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Mundo

Por Raul Silva para O estopim | 18 de junho de 2026


Homem idoso de terno cinza fala ao microfone em reunião, com bandeira ao fundo e placa EMBAIXADOR CELSO AMORIM.
Ministro Celso Amorim na Conferência de Segurança Internacional do Forte | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, defendeu que a concentração da inteligência artificial nas mãos de poucas empresas, sediadas em poucos países, pode aprofundar desigualdades globais e fragilizar sistemas democráticos. A declaração foi feita na terça-feira, 16 de junho, durante a Conferência de Segurança Internacional do Forte, que reuniu autoridades e especialistas da União Europeia e da América do Sul.

IA nas mãos de poucas empresas pode ampliar a desigualdade

A fala de Amorim recoloca no centro do debate uma pergunta que vai além da tecnologia: quem controla os sistemas que organizam dados, informação, trabalho, consumo, segurança e disputa política. Segundo ele, diante do poder das big techs, os Estados não podem abrir mão da capacidade regulatória, “derivada do voto do povo”.


A preocupação do embaixador mira a estrutura de poder criada em torno da IA. As grandes empresas de tecnologia controlam plataformas, infraestrutura digital, bancos de dados, modelos de linguagem, mecanismos de distribuição de conteúdo e parte decisiva da conversa pública.


Quando esse conjunto fica concentrado em poucos grupos privados, a tecnologia deixa de ser apenas ferramenta econômica. Passa a influenciar eleições, mercados, relações de trabalho, segurança pública, educação, saúde e soberania nacional.


Amorim alertou para o risco de a IA dominada por poucos grupos aprofundar desigualdades e minar democracias. O problema, portanto, não está apenas no avanço técnico, mas na assimetria entre quem desenvolve, controla e lucra com os sistemas e quem apenas consome seus impactos.


Amorim também relacionou a governança da IA à proteção de dados. Para o embaixador, “Sem proteção digital, não há autonomia decisória nem confiança institucional”. Ele afirmou ainda que dados se tornaram ativos econômicos, políticos e militares, capazes de alimentar modelos de inteligência artificial, orientar decisões estratégicas e permitir monitoramento em larga escala.


Esse ponto é decisivo para países como o Brasil. Sem infraestrutura própria, proteção regulatória e capacidade pública de fiscalizar o uso de dados, o país tende a depender de sistemas produzidos fora de seu território e orientados por interesses comerciais externos.


A advertência ganha força quando Amorim cita a necessidade de atenção a bases sensíveis, como os dados do Sistema Único de Saúde. Em uma economia movida por IA, informações públicas de saúde, educação, segurança e assistência social passam a ter valor estratégico.


O debate sobre regulação das big techs costuma ser apresentado como embate entre inovação e controle estatal. A fala de Amorim desloca essa leitura. O que está em jogo é saber se a inteligência artificial será orientada por interesse público ou apenas por concentração de mercado.


Amorim defendeu que o desenvolvimento tecnológico seja direcionado a bens comuns, como redução da pobreza, proteção ambiental e garantia de direitos humanos.


A ausência de regras claras favorece quem já tem escala, dados e capital. Empresas menores, países pobres e populações vulneráveis entram no jogo em desvantagem. Nesse cenário, a IA pode acelerar desigualdades existentes, automatizar exclusões e transformar dependência tecnológica em dependência política.


A ameaça às democracias não ocorre apenas por ataques diretos. Ela também se manifesta de forma mais difusa, quando plataformas digitais direcionam o debate público, organizam visibilidade, distribuem desinformação e alteram a forma como cidadãos recebem informações. A própria Agência Brasil aponta que o poder das big techs é debatido no mundo por causa da capacidade das redes de influenciar o debate público, disseminar notícias falsas em massa e afetar o mercado de trabalho.


