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Assembleia convocada pelo Sintepe valida pagamento retroativo para quem está abaixo do piso nacional e reajuste linear a partir de junho para os demais cargos; governo promete enviar projeto de lei à Alepe.


Por Raul Silva para O estopim | 19 de Março de 2026


Pessoa de roupa vermelha levanta cartaz em auditório lotado. Multidão veste vermelho e segura cartazes, em ambiente iluminado. Emoção coletiva.
Manifestação de educadores celebra a aprovação do acordo salarial entre Sintepe e o Governo do Estado, destacando a valorização e respeito à educação | Foto: Sintepe Digital

A rede estadual de ensino de Pernambuco aprovou, por unanimidade, o acordo salarial da Campanha Salarial Educacional 2026 negociado entre o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) e o Governo de Pernambuco. A deliberação ocorreu em assembleia com mais de mil participantes, no Recife, na noite de 18 de março.


O principal ponto do acordo é a aplicação do reajuste de 5,4% do Piso do Magistério em toda a carreira, com extensão para demais cargos da educação na rede estadual. Para professores com vencimentos abaixo do piso nacional, fixado em R$ 5.130,63 para jornada de 40 horas semanais, o pagamento deve ser retroativo a janeiro de 2026. Para docentes que já recebem acima do piso e para os demais servidores da educação, o aumento deve ser aplicado de forma linear a partir de junho, alcançando professores, analistas, administrativos, ativos e aposentados, efetivos e temporários, além do apoio escolar.


O piso nacional do magistério foi atualizado pelo Ministério da Educação (MEC) em 30 de janeiro, por meio da Portaria nº 82/2026, com efeitos financeiros a partir de janeiro deste ano. O valor de referência passou de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, um acréscimo de 5,4%, com proporcionalidade para outras jornadas.


A atualização nacional de 2026 ocorre sob a nova metodologia instituída pela Medida Provisória nº 1.334/2026. Pela regra, o reajuste anual considera a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado no ano anterior somada a 50% da média da variação, em termos reais, da receita do Fundeb nos cinco anos anteriores.



Na negociação em Pernambuco, o Sintepe defendeu que o percentual do piso repercutisse em toda a matriz de vencimentos, o que significa que o índice não fique restrito ao vencimento inicial do magistério. O sindicato também incluiu na pauta a atualização dos vencimentos-base de analistas educacionais, assistentes e auxiliares administrativos, com extensão para toda a carreira.


Além do reajuste, o acordo prevê mudanças na carreira e em gratificações. Para analistas educacionais, a Gratificação de Função Técnico-Pedagógica deve ser reajustada para R$ 1.000 a partir de junho de 2026. Outra medida acordada altera o fluxo da progressão funcional: servidores que concluírem o estágio probatório poderão participar da avaliação de desempenho logo após o fim do período, com acesso à progressão para quem concluir o probatório até setembro.


O acordo também mantém a Gratificação de Educação Especial para a Educação Inclusiva e Socioeducativa e assegura que profissionais lotados em unidades socioeducativas (GEUSP) continuem recebendo gratificação durante a licença-prêmio.


O Governo de Pernambuco informou ao sindicato que deve encaminhar, nos próximos dias, um projeto de lei à Assembleia Legislativa de Pernambuco para formalizar o acordo. O calendário eleitoral foi citado em atos e comunicados anteriores do Sintepe como fator de pressão, por impor prazos para tramitação de propostas com impacto financeiro.


Linha do tempo da campanha


A Campanha Salarial Educacional 2026 começou formalmente em 6 de fevereiro, quando o Sintepe entregou ao gabinete da governadora e às secretarias estaduais de Educação e de Administração a pauta de reivindicações aprovada pela categoria. Em março, antes do desfecho do acordo, o sindicato convocou paralisações e protestos cobrando proposta concreta e celeridade na negociação.


Nos comunicados que antecederam o acordo, a direção do Sintepe afirmou que, após uma mesa de negociação, não havia proposta concreta apresentada pela gestão e indicou 4 de abril como prazo-limite para aprovação de projeto de lei naquele ano, em razão das normas eleitorais.


