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Arcoverde

Por Raul Silva para O estopim | 5 de maio de 2026



Convite colorido para a Feira Típica da Malhada II, 8/5. Oferece sorteios, rifas e comidas típicas. Banner com ilustrações e texturas festivas.
Card do Evento | Foto: Divulgação

A Feira Típica da Malhada II será realizada na sexta-feira, 8 de maio, a partir das 18h, na BR-232, km 263, em frente à Fazenda Supranor, segundo o cartaz de divulgação do evento. Organizada pela APROMAR, a programação prevê comercialização de produtos regionais, sorteios para as mães, rifa e um bingo com premiação em dinheiro. A iniciativa ocorre na semana do Dia das Mães e mira, ao mesmo tempo, convivência comunitária e circulação de renda local.


O material de divulgação informa que a feira vai reunir frutas e verduras, licores e geleias, doces e salgados, além de comidas típicas. A proposta é concentrar, em um só espaço, produção local e entretenimento popular, com foco em públicos de diferentes faixas etárias.


De acordo com a programação da feira começa às 18h e segue até as 22h. Já o bingo está marcado para as 20h, com premiação total de R$ 500, dividida em R$ 300 para o primeiro prêmio e R$ 200 para o segundo.


As cartelas serão vendidas por R$ 5 a unidade ou três por R$ 10. O evento também terá brindes de sorteio para as mães e rifa de um liquidificador, ao preço de R$ 5.


A combinação entre venda de alimentos, sorteios e bingo segue um formato comum em feiras comunitárias do interior, em que a atividade comercial se mistura à dimensão festiva. Nesse tipo de evento, o fluxo de visitantes costuma impulsionar pequenos produtores, comerciantes informais e iniciativas associativas.


A escolha da data reforça o apelo popular da programação. Com o Dia das Mães no horizonte, a organização aposta em um ambiente de confraternização familiar e em ações voltadas diretamente para esse público, como os brindes e o destaque visual dado à celebração no cartaz.


Mais do que uma agenda recreativa, a feira também se apresenta como vitrine para a produção artesanal e alimentícia da comunidade. Produtos como licores, geleias, doces e comidas típicas costumam carregar valor agregado maior e ajudam a transformar eventos locais em pontos de venda estratégicos.


A realização da feira sob coordenação da APROMAR indica uma tentativa de fortalecer a economia de pequena escala a partir da mobilização comunitária. Em contextos como esse, eventos presenciais funcionam como mecanismo de escoamento da produção e de aproximação entre produtores e consumidores.


Embora o cartaz não detalhe a expectativa de público, a programação foi montada para ampliar permanência no local, com feira no início da noite e bingo no horário de maior circulação. A estratégia costuma aumentar o tempo de permanência dos visitantes e, com isso, a chance de compra dos itens expostos.


Serviço


Evento: Feira Típica da Malhada II

Data: sexta-feira, 8 de maio

Horário da feira: das 18h às 22h

Horário do bingo: 20hLocal: BR-232, km 263, em frente à Fazenda Supranor

Realização: APROMAR

Atrações e itens anunciados: frutas e verduras, licores e geleias, doces e salgados, comidas típicas, brindes para as mães, rifa de liquidificador e bingo

Cartela do bingo: 1 por R$ 5 ou 3 por R$ 10

Premiação do bingo: R$ 500 no total, sendo R$ 300 no primeiro prêmio e R$ 200 no segundo


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Raul Silva é jornalista, escritor e professor. Em O estopim, acompanha temas de interesse público com foco em política local, cotidiano e movimentos sociais.


O presidente da Câmara de Vereadores de Arcoverde, Luciano Pacheco, publicou um vídeo de cerca de um minuto em que reage ao pedido de cassação que tramita contra ele, acusa a autora da denúncia de ter interesses políticos e comerciais no embate e exibe documentos de empenho ligados a órgãos da administração municipal. A gravação, divulgada na noite de segunda-feira, 4 de maio, intensifica uma disputa que já mistura denúncia por suposto exercício irregular da advocacia, guerra de versões, questionamentos sobre rito interno da Casa e uma nova sessão extraordinária marcada para esta terça-feira, 5 de maio, às 19h.


