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Por Raul Silva para O estopim | 24 de junho de 2026


Rodrigo Barbosa, o Bahia do Hype, critica a descaracterização do São João, a perda de espaço do forró e a desvalorização dos artistas da terra nas festas juninas.



Cantor no palco à noite diante de multidão em festival lotado, com fumaça e arquibancadas iluminadas.
Wesley Safadão, Iguinho e Lulinha e Kuré fazem da quinta uma das maiores noites do São João de Arcoverde 2026 | Foto: Prefeitura de Arcoverde/Página Oficial da Prefeitura

O influenciador digital Rodrigo Barbosa, o Bahia do Hype, reacendeu nesta semana um debate que já vinha ganhando corpo entre forrozeiros, produtores culturais e parte do público nordestino: a descaracterização das festas juninas. Em vídeo publicado nas redes, ele critica a perda de espaço dos artistas ligados à tradição do São João, mas vai além do questionamento sobre programações dominadas por ritmos alheios à festa, ele destaca um elemento ainda mais incômodo nessa equação: a própria população local, que reclama da perda da identidade cultural, mas muitas vezes não valoriza os artistas da terra com a mesma força com que prestigia atrações de fora. Ou seja, a população cobra tradição no São João, mas abandona o artistas da terra.


A fala de Rodrigo não surgiu no vazio. Ela se conecta a uma sequência de desabafos de artistas regionais que, nos últimos anos, vêm denunciando a transformação do São João em um produto de escala, com estética de festival, cachês inflados, camarotes, áreas exclusivas e grades artísticas cada vez mais distantes do repertório que historicamente deu sentido à festa. O problema, segundo esses relatos, não é apenas musical. É também simbólico, econômico e político.


O centro da crítica feita por Rodrigo Barbosa está menos na oposição simplista entre artistas locais e artistas nacionais e mais numa contradição social que atravessa o debate junino. Para ele, não basta responsabilizar prefeituras, empresários ou produtoras. Há uma parcela de responsabilidade do próprio público, que costuma se indignar com a descaracterização da festa, mas nem sempre comparece, consome, compartilha ou prestigia o artista regional com a mesma intensidade dedicada às atrações de apelo mais massivo.


Esse ponto é decisivo porque desloca a discussão de um terreno exclusivamente administrativo para um problema de comportamento cultural. Ao fazer isso, Rodrigo toca numa ferida antiga do Nordeste: a tendência de valorizar mais o que chega embalado de fora do que aquilo que nasce no próprio território.


No São João, essa lógica aparece com clareza. O forrozeiro local, o trio pé de serra, a quadrilha do bairro, o sanfoneiro da cidade e os artistas que carregam repertório junino tradicional seguem sendo celebrados no discurso, mas muitas vezes são empurrados para horários secundários, palcos menores ou cachês irrisórios, sem mobilização equivalente do público.


A fala do influenciador se cruza com manifestações públicas de artistas que passaram a se posicionar com mais força neste ciclo junino. O cantor Flávio José voltou a denunciar a perda de espaço do forró tradicional e a descaracterização das grades. A cantora Walkyria Santos criticou a diferença de tratamento dada ao forró em comparação com atrações sertanejas. Em Pernambuco, Cristina Amaral resumiu a percepção de muitos artistas ao afirmar que o São João “virou um festival”, expressão que sintetiza uma transformação cada vez mais visível nas grandes programações.


O ponto de convergência entre essas falas está na crítica à perda de centralidade da cultura junina tradicional. Já a cobrança direta à população local, que reclama mas nem sempre valoriza os artistas da própria terra, aparece de forma mais explícita na fala de Rodrigo Barbosa. Os artistas, por sua vez, têm concentrado suas críticas na perda de espaço, na desigualdade de cachês e no modelo de festa cada vez mais orientado pela lógica do espetáculo.


As festas juninas sempre foram dinâmicas e nunca existiram em estado puro. O São João do Nordeste incorporou influências ao longo do tempo e sempre conviveu com mudanças. O que está em discussão hoje, porém, não é a simples renovação da cultura, mas a troca do eixo central da festa.


Historicamente, o São João foi construído como uma celebração popular de rua, ancorada na convivência comunitária, no forró, nas quadrilhas, nas comidas típicas, nas fogueiras, nos cortejos e na ocupação afetiva dos espaços urbanos. Quando o centro da programação passa a ser definido quase exclusivamente pela capacidade de atrair multidões, produzir imagens virais e disputar atenção com outras cidades, a festa deixa de girar em torno da tradição e passa a obedecer à lógica do espetáculo.


