pela eficiência fria da métrica. O novo coronel não precisa saber o nome da sua mãe ou ir ao batizado do seu filho; ele só precisa saber o seu padrão de navegação.
Enquanto a imprensa tradicional se limita a noticiar quem apoia quem, nós precisamos olhar para o invisível. Em cidades do interior como a nossa, a política virou uma guerra de narrativas segmentadas. O candidato não sobe mais no palanque para falar com a multidão; ele usa o Dark Post (publicação fantasma que só aparece para um público específico). Para o bairro São Cristóvão, ele promete segurança; para o Centro, promete incentivo fiscal. As promessas podem até ser contraditórias, mas como os públicos não se cruzam nas redes, a mentira não é descoberta.
Isso fragmenta a nossa sociedade. O Sertão, que sempre foi lugar de encontro e prosa na calçada, está sendo fatiado em bolhas digitais onde o vizinho não reconhece mais a realidade do outro.
A engenharia do Voto: um olhar de quem constrói sistemas
Aqui entro na minha seara técnica. Para muitos, o algoritmo é mágica. Para mim, como analista de sistemas, o algoritmo é uma sequência lógica de instruções finitas — e, mais importante, ele tem um "dono".
O que está acontecendo em Arcoverde é a aplicação bruta de Microtargetting (Microdirecionamento). Funciona assim: grandes bancos de dados cruzam informações públicas (seu CPF na farmácia, seu Like na foto do São João, sua geolocalização). Com isso, cria-se um perfil psicométrico.
Tecnicamente, o sistema não quer saber se você é de esquerda ou de direita. Ele quer saber qual gatilho emocional gera mais engajamento (leia-se: tempo de tela e compartilhamento).
Viés de Confirmação: O código é escrito para lhe mostrar apenas o que você concorda. Se você tem medo da violência, o algoritmo vai inundar seu feed com notícias de crimes (muitas vezes antigas ou falsas), preparando o terreno para o candidato "da ordem".
Câmaras de Eco: O sistema suprime o contraditório. Isso não é erro de sistema; é feature (funcionalidade). É assim que se radicaliza um eleitorado pacífico como o nosso.
Quando você acha que "escolheu" um candidato porque viu três vídeos dele falando "verdades", cuidado: pode ter sido apenas uma query (consulta) de banco de dados bem executada que selecionou você como alvo perfeito.
O Analfabetismo Digital é o novo Voto de Cabresto
Estou na sala de aula há quase quatorze anos. Vejo diariamente jovens com smartphones de última geração nas mãos, capazes de editar vídeos incríveis para o TikTok, mas incapazes de checar a fonte de uma notícia recebida no grupo da família.
O abismo da desigualdade social no Brasil agora tem uma nova camada: a desigualdade cognitiva digital. A Educação pública, apesar dos esforços heroicos de nós professores, ainda não conseguiu integrar o Letramento Midiático ao currículo de forma eficaz.
Ensinamos a fórmula de Bhaskara, mas não ensinamos como funciona a monetização do ódio nas Big Techs. O resultado? Um eleitorado vulnerável. Em Arcoverde, o novo analfabeto não é quem não sabe ler letras; é quem não sabe ler intenções por trás de um link. Enquanto não tratarmos a tecnologia como disciplina fundamental — tão importante quanto Português ou Matemática —, nossa democracia será apenas uma simulação rodando em um servidor estrangeiro.
Hackeando o Sistema
Arcoverde precisa de mais do que obras de pedra e cal; precisa de uma atualização de software moral. O Sertão não pode ser apenas consumidor de tecnologia; precisa ser crítico dela.
A tecnopolítica é uma ferramenta. Na mão do tirano, é controle. Na mão do cidadão consciente, pode ser libertação e transparência.
Como seu editor no O estopim, meu compromisso é este: usar o conhecimento técnico para iluminar o que tentam esconder no código-fonte da política local. Não seja um usuário passivo. Seja um cidadão com privilégios de administrador.
Direto do Cecora, presidenta do SINTEPE alerta para os perigos do "PL da Dosimetria", critica a privatização da Compesa e convoca a categoria para a luta coletiva.
Por Raul Silva para O estopim | 14 de dezembro de 2025
Em uma demonstração clara de que o sindicalismo se faz no chão da realidade e não apenas em gabinetes, a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEPE), Ivete Caetano, concedeu uma entrevista neste sábado, direto da Feira do Cecora, em Arcoverde. A conversa, conduzida pela jornalista Zalxijoane Lins no programa Sábado na Itapuama (Rádio Itapuama FM), serviu de palco para análises sobre a conjuntura nacional, a defesa da escola pública e os riscos iminentes à democracia brasileira.
Ivete Caetano, Presidenta do SINTEPE em entrevista na feira do CECORA para Zalxijoane Lins da Rádio Itapuama FM - Foto: Raul Silva/O estopim
Ivete, que estava na cidade para uma confraternização com o núcleo regional do sindicato (evento que reuniu mais de 200 trabalhadores da educação), elogiou a iniciativa da rádio de se instalar no meio da feira, destacando a simbologia de estar onde a população está. "É ouvir o povo, é ser parte do povo, é ajudar o povo", definiu a líder sindical, reforçando a filosofia de sua gestão: "A gente luta não por vocês, mas a gente luta com vocês".
A contradição da água: Lei Federal x Privatização Estadual Ivete Caetano
Um dos pontos altos da entrevista foi a discussão sobre a recém-sancionada lei federal que obriga todas as escolas do Brasil a terem acesso à água potável. Questionada sobre como fiscalizar o cumprimento da lei em um país continental, Ivete foi enfática ao apontar uma contradição perigosa no estado de Pernambuco: a intenção do Governo Raquel Lyra de privatizar a Compesa.
