Estudos indicam que o Sol pode ter nascido mais perto do centro da Via Láctea e migrado ao longo de bilhões de anos
- Michael Andrade

- há 2 dias
- 2 min de leitura
Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: G1 | quinta-feira (12) de março de 2026
Pesquisas publicadas em revista científica sugerem que a nossa estrela se formou em uma região diferente da galáxia e depois se deslocou para mais longe do núcleo.

Dois estudos publicados nesta quinta-feira (12) na revista científica Astronomy & Astrophysics indicam que o Sol pode não ter nascido no local onde está atualmente. Segundo os pesquisadores, a estrela que dá origem ao Sistema Solar teria se formado mais perto do centro da Via Láctea e migrado para regiões mais externas da galáxia ao longo de bilhões de anos.
A descoberta foi baseada em dados do satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), que mapeia com precisão a posição, o movimento e as características de bilhões de estrelas. A partir dessas informações, os cientistas identificaram indícios de uma grande migração estelar ocorrida entre 4 e 6 bilhões de anos atrás.
Hoje, o Sistema Solar está localizado a cerca de 26 mil anos-luz do centro da Via Láctea. Mas, de acordo com os pesquisadores, evidências químicas e observacionais sugerem que o Sol pode ter surgido mais de 10 mil anos-luz mais perto do núcleo galáctico do que se encontra hoje.
Para investigar essa hipótese, os estudiosos analisaram um grupo de estrelas conhecido como “gêmeas solares”, astros que possuem propriedades muito parecidas com as do Sol, como temperatura, gravidade superficial e composição química.
Com base nos dados do Gaia, a equipe construiu o maior catálogo já produzido desse tipo de estrela, reunindo 6.594 gêmeas solares, cerca de 30 vezes mais do que levantamentos anteriores.
Ao estudar a idade dessas estrelas, os cientistas perceberam que muitas delas se concentram na faixa entre 4 e 6 bilhões de anos, período semelhante ao da formação do próprio Sol, estimada em 4,6 bilhões de anos.
Segundo os pesquisadores, esse deslocamento coletivo pode estar relacionado à evolução da chamada barra galáctica, uma estrutura alongada formada por estrelas no centro da Via Láctea. Essa região influencia a dinâmica dos astros ao seu redor e normalmente funciona como uma barreira gravitacional. No entanto, se essa barreira ainda estava em formação quando o Sol surgiu, ela pode ter permitido a migração de um grande grupo de estrelas para regiões mais externas.
Além de ajudar a entender melhor a posição atual do Sol, a descoberta também levanta uma hipótese importante sobre a história da vida na Terra. Regiões mais próximas do centro da galáxia costumam ser mais extremas, com maior densidade de estrelas, radiação mais intensa e mais eventos energéticos, como explosões estelares. Já áreas mais externas, como a onde o Sistema Solar está hoje, são consideradas mais estáveis.
Isso significa que a migração do Sol pode ter levado o Sistema Solar a uma região da galáxia mais favorável ao surgimento e à evolução da vida.
O estopim — O começo da notícia!
Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_
8.png)





Comentários