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Por Michael Andrade, da redação de O Estopim | Fonte: Agência Brasil | segunda-feira (20)


Novas regras determinam que anúncios de apostas esportivas alertem sobre dependência, perdas financeiras e proíbem publicidade que incentive o jogo como forma de renda.


Imagem: Reprodução
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As empresas de apostas esportivas autorizadas a operar no Brasil passaram a ser obrigadas, a partir desta segunda-feira (20), a exibir alertas sobre os riscos das apostas em todas as campanhas publicitárias. A medida integra um conjunto de novas regras do governo federal para ampliar a proteção dos consumidores e reforçar a fiscalização sobre o setor.


Pelas novas determinações, as chamadas bets deverão incluir, em suas peças publicitárias, ao menos uma das mensagens definidas pelo Ministério da Fazenda, como: “Apostar pode causar dependência”, “Apostar faz você perder dinheiro” ou “Apostar não é investimento”.


Os avisos deverão ser claros, legíveis e ocupar, no mínimo, 10% da área total da publicidade, seguindo modelo semelhante ao adotado nas campanhas de cigarros e bebidas alcoólicas.


A medida complementa a Portaria nº 1.231, publicada em julho de 2024 pelo Ministério da Fazenda, que já determinava que toda publicidade de apostas informasse, de forma explícita, a proibição da participação de menores de 18 anos e os riscos relacionados à dependência do jogo.


Governo amplia restrições às propagandas de apostas


Além da obrigatoriedade dos alertas, as novas normas endurecem as regras para a publicidade das plataformas de apostas.


Entre as proibições estão anúncios que apresentem as apostas como forma de ganhar dinheiro, investimento ou solução financeira. Também ficam vedadas campanhas que utilizem comentaristas esportivos ou conteúdos editoriais para estimular apostas em eventos esportivos específicos.


As regras foram publicadas em duas portarias. A Portaria nº 1.964, do Ministério da Fazenda, trata da obrigatoriedade dos avisos sobre os riscos do jogo compulsivo. Já a Portaria Interministerial nº 73, assinada pelos ministérios da Fazenda, da Justiça e Segurança Pública e pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), estabelece normas para toda a cadeia de divulgação das apostas.


As restrições também alcançam empresas de comunicação, plataformas digitais, transmissoras de conteúdo e qualquer veículo responsável por impulsionar ou divulgar campanhas publicitárias relacionadas às apostas.


Outro ponto previsto na legislação é a proibição da divulgação de empresas que não possuam autorização do Ministério da Fazenda para atuar no país. Também ficam proibidos anúncios que contenham links, códigos promocionais, QR Codes ou qualquer mecanismo que direcione usuários para operadores não autorizados.


Influenciadores também podem ser responsabilizados


Segundo a advogada especialista em direito empresarial Fernanda Machado, influenciadores digitais, emissoras, plataformas e demais veículos de comunicação também poderão responder pelo descumprimento das novas regras.


Ela lembra que autoridades públicas já vêm adotando medidas para responsabilizar quem divulga apostas de forma considerada irregular. Como exemplo, citou a ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios contra a plataforma Blaze e a influenciadora Virginia Fonseca, em investigação relacionada à divulgação de apostas esportivas.


Para a especialista, as novas normas buscam impedir que a publicidade seja confundida com recomendações pessoais de influenciadores, que possuem grande capacidade de impactar milhões de seguidores.


Especialista destaca riscos psicológicos das apostas


Para o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ahmed El Khatib, doutor em Finanças e em Educação, as novas exigências representam um avanço na proteção dos consumidores.


Segundo ele, muitas decisões de apostar são tomadas de forma impulsiva, influenciadas por emoções, excesso de confiança e pela expectativa de recuperar perdas ou obter ganhos rápidos.


O especialista afirma que os alertas funcionam como um momento de reflexão antes da aposta e reforça que estudos já demonstram que jogos podem provocar dependência, endividamento, conflitos familiares e impactos na saúde mental.


Ahmed ressalta, porém, que os avisos, isoladamente, não resolvem o problema, mas fazem parte de uma estratégia mais ampla de conscientização. Para ele, também é importante impedir que as propagandas transmitam a falsa ideia de que apostar representa uma forma de investimento ou geração de renda.


“O apostador deve compreender que as apostas são uma forma de entretenimento, sabendo que existe a possibilidade concreta de perder dinheiro”, afirmou.


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Nota do governo Lula atribui peso político aos Bolsonaro, mas documento formal dos EUA apresenta justificativas comerciais mais amplas.


