Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Record TV | 3 de fevereiro de 2026
Matéria exibida pela Record TV ouviu o marido da paciente e retomou denúncias da família; Cremepe informou que a apuração segue em sigilo.
Imagem: Reprodução redes sociais
O caso da consultora de imagem Camila Vanderlei, internada há cinco meses após complicações em uma cirurgia realizada no Recife, ganhou repercussão nacional nesta terça-feira (3) após ser tema de uma reportagem exibida no programa Hoje em Dia, da Record TV.
A matéria foi apresentada no telejornal matinal por Ana Hickmann, Celso Zucatelli e Renata Alves, e assinada pela repórter Ana Paula Neves. A reportagem reuniu imagens do período anterior à internação e ouviu o marido de Camila, o médico oftalmologista Paulo Menezes.
No conteúdo exibido, a família relata que Camila entrou no hospital em boas condições de saúde para realizar dois procedimentos considerados de baixo risco, mas sofreu intercorrência no centro cirúrgico e permanece internada.
A matéria também apresentou a versão de que a explicação inicial apontava reação alérgica e que, posteriormente, uma perícia solicitada pelos familiares em equipamento de monitoramento indicaria apneia e tempo prolongado sem respiração adequada após a anestesia, conforme o relato exibido pelo programa.
Segundo a reportagem, a família acionou o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco e pede apuração sobre a conduta de profissionais citadas no caso. O Cremepe informou à emissora que o caso segue em investigação e em sigilo. Em nota, o hospital declarou que vem prestando suporte à paciente desde que tomou conhecimento da intercorrência. A defesa de uma das médicas citadas afirmou que o procedimento ocorreu sem falhas e que houve atuação imediata quando a parada cardíaca foi informada, mantendo-se à disposição das autoridades.
A redação segue acompanhando o caso, aguardando novas atualizações e desejando que Camila se recupere o máximo possível. No vídeo publicado nas redes, a orientação é ativar o áudio para acompanhar a reportagem completa exibida pela Record TV.
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Investigação da 4ª Promotoria de Justiça mira possível quebra da ordem cronológica de pagamentos, com quitação de contratos do São João 2024 enquanto um débito do ano anterior permanecia em aberto
Foto: Reprodução redes sociais
A 4ª Promotoria de Justiça de Arcoverde instaurou um Inquérito Civil para apurar possível quebra da ordem cronológica de pagamentos de contratos de prestação de serviços por parte do município. O procedimento tem como investigado o ex-prefeito José Wellington Maciel e busca esclarecer se houve priorização de despesas do São João de 2024 em detrimento de credores do ano anterior, o que pode caracterizar ato de improbidade administrativa.
O caso central envolve a contratação da banda Calcinha Preta, formalizada por meio da inexigibilidade 030/2023. O grupo se apresentou no Polo Central da Praça da Bandeira, em 28 de junho de 2023. Segundo os autos citados na apuração, o contrato previa pagamento de R$ 220.000,00 até a data do show, mas apenas R$ 104.500,00 teriam sido quitados, restando R$ 115.500,00 em atraso.
De acordo com o Ministério Público de Pernambuco, mesmo com o débito do contrato de 2023 em aberto, o município efetuou o pagamento integral das bandas contratadas para o São João de 2024. O promotor Edson de Miranda Cunha Filho aponta que a inobservância imotivada da ordem de pagamentos é tipificada como crime de responsabilidade pelo Decreto-Lei nº 201/67 e também está prevista na Lei de Licitações, no Art. 141.
Como desdobramento do inquérito, a Promotoria determinou a notificação da Fazmídia Publicidade e Eventos Ltda, representante da banda, para informar se recebeu, total ou parcialmente, os valores referentes ao contrato nº 079/2023.
Além desse caso, o Ministério Público de Pernambuco também acompanha a situação financeira do município em relação a dívidas consideradas vultosas com a Neoenergia, com o objetivo de evitar impactos ao patrimônio público e à probidade administrativa.
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Investigação revela como vídeo que circula no Telegram e WhatsApp utiliza anacronismos grosseiros e manipulação histórica para transformar a memória da Ditadura Militar em arma de guerra política.
Da Redação de O estopim | 01 de fevereiro de 2026
Vídeo circula na internet espalhando desinformação deliberada pela extrema-direita com objetivo de angariar votos de jovens que devem votar pela primeira vez esse ano | Fonte: Reprodução/WhatsApp
Um vídeo granulado, acompanhado de legendas alarmistas e um texto repleto de emojis e apelos urgentes, tornou-se a nova peça central de uma campanha de desinformação que já visa as eleições presidenciais de 2026. O conteúdo, compartilhado massivamente em grupos de Telegram e WhatsApp, alega revelar um "arquivo dos anos 80" supostamente ocultado pela Rede Globo a mando do PT, financiado via "Roubanet".
A peça não é apenas uma fake news comum; é um artefato de guerra híbrida desenhado com um alvo demográfico preciso: a geração Z. Ao dissecarmos o conteúdo, encontramos uma fabricação que desafia a lógica temporal, a verdade jurídica e a história documentada do Brasil.
O anacronismo da "Roubanet": A fake news que a cronologia desmascara
A base da acusação viral desmorona diante de uma simples verificação de calendário. O texto afirma que o Partido dos Trabalhadores (PT) pagou para "enterrar" o arquivo nos anos 80 utilizando a Lei Rouanet (pejorativamente chamada de "Roubanet").