É nesse ponto que a expressão “festivalização” ganha força. O São João permanece com bandeirolas, milho e figurino temático, mas em muitos casos muda de alma. O que antes era uma festa com identidade local própria se transforma em uma vitrine padronizada, com atrações semelhantes em cidades diferentes, repertórios intercambiáveis e pouca margem para o sotaque cultural de cada território.


A discussão se torna ainda mais delicada quando entra o volume de recursos públicos envolvidos. Em 2026, o Painel de Transparência dos Festejos Juninos do Ministério Público da Bahia consolidou números que recolocaram o tema no centro do debate. O problema não está em reconhecer que o São João move economias locais, gera renda e atrai turismo. Isso é real e relevante. O próprio poder público sustenta esse argumento. Ainda assim, o mesmo debate oficial passou a admitir que o modelo chegou a um limite.


A campanha São João sem Milhão, defendida por prefeitos baianos, e a reserva de 25% dos investimentos estaduais para artistas do autêntico forró mostram que até dentro das estruturas de poder já existe a percepção de que a balança pendeu demais para o lado do mercado.


Prefeituras e governos costumam defender as grandes contratações com um raciocínio conhecido. A festa atrai visitantes, aquece hotelaria, bares, restaurantes, transporte e comércio informal. Em muitos municípios, junho funciona como um período decisivo para a renda de milhares de trabalhadores. Esse argumento não pode ser descartado.


Mas ele também não resolve sozinho a crítica principal. A pergunta que emerge dos artistas e de vozes como a de Rodrigo Barbosa é outra: desenvolvimento para quem e em que termos? Quando uma festa financiada com dinheiro público concentra grande parte do orçamento em poucas atrações externas, diminui a presença dos artistas da região, empurra manifestações tradicionais para espaços secundários e ainda amplia áreas pagas ou exclusivas dentro de um evento popular, o resultado pode até ser lucrativo em termos econômicos, mas culturalmente empobrecedor.


Em outras palavras, o debate não é entre fazer festa ou não fazer festa. É entre qual festa está sendo financiada e quem realmente ocupa o centro dela.


É justamente aí que a fala de Rodrigo ganha densidade. Ao dizer, em essência, que o povo também participa dessa desvalorização, ele rompe com uma narrativa cômoda. É mais fácil atribuir toda a responsabilidade aos gestores do que admitir que a cultura também é enfraquecida por hábitos cotidianos de consumo.


O artista local sofre antes mesmo de subir ao palco. Sofre quando é tratado como “abertura”, quando recebe cachê muito inferior, quando precisa implorar por espaço em sua própria cidade, quando tem menos engajamento nas redes, quando só é lembrado em discursos oficiais sobre identidade cultural e quando sua arte é consumida como tradição decorativa, não como centro da festa.


Rodrigo chama a atenção para um traço recorrente da vida cultural nordestina: o orgulho regional nem sempre se converte em prática de valorização. Muita gente diz defender o forró, mas não acompanha o forró. Diz defender a cultura local, mas não prestigia, na mesma medida, quem produz essa cultura dentro do próprio território. Diz que o São João perdeu as raízes, mas ajuda a alimentar a lógica que desloca essas raízes para o canto do palco.


O que está em disputa não é só a presença de um gênero musical em determinada grade. O que está em disputa é o sentido público do São João. Quando a festa deixa de ser pensada como experiência comunitária e passa a ser organizada como produto competitivo, a memória coletiva perde espaço para a performance mercadológica.


Essa transformação produz efeitos visíveis. Cidades diferentes passam a parecer a mesma festa. O repertório se homogeneíza. Os símbolos tradicionais viram decoração. A praça pública deixa de ser suficiente. O camarote vira signo de status. O povo continua presente, mas em condições distintas de acesso e pertencimento. E o artista da terra, que deveria ser guardião natural daquela celebração, passa a disputar sobras de visibilidade em casa.


Ao vocalizar esse incômodo de forma direta, popular e sem linguagem acadêmica, Rodrigo Barbosa cumpre um papel que muitas vezes falta ao debate institucional. Ele traduz para a linguagem das redes um conflito cultural profundo. E faz isso sem poupar o público, o que explica a repercussão do vídeo.


