Corte eleitoral muda a presidência a partir de junho e deve enfrentar debates sobre elegibilidade, IA e fiscalização de conteúdos nas eleições deste ano.
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá novo comando a partir de junho, com mudanças na presidência e na composição da corte responsável por conduzir as eleições de 2026. Segundo análise publicada pelo G1, o tribunal chega ao ano eleitoral com desafios ligados às mudanças na Lei da Ficha Limpa e à fiscalização de conteúdos produzidos com inteligência artificial.
A partir de junho, o ministro Kassio Nunes Marques assumirá a presidência do TSE no lugar de Cármen Lúcia, enquanto André Mendonça ficará com a vice-presidência. A composição também contará com Dias Toffoli na terceira vaga destinada ao Supremo Tribunal Federal. Será a primeira vez que dois ministros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao STF estarão, ao mesmo tempo, à frente da Corte Eleitoral.
O TSE é composto por sete ministros: três do STF, dois do STJ e dois juristas nomeados pelo presidente da República a partir de listas indicadas pelo Supremo, além de ministros substitutos. A função da corte é organizar e supervisionar as eleições, julgar ações eleitorais, analisar prestações de contas e aplicar as regras da propaganda política.
Entre os principais temas que devem pressionar o tribunal em 2026 está a aplicação das mudanças na Lei da Ficha Limpa, alterada em 2025. Segundo especialistas ouvidos pelo G1, a nova regra pode abrir espaço para que nomes antes considerados inelegíveis tentem registrar candidatura, o que tende a ampliar disputas judiciais sobre elegibilidade.
Outro ponto sensível será o uso de inteligência artificial na campanha. As regras aprovadas para as eleições de 2026 ampliaram a regulação sobre o tema e passaram a proibir a circulação de conteúdos produzidos por IA nas 72 horas anteriores ao pleito e nas 24 horas posteriores à votação. A avaliação de especialistas é que o maior desafio será a capacidade de monitoramento e resposta rápida durante o curto período oficial de campanha.
O perfil da nova composição também deve influenciar a atuação da corte. Declarações recentes de Kassio Nunes Marques e André Mendonça indicam uma postura menos expansiva do que a adotada em 2022, quando o TSE, sob presidência de Alexandre de Moraes, respondeu de forma mais direta a fake news, ataques às urnas e tentativas de interferência no processo eleitoral.
Entre os ministros que comporão a corte em 2026 estão, pelo STF, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli; pelo STJ, Antônio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e, a partir de setembro, Sebastião Reis; além dos juristas Floriano de Azevedo Marques Neto e Estela Aranha.
Com nova presidência, novas regras e maior pressão sobre temas como IA, inelegibilidade e crime organizado, a atuação do TSE deve ser um dos pontos mais observados do processo eleitoral brasileiro em 2026.
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Por Atlas Siqueira para O estopim Tech | 3 de Março de 2026
O que antes era uma promessa de ficção científica virou rotina de quartel. Na guerra que se abriu com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, sistemas de inteligência artificial deixaram de ser apenas apoio periférico e passaram a ocupar o centro do tabuleiro: filtrando imagens, cruzando sinais, sugerindo alvos e encurtando o tempo entre ver e destruir.
Guerra na Ucrânia | Foto: Reprodução
O resultado prático é um tipo de conflito em que a vantagem não é só ter mais mísseis. É ter mais dados e capacidade de transformar dados em decisões. A diferença é que, quando a decisão vira um fluxo automatizado, o erro também ganha escala.
O que mudou no campo de batalha
A ofensiva começou com ataques aéreos e de mísseis contra estruturas estratégicas, em especial alvos ligados a capacidades nucleares e ao complexo de mísseis do Irã. Em poucos dias, a guerra passou a ter dois rostos simultâneos.
O primeiro é o do choque político e simbólico, com a decapitação de lideranças e uma disputa pela narrativa do que foi atingido, por quê e com qual legalidade.