Com a inteligência artificial generativa, esse desafio aumenta. A produção de texto, imagem, áudio e vídeo sintéticos reduz o custo da manipulação informacional. Ao mesmo tempo, algoritmos pouco transparentes podem ampliar conteúdos extremos, esconder temas de interesse público e organizar bolhas políticas com precisão cada vez maior.


O problema, portanto, não é apenas tecnológico. É institucional. Democracias dependem de informação confiável, pluralidade, fiscalização e capacidade de responsabilização. Sistemas controlados por poucas empresas, com regras internas opacas e alcance global, desafiam esse equilíbrio.


A fala de Amorim também incluiu a dimensão militar da inteligência artificial. Ele alertou para o uso da tecnologia em guerras e para o desenvolvimento de armas autônomas, em um contexto no qual a decisão sobre força letal pode se tornar mais distante do operador humano.


Esse ponto aproxima a regulação da IA de uma agenda de segurança internacional. Não se trata apenas de proteger usuários de plataformas. Trata-se de discutir como sistemas autônomos podem alterar conflitos, vigilância, defesa nacional e equilíbrio entre países.


A fala de Celso Amorim indica que o Brasil quer posicionar a inteligência artificial como tema de soberania, democracia e desenvolvimento. A pergunta central é se o país terá força política, técnica e institucional para transformar esse diagnóstico em política pública.


Sem regulação, infraestrutura própria e proteção de dados, a IA tende a reproduzir a lógica que marcou outras etapas da economia digital: concentração de poder em poucas empresas, dependência tecnológica de países periféricos e baixa transparência para os cidadãos.


A inteligência artificial pode ampliar capacidades humanas, melhorar serviços públicos e acelerar descobertas. Mas, sem controle democrático, também pode aprofundar desigualdades, automatizar discriminações e deslocar decisões públicas para sistemas privados que não prestam contas ao eleitor.


O desafio está posto: regular a IA não significa barrar o futuro. Significa disputar quem terá poder para defini-lo.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do O estopim, com foco em política, tecnologia, poder e temas de interesse público.

Por Raul Silva para O estopim | 17 de junho de 2026


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 16 de junho, na cúpula ampliada do G7, em Évian-les-Bains, na França, que o combate ao crime organizado transnacional precisa respeitar a soberania dos Estados e não pode ser dissociado de uma agenda mais ampla de desenvolvimento, cooperação internacional e redução das desigualdades. A fala ocorreu durante a sessão dedicada a novas parcerias e à reconstrução da solidariedade internacional.


Homem idoso sorridente de terno azul, com broche G7, sentado à mesa de conferência com garrafas d’água.
Presidente Lula durante reunião ampliada do G7, em na França | Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Lula discursou como convidado do encontro e vinculou o tema da soberania ao avanço do narcotráfico, à circulação internacional de armas e à lavagem de dinheiro. Ao defender cooperação por meio de mecanismos multilaterais, como a Interpol, o presidente sustentou que a resposta ao crime transnacional não pode servir de pretexto para relativizar a autonomia dos países.


No trecho mais sensível politicamente, Lula afirmou que o crime organizado aterroriza comunidades e drena recursos públicos que deveriam financiar escolas, hospitais e infraestrutura. Em seguida, ressaltou que esse enfrentamento precisa considerar o respeito à soberania dos Estados.


A ênfase não foi casual. O discurso ocorre poucas semanas depois de o governo dos Estados Unidos classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, movimento que gerou reação do Planalto e do Itamaraty por abrir margem, na leitura do governo brasileiro, para pressões externas e efeitos econômicos e jurídicos sobre empresas e instituições financeiras que operam no país.


Ao levar esse recado ao G7, Lula procurou combinar duas mensagens. A primeira, de que o Brasil não minimiza a gravidade do crime organizado. A segunda, de que a cooperação internacional, para ser legítima, precisa ocorrer sem tutela estrangeira e dentro das regras do direito internacional.


O presidente também usou a tribuna para ampliar o foco do debate. Disse que protecionismo e unilateralismo reaparecem como respostas enganosas para crises globais e afirmou que a solidariedade internacional encolheu num momento em que os desafios se multiplicam.


