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Por Mário Toledo para O estopim | 19 de junho de 2026



Jogadores da seleção brasileira de futebol, em camisas amarelas, comemoram em campo com braços abertos no estádio.
Seleção brasileira enfrenta o Haiti nesta sexta-feira (19) | Foto: Nelson Terme/ CBF

O Brasil enfrenta o Haiti nesta sexta-feira (19), às 21h30 de Brasília, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo 2026. A Seleção Brasileira chega pressionada pelo empate por 1 a 1 com Marrocos na estreia e busca sua primeira vitória no torneio contra um adversário que perdeu para a Escócia, mas mostrou competitividade e volume ofensivo na rodada inicial.


Brasil x Haiti terá transmissão pela TV Globo, SBT, SporTV, N Sports, CazéTV e Ge TV. O jogo começa às 21h30 de Brasília. A CNN informou que o horário foi ajustado pela Fifa depois do fim das repescagens, em março. Inicialmente, a partida aparecia marcada para 21h.


Carlo Ancelotti confirmou duas mudanças em relação ao time que empatou com Marrocos. Danilo entra no lugar de Ibañez, e Matheus Cunha assume a vaga de Igor Thiago no comando do ataque. O Brasil começa com Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Raphinha, Matheus Cunha e Vini Jr.


A manutenção de Casemiro e Lucas Paquetá mostra que Ancelotti não quer romper a estrutura do time logo na segunda rodada. A troca no ataque, porém, indica uma cobrança por mais mobilidade, aproximação e leitura entre os homens de frente. Contra Marrocos, o Brasil teve dificuldade para progredir por dentro e dependeu demais de ações individuais.


O Haiti está escalado com Placide; Arcus, Adé, Delcroix e Expérience; Jean-Jacques, Deedson e Bellegarde; Providence, Isidor e Pierrot. A seleção haitiana perdeu por 1 a 0 para a Escócia na estreia, mas finalizou 15 vezes e pressionou o adversário no fim. O principal alerta para o Brasil é Frantzdy Pierrot, atacante de 1,94m, dono de 34 gols em 55 partidas pela seleção.


O técnico Sébastien Migné tratou o confronto como uma oportunidade histórica para o Haiti. À Reuters, afirmou que sua equipe tem “tudo a ganhar” diante do Brasil e lembrou que o país voltou à Copa depois de 52 anos de ausência.


A Reuters informou que Ancelotti tenta manter a calma após a estreia irregular e vê o jogo contra o Haiti como chance para corrigir falhas de equilíbrio e desempenho. O técnico admitiu que a pressão da camisa no primeiro jogo pode ter afetado o estado mental dos jogadores, mas rejeitou uma mudança ampla na equipe.


O El País foi mais duro na leitura do momento brasileiro. O jornal espanhol apontou que a Seleção precisa ganhar e melhorar “linha por linha”, depois de um primeiro tempo ruim contra Marrocos. A análise também destacou a necessidade de definir melhor o centroavante e aumentar a agressividade pelos lados para abrir uma defesa haitiana que deve atuar compacta.


No Brasil, o debate gira em torno de três pontos: a ansiedade do time, a falta de fluidez ofensiva e a necessidade de construir saldo. Em um grupo com Marrocos, Escócia e Haiti, cada gol pode pesar no fim da primeira fase.


Neymar não viajou com a delegação para a Filadélfia e segue fora do jogo contra o Haiti. A ausência mantém Ancelotti sem o jogador mais midiático do elenco e amplia a responsabilidade de Vini Jr., Raphinha e Matheus Cunha na criação e na finalização.


Brasil x Haiti não é um confronto comum no imaginário recente do futebol. Em 2004, as duas seleções disputaram em Porto Príncipe o chamado Jogo da Paz, em meio à crise política haitiana e à missão da ONU liderada pelo Brasil. A partida terminou 6 a 0 para a Seleção, com três gols de Ronaldinho Gaúcho, dois de Roger Flores e um de Nilmar, mas ficou marcada pela dimensão simbólica e pela recepção popular aos jogadores brasileiros.


Esse passado não deve ser romantizado sem crítica. A presença brasileira no Haiti, por meio da Minustah, também envolve controvérsias e denúncias graves relacionadas à atuação de missões internacionais. Ainda assim, o reencontro em uma Copa do Mundo recoloca no centro do debate a relação entre futebol, diplomacia, espetáculo e desigualdade global.


