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Meio ambiente

Projeto Serrote da Pedra Preta, da Ativa Mineração, prevê beneficiamento a seco e planta para processar até 600 mil toneladas de minério por ano em Floresta; Ministério Público cobra complementações técnicas por risco hídrico, poeira e impactos em comunidades tradicionais.


Por Clara Mendes para O estopim | 19 de Março de 2026


Casas coloridas em amarelo, azul, vermelho e verde, cercadas por árvores e carros estacionados. Céu azul claro ao fundo.
Casario colorido em Floresta, Pernambuco | Foto: Reprodução

A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) realizou nesta quarta-feira (18), em Floresta, no Sertão de Itaparica, uma audiência pública para apresentar o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do Projeto Serrote da Pedra Preta, empreendimento de mineração de titânio e ferro com vanádio proposto pela Ativa Mineração. A audiência ocorreu três dias após o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) divulgar manifestação preliminar apontando lacunas no estudo e pedindo diligências complementares antes de qualquer decisão sobre a viabilidade ambiental.


O evento foi conduzido pelo diretor-presidente da CPRH, José de Anchieta dos Santos, no Auditório Dom Francisco Xavier, no Centro de Floresta. Segundo relatos divulgados por veículos locais com base na assessoria de comunicação da agência, participaram representantes da população, da Igreja Católica, povos indígenas, comunidades quilombolas e estudantes, além de integrantes do Ministério Público, secretários municipais e vereadores. A vice-prefeita do município, Bia Numeriano, também esteve presente.


Na audiência, a Ativa Mineração e a consultoria Ferreira Rocha apresentaram os pontos centrais do EIA/Rima, incluindo descrição do empreendimento, estimativas de impactos e medidas mitigadoras e compensatórias. Na segunda parte, a CPRH abriu o microfone e recebeu manifestações por escrito.


“O procedimento é importante por dar visibilidade ao processo, coletar informações e sugestões, além de possibilitar perceber qual a percepção da população com relação ao empreendimento e suas perspectivas”, afirmou José de Anchieta, em declaração reproduzida por portais do Sertão.

O Projeto Serrote da Pedra Preta fica a cerca de 17 km da sede de Floresta, a aproximadamente 438 km do Recife. O plano informado em materiais públicos prevê a produção de dois produtos: concentrado de titânio (ilmenita), usado como matéria-prima na fabricação de pigmentos, e minério de ferro com vanádio, aplicado na indústria de aços especiais, ligas metálicas e baterias.


De acordo com informações do estudo ambiental divulgadas na consulta pública, o minério extraído passará por beneficiamento a seco, sem uso de água no processo industrial principal. A planta é projetada para processar até 600 mil toneladas de minério por ano.


O investimento estimado apresentado no EIA/Rima é de cerca de R$ 121 milhões, incluindo construção da planta, implantação de estruturas para disposição de material estéril, projetos de engenharia e custos do licenciamento.


O cronograma divulgado em materiais do EIA/Rima prevê etapas de aquisição e fornecimento de equipamentos ao longo de 2026 e 2027, com comissionamento no início de 2028. A operação plena é projetada para ocorrer de março de 2028 a fevereiro de 2038, com desativação programada ao longo de 2038.



A manifestação preliminar do MPPE foi elaborada pela Promotoria de Justiça de Floresta e pelo Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (Caoma). O documento, assinado também pelo promotor Carlos Henrique Freitas Santos e por equipe técnica do centro de apoio, afirma que o EIA/Rima “não oferece segurança” suficiente para embasar o licenciamento do projeto no formato apresentado.


Entre os pontos destacados pelo Ministério Público está o risco de escassez hídrica. Segundo o MPPE, o empreendimento prevê captação de água subterrânea em um aquífero classificado como de baixa produtividade, sem comprovação de que a retirada não prejudicará o abastecimento de populações vizinhas.


O órgão também cita impactos por poluição atmosférica, já que o beneficiamento está previsto para ocorrer totalmente a seco, o que pode intensificar a emissão de poeira. O MPPE solicitou modelagem dinâmica para avaliar a dispersão do material particulado sobre áreas habitadas.