A pauta de reivindicações não se limitou ao reajuste. O documento entregue ao governo incluiu temas como revisão do Plano de Cargos, Carreira e Rendimentos (PCCR), progressão por titulação, formação continuada, concurso público e incorporação de gratificações.


Entre as reivindicações que circularam durante a campanha, apareceram queixas sobre problemas estruturais em escolas, rede elétrica insuficiente para instalação de equipamentos, falta de climatização e qualidade da merenda. A Secretaria de Educação de Pernambuco tem um programa de climatização em andamento e divulgou, em 2025, que 500 unidades já estavam climatizadas e que a meta era concluir a climatização das demais escolas até 2026.


A pasta também projetou investimentos para ampliar a climatização, incluindo a aquisição de mais de 15 mil aparelhos de ar-condicionado e obras de infraestrutura elétrica, como construção de subestações e reforço de rede em parte das unidades. A rede estadual pernambucana atende cerca de 500 mil estudantes e reúne pouco mais de 1.080 escolas, segundo dados divulgados a partir da primeira etapa do Censo Escolar 2025.


Pesquisas científicas sobre ambiente escolar e aprendizagem são usadas por redes de ensino para embasar políticas de infraestrutura. Um estudo publicado em 2020 no American Economic Journal: Economic Policy analisou milhões de registros escolares nos Estados Unidos e encontrou queda de aprendizagem em anos letivos mais quentes quando as escolas não tinham ar-condicionado, com mitigação do efeito em unidades com climatização.


No campo de políticas de pessoal, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta que a falta de professores e a evasão da carreira se agravaram em diferentes países, com impacto na oferta de profissionais. Um relatório global da organização destaca que taxas de saída de professores do ensino primário cresceram na última década e cita remuneração e condições de trabalho entre os fatores frequentemente associados à permanência na profissão.


Após a assembleia que aprovou o acordo, o Sintepe informou que seguirá cobrando do governo a tramitação do projeto de lei e a continuidade de discussões sobre itens não encerrados da pauta educacional. Do lado do Executivo estadual, a formalização depende do envio do texto à Alepe e da votação dentro do prazo considerado viável para implementação em 2026.


Esta não é a primeira vez que a Campanha Salarial da Educação em Pernambuco se organiza em torno do piso nacional e do impacto no plano de carreira. Em 2025, o piso nacional havia sido fixado em R$ 4.867,77 para 40 horas, antes da atualização de 5,4% em 2026.


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Homem com barba e camiseta olhando para a câmera com braços cruzados. Fundo preto. Ele parece confiante e sereno.

Jornalista, Escritor e Professor. Raul Silva é a mente que arquitetou O estopim. Sua missão é desmontar narrativas hegemônicas e oferecer um jornalismo que não tem medo de comprar briga com o poder estabelecido. Aqui, ele assina as principais análises editoriais e coordena a visão estratégica do portal.

Projeto Serrote da Pedra Preta, da Ativa Mineração, prevê beneficiamento a seco e planta para processar até 600 mil toneladas de minério por ano em Floresta; Ministério Público cobra complementações técnicas por risco hídrico, poeira e impactos em comunidades tradicionais.


Por Clara Mendes para O estopim | 19 de Março de 2026


Casas coloridas em amarelo, azul, vermelho e verde, cercadas por árvores e carros estacionados. Céu azul claro ao fundo.
Casario colorido em Floresta, Pernambuco | Foto: Reprodução

A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) realizou nesta quarta-feira (18), em Floresta, no Sertão de Itaparica, uma audiência pública para apresentar o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do Projeto Serrote da Pedra Preta, empreendimento de mineração de titânio e ferro com vanádio proposto pela Ativa Mineração. A audiência ocorreu três dias após o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) divulgar manifestação preliminar apontando lacunas no estudo e pedindo diligências complementares antes de qualquer decisão sobre a viabilidade ambiental.


O evento foi conduzido pelo diretor-presidente da CPRH, José de Anchieta dos Santos, no Auditório Dom Francisco Xavier, no Centro de Floresta. Segundo relatos divulgados por veículos locais com base na assessoria de comunicação da agência, participaram representantes da população, da Igreja Católica, povos indígenas, comunidades quilombolas e estudantes, além de integrantes do Ministério Público, secretários municipais e vereadores. A vice-prefeita do município, Bia Numeriano, também esteve presente.


