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Esportes

Mais do que uma derrota, o revés na Supertaça expôs a falência emocional de um elenco galáctico que perdeu a cabeça no túnel e foi engolido taticamente por um Corinthians que lembrou ao país: orçamento não ganha jogo.


A Supertaça Rei 2026 decidiu-se não apenas no relvado do Mané Garrincha, mas no silêncio ensurdecedor de um intervalo que reescreveu a história da partida. O Corinthians venceu o Flamengo por 2-0, conquistando o primeiro troféu da temporada, num jogo onde a eficácia tática superou a opulência técnica.


Por Mário Toledo Editoria de Esportes | 01 de fevereiro de 2023


Corinthians 0x0 Flamengo, jogo de ida da final da Copa do Brasil | Foto: Paulo Pinto / AFP
Corinthians 0x0 Flamengo, jogo de ida da final da Copa do Brasil | Foto: Paulo Pinto / AFP

O veredicto do intervalo: Quando o jogo mudou para o Flamengo


O momento decisivo desta Supertaça não foi um gol, mas uma decisão diferida. Enquanto as equipas desciam para o descanso, o empate a zero parecia um prémio escasso para um Corinthians mais agressivo e um castigo leve para um Flamengo desconexo. Contudo, o futebol brasileiro, pródigo no insólito, reservou a sua sentença para o reinício.


A expulsão de Jorge Carrascal, decretada pelo VAR no exato momento em que as equipas regressavam para a segunda parte, punindo uma agressão a Breno Bidon ocorrida nos instantes finais do primeiro tempo, foi o golpe fatal. O Flamengo não voltou do balneário apenas com dez jogadores; voltou com a psique fraturada.


Filipe Luís, que preparava a estreia de Lucas Paquetá para injetar criatividade, viu-se forçado a gerir um naufrágio tático antes mesmo de a bola rolar novamente. O gol de Gabriel Paulista, aos 25 minutos, e a obra de arte de Yuri Alberto nos descontos, foram apenas as consequências lógicas de um jogo que, espiritualmente, terminou no túnel de acesso.


O bloco baixo e a armadilha da posse estéril


A narrativa de que o Flamengo perdeu por "falta de raça" é preguiçosa e ignora a aula de geometria defensiva dada por Dorival Júnior. O Corinthians montou-se num 4-4-2 compacto (por vezes 4-1-4-1), negando a zona central, o chamado "funil", onde Arrascaeta e, posteriormente, Paquetá gostam de operar. Os dados do jogo ilustram o cenário: o Flamengo, mesmo com dez, deteve a maior parte da posse de bola, mas uma posse em "U", circulando de um lateral ao outro sem penetração.


O mapa de calor de Yuri Alberto e Memphis Depay mostra um sacrifício defensivo imenso, pressionando a saída de bola de Léo Ortiz e forçando o erro. O gol inaugural de Gabriel Paulista nasce de uma bola parada, expondo a fragilidade aérea do Flamengo, mas foi o segundo gol o que explicou o jogo.


Com o Flamengo desequilibrado, apostando tudo na subida das linhas e deixando um latifúndio nas costas da defesa, o Corinthians explorou a transição rápida. O gol de Yuri Alberto, com um "chapéu" sobre Rossi, não foi sorte; foi a exploração clínica de um erro de cálculo de uma equipa que, na ânsia de empatar, abdicou da cobertura defensiva. O índice de objetivos esperados (xG) do Corinthians, embora menor em volume total, foi drasticamente superior na qualidade das oportunidades criadas.


A vitória da organização sobre a opulência


Este resultado transcende as quatro linhas. É um choque de realidade para a gestão rubro-negra. O Flamengo entrou em 2026 ostentando a contratação milionária de Lucas Paquetá e um plantel galáctico, mas o futebol puniu a soberba de quem acredita que o talento individual resolve a ausência de coesão coletiva.