Seu argumento central é duro porque atinge uma zona de conforto: a de quem denuncia a descaracterização, mas ajuda a sustentá-la. Ao colocar o povo dentro da conta, Rodrigo não absolve gestores. Ao contrário. Ele amplia a responsabilidade. Mostra que prefeitos contratam porque existe demanda, que empresários apostam no que mobiliza audiência e que a política local se aproveita de uma engrenagem na qual tradição e mercado já não estão em equilíbrio.


Se o Nordeste quiser preservar a força simbólica do São João, a discussão não poderá se limitar ao tamanho do palco nem ao nome mais caro do cartaz. Será preciso reordenar prioridades, garantir espaço digno para artistas regionais, proteger a centralidade do forró e das manifestações juninas, ampliar critérios de transparência e rever a ocupação privada de festas públicas.


Mas nada disso produzirá efeito duradouro se o público continuar tratando a cultura local como discurso de ocasião. A crítica de Rodrigo Barbosa expõe exatamente isso: a tradição não desaparece apenas por decisão de gabinete. Ela também se enfraquece quando deixa de ser escolhida.


No fim, a pergunta que fica não é apenas se os prefeitos estão transformando o São João em vitrine eleitoral ou produto turístico. A pergunta mais incômoda é se a própria sociedade nordestina está disposta a defender, na prática, aquilo que diz amar no discurso. E, nesse ponto, o vídeo do Bahia do Hype toca onde mais dói: talvez a crise do São João não esteja só no palco, mas também na plateia.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim, com atuação voltada para reportagem, análise e cobertura de temas de interesse público, política, cultura e cotidiano nordestino.

Da Redação de O estopim – jornalismo com análises do Brasil e do mundo.


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O Festival Pernambuco Meu País realiza sua última etapa no Sertão do estado neste fim de semana, na cidade de Arcoverde. O evento, uma iniciativa do Governo do Estado de Pernambuco por meio da Secretaria de Cultura, Fundarpe e Empetur, contará com mais de 140 ações culturais distribuídas em 17 polos.


A programação inclui shows de artistas como Seu Jorge, Mart’nália, Maneva, Nação Zumbi, Wiu e o projeto Dominguinho, com participações de João Gomes, Mestrinho e Jota Pê. Estão previstas ainda apresentações de Mestre Ambrósio, Quinteto Violado, Petrúcio Amorim, Lirinha, Taiguara Borges e Batista Lima, abrangendo gêneros como samba, reggae, manguebeat, forró, MPB e trap.


As atividades terão início na quinta-feira (28) com a Trupe Pernambuco Meu País, um cortejo com artistas de circo, dança, música, poesia e teatro que sairá da Praça da Bandeira às 16h30 em direção à Estação da Cultura. A partir de sexta-feira (29), os polos do festival entrarão em funcionamento.


Além dos shows, a programação contempla expressões culturais como circo, teatro, dança, artes visuais, gastronomia, artesanato e culturas populares. Estão previstos cortejos com agremiações como o Elefante de Olinda, Pavão Misterioso, maracatus Leão Coroado, Águia Misteriosa, Raízes do Sertão e Raízes de Pai Adão, batalhões de bacamarte, bois, caboclinhos, ursos e afoxés.


O festival contará com polos descentralizados nos distritos de Ipojuca e Caraíbas, com espetáculos infantis e musicais. A estrutura também inclui o Rede PE, com estandes de órgãos estaduais para prestação de serviços e orientações ao público.


Em declaração, a secretária estadual de Cultura, Cacau de Paula, afirmou que:


Renata Borba - Presidente da Fundarpe
Cacau de Paula - Secretária de Cultura
"Arcoverde foi uma cidade que acolheu o Pernambuco Meu País com muito entusiasmo na última edição" e que a cidade "trará a força de sua cultura popular local, mas também estará de portas abertas para manifestações artísticas de todo o estado".

A presidente da Fundarpe, Renata Borba, complementou que:


Renata Borba - Presidente da Fundarpe
Renata Borba - Presidente da Fundarpe
"Arcoverde tem grande representatividade na identidade cultural do Sertão" e que o festival "reforça a força da cultura popular arcoverdense, e promove também importantes intercâmbios com outras expressões culturais".