Por Raul Silva para O estopim | 5 de maio de 2026


Político fala ao microfone em uma sala com bandeiras ao fundo. Tela exibe votos; crucifixo na parede. Ele parece enfático.
Luciano Pacheco, presidente da Câmara de Vereadores de Arcoverde | Foto: Reprodução

A fala de Luciano parte de uma pergunta. Segundo ele, é preciso entender por que alguém pediria a cassação de seu mandato. Em seguida, o vereador cita Mércia Cavalcante de Lira Lumba e sustenta haver possíveis irregularidades em contratos da livraria Lira Cultural com órgãos do município, entre eles a Secretaria de Assistência Social, a AESA e a Secretaria de Educação.


Documento textual com informações financeiras e administrativas. Texto circulado: secretaria, data, valor empenhado, onde é e nome.
Empenho apresentado por Luciano Pacheco em vídeo | Foto: Reprodução

Na parte final, o vídeo passa a exibir imagens de empenhos e registros administrativos. Luciano usa o material para sustentar que existe conflito de interesses e afirma que a autora da denúncia não poderia contratar com o município por ter vínculo familiar com integrante da gestão. A acusação é grave, mas, até a manhã desta terça-feira, não havia resposta pública das pessoas citadas no vídeo nem posicionamento formal da Prefeitura de Arcoverde sobre o tema.


Documento financeiro com texto em português. Destaques em vermelho incluem "AESA," nome, data (07/10/2025) e valor (R$ 1.683,00). Emoção neutra.
Empenho apresentado por Luciano Pacheco em vídeo | Foto: Reprodução

O movimento tem peso político evidente. Em vez de se limitar à defesa jurídica sobre o mérito da denúncia que atinge seu mandato, Luciano tenta abrir uma frente paralela de desgaste contra a denunciante e contra a administração municipal.


Tabela com texto sobre subsídio para manutenção de espaço cultural. Valor destacado: R$ 6.000,00. Fundo branco com texto preto.
Empenho apresentado por Luciano Pacheco em vídeo | Foto: Reprodução

O caso ganhou corpo no início de abril, quando foi protocolado pedido de cassação contra Luciano Pacheco. A denúncia sustenta que ele teria exercido atividade privativa de advogado enquanto já ocupava a presidência da Câmara de Arcoverde, o que os denunciantes tratam como incompatível com o cargo.


Segundo documentos e relatos, os fatos centrais apontados na denúncia estão concentrados entre 28 e 30 de abril de 2025. A acusação cita presença de Luciano em cartório da 4ª Vara Criminal da Comarca de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, para acesso a mídias de processo, além de registro de atuação em sessão do Tribunal do Júri na defesa de um acusado. Para os denunciantes, a sequência indica exercício efetivo da advocacia quando ele já estava impedido por exercer função na Mesa Diretora do Legislativo.


A base legal invocada é o artigo 28, inciso I, do Estatuto da Advocacia, que trata da incompatibilidade do exercício da advocacia por membros da Mesa do Poder Legislativo. A denúncia também resgata questionamentos antigos sobre episódio semelhante em 2010, quando Luciano já havia presidido a Câmara.


Luciano nega irregularidade. Sua linha de defesa foi apresentada em etapas. Primeiro, afirmou que a ofensiva tem motivação política e ligação com seu rompimento com o grupo do prefeito Zeca Cavalcanti. Depois, passou a sustentar que houve falhas regimentais na tramitação interna da denúncia.


Em meados de abril, ele divulgou vídeo afirmando que os próprios vereadores tiveram de anular atos iniciais do processo, entre eles a leitura da denúncia e o sorteio da comissão de avaliação realizados em 6 de abril. Segundo Luciano, a movimentação teria sido conduzida de forma atabalhoada e sem respeito ao Regimento Interno e à Lei Orgânica do Município.


