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Projeto do Executivo cria credenciamento na Arcotrans, exige CNH há 2 anos e vistoria com itens de segurança; discussão no plenário ganhou repercussão após questionamento sobre parlamentares terem lido o texto antes da votação.


Por Raul Silva para O estopim | 10 de Março de 2026


Câmara de Arcoverde aprova regras para 99Moto | Foto: Portal Panorama
Câmara de Arcoverde aprova regras para 99Moto | Foto: Portal Panorama

A Câmara de Vereadores de Arcoverde aprovou na noite desta segunda-feira (9), durante a 5ª Sessão Ordinária da 21ª Legislatura, o Projeto de Lei Complementar do Executivo nº 007/2026, que estabelece regras para o transporte remunerado privado individual de passageiros por motocicleta intermediado por plataformas digitais, como o 99Moto, no município. A matéria foi colocada em fase única de discussão e votação na pauta do plenário.


O texto aprovado condiciona a operação das plataformas ao credenciamento prévio junto à Arcotrans, autarquia municipal de trânsito, transportes e segurança, responsável também por cadastro, fiscalização e aplicação de sanções. Entre as exigências para as operadoras estão inscrição no CNPJ e no cadastro de contribuintes do município, contratação de seguro de acidentes pessoais para passageiros, compartilhamento de dados com a Arcotrans para fins de fiscalização e planejamento e recolhimento do ISSQN devido pela intermediação do serviço.


Para os condutores, a lei exige autorização específica emitida pela Arcotrans. O projeto estabelece idade mínima de 21 anos, CNH categoria A há pelo menos dois anos, com anotação de atividade remunerada, certidões negativas de antecedentes criminais das Justiças Federal e Estadual, aprovação em curso especializado previsto na regulamentação do Contran e comprovação de vínculo previdenciário como contribuinte individual do INSS ou como MEI.



O texto também define critérios para as motocicletas cadastradas: no máximo oito anos de fabricação, licenciamento no Estado de Pernambuco e vistoria de segurança realizada ou delegada pela Arcotrans. A lista mínima de itens a serem verificados inclui equipamentos obrigatórios do Código de Trânsito Brasileiro, protetor de motor e pernas conhecido como mata-cachorro, antena corta-pipa e alças laterais para apoio do passageiro.


A lei fixa obrigações e vedações para o serviço. O condutor autorizado deve portar a autorização, fornecer capacete certificado ao passageiro e manter o veículo em condições de segurança e higiene. Entre as proibições, estão o embarque de passageiros sem solicitação prévia pela plataforma digital, o uso de pontos destinados a táxi ou mototáxi e a formação de pontos fixos de espera em vias públicas.


As penalidades previstas incluem advertência por escrito, multa e suspensão do credenciamento da operadora ou da autorização do condutor. O texto atribui à Arcotrans a regulamentação dos procedimentos, incluindo valores de multas e outros detalhes operacionais, em até 60 dias.


A votação, porém, foi acompanhada de um embate no plenário que repercutiu nas redes sociais. Durante o debate, o representante da plataforma, Cassiano Silva, afirmou ter ouvido da vereadora Célia Galindo que haveria parlamentares que não tinham lido o projeto em discussão. O presidente da Câmara, Luciano Pacheco, respondeu que não poderia assegurar que todos os vereadores haviam lido a proposta.


A troca de falas passou a circular em recortes nas redes e ampliou o foco da sessão para o rito de análise de matérias em tramitação na Câmara. Na mesma reunião, a pauta também incluiu o Projeto de Decreto Legislativo nº 0001/2026, que concede título de cidadã arcoverdense à vereadora Célia Galindo.


O Projeto de Lei Complementar nº 007/2026 foi encaminhado pelo prefeito José Cavalcanti Alves Júnior com pedido de tramitação em regime de urgência. Na mensagem enviada ao Legislativo, a justificativa menciona a competência municipal para regulamentar e fiscalizar o serviço, alinhada à Política Nacional de Mobilidade Urbana e ao entendimento do STF no Tema 967, que trata da impossibilidade de proibição do serviço, com possibilidade de regulação local.


A discussão sobre transporte por aplicativo em Arcoverde se intensificou desde a chegada de plataformas de moto no município, com disputa pública entre interessados na operação e regras defendidas pela Arcotrans e por categorias já estabelecidas na cidade.


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Raul Silva

Jornalista, Escritor e Professor. Raul Silva é a mente que arquitetou O estopim. Sua missão é desmontar narrativas hegemônicas e oferecer um jornalismo que não tem medo de comprar briga com o poder estabelecido. Aqui, ele assina as principais análises editoriais e coordena a visão estratégica do portal.

