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Por Raul Silva para O estopim | 22 de maio de 2026



Pessoa segura celular com o app Meu INSS aberto, exibindo o botão Entrar com gov.br.
Falha no Meu INSS expõe dados de segurados e reacende debate sobre a proteção na Previdência | Foto: Reprodução

Uma falha de segurança identificada na plataforma Meu INSS expôs dados de segurados da Previdência Social e abriu uma nova frente de desgaste para o Instituto Nacional do Seguro Social, a Dataprev e a política federal de proteção de dados. O incidente foi detectado em 22 de abril de 2026, comunicado à Autoridade Nacional de Proteção de Dados, a ANPD, em 27 de abril, e confirmado publicamente nesta semana, em meio a mais um ciclo de desconfiança sobre a capacidade do Estado de proteger informações de aposentados, pensionistas e demais beneficiários.


Segundo o INSS, a falha foi identificada pela Dataprev no fluxo de requerimentos feitos na plataforma digital do órgão. Em nota, o instituto informou que adotou medidas de contenção no mesmo dia em que o problema foi detectado e afirmou que ainda consolida o número exato de pessoas atingidas.


Os dados já divulgados mostram, porém, que o episódio está longe de ser residual. O próprio INSS informou que 97% dos CPFs acessados pertenciam a pessoas falecidas. Nos casos sem registro de óbito, o total ficou em cerca de 50 mil. A partir dessa proporção, a exposição potencial pode chegar a algo em torno de 1,6 milhão de cadastros, embora técnicos ouvidos pela imprensa falem em universo próximo de 2 milhões de segurados.


Relatos técnicos apontam que a brecha surgia quando um terceiro tentava apresentar, em nome do segurado, um requerimento de benefício, como aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-reclusão. Ao digitar o CPF do beneficiário, o sistema poderia exibir nome completo, data de nascimento e, em alguns casos, histórico de vínculos empregatícios.


O ponto central não é apenas a exposição de tela. Em sistemas previdenciários, dados cadastrais, histórico laboral e informações de benefício compõem material de alto valor para golpes, engenharia social, assédio comercial e tentativas de fraude documental. Mesmo quando não há concessão automática de benefício, a base exposta ajuda a montar abordagens mais convincentes contra idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.


O INSS sustenta que a exposição dos dados, por si só, não garante acesso a benefícios. A autarquia afirma que a concessão exige documentos adicionais, validações específicas e etapas de comprovação. Também cita a biometria facial como barreira para empréstimos consignados e diz ter reforçado controles internos depois da descoberta da falha.


A Dataprev confirmou que existe um evento de segurança em apuração envolvendo o Meu INSS, mas não detalhou a extensão do impacto. Já a ANPD informou que recebeu a comunicação do incidente e que iniciou a análise preliminar da documentação, aguardando manifestação complementar do instituto.


A gravidade do episódio não se mede apenas pelo número de registros potencialmente expostos. O problema atinge um banco de dados ligado a benefícios previdenciários e assistenciais, com forte presença de idosos, pensionistas e famílias dependentes de renda pública. A própria ANPD considera que incidentes em larga escala, sobretudo os que podem facilitar roubo de identidade e atingir grupos vulneráveis, têm potencial de gerar dano relevante.


O caso também amplia a pressão sobre o dever de transparência. Desde 2024, a regulamentação da ANPD prevê que incidentes de segurança com risco ou dano relevante devem ser comunicados à autoridade e aos titulares em até três dias úteis, com possibilidade de complementação posterior quando faltarem dados técnicos. Se não for possível individualizar os afetados, a comunicação pode ter de alcançar toda a base atingida por meios amplos.


O novo vazamento não ocorre em terreno neutro. Em fevereiro de 2024, a ANPD sancionou o INSS por violações à Lei Geral de Proteção de Dados em um incidente de 2022 que atingiu o Sistema Corporativo de Benefícios, o SISBEN, com exposição de CPF, dados bancários e data de nascimento. Na ocasião, a autoridade entendeu que o órgão deveria ter comunicado os titulares afetados.


Poucos meses depois, em junho de 2024, o próprio INSS confirmou a exposição de dados cadastrais de até 40 milhões de segurados por meio de acessos sem controle ao sistema Suibe, usados por servidores de órgãos externos que já haviam deixado seus cargos. A reação incluiu suspensão de senhas e adoção de certificado digital e criptografia para acessos externos.


Em maio de 2025, em outra frente de contenção, o instituto passou a exigir validação biométrica no Meu INSS para desbloqueio de benefícios para crédito consignado. O argumento oficial era reduzir descontos indevidos e limitar a circulação de dados de margem consignável entre bancos e financeiras.


Tela inicial do app Meu INSS, com logotipo colorido e botão azul ENTRAR em fundo branco.
Tela de login do aplicativo Meu INSS | Foto: Reprodução

O episódio desta semana aponta para algo maior que um erro pontual de programação. Ele revela uma fragilidade recorrente na governança de dados da Previdência: sistemas críticos com alto valor econômico, grande massa de usuários vulneráveis e reação institucional quase sempre posterior à exposição.


Há ainda um elemento adicional. A ANPD mantém processo de fiscalização sobre INSS e Dataprev para verificar a conformidade do tratamento de dados pessoais no compartilhamento de informações para oferta de empréstimos consignados. Em outras palavras, o debate sobre uso comercial e segurança das bases previdenciárias já estava aberto antes da nova falha.