Mais adiante, ao final da sessão de 27 de abril, acrescentou outro eixo à defesa. Disse que a OAB Pernambuco arquivou denúncia sobre seu exercício profissional e que o Ministério Público de Pernambuco também não apontou ilícito penal. Segundo a versão do vereador, o compromisso jurídico no Rio de Janeiro era anterior à sua posse como presidente da Câmara e o que houve foi apenas o cumprimento de obrigação processual já assumida, sem captação de novos clientes.


A defesa de Mércia Lira rebateu esse argumento. Em nota pública, o advogado Tércio Soares Belarmino afirmou que Luciano tenta confundir a opinião pública ao vincular o arquivamento de um procedimento a outro caso distinto. Segundo ele, a representação disciplinar apresentada pela denunciante à subseção da OAB em Arcoverde foi encaminhada ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB Pernambuco e continuaria sem relação direta com a narrativa de absolvição apresentada pelo presidente da Câmara.


Esse ponto é central porque revela o tamanho da disputa. Já não se discute apenas o fato original, mas também qual versão documental prevalece. Em outras palavras, o caso deixou de ser apenas uma apuração sobre eventual incompatibilidade funcional e virou uma batalha sobre credibilidade, rito, competência institucional e opinião pública.


A denúncia não ficou restrita ao protocolo. Ela explodiu dentro do plenário. Em 6 de abril, a Câmara viveu uma sessão marcada por tumulto, interrupções e forte embate entre Luciano e vereadores da base governista. Naquele episódio, a denúncia foi recebida por nove votos a zero, depois de o vice-presidente Claudelino Costa conduzir a apreciação em meio a microfones desligados, acusações de manobra política e troca de ofensas entre grupos rivais.


No sorteio realizado na sessão extraordinária de 6 de abril, a comissão foi formada por Heriberto do Sacolão, João Taxista e Rodrigo Rôa. Luciano reagiu dizendo que a tramitação seria judicializada. Claudelino, por sua vez, sustentou que o presidente da Casa, por ser o investigado, não poderia conduzir os atos da própria apuração. 


O clima seguiu em escalada nas semanas seguintes e o caso transformou-se em crise institucional. A disputa extrapolou o campo técnico e passou a reorganizar as forças políticas da Câmara, com reflexos diretos na relação entre Luciano e o governo municipal.


Rua com prédios, bandeiras e céu azul. Pessoas andam na calçada. Criança em triciclo. Placa "Doe Sangue" visível. Igreja ao fundo.
Câmara de Vereadores de Arcoverde | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Para a noite desta terça-feira, 5 de maio, a Câmara marcou sessão extraordinária destinada à leitura e votação do parecer da comissão prévia sobre a admissibilidade da denúncia. O rito é decisivo. Se a maioria aceitar o parecer favorável ao prosseguimento, será necessário um novo sorteio para formação de comissão processante. Se a admissibilidade cair, a tentativa de abertura formal do processo sofre novo revés político.


Até a publicação desta matéria, não havia resultado da sessão porque o encontro estava previsto para as 19h, horário de Brasília. O que já se sabe é que o ambiente chega contaminado por semanas de acusações cruzadas, documentos expostos em redes sociais e disputa aberta entre o presidente da Câmara, seus pares e setores da gestão municipal.


Há, neste momento, pelo menos quatro planos simultâneos em curso. O primeiro é o plano jurídico, sobre a existência ou não de incompatibilidade entre o mandato de presidente da Câmara e a atuação de Luciano no processo do Rio de Janeiro. O segundo é o plano regimental, que envolve a validade dos atos praticados no Legislativo municipal. O terceiro é o plano político, marcado pelo rompimento de Luciano com o grupo governista e pela tentativa de reorganização de maioria na Casa. O quarto é o plano comunicacional, no qual vídeos, notas e documentos passaram a ser usados como instrumentos de convencimento e pressão.


O vídeo publicado agora se insere exatamente nesse quarto plano, mas busca influenciar todos os outros. Ao atacar a autora da denúncia, Luciano tenta enfraquecer a legitimidade política do processo. Ao mostrar empenhos, tenta produzir suspeição sobre quem o acusa. Ao escolher a linguagem direta das redes, fala menos para os autos e mais para a opinião pública.