Do outro lado, o Corinthians, ainda a lutar contra as cicatrizes de crises financeiras recentes e proibições de transferência, apresentou-se como uma unidade operária. A figura de Gabriel Paulista, um reforço que simboliza a reconstrução e a seriedade defensiva, a abrir o marcador, é poética.


A Supertaça em Brasília, palco político por excelência, serviu de montra para um fenómeno recorrente na América do Sul: o orçamento não entra em campo. O Flamengo vive uma crise de identidade, onde a troca constante de treinadores e o excesso de estrelas criam um ambiente de "muitos caciques para pouco índio". O Corinthians, com menos recursos mas com um plano claro, expôs a nudez do rei.


O Timão renasce, o Urubu precisa de divã


O Corinthians de 2026 não é apenas um candidato; é uma realidade competitiva. A vitória na Supertaça Rei valida o trabalho de Dorival Júnior e devolve ao gigante paulista a aura de equipa "copeira", capaz de sofrer e matar o jogo com frieza cirúrgica. Para o Flamengo, o sinal de alerta é vermelho escuro.


A expulsão infantil de Carrascal é sintomática de uma equipa emocionalmente instável. Filipe Luís terá de ser mais psicólogo do que treinador nas próximas semanas. Se o Flamengo não resolver os seus conflitos internos e a sua arrogância tática, a constelação de estrelas corre o risco de assistir, do sofá, ao triunfo dos "operários" do futebol brasileiro. O ano começou, e a hierarquia foi desafiada.

 
 
 

Por Mário Toledo Analista de Esportes | 25 de janeiro de 2026


O relógio no Estádio Benito Agnelo Castellano não marcava apenas o tempo; ele cronometrava a paciência de uma nação. Até os 47 minutos do segundo tempo, o que se viu em Rio Claro não foi um embate de forças, mas o retrato da agonia alvinegra.


O gol de Yuri Alberto, nascido de um rebote suado após o chute de Vitinho, não deve ser celebrado como uma obra de arte, mas como um habeas corpus. O Corinthians não venceu porque foi soberano; venceu porque, no futebol, a hierarquia da camisa às vezes entorta o destino a favor do gigante, mesmo quando este insiste em jogar como pequeno. O placar de 1 a 0 é uma mentira piedosa que esconde 90 minutos de um futebol pobre e desprovido de ideias.


Yuri Alberto gritando após o segundo gol no duelo diante da UCV pela Libertadores | Foto: Jhony Inácio / Meu Timão
Yuri Alberto gritando após o segundo gol no duelo diante da UCV pela Libertadores | Foto: Jhony Inácio / Meu Timão

Dorival Júnior apostou no risco calculado do "mistão", mas a matemática quase falhou. Com 64% de posse de bola, o Corinthians caiu na velha armadilha da posse estéril: girou a bola em um "U" inofensivo ao redor da área do Velo Clube, sem penetração. O mapa de calor do primeiro tempo mostrou um time desconexo, onde Matheus Pereira e Rodrigo Garro (preso na marcação física do interior) não dialogaram.


O Velo Clube, ciente de suas limitações orçamentárias, montou um ferrolho tático (blocos baixos) e explorou as bolas paradas, foram seis finalizações, algumas perigosas, expondo a fragilidade aérea da defesa sem Gustavo Henrique. O herói improvável do jogo, antes de Yuri, foi o goleiro adversário Marcelo Carné, que operou milagres. A entrada de Yuri Alberto não foi apenas uma substituição; foi a confissão de que o plano A (o time misto) havia fracassado. O gol saiu na bacia das almas não por uma construção tática envolvente, mas pela insistência física e pelo peso individual que, finalmente, rompeu a barreira.


Essa vitória magra precisa ser lida sob a ótica do abismo financeiro. De um lado, um Velo Clube que luta pela sobrevivência com um orçamento que não pagaria a folha salarial de dois titulares do Timão; do outro, um Corinthians que, mesmo endividado, tem a obrigação moral de atropelar.