Na audiência, a Ativa Mineração e a consultoria Ferreira Rocha apresentaram os pontos centrais do EIA/Rima, incluindo descrição do empreendimento, estimativas de impactos e medidas mitigadoras e compensatórias. Na segunda parte, a CPRH abriu o microfone e recebeu manifestações por escrito.


“O procedimento é importante por dar visibilidade ao processo, coletar informações e sugestões, além de possibilitar perceber qual a percepção da população com relação ao empreendimento e suas perspectivas”, afirmou José de Anchieta, em declaração reproduzida por portais do Sertão.

O Projeto Serrote da Pedra Preta fica a cerca de 17 km da sede de Floresta, a aproximadamente 438 km do Recife. O plano informado em materiais públicos prevê a produção de dois produtos: concentrado de titânio (ilmenita), usado como matéria-prima na fabricação de pigmentos, e minério de ferro com vanádio, aplicado na indústria de aços especiais, ligas metálicas e baterias.


De acordo com informações do estudo ambiental divulgadas na consulta pública, o minério extraído passará por beneficiamento a seco, sem uso de água no processo industrial principal. A planta é projetada para processar até 600 mil toneladas de minério por ano.


O investimento estimado apresentado no EIA/Rima é de cerca de R$ 121 milhões, incluindo construção da planta, implantação de estruturas para disposição de material estéril, projetos de engenharia e custos do licenciamento.


O cronograma divulgado em materiais do EIA/Rima prevê etapas de aquisição e fornecimento de equipamentos ao longo de 2026 e 2027, com comissionamento no início de 2028. A operação plena é projetada para ocorrer de março de 2028 a fevereiro de 2038, com desativação programada ao longo de 2038.



A manifestação preliminar do MPPE foi elaborada pela Promotoria de Justiça de Floresta e pelo Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (Caoma). O documento, assinado também pelo promotor Carlos Henrique Freitas Santos e por equipe técnica do centro de apoio, afirma que o EIA/Rima “não oferece segurança” suficiente para embasar o licenciamento do projeto no formato apresentado.


Entre os pontos destacados pelo Ministério Público está o risco de escassez hídrica. Segundo o MPPE, o empreendimento prevê captação de água subterrânea em um aquífero classificado como de baixa produtividade, sem comprovação de que a retirada não prejudicará o abastecimento de populações vizinhas.


O órgão também cita impactos por poluição atmosférica, já que o beneficiamento está previsto para ocorrer totalmente a seco, o que pode intensificar a emissão de poeira. O MPPE solicitou modelagem dinâmica para avaliar a dispersão do material particulado sobre áreas habitadas.


No mesmo parecer, o Ministério Público aponta ruídos e vibrações associados ao uso de explosivos e de máquinas pesadas, descritos como impacto de alta magnitude, com necessidade de planos de detonação e monitoramento contínuo.


Outro ponto é a supressão estimada de 44,29 hectares de caatinga. O MPPE afirma que são necessários inventários mais detalhados e medidas de compensação ambiental consideradas robustas.


No recorte social, o parecer indica subdimensionamento de impactos sobre comunidades tradicionais e aponta omissão de avaliação específica sobre possíveis efeitos para o povo indígena Pankará.


Floresta tem 3.637,247 km² de área territorial e registrou 30.137 moradores no Censo 2022, segundo o IBGE. O município está inserido no semiárido, região marcada por irregularidade de chuvas e longos períodos de estiagem. Dados de climatologia da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) indicam precipitação média anual de 616 mm no município.


A caatinga, vegetação predominante no Sertão, é um dos biomas monitorados por sistemas de alerta de desmatamento no país. Relatórios nacionais do MapBiomas apontam que o bioma permanece entre os que registram pressão por perda de vegetação nativa, enquanto o Governo de Pernambuco divulgou redução do desmatamento no estado nos biomas Caatinga e Mata Atlântica com base na edição 2024 do relatório.