Para o cidadão, a reação precisa ser prática. A recomendação mais imediata é desconfiar de mensagens, e-mails e links que prometam consulta de vazamento, restituição automática ou regularização urgente. A ANPD orienta os titulares a não responderem comunicações suspeitas, trocarem senhas, ativarem autenticação em dois fatores quando disponível e monitorarem contas e serviços relacionados aos dados expostos.


No caso específico do INSS, aposentados e pensionistas devem conferir com frequência o extrato de pagamento e o extrato de empréstimo no Meu INSS, para identificar descontos não autorizados. O instituto também recomenda manter o benefício bloqueado para consignado quando não houver interesse em contratar crédito. Se aparecer uso fraudulento de dados, o caminho inclui reclamação em consumidor.gov.br, registro de boletim de ocorrência e comunicação aos canais oficiais do órgão.


A confirmação do incidente resolve apenas a primeira etapa do caso. Ainda faltam respostas públicas sobre cinco pontos centrais: quantos cadastros foram realmente expostos, por quanto tempo a falha permaneceu ativa, quais campos puderam ser visualizados em cada situação, quantos titulares vivos serão formalmente notificados e quais medidas permanentes serão adotadas para impedir reincidência.


Sem isso, o caso corre o risco de repetir o roteiro que já se tornou familiar no ecossistema previdenciário brasileiro: falha descoberta, contenção emergencial, divulgação parcial e pouca clareza sobre responsabilização.


O vazamento de dados do Meu INSS não é apenas um episódio técnico. Ele atinge a confiança em um serviço público essencial, expõe a assimetria entre o cidadão e a máquina estatal e recoloca no centro uma pergunta que o país ainda não respondeu de forma satisfatória: quem protege, de fato, os dados de quem depende do Estado para sobreviver?


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua com cobertura de política, direitos sociais e temas de interesse público, com foco em apuração, contexto e impacto social.


Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Nasa | terça-feira (8) de abril de 2026


Registros captados no dia 6 de abril mostram a Terra surgindo no horizonte lunar e marcam momento histórico da missão.


Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

A Nasa divulgou, nesta terça-feira (8), imagens registradas pela tripulação da missão Artemis II durante o sobrevoo da Lua, realizado no último domingo (6).


As fotos foram captadas pelos astronautas a bordo da cápsula Orion e mostram a Terra surgindo no horizonte lunar, em um fenômeno conhecido como “Earthrise”, considerado um dos registros mais emblemáticos da exploração espacial.


De acordo com a agência espacial americana, parte das regiões observadas durante o voo nunca havia sido vista diretamente por seres humanos, já que a missão passou por áreas do entorno lunar pouco exploradas em missões tripuladas.


A Artemis II marca o retorno de voos tripulados ao redor da Lua após mais de cinco décadas. Durante a missão, os astronautas realizam testes de sistemas da nave, além de registros visuais e coleta de dados fundamentais para futuras expedições.


O material produzido durante o voo deve contribuir diretamente para a preparação da missão Artemis III, que tem como objetivo levar astronautas novamente à superfície lunar nos próximos anos.


As imagens divulgadas reforçam o avanço tecnológico das missões espaciais e reacendem o interesse global pela exploração do espaço profundo.


Imagem: Nasa/Divulgação


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Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: O Globo | sexta-feira (03) de abril de 2026


Tripulação da cápsula Orion entra na esfera de influência da Lua e deve quebrar recorde estabelecido pela Apollo 13.


Imagem: Reprodução TV Globo
Imagem: Reprodução TV Globo

A missão Artemis II, da NASA, alcançou um dos momentos mais marcantes da nova fase da exploração espacial ao entrar na chamada esfera de influência da Lua, região onde a gravidade do satélite passa a exercer maior força sobre a nave do que a da Terra.


Com isso, os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion devem se tornar, nesta sexta-feira (03), os seres humanos a atingir a maior distância já registrada do planeta Terra. A previsão é de que o recorde seja superado por volta das 14h56, no horário de Brasília.


A missão deve ultrapassar a marca de 400.171 quilômetros de distância, superando o recorde anterior estabelecido pela missão Apollo 13, em 1970.


A fase atual do voo é considerada a mais significativa da expedição. A nave realiza um sobrevoo ao redor da Lua, incluindo a passagem pelo lado oculto, região que não pode ser observada da Terra e onde há interrupção total de comunicação com o controle da missão.


Durante esse período, que deve durar cerca de uma hora, os astronautas não poderão enviar ou receber mensagens, tornando esse um dos momentos mais delicados da missão.


Antes disso, a tripulação já havia atingido um marco importante ao entrar na esfera lunar, quando estava a cerca de 66 mil quilômetros da Lua e a aproximadamente 373 mil quilômetros da Terra.


A astronauta Christina Koch destacou o momento como um marco na missão. Segundo ela, a tripulação passou a ser atraída pela gravidade lunar, indicando a mudança no domínio gravitacional.


Durante o sobrevoo, os astronautas também registram imagens inéditas da Lua, incluindo regiões que, até então, haviam sido observadas apenas por sondas robóticas.


A missão Artemis II é considerada uma etapa preparatória para o retorno de humanos à superfície lunar, previsto para os próximos anos, dentro do programa Artemis, que também tem como objetivo estabelecer presença humana permanente na Lua e viabilizar futuras missões a Marte.


Além disso, a missão conta com colaboração internacional e impactos indiretos em pesquisas científicas. O Brasil, por exemplo, participa de estudos relacionados à agricultura espacial, com experimentos que analisam o comportamento de sementes em ambiente de microgravidade.


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