A entrada no G8 do Paulistão é vendida como alívio, mas a realidade é que o Corinthians flertou com a crise em um campeonato que deveria servir de laboratório, não de cadafalso. A ausência de Memphis Depay (poupado) escancarou a dependência do elenco em lampejos individuais. O desempenho olímpico dos rivais e o investimento pesado do topo da tabela brasileira tornam esse "sufoco" em Rio Claro um sinal de alerta vermelho para o Brasileirão e a Libertadores que se avizinham.


O torcedor corinthiano dorme aliviado, mas não deve acordar iludido. A vitória contra o Velo Clube serve para a tabela, mas não para a alma. O time de Dorival Júnior mostrou que, sem seus principais pilares focados e sem intensidade, é uma equipe comum, vulnerável a qualquer adversário organizado taticamente. Entrar no G8 é o mínimo existencial para o Corinthians. Se o "projeto 2026" depender de gols salvadores nos acréscimos contra times do interior, o ano promete ser longo e tortuoso. O resultado de hoje compra paz, mas não compra confiança.


 
 
 

Da Redação de O estopim | 25 de janeiro de 2026


A cidade de Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, tornou-se o epicentro de um movimento que une o bem-estar físico à devoção espiritual. A 1ª Corrida e Caminhada do Padre, realizada no dia 25 de janeiro, marcou não apenas o calendário esportivo da região, mas também uma celebração comunitária significativa: os 5 anos de sacerdócio do Padre José Marcos.



O evento foi idealizado pelo próprio sacerdote, que é um entusiasta das corridas de rua e já participou de diversas provas, incluindo eventos de grande porte como a Corrida de Bel Marques em João Pessoa. Para ele, a corrida é uma ferramenta poderosa de evangelização, capaz de tocar a vida das pessoas e auxiliá-las no combate a males modernos, como o sedentarismo e a depressão.


Esporte com estrutura e inclusão no percurso



A prova foi desenhada para ser inclusiva, atraindo desde atletas de elite até famílias e iniciantes. A concentração ocorreu na Praça da Bandeira, com uma logística rigorosa para garantir a melhor experiência aos participantes.

Modalidade

Distância

Horário de Largada

Caminhada

3 km

06:30h


Corrida

5 km

06:15h


Corrida

10 km

06:15h



"Quem corre e caminha com fé nunca está sozinho."

O evento contou com um kit profissional, refletindo a experiência do Padre Marcos como corredor. Os inscritos receberam uma camisa em tecido dry-fit, medalha de participação, número de peito e utilização de chip de cronometragem. Um dos grandes diferenciais destacados foi o "Café Nordestino" servido após a prova, fugindo do tradicional lanche de apenas frutas para oferecer uma confraternização mais robusta aos atletas.


Impacto regional e mobilização


A força do evento ultrapassou as fronteiras de Arcoverde. De acordo com a organização, corredores de diversas localidades confirmaram presença, transformando a corrida em um ponto de encontro regional.


Cidades com representantes confirmados:


  • Pernambuco: Arcoverde, Pesqueira, Gravatá, Buíque, Pedra, Ibimirim, Sertânia, Venturosa, Tupanatinga e Custódia.

  • Alagoas: Maceió.

  • São Paulo: São Paulo (capital).


Esta diversidade de participantes reforça o papel do evento como um indutor do turismo esportivo e religioso na "Porta do Sertão".


Um evento sustentado pela comunidade


A viabilidade da corrida foi garantida por uma extensa rede de parceiros locais que acreditaram no propósito de unir saúde e responsabilidade social. Entre os patrocinadores e apoiadores, destacaram-se empresas de diversos setores, desde saúde e moda até serviços automotivos e hotelaria.


Os recursos arrecadados com as inscrições (com lote inicial a R$ 85,00) foram destinados ao custeio da infraestrutura da prova, às comemorações do aniversário sacerdotal e também para apoiar a jornada do Padre Marcos em sua futura missão em Roma.


A Corrida e Caminhada do Padre prova que o esporte, quando aliado a um propósito maior, é capaz de mobilizar uma região inteira, promovendo a vida em sua integridade: corpo, mente e espírito.

 
 
 
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