A audiência pública integra etapas do licenciamento ambiental para empreendimentos considerados potencialmente causadores de impactos significativos. As regras nacionais para EIA/Rima e para audiências públicas no licenciamento estão previstas em resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).


No caso do Serrote da Pedra Preta, a CPRH publicou o edital de divulgação do EIA/Rima no Diário Oficial do Estado em dezembro de 2025 e, ainda em 2025, instituiu um grupo de trabalho interno para análise técnica do estudo, com prazo de 120 dias para conclusão, conforme publicação no Diário Oficial.


A audiência em Floresta não encerra a participação popular. Portais que reproduziram a comunicação da CPRH informaram que dúvidas, sugestões e questionamentos podem ser enviados por e-mail até 28 de março.


O Diario de Pernambuco informou que procurou a Ativa Mineradora para comentar a manifestação do MPPE e os apontamentos do estudo, e aguardava retorno.


Projetos de mineração no Sertão pernambucano têm gerado disputa entre expectativa de empregos e renda, de um lado, e preocupações com recursos hídricos, poeira, ruído e supressão de vegetação nativa, de outro. No licenciamento, o EIA/Rima e a participação pública são as etapas centrais que antecedem qualquer decisão sobre autorização ambiental.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Atua na cobertura de meio ambiente, cidades e serviços públicos, com foco em dados, transparência e checagem.

Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil coloca os três municípios da Região Metropolitana do Recife entre os 20 com pior desempenho do país; dados mostram baixa cobertura de esgoto e investimentos abaixo do patamar previsto para universalização até 2033.


Por Clara Mendes para O estopim | 19 de Março de 2026


Vista aérea de igreja colonial cercada por vegetação; ao fundo, o mar azul. Pessoas caminham na praça, céu com nuvens esparsas.
Vista panorâmica de Olinda, PE, uma cidade repleta de beleza histórica e paisagens deslumbrantes, mas que enfrenta desafios significativos no saneamento, figurando no ranking das cidades brasileiras com pior saneamento em 2026. | Foto: Wikimedia Commons

Ranking do Saneamento 2026, divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Trata Brasil, colocou Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, entre os 20 municípios com pior desempenho do país em saneamento básico. As cidades aparecem nas posições 83, 85 e 92 de um total de 100 municípios avaliados com base em indicadores do SINISA, ano-base 2024.


O ranking é produzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. O estudo combina indicadores em três dimensões: nível de atendimento, melhoria do atendimento e eficiência. A pontuação final resulta da soma das notas nas dimensões avaliadas.


Pelos dados do levantamento, Olinda tem atendimento total de água de 85,87% e atendimento total de esgoto de 36,66%. O município somou investimento total de R$ 144,52 milhões entre 2020 e 2024, o que representa investimento médio per capita de R$ 79,10 no período.


Paulista aparece com atendimento total de água de 78,90% e atendimento total de esgoto de 40,54%. O investimento total entre 2020 e 2024 foi de R$ 93,56 milhões, com média per capita de R$ 51,55.


Jaboatão dos Guararapes registra o pior recorte entre as três cidades: atendimento total de água de 68,43% e atendimento total de esgoto de 20,61%. No período de 2020 a 2024, o investimento total foi de R$ 335,14 milhões, com média per capita de R$ 98,10.


O release do ranking aponta que, entre os 20 melhores municípios do país, a média de coleta de esgoto chega a 98,08%. Nos 20 piores, o índice cai para 28,06%. No tratamento de esgoto, os 20 melhores registram 77,97% do total gerado, enquanto os 20 piores ficam em 28,36%.



O estudo também afirma que os 20 municípios com pior desempenho investem, em média, R$ 77,58 por habitante (considerando 2020 a 2024), cerca de 66% abaixo dos R$ 225 por habitante previstos pelo PLANSAB para universalizar o saneamento até 2033.


Além do ranking, a plataforma Municípios e Saneamento, do Instituto Água e Saneamento, reúne indicadores dos municípios com base em bases oficiais. Em 2022, Olinda gerou 12.921,1 mil m³ de esgotos. Do volume gerado, 50,2% foi coletado e tratado, e 6.429,4 mil m³ foram despejados na natureza sem tratamento.