 
 
 

Por Atlas Siqueira para O estopim Tech | 8 de Março de 2026


Windows 12 - imagem ilustrativa | Foto: Reprodução
Windows 12 - imagem ilustrativa | Foto: Reprodução

A cada ciclo de rumores, o mesmo enredo se repete: “vem aí o próximo Windows para mudar tudo”. A diferença, agora, é que o boato ganhou data e narrativa pronta: Windows 12 em 2026, modular, com IA no centro e até um possível modelo de assinatura. O problema é que a realidade da Microsoft aponta para a direção oposta. Em vez de um salto de versão, a empresa está reforçando um modelo mais pragmático: manter o Windows 11 como plataforma contínua, com atualizações anuais e uma avalanche de recursos entregues em pacotes menores ao longo do ano.


O recado, no fundo, é menos sobre uma sigla e mais sobre controle. Quando o sistema vira serviço, a versão do “Windows” importa menos do que a cadência de atualizações, a integração com a nuvem e a capacidade de empurrar o usuário para um ecossistema de conta, assinatura e telemetria.



Por que o Windows 12 não aparece no roteiro oficial


A base do argumento é simples: o que a Microsoft publica e suporta hoje é Windows 11. A empresa mantém um calendário anual de “feature update” no segundo semestre, e os últimos ciclos deixam claro que o foco é evoluir o mesmo sistema, não abrir uma nova era com outra marca.


O Windows 11 2025 Update, por exemplo, chegou como versão 25H2. Não foi um “novo Windows”, e nem pretendeu ser. O próprio método de entrega diz muito: a atualização veio como um pacote de ativação sobre a base anterior, minimizando o tamanho do download, reduzindo tempo de indisponibilidade e evitando o trauma das reinstalações pesadas que marcaram a história do Windows.


Para a Microsoft, esse modelo tem três vantagens.


Primeiro: reduz risco. Uma base de código compartilhada facilita correções, compatibilidade com drivers e previsibilidade para empresas.


Segundo: acelera a agenda comercial. Se o sistema é atualizado por partes, a empresa pode ativar recursos quando for conveniente, segmentar lançamentos por regiões e perfis de hardware e ajustar o produto em tempo real.


Terceiro: mantém a narrativa do “Windows sempre novo” sem precisar anunciar um Windows 12. Isso é valioso quando o Windows 10 já saiu do suporte e uma parcela gigante do mercado ainda resiste a migrar.


O Windows 11 em 2026 é mais sobre hardware do que sobre estética


O que muda de verdade no Windows em 2026 não é uma nova área de trabalho com cantos mais arredondados. É a camada de hardware que passa a definir quais recursos você pode ou não usar.


A Microsoft está empurrando o mercado para a era do “PC com IA”, um rótulo que, na prática, significa colocar uma NPU decente no notebook e rodar parte das tarefas localmente. Muitos recursos recentes de IA do Windows exigem NPUs capazes de operar acima de 40 TOPS. Isso muda a régua: quem comprou um notebook competente em 2021 pode continuar rodando Windows 11, mas fica de fora do pacote completo de recursos que viram vitrine.


Esse é o ponto em que a estratégia fica clara: o sistema operacional não é mais a grande compra. A grande compra é o hardware novo.


A própria Microsoft já trabalha com uma ramificação do Windows 11 voltada a dispositivos específicos. A versão 26H1, publicada em 2026, foi apresentada como uma liberação direcionada para suportar inovações de novos chips e novos dispositivos, não um update “para todo mundo”. Em outras palavras: o Windows 11 vira uma família, com ramificações que acompanham ciclos de silício.


Boato, CorePC e a fábrica de mitos da IA


Parte do barulho sobre Windows 12 tem uma origem relativamente conhecida: a confusão entre projetos internos de modernização do Windows e a tentação de transformar isso em um produto pronto.


Nos bastidores, houve projetos com a ideia de modularizar mais o sistema, separar estado, atualizar componentes com menos fricção e permitir que o Windows “escale” para diferentes categorias de hardware. Essa discussão não é nova. Ela atravessa iniciativas canceladas, protótipos, mudanças de engenharia e, principalmente, desejos do ecossistema de fabricantes.


O problema é o uso desses rascunhos como “prova” de um Windows 12 iminente. Em 2026, esse tipo de ruído ficou ainda mais fácil de escalar porque a própria internet virou uma fábrica de reciclagem de rumor: um texto mal apurado entra no circuito, vira vídeo, vira post, vira resumo automático e volta para a timeline como “confirmação”. O resultado é uma alucinação coletiva com cara de vazamento.


No mundo real, a Microsoft está ocupada com o que dá dinheiro e reduz dor de cabeça: Windows 11 em atualização contínua, integração com serviços, e uma agenda de segurança que não para.


Quem ganha e quem perde com a “não chegada” do Windows 12


A Microsoft ganha previsibilidade e poder de barganha


Com o Windows 11 como plataforma de longa duração, a empresa controla o ritmo de mudanças e tem mais espaço para empurrar integrações com conta Microsoft, OneDrive, Copilot e assinaturas. Não é só comodidade. É um modelo de dependência.


