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Após denúncias de uso político da Polícia Civil para monitorar a Prefeitura do Recife, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a entrada da Polícia Federal no caso. Em pronunciamento contundente, o prefeito João Campos afirma que servidores foram seguidos e carros oficiais rastreados.


Por Raul Silva | Recife, Pernambuco | 31 de janeiro de 2026


Raquel Lyra e João Campos lado a lado: eles devem ser adversários nas urnas em 2026 | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Raquel Lyra e João Campos lado a lado: eles devem ser adversários nas urnas em 2026 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O cenário político de Pernambuco foi abalado por uma grave crise institucional que culminou, nesta semana, com a intervenção da instância máxima do judiciário brasileiro. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a Polícia Federal (PF) assuma a investigação sobre a existência de uma suposta "polícia paralela" operando dentro da estrutura do Governo do Estado de Pernambuco.


O caso, que envolve acusações de espionagem ilegal, perseguição política e uso da máquina pública para fins eleitorais, gerou uma reação imediata do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o gestor municipal não poupou críticas à gestão estadual e detalhou o modus operandi do que chamou de atividade "clandestina e criminosa".


O começo de tudo: A Denúncia STF


A controvérsia teve início após reportagens veiculadas pela imprensa nacional revelarem indícios de que agentes da Polícia Civil de Pernambuco estariam sendo desviados de suas funções constitucionais para monitorar adversários políticos do atual governo estadual.


Segundo as denúncias, a inteligência policial estaria focada em passos da administração da Prefeitura do Recife, criando um sistema de vigilância sem qualquer respaldo jurídico. Não havia inquéritos abertos, boletins de ocorrência (B.O.) ou ordens judiciais que justificassem tais monitoramentos. A gravidade da situação — que sugere uma quebra da impessoalidade e legalidade administrativa — levou o STF a retirar a competência da investigação da esfera estadual, transferindo-a para a Polícia Federal para garantir isenção.


João Campos em Redes Sociais afirma que o STF ordenou a investigação do procedimento da Polícia Civil que culminou no escândalo sobre a possibilidade de espionagem por parte do gabinete da governadora Raquel Lyra | Fonte: Reprodução/Instagram

A reação de João Campos: "Inaceitável"


No vídeo anexado a esta reportagem, João Campos aparece com um semblante sério e indignado. Ele inicia sua fala confirmando a decisão da corte suprema e definindo o alvo da investigação com clareza:


"A polícia paralela montada pelo governo do estado de Pernambuco. O Supremo Tribunal Federal acabou de determinar uma investigação a ser conduzida pela Polícia Federal depois que a imprensa nacional divulgou o que estava acontecendo de forma clandestina e criminosa em Pernambuco."

Para o prefeito, a decisão do STF valida as suspeitas de que a estrutura de segurança pública do estado foi aparelhada. A ênfase dada por Campos recai sobre a ilegalidade procedimental. Em um Estado Democrático de Direito, qualquer investigação policial deve ser precedida de uma formalidade legal. No entanto, segundo o relato do gestor, o que ocorreu foi o oposto:


"Parte da polícia civil sendo utilizada para fins eleitorais e políticos. Sem nenhum ato formal, sem B.O., sem inquérito."

O Modus Operandi: perseguição e rastreamento


Um dos pontos mais alarmantes do pronunciamento de João Campos é a descrição detalhada das ações táticas realizadas contra sua equipe. O prefeito relata que o monitoramento não foi apenas digital ou burocrático, mas físico e ostensivo, lembrando práticas de regimes autoritários.


Ele descreve táticas de intimidação e espionagem direta contra o patrimônio e os servidores municipais:


"Carro oficial da prefeitura sendo rastreado, servidores sendo seguidos. Tudo de forma clandestina e criminosa. Isso é inaceitável."

Essa fala sugere que a suposta "polícia paralela" utilizou recursos de inteligência e tempo de serviço dos agentes para seguir fisicamente funcionários da prefeitura, configurando um desvio de finalidade grotesco, considerando os índices de violência que o estado enfrenta e que necessitam da atenção da polícia.