A sessão desta noite tende a definir o próximo capítulo, mas não deve encerrar o caso. Seja qual for o resultado, a tendência é de continuidade da disputa em mais de uma frente. Se a denúncia avançar, a pressão sobre Luciano aumentará e o processo ganhará novo peso político. Se recuar, aliados do presidente tratarão o desfecho como prova de perseguição frustrada. Em qualquer cenário, a judicialização permanece como caminho provável.


No centro de tudo está uma questão maior do que o destino individual de um vereador. A Câmara de Arcoverde vive uma crise de autoridade, de rito e de confiança pública. E, quando o plenário vira extensão da guerra política, o prejuízo deixa de ser apenas dos envolvidos. Passa a ser da instituição.


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Raul Silva é jornalista, escritor e produtor de conteúdo de O estopim. Atua com reportagem, análise política e cobertura de temas de interesse público, com foco em contexto, apuração e impacto social.

Deputada estadual leva ao Sertão do Moxotó um discurso de unidade, mobilização de base e enfrentamento à extrema direita durante encontro da Frente Ampla em apoio ao presidente


Por Raul Silva para O estopim | 2 de maio de 2026



Mulher com flor vermelha no cabelo fala ao microfone em uma reunião. Fundo com bandeira colorida e números 13 visíveis. Ambiente sério.
Deputada Dani Portela (PT-PE) durante encontro da Frente Ampla em Arcoverde em apoio a pré-candidatura do presidente Lula | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

O estopim da fala da deputada estadual Dani Portela (PT) em Arcoverde foi a tentativa do campo progressista de transformar apoio eleitoral em organização territorial. Em vídeo analisado por O estopim, a parlamentar aparece durante o Encontro da Frente Ampla em Arcoverde, no Sertão do Moxotó, defendendo a construção de uma base popular em torno da pré-candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.


A intervenção de Dani não foi apenas uma saudação de presença. A deputada tratou a eleição de 2026 como uma disputa de projeto nacional e cobrou que a defesa de Lula saia do plano simbólico para a prática cotidiana da militância. O eixo da fala foi a necessidade de unir partidos, movimentos sociais, sindicatos, juventudes, lideranças comunitárias e parlamentares em uma frente capaz de disputar votos, narrativas e presença política no interior pernambucano.


No vídeo, a parlamentar fala de pé, microfone em mãos, diante de militantes e lideranças locais. O tom é de convocação. Dani associa a reeleição de Lula à defesa da democracia, das políticas públicas e da participação popular. A mensagem central é simples, mas politicamente densa: 2026 não será vencido apenas com memória afetiva do lulismo no Nordeste, mas com organização de base e presença nos territórios.


Arcoverde ocupa uma posição estratégica na política do interior pernambucano. Porta de entrada do Sertão do Moxotó e cidade de influência regional, o município funciona como ponto de passagem entre agendas do Agreste, do Sertão e da Região Metropolitana. Por isso, um encontro de frente ampla no município tem peso maior do que uma reunião local isolada.


A mobilização em Arcoverde já vinha sendo organizada por lideranças partidárias, movimentos sociais e militantes alinhados ao campo progressista. A iniciativa, articulada em torno da defesa da reeleição de Lula, foi apresentada como espaço de diálogo entre diferentes segmentos políticos e sociais, com participação de partidos como PT, PCdoB e PV, além de lideranças comunitárias e representantes de movimentos populares.


Grupo de pessoas em pé, sorrindo, gesticulando "L" com as mãos em uma sala com fotos na parede. Vestem roupas coloridas. Ambiente alegre.
Encontro da Frente Ampla em apoio à reeleição de Lula, representando partidos como PT, PCdoB e PV, além de líderes comunitários, todos celebrando o espaço de diálogo político. | Foto: Michael Andrade/Agência O estopim+

Esse desenho revela uma estratégia conhecida no presidencialismo brasileiro: a eleição nacional precisa de capilaridade municipal. Não basta que o candidato lidere pesquisas ou tenha recall histórico. É no município que a política se materializa em comitês, rodas de conversa, visitas a bairros, agendas em sindicatos, escuta de trabalhadores e disputa contra a desinformação.