Esta afirmação é uma impossibilidade histórica. A Lei de Incentivo à Cultura (Lei 8.313), conhecida como Lei Rouanet, foi sancionada apenas em 23 de dezembro de 1991, durante o governo de Fernando Collor de Mello. É cronologicamente impossível que qualquer transação tenha ocorrido "via Rouanet" na década de 1980, uma vez que o mecanismo legal sequer existia à época.
Além disso, na década de 1980, o PT era um partido de oposição emergente, sem acesso à máquina federal e com uma relação historicamente conflituosa com a Rede Globo, culminando na edição do debate de 1989 que prejudicou Lula. A ideia de um conluio financiado pelo Estado naquela época é uma fabricação que tenta projetar ressentimentos políticos atuais sobre o passado.
Dilma Rousseff e o "Cofre do Adhemar": O Que Dizem os Fatos
O vídeo utiliza montagens de áudio e cortes abruptos para sugerir que a ex-presidente Dilma Rousseff seria uma criminosa comum ou uma "assaltante de bancos" que confessaria seus crimes em um arquivo secreto. A realidade histórica, documentada pelo Superior Tribunal Militar (STM) e pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), é muito mais complexa e difere radicalmente da narrativa bolsonarista.
Dilma Rousseff militou nas organizações COLINA (Comando de Libertação Nacional) e VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares) durante a ditadura. Documentos da repressão da época a descrevem como uma liderança intelectual ("um dos cérebros") e organizadora, mas não como uma executora de ações armadas na linha de frente.
O episódio mais explorado, o roubo do cofre do ex-governador Adhemar de Barros em 1969, foi realizado pela VAR-Palmares. No entanto, investigações históricas e processos do próprio regime militar indicam que Dilma não participou da execução do assalto no Rio de Janeiro. Embora tenha tido conhecimento da ação como dirigente e participado da gestão dos recursos para a manutenção da organização clandestina, ela não estava na cena do crime.
A narrativa viral apaga deliberadamente o contexto de exceção: a luta armada surgiu como resposta ao fechamento do regime após o AI-5 (1968). Além disso, o vídeo omite o fato de que Dilma foi presa em 1970 e submetida a torturas brutais — pau-de-arara, choques e espancamentos — durante quase três anos, crimes de lesa-humanidade reconhecidos pelo Estado brasileiro. Transformar uma vítima de tortura estatal em mera "bandida" é uma estratégia de revisionismo histórico.
Este vídeo circula em grupos do Telegram e WhatsApp, utilizando dados históricos distorcidos e/o fora de contexto para gerar desinformação deliberada com intuito de radicalizar jovens e angariar votos para a extrema-direita nas eleições 2026 | Fonte: Reprodução/WhatsApp
A Estratégia do "Colapso de Contexto" no Telegram
A disseminação deste material depende da arquitetura de aplicativos como o Telegram e o WhatsApp. O fenômeno, conhecido por pesquisadores como "colapso de contexto", ocorre quando uma informação perde sua fonte original e autoria à medida que é encaminhada.
No Telegram, grupos com até 200 mil membros funcionam como "bunkers digitais". Diferente das redes sociais abertas, onde o conteúdo pode ser checado ou contestado publicamente, esses aplicativos criam câmaras de eco onde a mentira circula sem contraditório. O vídeo chega ao usuário "limpo" de metadados, validado apenas pela confiança em quem o enviou (um amigo ou familiar), o que aumenta sua credibilidade percebida.
O texto viral instrui explicitamente: "Não esconda esta sujeira", "Temos que enviar este vídeo para o mundo inteiro". Este é um gatilho de ação projetado para transformar cada usuário em um soldado da desinformação, criando um senso de urgência artificial.
O Alvo: "Os Jovens de 2021" e o Pleito de 2026
O aspecto mais perigoso do texto é seu foco explícito na demografia juvenil. Ao listar as idades ("15 anos está com 19", etc.), a mensagem revela uma estratégia de recrutamento geracional para as eleições de 2026.
Jovens que hoje têm entre 16 e 20 anos não possuem memória vivida da Ditadura Militar, nem mesmo dos governos do PT do início dos anos 2000. Eles são o alvo perfeito para o revisionismo histórico. A extrema-direita tem se posicionado nessas redes como uma força "contracultural" e "rebelde", oferecendo a esses jovens uma versão da história onde a ditadura foi uma "revolução necessária" e a esquerda é um "sistema corrupto" a ser varrido.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Polícia Federal já identificaram que a desinformação organizada e o uso de Inteligência Artificial para criar deepfakes (vídeos falsos hiper-realistas) serão os maiores desafios para a integridade das eleições de 2026 .
O Risco Democrático
A retórica de "terminar a faxina" e "varrer a esquerdalha" utiliza metáforas de limpeza que historicamente precedem a violência política real. Ao desumanizar adversários e falsificar a história, essas redes preparam o terreno não apenas para ganhar votos, mas para contestar a legitimidade do processo democrático caso o resultado não lhes agrade, repetindo o roteiro de 2022.
Combater essa desinformação exige mais do que apenas checagem de fatos; exige letramento digital e histórico. É fundamental entender que o vídeo do "arquivo enterrado" não é uma revelação secreta, mas uma montagem fraudulenta desenhada para manipular a indignação de quem não viveu a história.