PROGRAMAÇÃO



O Festival Pernambuco Meu País está chegando em Arcoverde!
O Festival Pernambuco Meu País está chegando em Arcoverde!

Palco Pernambuco Meu País (Estação da Cultura - Pátio):


  • 29/08 - SEXTA: Espetáculo Pernambuco Meu País (18h30), Lirinha (19h20), Nação Zumbi (20h50), Wiu (22h40), Maneva (00h30). Intervalos com Som na Rural.

  • 30/08 - SÁBADO: Samba de Coco Irmãs Lopes (18h30), Mestre Ambrósio (19h20), Taiguara Borges (20h50), Mart’nália (22h40), Seu Jorge (00h30). Intervalos com Som na Rural.

  • 31/08 - DOMINGO: João do Pife e Banda Dois Irmãos (17h30), Quinteto Violado (18h20), Petrúcio Amorim (19h50), Batista Lima (21h40), Projeto Dominguinho (23h30). Intervalos com Som na Rural.




Arcoverde vai ferver com o Festival Pernambuco Meu País!
Arcoverde vai ferver com o Festival Pernambuco Meu País!

Outros Polos (resumo):


  • Trupe Pernambuco Meu País: Cortejo na quinta (28), a partir das 16h30 na Praça da Bandeira.

  • País das Artes Cênicas (Sesc): Espetáculos de dança e teatro, dias 29 a 31/08.

  • País do Circo (Largo do Cecora): Espetáculos circenses, dias 29 a 31/08.

  • País das Culturas Populares (Praça Virgínia Guerra): Apresentações de grupos culturais, dias 29 a 31/08.

  • País Matrizes do Forró (Centro de Artesanato e Gastronomia): Shows de forró, dias 29 a 31/08.

  • País da Música (Praça das Bandeiras): Shows diversos, dias 29 a 31/08.

  • Cortejos Brincantes: Desfiles de agremiações culturais, dias 29 a 31/08, em horários e locais variados.

  • Ações Descentralizadas: Programação nos distritos de Ipojuca e Caraíbas, dias 29 a 31/08.

  • Forma PE e Fórum: Oficinas e debates no Sesc Arcoverde e na Sede do Coco Raízes de Arcoverde, entre os dias 26 e 31/08.


A programação detalhada de todos os polos está disponível no:



Atualizado: 18 de mar. de 2025

Por: Raul Silva - Jornalista para Atlas Político do Teoria Literária


Um retrato da crise alimentar sob o governo Raquel Lyra e o papel da literatura na denúncia social


Enquanto 51% dos pernambucanos ganham menos de R$ 500, Raquel Lyra aumentou seu salário para R$ 22 mil
Enquanto 51% dos pernambucanos ganham menos de R$ 500, Raquel Lyra aumentou seu salário para R$ 22 mil

Na obra Vidas Secas, Graciliano Ramos expõe a fome como tragédia cíclica no Nordeste. Quase um século depois, Pernambuco revive esse enredo, mas com um vilão moderno: políticas fiscais que aprofundam a desigualdade. Dados oficiais revelam que 23,9% dos pernambucanos enfrentam insegurança alimentar grave (Rede Penssan, 2023), enquanto os preços dos alimentos bateram recordes em 2024. Este texto desvenda como decisões do governo Raquel Lyra (PSDB) agravaram a crise e por que a literatura é ferramenta essencial para decifrar essa realidade.


O ICMS E A EQUAÇÃO DO DESESPERO

Em janeiro de 2023, o governo estadual elevou a alíquota do ICMS sobre itens da cesta básica, como arroz (de 7% para 12%), feijão (de 7% para 10%) e óleo de soja (de 12% para 15%). O ICMS, imposto estadual cobrado em cada etapa da cadeia produtiva, impacta diretamente o preço final. Resultado: Pernambuco registrou inflação alimentar de 12% em 2023 (IBGE), contra 9,5% nacionalmente.


Como o imposto estrangula o consumidor?
  • Exemplo 1: O quilo do arroz subiu 18% entre 2022 e 2023 (CONAB), puxado pelo ICMS e pela redução de safras.

  • Exemplo 2: O litro do óleo de soja custa R$ 8,90 em Recife, 23% mais caro que em Fortaleza (Procon-PE), onde o ICMS é menor.


Para economistas da UFPE, a medida ignora a regressividade tributária: “Tributar alimentos essenciais em um estado com 4 milhões de pobres (IPEA) é amplificar a exclusão”, afirma a pesquisadora Maria Fernandes.