O Brasil precisa atacar sem perder equilíbrio. A tendência é que o Haiti baixe linhas, proteja a área e tente acelerar com Isidor, Providence e Pierrot. A bola aérea será um problema real para Marquinhos e Gabriel Magalhães, principalmente em faltas laterais e escanteios.


Com Matheus Cunha, o Brasil ganha um atacante mais associativo do que Igor Thiago. A presença dele pode aproximar Vini Jr. e Raphinha do centro do jogo. O ponto decisivo será a velocidade da circulação. Se a Seleção repetir passes lentos e pouca movimentação entrelinhas, o favoritismo pode virar ansiedade.


A obrigação brasileira não se limita aos três pontos. O time precisa dar resposta técnica, emocional e competitiva. Precisa mostrar que o empate com Marrocos foi tropeço de estreia, não sintoma de um time sem forma. A Copa ampliada dá mais margem de classificação, mas também cobra imagem. Para uma seleção pentacampeã, jogar mal contra o Haiti teria peso de crise.


A noite na Filadélfia, portanto, não é apenas sobre vencer o azarão. É sobre recuperar autoridade.


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Mário Toledo é jornalista esportivo e analista de conjuntura de O estopim. Especialista na cobertura de futebol nacional e internacional, entende o esporte como um fenômeno social e político. Disseca táticas, bastidores e os impactos socioeconômicos do esporte com rigor analítico, ética e foco na democratização do futebol.

Por Raul Silva para O estopim | 18 de junho de 2026


Homem idoso de terno cinza fala ao microfone em reunião, com bandeira ao fundo e placa EMBAIXADOR CELSO AMORIM.
Ministro Celso Amorim na Conferência de Segurança Internacional do Forte | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, defendeu que a concentração da inteligência artificial nas mãos de poucas empresas, sediadas em poucos países, pode aprofundar desigualdades globais e fragilizar sistemas democráticos. A declaração foi feita na terça-feira, 16 de junho, durante a Conferência de Segurança Internacional do Forte, que reuniu autoridades e especialistas da União Europeia e da América do Sul.

IA nas mãos de poucas empresas pode ampliar a desigualdade

A fala de Amorim recoloca no centro do debate uma pergunta que vai além da tecnologia: quem controla os sistemas que organizam dados, informação, trabalho, consumo, segurança e disputa política. Segundo ele, diante do poder das big techs, os Estados não podem abrir mão da capacidade regulatória, “derivada do voto do povo”.


A preocupação do embaixador mira a estrutura de poder criada em torno da IA. As grandes empresas de tecnologia controlam plataformas, infraestrutura digital, bancos de dados, modelos de linguagem, mecanismos de distribuição de conteúdo e parte decisiva da conversa pública.


Quando esse conjunto fica concentrado em poucos grupos privados, a tecnologia deixa de ser apenas ferramenta econômica. Passa a influenciar eleições, mercados, relações de trabalho, segurança pública, educação, saúde e soberania nacional.


Amorim alertou para o risco de a IA dominada por poucos grupos aprofundar desigualdades e minar democracias. O problema, portanto, não está apenas no avanço técnico, mas na assimetria entre quem desenvolve, controla e lucra com os sistemas e quem apenas consome seus impactos.


Amorim também relacionou a governança da IA à proteção de dados. Para o embaixador, “Sem proteção digital, não há autonomia decisória nem confiança institucional”. Ele afirmou ainda que dados se tornaram ativos econômicos, políticos e militares, capazes de alimentar modelos de inteligência artificial, orientar decisões estratégicas e permitir monitoramento em larga escala.


Esse ponto é decisivo para países como o Brasil. Sem infraestrutura própria, proteção regulatória e capacidade pública de fiscalizar o uso de dados, o país tende a depender de sistemas produzidos fora de seu território e orientados por interesses comerciais externos.


A advertência ganha força quando Amorim cita a necessidade de atenção a bases sensíveis, como os dados do Sistema Único de Saúde. Em uma economia movida por IA, informações públicas de saúde, educação, segurança e assistência social passam a ter valor estratégico.