Para a presidenta do SINTEPE, transformar a gestão da água em negócio privado fere o direito básico de acesso, o que impactará diretamente às escolas públicas.
"O governo estadual quer privatizar a Compesa, e quando você privatiza, o produto ali é uma mercadoria, que vai ter quem pode pagar. Deixa de ser um direito", alertou Ivete.
Ela convocou a sociedade, pais e estudantes a utilizarem a comunicação como ferramenta de denúncia. "Botar a boca no mundo", disse ela, sugerindo que a falta de água nas escolas seja denunciada nas rádios locais como forma de pressão popular e fiscalização ativa.
Quem é Ivete Caetano e qual sua relevância na educação pernambucana?
Ivete Caetano é a atual presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEPE). Ela lidera a luta pelos direitos de mais de 35 mil profissionais da educação no estado, negociando pautas como o piso salarial, plano de carreira e melhorias na infraestrutura escolar.
Qual a relação entre a falta de água nas escolas e a privatização da Compesa citada na entrevista?
Ivete aponta uma contradição crítica: enquanto uma nova lei federal obriga o fornecimento de água potável em todas as escolas, o Governo de Pernambuco avança com a privatização da Compesa. Segundo a sindicalista, tratar a água como mercadoria dificultará o acesso e o cumprimento da lei nas escolas públicas.
Por que o "PL da Dosimetria" é considerado perigoso pelo SINTEPE?
Embora apelidado de "PL da Anistia" por visar beneficiar o ex-presidente Bolsonaro e envolvidos nos atos de 8 de janeiro, Ivete alerta que a mudança na dosimetria das penas beneficiará também estupradores e membros de facções criminosas organizadas, gerando impunidade generalizada.
O que foi o evento em Arcoverde mencionado na reportagem?
A entrevista ocorreu durante a visita de Ivete Caetano à Feira do Cecora em Arcoverde, aproveitando uma confraternização regional do SINTEPE que reuniu mais de 200 trabalhadores da educação do Sertão do Moxotó.
O "PL da Dosimetria": Um cheque em branco para o crime
Com a precisão política que lhe é característica, Ivete Caetano desconstruiu a narrativa em torno do Projeto de Lei que tramita no Congresso Nacional, popularmente conhecido como "PL da Dosimetria”, mas que tecnicamente trata-se de uma Anistia disfarçada às penas dos condenados pelo 08 de janeiro de 2023 e que pode causar um verdadeiro caos na atual legislação penal e no Judiciário no país inteiro.
A jornalista Zalxijoane Lins levantou a questão sobre o Congresso, classificado por muitos analistas como o pior da história, e a tentativa de perdoar os crimes contra o Estado Democrático de Direito. Ivete explicou que a manobra legislativa, desenhada sob medida para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e os golpistas de 8 de janeiro, abre precedente gravíssimos para a segurança pública.
"Porque esse PL foi pensado para livrar a cara de Bolsonaro, mas ele livra estupradores, ele livra membros das facções criminosas do crime organizado. Gente que inclusive já foi julgada e está presa, pode pedir a redução da pena", denunciou Ivete.
A presidenta do SINTEPE enfatizou a gravidade da situação, sintetizando o absurdo da proposta legislativa:
"Para livrar Bolsonaro da cadeia, você vai livrar estupradores e as facções criminosas do crime organizado."
Além do conteúdo do projeto, a forma como ele foi conduzido também foi alvo de duras críticas. Ivete lembrou a natureza sorrateira da votação, típica de medidas impopulares que não resistem à luz do dia.
"O povo precisa saber o que foi feito na calada da noite, Zalxijoane. Foram duas horas da madrugada que esse PL foi votado, quando o povo brasileiro estava dormindo. Qual é a intenção de quem faz as coisas escondido, na calada da noite?"
Educação e Futuro
Apesar do cenário adverso no legislativo federal, Ivete trouxe perspectivas de luta para a categoria. Ela citou o destravamento das progressões do plano de carreira, uma vitória após 20 anos de espera, e a continuidade das negociações com a Secretaria de Administração do Estado.
No âmbito nacional, a defesa é pelo novo Plano Nacional de Educação (PNE), que garanta 10% do PIB para a área. "Basta tirar dos ricos e dar para os pobres", resumiu, ao defender que os recursos existem, mas precisam ser redirecionados para garantir escolas de "primeiro mundo", com climatização, bibliotecas e estrutura digna.
Profª. Sueli Maria, Coordenadora do Núcleo Regional do SINTEPE; Ivete Caetano, Presidenta do SINTEPE; Zalxijoane Lins, Rádio Itapuama FM - Foto: Raul Silva/O estopim
Ao final, ao lado da professora Sueli Maria, liderança local que reforçou o convite para um ato público neste domingo na Feira de São Cristóvão, das 9h às 11h da manhã, contra o "PL da Dosimetria", Ivete deixou um recado sobre a consciência de classe para 2026. Ela alertou sobre o voto de cabresto moderno e a compra de votos que, no final, custa os direitos do trabalhador.
"O dinheiro que ele dá para você no dia da votação, ele tira naquilo que ele faz no Congresso: tirando a sua vida, tirando o seu emprego, tirando o seu direito, tirando o SUS, tirando a escola pública."
A passagem de Ivete Caetano por Arcoverde reafirma que O Estopim tem alertado: a luta sindical e a luta política são indissociáveis, e a vigilância contra o retrocesso deve ser diária, seja nos corredores de Brasília ou nas feiras do interior de Pernambuco.
Palavras-chave: SINTEPE; PL da Anistia; Privatização da Compesa; Educação Pública Pernambuco; Ivete Caetano.