No mesmo parecer, o Ministério Público aponta ruídos e vibrações associados ao uso de explosivos e de máquinas pesadas, descritos como impacto de alta magnitude, com necessidade de planos de detonação e monitoramento contínuo.


Outro ponto é a supressão estimada de 44,29 hectares de caatinga. O MPPE afirma que são necessários inventários mais detalhados e medidas de compensação ambiental consideradas robustas.


No recorte social, o parecer indica subdimensionamento de impactos sobre comunidades tradicionais e aponta omissão de avaliação específica sobre possíveis efeitos para o povo indígena Pankará.


Floresta tem 3.637,247 km² de área territorial e registrou 30.137 moradores no Censo 2022, segundo o IBGE. O município está inserido no semiárido, região marcada por irregularidade de chuvas e longos períodos de estiagem. Dados de climatologia da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) indicam precipitação média anual de 616 mm no município.


A caatinga, vegetação predominante no Sertão, é um dos biomas monitorados por sistemas de alerta de desmatamento no país. Relatórios nacionais do MapBiomas apontam que o bioma permanece entre os que registram pressão por perda de vegetação nativa, enquanto o Governo de Pernambuco divulgou redução do desmatamento no estado nos biomas Caatinga e Mata Atlântica com base na edição 2024 do relatório.


A audiência pública integra etapas do licenciamento ambiental para empreendimentos considerados potencialmente causadores de impactos significativos. As regras nacionais para EIA/Rima e para audiências públicas no licenciamento estão previstas em resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).


No caso do Serrote da Pedra Preta, a CPRH publicou o edital de divulgação do EIA/Rima no Diário Oficial do Estado em dezembro de 2025 e, ainda em 2025, instituiu um grupo de trabalho interno para análise técnica do estudo, com prazo de 120 dias para conclusão, conforme publicação no Diário Oficial.


A audiência em Floresta não encerra a participação popular. Portais que reproduziram a comunicação da CPRH informaram que dúvidas, sugestões e questionamentos podem ser enviados por e-mail até 28 de março.


O Diario de Pernambuco informou que procurou a Ativa Mineradora para comentar a manifestação do MPPE e os apontamentos do estudo, e aguardava retorno.


Projetos de mineração no Sertão pernambucano têm gerado disputa entre expectativa de empregos e renda, de um lado, e preocupações com recursos hídricos, poeira, ruído e supressão de vegetação nativa, de outro. No licenciamento, o EIA/Rima e a participação pública são as etapas centrais que antecedem qualquer decisão sobre autorização ambiental.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Atua na cobertura de meio ambiente, cidades e serviços públicos, com foco em dados, transparência e checagem.

Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil coloca os três municípios da Região Metropolitana do Recife entre os 20 com pior desempenho do país; dados mostram baixa cobertura de esgoto e investimentos abaixo do patamar previsto para universalização até 2033.


Por Clara Mendes para O estopim | 19 de Março de 2026


Vista aérea de igreja colonial cercada por vegetação; ao fundo, o mar azul. Pessoas caminham na praça, céu com nuvens esparsas.
Vista panorâmica de Olinda, PE, uma cidade repleta de beleza histórica e paisagens deslumbrantes, mas que enfrenta desafios significativos no saneamento, figurando no ranking das cidades brasileiras com pior saneamento em 2026. | Foto: Wikimedia Commons

Ranking do Saneamento 2026, divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Trata Brasil, colocou Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, entre os 20 municípios com pior desempenho do país em saneamento básico. As cidades aparecem nas posições 83, 85 e 92 de um total de 100 municípios avaliados com base em indicadores do SINISA, ano-base 2024.


O ranking é produzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. O estudo combina indicadores em três dimensões: nível de atendimento, melhoria do atendimento e eficiência. A pontuação final resulta da soma das notas nas dimensões avaliadas.


Pelos dados do levantamento, Olinda tem atendimento total de água de 85,87% e atendimento total de esgoto de 36,66%. O município somou investimento total de R$ 144,52 milhões entre 2020 e 2024, o que representa investimento médio per capita de R$ 79,10 no período.