O FIM DOS INCENTIVOS: QUANDO O ESTADO VIRA COSTA

Além de aumentar impostos, o governo Lyra extinguiu programas críticos para a agricultura familiar, responsável por 70% dos alimentos consumidos no estado (CONTAG). Entre as medidas:


  1. Corte de subsídios para insumos (sementes, fertilizantes), que caíram 27% em 2023 (IPEA).

  2. Fim da isenção fiscal para transporte de alimentos, elevando custos logísticos em 15% (Associação de Caminhoneiros de PE).

  3. Desmonte do Programa Leite de Todos, que garantia acesso a produtores rurais e famílias carentes.

Impactos na produção:
  • A colheita de feijão de corda, base da dieta local, encolheu 15% (CONAB).

  • Agricultores como José Ricardo, de Vitória de Santo Antão, relatam: “Antes, o governo ajudava com diesel e silos. Agora, só nos resta vender a terra”.


COMPARAÇÃO REGIONAL: POR QUE CEARÁ E BAHIA SOFREM MENOS?

Enquanto Pernambuco optou por austeridade fiscal, estados vizinhos adotaram estratégias opostas:

Política

Pernambuco

Ceará

Bahia

ICMS cesta básica

Até 15%

7%

7%

Incentivo a produtores

Corte de R$ 84 mi

Aumento de R$ 62 mi

Programa Agro+ (R$ 120 mi)

Preço do óleo (R$)

8,90

7,20

7,50

Fonte: Procon Estaduais, 2024


A diferença reflete prioridades: Ceará e Bahia mantiveram estoques reguladores e reduziram tributos durante crises, enquanto PE seguiu o manual do ajuste fiscal.


A VOZ DOS ESPECIALISTAS: “UMA TEMPESTADE PREVISÍVEL”

Para o economista Carlos Freitas (UFPE), a crise é fruto de falta de planejamento e diálogo:“O governo ignorou alertas sobre inflação de alimentos e desmontou redes de proteção. O ICMS elevado foi a gota d’água para produtores já asfixiados por custos de transporte e falta de crédito.”

Já a socióloga Ana Lúcia Souza destaca o simbolismo político:“Assim como Jorge Amado denunciou a exploração no cacau, precisamos denunciar a tributação sobre a fome. É uma violência silenciosa.”


LITERATURA E REALIDADE: A ARTE DE (DES)VELAR A FOME

De Os Sertões a Queimada, a literatura nordestina expõe a fome como projeto de poder. Hoje, não há seca física em Pernambuco, mas uma seca de empatia política. Enquanto o governo Lyra alega “responsabilidade fiscal”, o estado ocupa o 5º lugar no ranking de insegurança alimentar (Rede Penssan).


O que dizem os números?
  • 1,2 milhão de pernambucanos dependem de doações para comer.

  • 48% das crianças menores de 5 anos têm dieta inadequada (UNICEF).


UM CAPÍTULO QUE PRECISA SER REESCRITO

A crise alimentar em Pernambuco não é acidente, mas consequência de escolhas. Reduzir impostos para grandes empresas (como fez o governo em 2023, com isenções de R$ 300 milhões para o setor de combustíveis) enquanto taxa o feijão é priorizar o capital em detrimento da vida.

A literatura, como espelho social, nos convida a questionar: quantos Fabianos (de Vidas Secas) precisarão fugir da fome antes que a política se humanize?


FONTES CONSULTADAS:

  • IBGE (Inflação e pobreza);

  • IPEA (Investimentos agrícolas);

  • CONAB (Produção de alimentos);

  • Procon-PE (Comparação de preços);

  • Rede Penssan (Insegurança alimentar);

  • Estudos da UFPE (Análise tributária).

PARA SABER MAIS:

  • Relatório “Tributação e Fome em PE” (UFPE, 2024);

  • Documentário Prato Vazio (Canal Saúde, 2023).


A literatura não apenas descreve o mundo: ela o interroga. E Pernambuco clama por respostas.🔗 Acesse o Atlas Político para mais análises onde a cultura encontra a política.


Nota metodológica: Dados atualizados em junho/2024. Contextos externos (inflação nacional, clima) foram considerados, mas o foco é o impacto das políticas estaduais, passíveis de intervenção governamental.

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