O debate sobre regulação das big techs costuma ser apresentado como embate entre inovação e controle estatal. A fala de Amorim desloca essa leitura. O que está em jogo é saber se a inteligência artificial será orientada por interesse público ou apenas por concentração de mercado.


Amorim defendeu que o desenvolvimento tecnológico seja direcionado a bens comuns, como redução da pobreza, proteção ambiental e garantia de direitos humanos.


A ausência de regras claras favorece quem já tem escala, dados e capital. Empresas menores, países pobres e populações vulneráveis entram no jogo em desvantagem. Nesse cenário, a IA pode acelerar desigualdades existentes, automatizar exclusões e transformar dependência tecnológica em dependência política.


A ameaça às democracias não ocorre apenas por ataques diretos. Ela também se manifesta de forma mais difusa, quando plataformas digitais direcionam o debate público, organizam visibilidade, distribuem desinformação e alteram a forma como cidadãos recebem informações. A própria Agência Brasil aponta que o poder das big techs é debatido no mundo por causa da capacidade das redes de influenciar o debate público, disseminar notícias falsas em massa e afetar o mercado de trabalho.


Com a inteligência artificial generativa, esse desafio aumenta. A produção de texto, imagem, áudio e vídeo sintéticos reduz o custo da manipulação informacional. Ao mesmo tempo, algoritmos pouco transparentes podem ampliar conteúdos extremos, esconder temas de interesse público e organizar bolhas políticas com precisão cada vez maior.


O problema, portanto, não é apenas tecnológico. É institucional. Democracias dependem de informação confiável, pluralidade, fiscalização e capacidade de responsabilização. Sistemas controlados por poucas empresas, com regras internas opacas e alcance global, desafiam esse equilíbrio.


A fala de Amorim também incluiu a dimensão militar da inteligência artificial. Ele alertou para o uso da tecnologia em guerras e para o desenvolvimento de armas autônomas, em um contexto no qual a decisão sobre força letal pode se tornar mais distante do operador humano.


Esse ponto aproxima a regulação da IA de uma agenda de segurança internacional. Não se trata apenas de proteger usuários de plataformas. Trata-se de discutir como sistemas autônomos podem alterar conflitos, vigilância, defesa nacional e equilíbrio entre países.


A fala de Celso Amorim indica que o Brasil quer posicionar a inteligência artificial como tema de soberania, democracia e desenvolvimento. A pergunta central é se o país terá força política, técnica e institucional para transformar esse diagnóstico em política pública.


Sem regulação, infraestrutura própria e proteção de dados, a IA tende a reproduzir a lógica que marcou outras etapas da economia digital: concentração de poder em poucas empresas, dependência tecnológica de países periféricos e baixa transparência para os cidadãos.


A inteligência artificial pode ampliar capacidades humanas, melhorar serviços públicos e acelerar descobertas. Mas, sem controle democrático, também pode aprofundar desigualdades, automatizar discriminações e deslocar decisões públicas para sistemas privados que não prestam contas ao eleitor.


O desafio está posto: regular a IA não significa barrar o futuro. Significa disputar quem terá poder para defini-lo.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do O estopim, com foco em política, tecnologia, poder e temas de interesse público.

Por Michael Andrade, da redação de O estopim | Fonte: Agência Brasil | sábado (30) de maio de 2026


Consumidores terão cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.


Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A bandeira tarifária continuará amarela no mês de junho, informou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com isso, os consumidores terão cobrança adicional na conta de luz.


O acréscimo será de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos para todos os consumidores conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN).


Segundo a Aneel, a manutenção da bandeira amarela ocorre por causa do período seco no Brasil, que reduz a geração de energia pelas hidrelétricas e aumenta a necessidade de acionamento das usinas termelétricas, que têm custo mais elevado.


De janeiro a abril, a bandeira tarifária permaneceu verde, sem cobrança adicional. Em maio, a bandeira amarela foi acionada e seguirá em vigor durante junho.


Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias indica o custo da geração de energia elétrica no país. A bandeira verde não gera cobrança extra. Já as bandeiras amarela e vermelha acrescentam valores à conta, de acordo com as condições de geração.


Na bandeira amarela, o adicional é de R$ 1,88 a cada 100 kWh. Na bandeira vermelha patamar 1, o acréscimo é de R$ 4,46. No patamar 2, o custo sobe para R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos.


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