Se você depende do ecossistema para sincronizar arquivos, licenças, preferências e até recursos de IA, trocar de sistema operacional vira mais difícil. A migração deixa de ser “instalar outro Windows” e vira “sair de um ambiente inteiro”.


Os fabricantes ganham uma narrativa para vender hardware


O mercado de PCs vive de ciclos. Quando o sistema para de ser o evento, o evento precisa virar outra coisa. E a IA local, com exigência de NPU, é o melhor gancho possível.


O consumidor leigo escuta “PC com IA” e associa a produtividade automática, transcrição, tradução, geração de imagem, recursos de acessibilidade. Só que boa parte disso é um degrau extra de hardware, e não uma revolução que chega para todos.


O usuário perde clareza e ganha pressão


O lado ruim do “Windows como serviço” é a sensação de que tudo está sempre em beta. Mudanças chegam aos poucos, alguns recursos aparecem só para parte do público, outros somem, alguns exigem conta e nuvem, outros exigem hardware.


E há um custo invisível: a obsolescência. Quando a régua sobe para NPUs e requisitos de segurança, muita máquina plenamente funcional vira “incompleta”. Para países como o Brasil, onde o PC é mais caro e dura mais tempo na casa do usuário, essa pressão tem impacto social direto.


Brasil e Sul Global: o Windows 11 como infraestrutura, não como produto


O debate aqui não é só sobre “qual Windows vem depois”. É sobre soberania digital na prática.


Quando atualizações viram requisito para segurança, e segurança vira requisito para trabalhar, estudar e acessar serviços públicos, o sistema operacional passa a ser infraestrutura crítica. A questão é: quem controla essa infraestrutura?


No Brasil, a troca de parque de máquinas é lenta. Empresas de médio porte e órgãos públicos dependem de contratos, licitações, compatibilidade com sistemas legados e suporte de fornecedores. O fim do suporte do Windows 10 apertou o cronômetro e empurrou muita gente para o Windows 11 por necessidade, não por escolha.


Ao mesmo tempo, a agenda de IA local cria uma divisão: o Windows 11 roda em quase tudo que cumpre os requisitos, mas o “Windows 11 completo”, com os recursos mais chamativos, vira privilégio de máquinas novas. Isso amplia desigualdade digital e reforça uma dependência de cadeias globais de hardware, em especial de chips.


O que esperar, na prática, em vez do Windows 12


  1. Atualizações anuais do Windows 11 com entregas menores e mais rápidas.

  2. Recursos de IA cada vez mais segmentados: parte roda na nuvem, parte exige NPU forte.

  3. Segurança como motor de mudança: remoção de componentes antigos, endurecimento de requisitos e correções constantes.

  4. Mais amarras de ecossistema: conta, sincronização, serviços e configurações “inteligentes” como padrão.


O Windows 12 pode até existir um dia. Mas o que a Microsoft está construindo agora não parece um “próximo Windows”. Parece um Windows permanente, com ramificações por hardware e uma dependência crescente de serviços.


E aí vale a pergunta que interessa ao usuário: você quer um sistema operacional que envelhece bem no seu computador, ou um sistema que envelhece você, forçando o hardware a acompanhar a vitrine do ano?


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Atlas

Atlas Siqueira é editor de Tecnologia e Inovação e analista chefe de tendências digitais do portal O estopim. Investiga a relação entre software, poder econômico e soberania tecnológica no Brasil e no Sul Global, com foco em plataformas, IA e geopolítica dos chips.

 
 
 

Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Hugo Gloss | 4 de março de 2026


A Apple anunciou nesta quarta-feira (4) o MacBook Neo, novo notebook da marca com proposta mais acessível. O modelo utiliza o mesmo chip presente nos iPhones e se torna o segundo lançamento mais barato da empresa nesta semana. O primeiro foi o iPhone 17e.



No Brasil, o MacBook Neo será vendido a partir de R$ 7.299 na versão com 256 GB de armazenamento. Já o modelo com 512 GB e teclado com leitor de impressão digital custará R$ 8.499. Com esses valores, o dispositivo passa a ser o notebook mais barato da Apple no país. Até então, o título era do MacBook Air de 13 polegadas, que era comercializado por cerca de R$ 14 mil.


Entre as configurações do MacBook Neo estão tela Liquid Retina de 13 polegadas, com resolução de 2.408 x 1.506 pixels, além de duas portas USB-C, entrada para fone de ouvido, alto-falantes estéreo e webcam em 1080p.


O aparelho será vendido nas cores prateado, blush (rosa), amarelo-cítrico e índigo (azul).

O lançamento faz parte da estratégia da Apple de ampliar o acesso a dispositivos da marca com modelos mais acessíveis, sem abrir mão de recursos considerados essenciais para produtividade e uso cotidiano.



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