No mesmo ano, Paulista gerou 11.491,0 mil m³ de esgotos. O índice de coleta e tratamento foi de 42,2% e o volume despejado sem tratamento foi de 6.637,6 mil m³.


Jaboatão dos Guararapes gerou 17.502,0 mil m³ de esgotos em 2022. A coleta e o tratamento ficaram em 34% do volume gerado, com 11.548,2 mil m³ lançados na natureza sem tratamento.


Favela com casas de tijolos não rebocados ao longo de um rio poluído. Lixo na margem, céu nublado e montanhas ao fundo. Ambiente urbano degradado.
Comunidade enfrenta desafios de infraestrutura sanitária em cenário de urbanização desordenada, destacado no ranking de saneamento básico de 2026 | Foto: Reprodução

O Ranking do Saneamento 2026 considera, além de níveis de atendimento e evolução, indicadores de eficiência. No recorte de perdas na distribuição de água, Olinda aparece com 43,78%. Paulista, com 42,93%. Jaboatão, com 47,97%. Em perdas por ligação, o levantamento indica 487,00 litros por ligação-dia em Olinda, 380,35 em Paulista e 709,52 em Jaboatão.


O Instituto Trata Brasil afirma que a falta de acesso à água potável impacta mais de 30 milhões de brasileiros e que cerca de 90 milhões (43,3% da população) não possuem coleta de esgoto. O texto aponta efeitos diretos em saúde, produtividade, valorização imobiliária, turismo e qualidade de vida.


Pesquisas acadêmicas apontam que a ausência de saneamento amplia o risco de doenças de veiculação hídrica. Um estudo de pesquisadores vinculados à Fiocruz estimou o peso ambiental da diarreia em crianças pequenas atribuído à inadequação do saneamento no Brasil.


O Novo Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020) estabelece metas de atendimento de 99% da população com água potável e de 90% da população com coleta e tratamento de esgotos até 31 de dezembro de 2033.


O estopim procurou a Compesa e as prefeituras de Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes para comentar os resultados do ranking. Em nota publicada pelo Diario de Pernambuco, a Prefeitura de Paulista afirmou que a gestão do saneamento básico no município é de responsabilidade da Compesa e disse que acompanha ações voltadas à melhoria do esgotamento sanitário.


Ainda segundo o Diario de Pernambuco, a Prefeitura de Jaboatão declarou que o ranking reflete cenário do ano-base 2024, com defasagem em relação a ações recentes, e afirmou que os serviços de água e esgoto são operados pela Compesa, cabendo ao município articulação institucional e apoio às políticas públicas de ampliação da infraestrutura.


No mesmo material, a Compesa informou que a ampliação do esgotamento sanitário é prioridade do Governo de Pernambuco e disse executar, em parceria com a BRK, o Programa Cidade Saneada, uma PPP que atende a Região Metropolitana do Recife e Goiana. A empresa afirmou que já foram investidos R$ 3 bilhões, beneficiando 1,4 milhão de pessoas, e que, nos últimos três anos, o programa investiu mais de R$ 750 milhões.


A Compesa também declarou que o processo de concessão regional deve ampliar os investimentos e levar o esgotamento sanitário a municípios fora da PPP atual, citando Caruaru e Petrolina. Segundo a companhia, a universalização dos serviços em Pernambuco até 2033 prevê investimentos de R$ 19,1 bilhões pelas concessionárias e outorgas de R$ 4,2 bilhões, com aplicação em segurança hídrica pelo Estado e em infraestrutura pelos municípios.


Publicado desde 2009, o Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil avalia anualmente os 100 municípios mais populosos do país com base em indicadores oficiais. A edição 2026 usa dados do SINISA, ano-base 2024, e volta a colocar cidades da Região Metropolitana do Recife nas posições mais baixas do levantamento.


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Jovem em roupa casual trabalha em escritório, inclinada sobre a mesa. Telas de computador ao fundo, ambiente em preto e branco. Ar sério.

Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Atua na cobertura de políticas públicas, cidades e serviços essenciais, com foco em dados, transparência e checagem.

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