Confiança na Polícia Federal e nas Instituições


Apesar da gravidade das acusações contra o governo estadual, João Campos demonstrou confiança na correção dos rumos através da intervenção federal. A transferência do caso para a Polícia Federal é vista como a garantia de que a corporação local — que estaria contaminada ou sob ordens políticas, segundo a denúncia — não interfira na apuração dos fatos.


"A justiça brasileira está agindo. E eu tenho certeza que a Polícia Federal vai fazer um trabalho sério e correto pra que isso nunca mais se repita em Pernambuco e em todo o Brasil."

O contexto político e o "Recado" final


O caso ocorre em um momento de acirramento político, mas João Campos buscou, ao final de sua declaração, desvincular o escândalo da imagem do povo pernambucano. Ele enquadra a situação como uma anomalia criada por um grupo específico no poder, e não como um reflexo da cultura do estado.


Ao encerrar o vídeo, o prefeito adota um tom de defesa da honra do estado e de intolerância contra o abuso de poder:


"Porque o nosso estado é muito maior do que tudo isso. E o povo pernambucano não tolera uma perseguição e um ato criminoso como esse."

Próximos Passos


Com a determinação do STF, a Polícia Federal deverá instaurar inquérito imediato para apurar:


  1. A autoria das ordens: Quem dentro do governo do estado determinou o monitoramento?

  2. A materialidade: Provas de rastreamento, relatórios de inteligência não oficiais e depoimentos dos agentes envolvidos.

  3. O uso de recursos públicos: Se houve gasto de verba estadual para custear essas operações políticas.


O Governo do Estado de Pernambuco ainda não se pronunciou detalhadamente sobre a abertura da investigação federal, mas o caso já é tratado como um dos mais graves episódios recentes de uso da máquina pública para fins políticos no Nordeste.

 
 
 

Por Dante Montenegro | Editoria de Política


Em Pernambuco, a tensão entre o Palácio do Campo das Princesas e a Prefeitura do Recife transcendeu a retórica administrativa para atingir o núcleo duro do aparato estatal: a inteligência policial. A gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) enfrenta acusações de "arapongagem" contra Gustavo Monteiro, secretário de Articulação Política do prefeito João Campos (PSB). A resposta do governo, contudo, rejeita a narrativa de espionagem política e firma-se na doutrina da Verificação Preliminar de Informação (VPI). Para o Executivo estadual, não houve perseguição, mas o exercício legítimo do poder de polícia para auditar o uso de um ativo público — um veículo oficial — supostamente envolvido em práticas de corrupção.


Raquel Lyra e João Campos em conversa no Palácio do Campo das Princesas em Recife | Foto: Reprodução
Raquel Lyra e João Campos em conversa no Palácio do Campo das Princesas em Recife | Foto: Reprodução

O que a oposição classifica como "Abin Paralela", os estrategistas do governo tratam como Statecraft (arte de governar). A defesa da Secretaria de Defesa Social (SDS) repousa sobre uma tecnicidade jurídica crucial: a distinção entre a intimidade do cidadão e a publicidade do bem estatal.


  1. A Natureza do Alvo: O governo sustenta que o monitoramento não visava a pessoa do secretário, mas o veículo locado pela prefeitura, um bem público sujeito ao escrutínio administrativo. Ao focar no "carro oficial", a defesa tenta desarmar a tese de violação de privacidade que exigiria reserva de jurisdição (mandado judicial), equiparando o uso de rastreadores à tradicional "campana" policial em via pública.


  2. O Contra-Ataque Institucional: A narrativa governista inverte o ônus da prova. Ao arquivar a investigação por falta de materialidade, o governo argumenta que provou sua imparcialidade técnica: se o objetivo fosse político, provas teriam sido forjadas ou vazadas estrategicamente antes. O vazamento atual é reclassificado não como denúncia, mas como vendetta corporativa de um policial investigado por desvios, numa tentativa de desestabilizar o comando da segurança pública.


  3. Contenção de Danos: Diante das acusações de "milícia digital" operando no gabinete, a exoneração célere de assessores funcionou como um firewall, isolando a figura da governadora da crise e mantendo a narrativa de "compliance" rigoroso.