Na avaliação apresentada por Lula, o enfraquecimento de programas internacionais de ajuda, somado ao aumento dos gastos militares e ao aprofundamento da desigualdade entre países ricos e pobres, agrava a instabilidade global. A fala dialoga com a posição que o governo brasileiro já vinha anunciando antes da viagem, de defender no G7 a retomada do multilateralismo e a reforma da governança global.


Lula também associou soberania a desenvolvimento produtivo. Ao falar sobre minerais críticos, defendeu que países detentores dessas reservas não sejam reduzidos ao papel de exportadores de matéria-prima. Segundo ele, essas nações devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, com industrialização, transferência de tecnologia e formação de capacidades.


No mesmo eixo, o presidente advertiu que a transição digital e a corrida pela inteligência artificial não podem repetir padrões históricos de concentração de renda, tecnologia e poder decisório em poucos atores. A mensagem reforça uma linha já defendida pelo governo brasileiro em fóruns internacionais, de acesso mais equilibrado às tecnologias estratégicas.


A participação de Lula no G7 ocorre num momento de atrito com Washington em áreas de comércio, segurança e política. Antes da viagem, o governo brasileiro já sinalizava que usaria o encontro para reagir ao avanço de medidas unilaterais e ao que classifica como desmonte do multilateralismo.


Na prática, o discurso sobre soberania serviu para posicionar o Brasil em duas frentes. Externamente, buscou rejeitar qualquer formulação que autorize ingerência em território nacional sob o argumento do combate ao crime. Internamente, reforçou a narrativa de que o país pode cooperar internacionalmente sem abrir mão do comando sobre suas próprias decisões estratégicas.


Ao falar em soberania no G7, Lula não tratou apenas de segurança pública. O conceito apareceu como eixo de uma política externa que tenta reunir combate ao crime, defesa do multilateralismo, crítica ao protecionismo, disputa tecnológica e reindustrialização.


O efeito imediato da fala é político e diplomático. O presidente insere o Brasil no debate global sobre segurança e desenvolvimento, mas rejeita soluções desenhadas fora do marco da autonomia nacional. Para o Planalto, a mensagem é clara: cooperação, sim; tutela, não.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim, com atuação voltada à cobertura de política, poder e interesse público.


Por Michael Andrade, da redação de O Estopim | Fonte: CNN | quinta-feira (11) de junho de 2026


Cerimônia antecedeu a partida inaugural entre México e África do Sul e marcou o início oficial do Mundial.



Frame: Reprodução
Frame: Reprodução

A cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2026 aconteceu nesta quinta-feira (11), no Estádio Azteca, na Cidade do México, antes da partida inaugural entre México e África do Sul.


O evento contou com apresentações musicais e referências à cultura mexicana. Entre os destaques da cerimônia estiveram Shakira e o cantor nigeriano Burna Boy, intérpretes de “Dai Dai”, música oficial do torneio.


A apresentação da artista colombiana movimentou as redes sociais logo nos primeiros minutos. Essa foi a terceira participação de Shakira em cerimônias oficiais de Copa do Mundo.


A abertura também teve apresentações de artistas como Maná, Los Ángeles Azules, Belinda, Danny Ocean e J Balvin. A atriz mexicana Salma Hayek foi responsável por dar as boas-vindas ao público.


Outro momento que chamou atenção foi a presença de dois bonecos Labubu, personagens que ganharam popularidade mundial nos últimos meses.


O Estádio Azteca recebeu mais de 80 mil torcedores para a abertura do Mundial. O local também entrou para a história por se tornar o primeiro estádio a receber três cerimônias de abertura de Copas do Mundo, depois das edições de 1970 e 1986.


Após a cerimônia, as atenções se voltaram para o jogo entre México e África do Sul, que marcou oficialmente o início da Copa do Mundo de 2026.




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