A fala de Dani Portela se encaixa exatamente nesse diagnóstico. A deputada olha para Arcoverde como base de irradiação. Ao participar do encontro, ela ajuda a nacionalizar a pauta local e, ao mesmo tempo, sertanejar a campanha nacional. Esse movimento é decisivo porque o lulismo sempre teve no Nordeste um de seus pilares, mas enfrenta em 2026 um ambiente mais fragmentado, com redes digitais agressivas, disputa religiosa, pressão do bolsonarismo e rearranjos estaduais ainda em curso.


A presença de Dani Portela no ato também carrega um significado interno para o PT. A parlamentar chegou ao partido em 2026 após uma trajetória construída no PSOL, legenda pela qual foi candidata ao Governo de Pernambuco, vereadora do Recife e deputada estadual. Sua filiação ao PT foi abonada por Lula e apresentada pela própria deputada como uma resposta ao chamado do presidente para fortalecer o campo progressista em Pernambuco.


Dani não chega ao petismo como quadro burocrático. Sua identidade pública está ligada aos movimentos sociais, à luta antirracista, ao feminismo, à defesa da população LGBTQIAPN+, à educação pública e à advocacia popular. Essa trajetória a coloca numa posição peculiar dentro da frente lulista: ela fala para a militância tradicional, mas também para setores que muitas vezes cobram do PT mais radicalidade programática, mais presença nas periferias e maior compromisso com pautas de direitos humanos.



Em Arcoverde, essa dupla função apareceu com nitidez. A deputada defendeu Lula, mas não reduziu a fala ao personalismo. Ao insistir na organização popular, deslocou o centro da mensagem para a construção coletiva. É uma diferença relevante. Campanhas personalistas dependem da imagem do líder. Campanhas orgânicas dependem de estrutura, base, militância e pertencimento.


O encontro em Arcoverde se apresenta como Frente Ampla, mas a fala de Dani Portela aproxima o evento de uma ideia de frente popular. A diferença é política. Frente ampla é o arranjo entre forças diversas para conter um adversário comum, geralmente em nome da democracia. Frente popular pressupõe participação social mais intensa, com sindicatos, movimentos, juventudes, coletivos de mulheres, negros, trabalhadores rurais, comunidades religiosas progressistas e lideranças comunitárias.


A deputada parece apostar nessa segunda camada. Sua intervenção sugere que a unidade eleitoral precisa ser acompanhada de disputa de conteúdo. Em outras palavras, não basta reunir siglas para pedir voto em Lula. É necessário explicar o que está em jogo, defender políticas públicas, mostrar obras e programas, organizar a juventude, combater mentiras e construir um palanque que também dialogue com o cotidiano do povo.


Essa é uma leitura coerente com o momento político. O bolsonarismo demonstrou nos últimos anos que não depende apenas de partidos formais. Opera por redes de influência, templos, grupos de WhatsApp, canais digitais, associações profissionais e lideranças locais. Para enfrentá-lo, o campo progressista precisa fazer mais do que costurar cúpulas. Precisa ocupar território social.


Um homem de terno azul e chapéu branco aponta para a câmera em um ambiente interno com cortinas e móveis de madeira, com expressão séria.
Presidente Lula anunciou que Desenrola 2.0 vai ser lançado na próxima segunda-feira (4) | Crédito: Reprodução

Do ponto de vista legal, a candidatura formal de Lula ainda depende dos ritos eleitorais. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral prevê que partidos e federações realizem convenções entre julho e agosto para escolher candidatas, candidatos e coligações. Por isso, o termo correto neste momento é pré-candidatura.