O segundo é o do impacto humano, mais silencioso e mais brutal. Um dos episódios mais graves desta escalada foi o ataque que atingiu uma escola de meninas no sul do país, com relatos de dezenas de crianças mortas e imagens que correram o mundo. A tragédia não é apenas um acidente colateral. Ela é o retrato do risco de um conflito que tenta operar rápido demais.
A engrenagem invisível: como a inteligência artificial entra na guerra
Quando militares falam em encurtar a “cadeia de destruição”, estão falando de reduzir o caminho entre identificar um alvo e disparar. A inteligência artificial tem sido usada exatamente para isso.
Na prática, esse tipo de sistema funciona como uma central de triagem do caos. Ele recebe volumes gigantescos de informação de satélites, drones, radares, interceptações, bancos de dados e relatórios de campo. Depois, usa modelos de visão computacional para marcar padrões em imagens, rastrear mudanças em instalações, identificar equipamentos e destacar o que “parece relevante”.
A camada mais nova é a dos modelos de linguagem, usados para resumir relatórios, cruzar descrições, sugerir hipóteses e priorizar a lista de alvos. Em vez de dezenas de analistas lendo documentos e comparando mapas, parte desse trabalho vira recomendação automatizada. O ser humano continua assinando, mas assina sob pressão de tempo.
É aqui que nasce o novo problema. Quando a operação acontece em minutos, o espaço de dúvida vira uma inconveniência. E a dúvida é justamente a fronteira entre uma ação militar e um crime.
Drones, enxames e defesa aérea: o laboratório da autonomia
A guerra no Irã também escancara o papel dos drones e das munições de espera, os chamados kamikazes. Eles já haviam mudado o campo de batalha na Ucrânia. Agora, entram em um teatro com alta densidade de sensores, jamming e defesa aérea integrada.
A lógica dos enxames é simples e cruel: saturar. Um drone barato, por si só, pode ser derrubado. Centenas deles, combinados com mísseis e iscas, fazem a defesa gastar interceptadores caros e abrir brechas. É economia política aplicada no céu.
A inteligência artificial aparece nesse ponto como cola tática. Ela ajuda a navegar com menos dependência de sinal, a reconhecer alvos com câmeras térmicas e a ajustar rotas para evitar áreas de maior risco. Também dá fôlego a uma guerra eletrônica em que o objetivo é cegar o adversário.
O Irã, que construiu parte da sua dissuasão em torno de drones e mísseis, colhe o lado amargo de uma guerra em que a mesma família de armas pode ser copiada, barateada e devolvida como contra-ataque.
Quem ganha e quem perde: a economia da guerra com IA
Toda guerra cria um mercado. A diferença desta é que o produto central não é só munição. É software.
Plataformas de análise e fusão de dados, nuvens militares, modelos de linguagem treinados para “entender” relatórios de inteligência e sistemas de comando e controle viraram o novo pacote premium. Empresas que já vendiam sistemas de previsão, policiamento e inteligência corporativa agora operam no coração do planejamento de ataques.
Esse ciclo tem dois efeitos perigosos.
O primeiro é o incentivo para transformar conflito em vitrine. Se um sistema promete reduzir o tempo de resposta, a guerra vira prova de conceito.
O segundo é a normalização de uma cadeia de responsabilidades que se dilui. Quando um algoritmo sugere, outro filtra, um operador valida e uma chefia aprova, a culpa se espalha em camadas. No fim, o cadáver continua no chão.
A guerra dos chips por trás da guerra real
Armas “inteligentes” dependem de eletrônica comum: chips, sensores, memória, módulos de comunicação, peças que circulam por cadeias globais e muitas vezes escapam de sanções por rotas indiretas.
Há um ponto desconfortável para o Ocidente: boa parte do que torna drones e sistemas de guerra mais precisos vem de componentes produzidos por empresas e fábricas que alimentam o mercado civil. É a mesma lógica da indústria de smartphones aplicada ao campo de batalha.