Paulista aparece com atendimento total de água de 78,90% e atendimento total de esgoto de 40,54%. O investimento total entre 2020 e 2024 foi de R$ 93,56 milhões, com média per capita de R$ 51,55.


Jaboatão dos Guararapes registra o pior recorte entre as três cidades: atendimento total de água de 68,43% e atendimento total de esgoto de 20,61%. No período de 2020 a 2024, o investimento total foi de R$ 335,14 milhões, com média per capita de R$ 98,10.


O release do ranking aponta que, entre os 20 melhores municípios do país, a média de coleta de esgoto chega a 98,08%. Nos 20 piores, o índice cai para 28,06%. No tratamento de esgoto, os 20 melhores registram 77,97% do total gerado, enquanto os 20 piores ficam em 28,36%.



O estudo também afirma que os 20 municípios com pior desempenho investem, em média, R$ 77,58 por habitante (considerando 2020 a 2024), cerca de 66% abaixo dos R$ 225 por habitante previstos pelo PLANSAB para universalizar o saneamento até 2033.


Além do ranking, a plataforma Municípios e Saneamento, do Instituto Água e Saneamento, reúne indicadores dos municípios com base em bases oficiais. Em 2022, Olinda gerou 12.921,1 mil m³ de esgotos. Do volume gerado, 50,2% foi coletado e tratado, e 6.429,4 mil m³ foram despejados na natureza sem tratamento.


No mesmo ano, Paulista gerou 11.491,0 mil m³ de esgotos. O índice de coleta e tratamento foi de 42,2% e o volume despejado sem tratamento foi de 6.637,6 mil m³.


Jaboatão dos Guararapes gerou 17.502,0 mil m³ de esgotos em 2022. A coleta e o tratamento ficaram em 34% do volume gerado, com 11.548,2 mil m³ lançados na natureza sem tratamento.


Favela com casas de tijolos não rebocados ao longo de um rio poluído. Lixo na margem, céu nublado e montanhas ao fundo. Ambiente urbano degradado.
Comunidade enfrenta desafios de infraestrutura sanitária em cenário de urbanização desordenada, destacado no ranking de saneamento básico de 2026 | Foto: Reprodução

O Ranking do Saneamento 2026 considera, além de níveis de atendimento e evolução, indicadores de eficiência. No recorte de perdas na distribuição de água, Olinda aparece com 43,78%. Paulista, com 42,93%. Jaboatão, com 47,97%. Em perdas por ligação, o levantamento indica 487,00 litros por ligação-dia em Olinda, 380,35 em Paulista e 709,52 em Jaboatão.


O Instituto Trata Brasil afirma que a falta de acesso à água potável impacta mais de 30 milhões de brasileiros e que cerca de 90 milhões (43,3% da população) não possuem coleta de esgoto. O texto aponta efeitos diretos em saúde, produtividade, valorização imobiliária, turismo e qualidade de vida.


Pesquisas acadêmicas apontam que a ausência de saneamento amplia o risco de doenças de veiculação hídrica. Um estudo de pesquisadores vinculados à Fiocruz estimou o peso ambiental da diarreia em crianças pequenas atribuído à inadequação do saneamento no Brasil.


O Novo Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020) estabelece metas de atendimento de 99% da população com água potável e de 90% da população com coleta e tratamento de esgotos até 31 de dezembro de 2033.


O estopim procurou a Compesa e as prefeituras de Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes para comentar os resultados do ranking. Em nota publicada pelo Diario de Pernambuco, a Prefeitura de Paulista afirmou que a gestão do saneamento básico no município é de responsabilidade da Compesa e disse que acompanha ações voltadas à melhoria do esgotamento sanitário.


Ainda segundo o Diario de Pernambuco, a Prefeitura de Jaboatão declarou que o ranking reflete cenário do ano-base 2024, com defasagem em relação a ações recentes, e afirmou que os serviços de água e esgoto são operados pela Compesa, cabendo ao município articulação institucional e apoio às políticas públicas de ampliação da infraestrutura.