Mas, no campo político, a disputa já começou. Encontros como o de Arcoverde servem para testar discursos, alinhar bases, reduzir ruídos entre partidos aliados e construir o clima de mobilização. É nesse intervalo entre a pré-campanha e a campanha oficial que se formam as redes que depois vão pedir voto nas ruas.


A fala de Dani Portela, portanto, deve ser lida como peça de uma engrenagem maior. Ela não apenas declarou apoio a Lula. Ela cobrou método. E método, em política, significa saber quem mobiliza, onde mobiliza, com qual narrativa e para qual projeto.


Pernambuco é central para Lula por razões históricas, afetivas e eleitorais. O presidente nasceu em Garanhuns, no Agreste Meridional, e sempre encontrou no estado uma base expressiva de apoio. Ainda assim, a política pernambucana de 2026 não é linear. Há disputas sobre palanques estaduais, composição para o Senado, fortalecimento da bancada federal e articulações entre PT, PSB, PCdoB, PV, PDT e outros partidos do campo governista.


Dani Portela tem defendido publicamente que o PT evite candidaturas avulsas e priorize unidade em torno do palanque de Lula. Esse ponto reaparece no sentido político da fala em Arcoverde. A deputada sabe que uma eleição presidencial apertada exige mais do que voto para presidente. Exige eleger deputados federais, senadores e governadores alinhados, porque governabilidade não se constrói apenas no Palácio do Planalto. Ela se constrói no Congresso e nas Assembleias Legislativas.


Esse é o ponto que aproxima a fala da deputada de uma leitura mais estrutural. Para o lulismo, vencer a Presidência sem maioria suficiente no Congresso significa repetir parte das dificuldades enfrentadas desde 2023: negociações custosas, pressão do Centrão, derrotas em pautas sensíveis e necessidade permanente de conter ofensivas conservadoras.


Mulher com flor no cabelo fala ao microfone. Veste preto com padrão branco. Ao fundo, bandeira colorida e ambiente claro. Emocional.
Deputada Dani Portela (PT-PE) durante encontro da Frente Ampla em Arcoverde em apoio a pré-candidatura do presidente Lula | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

A força da fala de Dani Portela está menos na novidade formal e mais no recado político. Ela chamou a militância a assumir uma tarefa. A pré-candidatura de Lula, segundo o sentido de sua intervenção, não pode depender apenas de grandes lideranças, ministros, senadores ou prefeitos. Precisa de gente comum defendendo o projeto no chão da cidade.


Isso inclui juventudes que tiram título de eleitor, professoras que discutem educação, trabalhadoras que defendem renda, movimentos de moradia que cobram política urbana, sindicatos que discutem emprego, agricultores familiares que dependem de crédito, mulheres que enfrentam violência e comunidades negras que exigem presença efetiva do Estado.


Ao levar esse discurso para Arcoverde, Dani tenta ampliar o campo de escuta do PT. O partido sabe que o Nordeste é uma fortaleza eleitoral, mas uma fortaleza sem manutenção pode perder muralhas. A manutenção, neste caso, é política de base.


A fala de Dani Portela durante o Encontro da Frente Ampla em Arcoverde funciona como uma fotografia do momento progressista em Pernambuco. Há disposição de unidade, mas também há consciência de que a eleição de 2026 será dura. Há confiança no capital político de Lula, mas também há percepção de que carisma presidencial não substitui organização local.


Em termos práticos, o encontro reforça três movimentos. Primeiro, a interiorização da pré-campanha lulista. Segundo, a tentativa de transformar frente ampla em rede popular. Terceiro, a consolidação de Dani Portela como uma das vozes do PT pernambucano capazes de dialogar com movimentos sociais e militância urbana e interiorana.


No tabuleiro político, Arcoverde não é detalhe. É trincheira de articulação no Sertão. E Dani Portela, ao falar ali, deixou claro que a pré-candidatura de Lula será disputada não apenas nos palanques de capital, mas nas bases municipais onde a política ainda se decide olho no olho.


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Raul Silva é jornalista político sênior de O estopim, especialista em Ciência Política, instituições democráticas e relações entre poder, território e sociedade no Nordeste brasileiro.


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