Por isso, a disputa por controle de exportações, rastreabilidade e acesso a hardware avançado virou extensão direta da guerra. Sem semicondutor não há autonomia. E sem autonomia, a promessa de “decidir mais rápido” desaba.
O estopim: o risco de uma guerra sem freio humano
A discussão sobre armas autônomas costuma parecer abstrata até o dia em que um ataque erra o alvo, atinge civis e ninguém consegue explicar, com transparência, como a decisão foi tomada.
Em teoria, a regra é manter um humano no comando. Na prática, o que se consolida é o humano como carimbador de um processo que já veio pronto. Isso reduz a fricção moral, acelera o gatilho e aumenta a chance de escaladas por reação automática.
O efeito geopolítico é ainda maior. Quando Estados com capacidade tecnológica demonstram que é possível operar uma campanha em ritmo de dados, outros correm para copiar. E países com menos recursos podem buscar atalhos, comprando soluções fechadas, dependentes de fornecedores externos e pouco auditáveis.
Para o Brasil, a lição é direta. Não existe soberania digital se a defesa do país depende de caixa-preta estrangeira, seja em satélites, em nuvem, em chips ou em modelos de inteligência artificial. Sem capacidade própria de cibersegurança, rastreabilidade de hardware e governança de dados, qualquer estratégia vira dependência.
A guerra no Irã não é apenas um capítulo do Oriente Médio. É a consolidação de um novo modelo de guerra, onde a decisão vira produto, o alvo vira dado e a velocidade vira argumento. O futuro, se não for regulado com rigor e transparência, tende a ser mais rápido, mais opaco e mais letal.
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Atlas Siqueira é editor de tecnologia e inovação e analista-chefe de tendências digitais de O estopim. Investiga a geopolítica dos chips, a economia dos dados e o impacto social da inteligência artificial no Sul Global.
Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Portal G1 | segunda-feira (2) de março de 2026
Resolução proíbe impulsionamento de conteúdos produzidos por IA nas 72 horas antes do pleito e veta recomendações de candidaturas por plataformas.
FOTO: MARCELO CAMARGO
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou nesta segunda-feira (2) uma nova resolução que estabelece regras para a propaganda eleitoral nas eleições de 2026, com foco no uso da inteligência artificial e no combate à desinformação.
O texto proíbe a publicação, republicação ou impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial nas 72 horas que antecedem o pleito e nas 24 horas após o encerramento da votação. Em caso de descumprimento, o conteúdo poderá ser removido imediatamente por iniciativa do provedor ou por ordem judicial.
A resolução determina ainda que o uso de inteligência artificial para criar, alterar ou mesclar imagens e sons na propaganda eleitoral deverá ser informado de forma explícita, destacada e acessível. O eleitor também deverá ser avisado quando estiver interagindo com chatbots, avatares ou conteúdos sintéticos.
Outra medida estabelece que empresas provedoras de inteligência artificial não poderão ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatos, partidos ou coligações. Também ficam proibidas de emitir opiniões, indicar preferência eleitoral ou recomendar voto, inclusive por meio de respostas automatizadas.
A norma também proíbe a criação de conteúdos falsos com cenas de sexo, nudez ou pornografia envolvendo candidatas, além de vetar publicidade eleitoral que represente violência política contra a mulher. Perfis falsos com prática reiterada de condutas que comprometam o processo eleitoral deverão ser banidos das plataformas.
A resolução prevê ainda que materiais impressos de campanha, como folhetos e adesivos, garantam acessibilidade, incluindo impressão em Braille e texto alternativo para audiodescrição de imagens.
Segundo o relator da proposta, ministro Nunes Marques, as mudanças não ameaçam a liberdade de expressão e buscam garantir o debate eleitoral com responsabilidade e integridade.
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