No mesmo material, a Compesa informou que a ampliação do esgotamento sanitário é prioridade do Governo de Pernambuco e disse executar, em parceria com a BRK, o Programa Cidade Saneada, uma PPP que atende a Região Metropolitana do Recife e Goiana. A empresa afirmou que já foram investidos R$ 3 bilhões, beneficiando 1,4 milhão de pessoas, e que, nos últimos três anos, o programa investiu mais de R$ 750 milhões.


A Compesa também declarou que o processo de concessão regional deve ampliar os investimentos e levar o esgotamento sanitário a municípios fora da PPP atual, citando Caruaru e Petrolina. Segundo a companhia, a universalização dos serviços em Pernambuco até 2033 prevê investimentos de R$ 19,1 bilhões pelas concessionárias e outorgas de R$ 4,2 bilhões, com aplicação em segurança hídrica pelo Estado e em infraestrutura pelos municípios.


Publicado desde 2009, o Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil avalia anualmente os 100 municípios mais populosos do país com base em indicadores oficiais. A edição 2026 usa dados do SINISA, ano-base 2024, e volta a colocar cidades da Região Metropolitana do Recife nas posições mais baixas do levantamento.


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Jovem em roupa casual trabalha em escritório, inclinada sobre a mesa. Telas de computador ao fundo, ambiente em preto e branco. Ar sério.

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Lançamento previsto para esta quinta-feira, na UFPE, integra a Semana da Água 2026 e reúne dados de 352 pluviômetros em Pernambuco, além de estimativas para cobrir falhas históricas de medição


Por Clara Mendes para O estopim | 19 de Março de 2026


A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) lança nesta quinta-feira (19), no Recife, uma nova ferramenta de monitoramento das chuvas e o Banco Estadual de Precipitação Preenchida de Pernambuco, iniciativa que promete ampliar a capacidade do Estado de acompanhar a ocorrência de chuva em tempo quase real e de reconstruir séries históricas com falhas de registro para planejamento e gestão de risco.


Prédio da SEMOBI e APAC com fachada de tijolos e placa, cercado por arame. Céu azul com nuvens e vegetação ao redor. Ambiente urbano.
Fachada da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) no Recife, destacando o edifício moderno e suas instalações.| Foto: Reprodução/WhatsApp

A apresentação está prevista para ocorrer na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), dentro da programação da Semana da Água 2026, que neste ano adota o tema “Água e Gênero”, alinhado ao mote proposto pela ONU para o Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março.



O que muda com a nova ferramenta da Apac


A Apac mantém hoje uma rede de 352 pluviômetros, entre equipamentos convencionais e automáticos, instalados e em funcionamento em Pernambuco. Segundo a agência, todos os 185 municípios do estado têm pelo menos uma estação de chuva, e áreas com maior densidade urbana, como a Região Metropolitana do Recife (RMR), concentram mais equipamentos para registrar a precipitação.


Na prática, a rede é usada para acompanhar acumulados de chuva e subsidiar decisões de rotina e de emergência, como avisos de risco hidrológico e geológico, além de ações de órgãos municipais e estaduais de Defesa Civil.


O novo pacote anunciado pela Apac inclui uma camada adicional: além de mostrar a chuva medida, o Banco Estadual de Precipitação Preenchida busca reduzir o “buraco” de informação quando uma estação falha, fica fora do ar ou quando séries históricas têm lacunas que dificultam análises de tendência e modelagem hidrológica.


Banco estadual de precipitação preenchida


A proposta do Banco Estadual de Precipitação Preenchida é organizar, de forma sistematizada, registros de chuva medidos no estado e incluir estimativas calculadas para preencher falhas nas séries temporais. O objetivo, de acordo com a programação da Semana da Água, é dar mais consistência a bases usadas em estudos, planos de contingência e políticas de recursos hídricos.


Na programação oficial divulgada para o evento, o banco aparece como um dos destaques da semana, com lançamento marcado para o dia 19 na UFPE.


Como a chuva “estimada” entra no mapa


Séries de precipitação costumam ter falhas por interrupções de energia, panes de sensores, problemas de transmissão ou manutenção. Quando isso acontece, uma estação pode ficar dias sem registrar ou transmitir dados. Em análises climatológicas e em simulações hidrológicas, essas lacunas distorcem médias, extremos e cálculos de volume acumulado.