Este episódio é o "tiro de advertência" para a batalha eleitoral de 2026. A disputa pelo controle da narrativa de segurança e probidade é vital. O governo Raquel Lyra, ao bancar a legalidade da operação "Nova Missão", sinaliza que não abrirá mão do controle hierárquico das forças policiais, apesar da pressão dos sindicatos (Sinpol/Adeppe), que veem na crise uma oportunidade de alavancagem corporativa. Para Brasília e para o mercado, a mensagem é de que a gestão estadual está disposta a pagar o preço político para manter a prerrogativa de investigar, doa a quem doer, sob a bandeira do combate à corrupção.


O governo estadual aposta todas as fichas na tese da legalidade estrita da VPI para neutralizar a retórica de "ditadura" da oposição. Para sobreviver à guerra de narrativas e chegar competitivo em 2026, o Palácio deve blindar juridicamente suas operações de inteligência; do contrário, a linha tênue entre vigilância republicana e polícia política se tornará a arma favorita de seus adversários para corroer sua legitimidade institucional.


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O estopim — O começo da notícia!

 
 
 

Reportagem revelou instalação ilegal de rastreadores em carros da Prefeitura do Recife e grupo clandestino de delegados criado para atingir opositores políticos.


Por Clara Mendes da Redação de O estopim | 27 de janeiro de 2026


João Capos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) - Foto: Reprodução.
João Capos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) - Foto: Reprodução.

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), classificou como "criminosa" e "imoral" a atuação da Polícia Civil de Pernambuco sob o comando da governadora Raquel Lyra (PSDB). Em vídeo publicado nas redes sociais, o gestor reagiu às denúncias veiculadas pela TV Record, que expuseram a existência de um esquema ilegal de monitoramento e investigação direcionada contra a gestão municipal, incluindo o uso de rastreadores em veículos oficiais sem autorização judicial.


"O que a TV Record revelou é muito grave: o uso político da Polícia Civil de Pernambuco", disparou Campos.

Segundo a denúncia, um grupo informal de WhatsApp, composto por três delegados e sete agentes, teria sido criado à margem das formalidades legais para orquestrar ações contra o prefeito. Entre as irregularidades apontadas, estariam o desarquivamento de inquéritos antigos apenas para gerar fatos políticos em períodos eleitorais e a instalação de dispositivos de rastreamento no carro da Prefeitura.


Nossa gestão não tolera corrupção, mas também não vai tolerar perseguição política. - Afirmou João Campos em vídeo publicado no YouTube | Fonte: Perfil de João Campos no YouTube

No vídeo, João Campos, visivelmente indignado, questionou a cadeia de comando por trás da operação.


"Quem é que está dando essas ordens? É interesse de quem? Rastreador sendo colocado no carro oficial da prefeitura sem ordem judicial, isso é criminoso", afirmou.

O prefeito relembrou o episódio de 2024, quando uma investigação sobre creches — já arquivada por falta de provas — foi reaberta durante a campanha de reeleição e novamente arquivada após o pleito.


"Na polícia e na política não vale tudo, não tem regra? Tem lei e tem que ser cumprida", completou.

O gestor da capital pernambucana garantiu que acionará a Justiça contra o que chamou de "arroubo autoritário". A denúncia lança uma sombra sobre a isenção da Secretaria de Defesa Social (SDS), pasta historicamente sensível e que, para o cidadão do interior, muitas vezes representa a única fronteira entre a barbárie e a ordem.


A tensão entre o PSB de João Campos e o Governo de Raquel Lyra escalou desde a eleição de 2024, mas atinge agora um nível institucional preocupante. Para quem vive no Sertão e Agreste, onde a política local é acirrada e muitas vezes violenta, a notícia de que a estrutura de segurança pública do Estado pode estar sendo aparelhada para fins partidários acende um alerta vermelho. Se a capital vive sob vigilância clandestina, o que esperar da segurança jurídica nas cidades menores, longe dos holofotes da grande imprensa?



 
 
 
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