Por Raul Silva para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

16 de julho de 2026 | Análise política



Nota do governo brasileiro sobre tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos do Brasil
Nota do governo brasileiro sobre tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos do Brasil | Foto: Raul Silva/Montagem e Design/Agência O estopim+

Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre parte relevante dos produtos brasileiros, com cobrança prevista a partir de 22 de julho. Na reação, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva acusou a família Bolsonaro de colaborar com a construção do conflito. O documento oficial norte-americano, porém, fundamenta a medida em disputas comerciais e regulatórias, sem atribuir formalmente a decisão aos Bolsonaro. Essa diferença separa a responsabilidade política da comprovação de uma responsabilidade exclusiva.


A tarifa dos EUA foi adotada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o órgão, a investigação durou um ano e tratou de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.


A determinação formal estabelece uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções. Café, carne bovina, laranja, suco de laranja, determinados produtos energéticos, aeronaves e componentes aeroespaciais estão entre os itens poupados. Açúcar, máquinas, vestuário, papel, equipamentos elétricos e produtos siderúrgicos aparecem entre os setores atingidos.


O USTR afirma que foram realizadas negociações com o Brasil, duas audiências públicas e a análise de mais de 360 manifestações. A posição norte-americana é que as conversas não produziram mudanças suficientes nas políticas questionadas. O governo brasileiro contesta essa versão e sustenta que apresentou documentos para rebater as alegações.


As exceções revelam também os limites políticos do tarifaço. Ao poupar mercadorias consideradas importantes para o abastecimento e para os preços internos, Washington reduziu parte do impacto que a própria medida poderia causar aos consumidores e às empresas dos Estados Unidos. O ato norte-americano reconhece expressamente riscos de desabastecimento, aumento de preços e desorganização das cadeias produtivas.


A Secretaria de Comunicação Social da Presidência classifica 15 de julho como um marco negativo nas relações entre os dois países. A nota afirma que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil durante 15 anos.



O governo também declara que, em 2025, 76% das importações brasileiras originárias dos Estados Unidos não pagaram imposto de importação e que a alíquota média efetivamente cobrada foi de 3,1%. Esses números são apresentados pela Presidência e devem ser tratados jornalisticamente como dados alegados pelo governo brasileiro.


A nota rejeita os questionamentos contra o Pix, a regulação das plataformas digitais e as políticas ambientais brasileiras. Também afirma que 63 de 78 intervenções de representantes empresariais nas audiências promovidas pelo USTR foram contrárias à imposição das tarifas.


A parte politicamente mais contundente aparece no encerramento. O governo diz que o resultado da investigação integra um processo construído com a “ativa colaboração da família


A acusação do governo Lula não surge em um vazio histórico.


Em 2025, Donald Trump havia usado uma tarifa anterior de 50% para protestar contra o processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro. Naquele momento, o conflito comercial foi apresentado pela própria Casa Branca como instrumento de pressão política relacionado à situação do ex-presidente brasileiro.


Esse precedente pesa contra a família Bolsonaro. A estratégia de aproximação com o governo Trump, acompanhada de pedidos de sanções e críticas às instituições brasileiras feitas no exterior, criou a percepção de que disputas políticas internas estavam sendo transferidas para Washington.


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O custo político não depende apenas de provar que um integrante da família redigiu ou solicitou a nova tarifa. Ele nasce da associação construída ao longo do tempo entre o bolsonarismo, o governo Trump e o uso de pressões externas contra autoridades e políticas brasileiras.


Nesse sentido, a família Bolsonaro tem uma conta política concreta. Ela decorre da escolha de buscar apoio internacional para pressionar adversários e instituições do próprio país.


A análise muda quando a pergunta deixa de ser política e passa a ser documental.


O ato final do USTR não apresenta Jair, Eduardo, Flávio, Carlos ou outro integrante da família Bolsonaro como fundamento jurídico da tarifa de 25%. A decisão cita políticas comerciais, ambientais, digitais e regulatórias do Estado brasileiro.


Também precisa ser registrado que Flávio Bolsonaro compareceu ao processo público do USTR para se opor à tarifa. Em sua manifestação, defendeu o Pix e afirmou que a taxação prejudicaria produtores e consumidores dos dois países.


A ida a Washington pode ser interpretada como tentativa de reduzir um desgaste eleitoral já instalado. Ainda assim, a manifestação existe e precisa integrar o contraditório. Ignorá-la transformaria análise em propaganda.


A conclusão sustentada pelos documentos disponíveis é mais precisa: os Bolsonaro contribuíram para criar um ambiente de pressão política internacional contra o Brasil, mas não há prova documental de que sejam os únicos responsáveis pela nova decisão comercial.


A controvérsia já chegou à opinião pública.


Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 16 de julho, mostra que 51% dos entrevistados concordam mais com a versão de Lula, segundo a qual Flávio Bolsonaro tem responsabilidade pelo tarifaço. Outros 30% concordam com a versão do senador, que afirma ter pedido aos Estados Unidos que não taxassem o país.


O levantamento ouviu 2.004 pessoas, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Segundo a pesquisa, 63% acreditam que as tarifas podem prejudicar a própria vida ou a de familiares.


Esse dado mostra onde está o maior risco para o bolsonarismo. Quando a disputa deixa o terreno abstrato da diplomacia e passa a ser relacionada a empregos, renda, exportações e atividade industrial, o alinhamento com Trump pode deixar de ser visto como afinidade ideológica e passar a ser entendido como custo econômico.


Lula tenta transformar essa percepção em um confronto entre soberania nacional e interesses familiares. Flávio tenta separar sua candidatura do tarifaço, ao mesmo tempo em que preserva a relação política com Trump. É uma equação difícil.


Tarifas de importação são cobradas, inicialmente, de quem importa a mercadoria nos Estados Unidos. O efeito, porém, pode retornar ao Brasil por diferentes caminhos.


Empresas norte-americanas podem reduzir pedidos, pressionar fornecedores brasileiros por preços menores ou buscar produtos em outros países. Exportadores podem perder margem de lucro, adiar investimentos e reduzir produção. Trabalhadores de cadeias industriais e agrícolas podem ser atingidos caso a demanda diminua.


As exceções concedidas a café, carne, energia e aeronaves reduzem parte do dano imediato. Mesmo assim, o alcance da tarifa sobre milhares de mercadorias mantém o risco para setores industriais, produtores regionais e municípios dependentes das exportações.


O que acontece agora?


O governo brasileiro anunciou que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e que levará a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.


A Lei nº 15.122, sancionada em abril de 2025, autoriza o Brasil a adotar contramedidas diante de ações comerciais unilaterais que prejudiquem a competitividade do país. A resposta pode envolver concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual.


Antes de retaliar, o governo terá de avaliar quais setores seriam protegidos e quais poderiam sofrer novos prejuízos. Uma guerra tarifária sem cálculo pode ampliar o dano que pretende combater.


A partir de 22 de julho, três frentes deverão ser acompanhadas: eventuais negociações para ampliar as exceções, a aplicação da Lei de Reciprocidade e os efeitos concretos sobre exportações, produção e empregos.


Politicamente, a conta dos Bolsonaro existe e pode crescer durante a campanha eleitoral. Documentalmente, entretanto, ela não pode ser apresentada como explicação única para uma decisão que o governo dos Estados Unidos estruturou sobre uma investigação comercial mais ampla.


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Raul Silva é jornalista, escritor, professor e produtor de conteúdo do portal O estopim. Atua na análise de política, comunicação, cultura, tecnologia e temas de interesse público.

Por Michael Andrade, da redação do Portal O Estopim | Fonte: Agência Brasil domingo (12)


Linha de crédito do programa Move Brasil estava prevista para começar nesta segunda-feira (13), mas foi adiada para conclusão de testes tecnológicos e operacionais.


Foto: Reprodução
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Entregadores e motociclistas de aplicativos terão de esperar até o dia 27 de julho para solicitar financiamento de motos e bicicletas por meio do programa Move Brasil. O início da operação estava previsto para esta segunda-feira (13), mas foi adiado pelo governo federal.


Segundo o governo, a mudança permitirá a conclusão de testes tecnológicos e operacionais entre os sistemas dos órgãos públicos e das instituições financeiras. O objetivo é evitar falhas durante a contratação e garantir segurança no atendimento aos trabalhadores.


A partir da nova data, os interessados poderão procurar a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil ou outras instituições financeiras credenciadas para solicitar o crédito.


Podem participar entregadores que utilizam bicicletas ou motocicletas e estejam cadastrados em plataformas de aplicativos há pelo menos seis meses, com o mínimo de 100 corridas ou entregas realizadas.


O programa também contempla entregadores ciclistas, motofretistas e mototaxistas profissionais com carteira assinada há pelo menos seis meses na mesma empresa.


Para iniciar o pedido, o trabalhador deverá realizar o cadastro pela plataforma Gov.br. O governo verificará se os critérios do programa foram atendidos.


A aprovação cadastral, no entanto, não garante automaticamente a concessão do financiamento. A liberação dependerá da análise de crédito realizada pela instituição financeira escolhida.


Cada beneficiário poderá financiar apenas um veículo. Entre as opções estão bicicleta elétrica, motoneta, ciclomotor, motocicleta elétrica e motocicleta flex.


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