Uma saída é usar métodos de preenchimento de falhas que combinam dados de estações vizinhas, topografia e padrões históricos. No caso de Pernambuco, um estudo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Geografia Física descreve uma proposta de preenchimento automático de falhas de precipitação para o sistema SWAT/SUPer usando inteligência artificial, chamada SUPer-FILL.


O artigo descreve o uso de um método de aprendizado de máquina do tipo Cubist combinado com uma técnica de correção de viés estatístico (QMap) para estimar valores de chuva e tornar séries mais completas em uma bacia piloto.


Embora a Apac não tenha detalhado publicamente, até a conclusão desta matéria, o método exato adotado no Banco Estadual de Precipitação Preenchida, a referência direta ao SUPer-FILL no ecossistema de pesquisa de Pernambuco e o anúncio do banco no mesmo ciclo da Semana da Água indicam a convergência entre gestão pública e produção acadêmica na tentativa de reduzir incertezas em dados meteorológicos.


Por que isso importa em um cenário de extremos


O Brasil vive uma escalada na frequência e no impacto de desastres relacionados à chuva, como enxurradas, inundações e deslizamentos. No Relatório Anual “Estado do Clima no Brasil 2025”, o Cemaden aponta que as chuvas foram responsáveis por 86% das mortes registradas em desastres climáticos no país e que, entre 2020 e 2023, cerca de 8,7 milhões de pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas devido a enchentes.


O mesmo relatório registra que, em 2025, foram enviados 2.505 alertas ao longo do ano, para 1.133 municípios monitorados, e que os eventos registrados em 2025 atingiram diretamente 336.656 pessoas. Na análise do Cemaden, 2022 é citado como um ano de desastres de grande porte, com grande número de fatalidades em Recife (PE) e Petrópolis (RJ), e 2023 e 2024 aparecem associados a condições oceânicas e atmosféricas que favoreceram extremos de chuva.


Nesse contexto, sistemas de monitoramento em escala estadual e bases históricas mais completas são apontados por pesquisadores e órgãos de defesa civil como peça central para antecipar risco, calibrar alertas e orientar decisões de infraestrutura.


Pernambuco: rede de dados e leitura do território


Pernambuco tem 9.058.931 habitantes, segundo o Censo 2022, de acordo com o IBGE. Em um estado com litoral densamente urbanizado e extensas áreas de semiárido, a variabilidade da chuva é um fator que afeta desde o abastecimento até a ocorrência de enxurradas rápidas.


A Apac já vinha ampliando a oferta de informação de clima e chuva com bases públicas. Um exemplo é o Atlas Climatológico de Pernambuco, elaborado com dados de 24 estações meteorológicas e 213 estações pluviométricas, em parceria com instituições como o IPA e o Inmet, cobrindo as normais climatológicas de 1991 a 2020.


Além do atlas, a agência mantém páginas com climatologia média por município e explicações sobre leitura de acumulados de precipitação, que são usadas por cidadãos, imprensa, pesquisadores e gestores.


O que será apresentado na UFPE


Até a publicação desta matéria, a Apac não havia divulgado um documento técnico completo com especificações do Banco Estadual de Precipitação Preenchida, nem um manual público da ferramenta de monitoramento anunciada.


O evento, porém, foi divulgado como lançamento do banco e integra uma semana que reúne atividades de debate e formação, incluindo iniciativas sobre eventos extremos e mudanças climáticas. O estopim procurou a Apac para solicitar detalhes sobre: quais bases alimentam o banco, qual método de preenchimento será adotado, como o público e pesquisadores poderão acessar os dados, e se haverá integração com plataformas já existentes da agência.


O lançamento ocorre em meio a um período de maior pressão sobre sistemas de alerta e monitoramento no país. No relatório do Cemaden, 2022 aparece como ano de desastres de grande porte com fatalidades em Recife, e o documento aponta a intensificação de riscos em áreas urbanas vulneráveis, onde a chuva extrema se combina com ocupação de encostas e margens de rios.


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Jovem em um escritório escuro, vestindo moletom; olhar sério. Trabalha em um computador; crachá pendurado no pescoço, monitor ao fundo.

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