Fonte: Túlio Vasconcelos, Rádio SEI de Notícias | 2 de fevereiro de 2026
Umidade favorece precipitações no fim do dia em Arcoverde e Pajeú; Agreste tem amplitude térmica acentuada nesta segunda-feira (2)
A segunda-feira (2) começa com a consolidação do calor típico de verão em todo o estado de Pernambuco, mas traz indicativos de mudança na estabilidade do tempo para o interior. A previsão aponta para um dia de sol forte, intercalado com momentos de nebulosidade que podem resultar em chuvas rápidas e pontuais nos períodos da tarde e da noite, especialmente nas regiões do Sertão e Agreste.
A combinação entre as altas temperaturas registradas nas últimas semanas e a entrada de umidade favorece a formação de nuvens de chuva.
Em Arcoverde, no Sertão do Moxotó, a semana inicia com termômetros oscilando entre a mínima de 20°C e a máxima de 33°C. O céu deve permanecer parcialmente nublado durante a maior parte do dia. A probabilidade de chuva é moderada para o fim da tarde, com precipitações leves que não devem ultrapassar os 10mm, mas suficientes para elevar a umidade relativa do ar.
No Sertão do Pajeú, o cenário é de temperaturas elevadas. Serra Talhada e Afogados da Ingazeira têm previsão de máxima de 35°C. A nebulosidade variável pode trazer pancadas de chuva isoladas, conhecidas localmente como "chuvas de caju", rápidas e localizadas.
Já no Sertão do Araripe, no extremo oeste, a cidade de Araripina registra máxima de 33°C. A região, que vem enfrentando dias secos, tem hoje uma chance maior de instabilidade noturna, impulsionada pelos ventos que sopram do sudeste.
No Agreste, a diferença de temperatura entre cidades próximas chama a atenção. Enquanto Caruaru, no Agreste Central, deve atingir os 32°C com sol forte, Garanhuns, no Meridional, mantém a característica de clima mais ameno, com máxima de 28°C e mínima de 18°C. Em ambas as localidades, a previsão indica chuvas passageiras no início da noite.
O início de fevereiro marca a continuidade da quadra de verão no semiárido nordestino. Historicamente, é um período aguardado para a transição climática que antecede a temporada de chuvas mais consistentes, essenciais para o abastecimento dos reservatórios e para a agricultura de subsistência da região.
Anúncio da vitória rolou neste domingo (01), nos Estados Unidos; dupla foi premiada pelo projeto ‘Caetano e Bethânia Ao Vivo’
Foto: Reprodução
Caetano Veloso e Maria Bethânia levaram o Grammy de Melhor Álbum de Música Global por “Caetano e Bethânia Ao Vivo”, em pré-cerimônia que rolou neste domingo (01), nos Estados Unidos.
A dupla de irmãos concorria com outros cinco projetos, feitos por artistas do mundo inteiro: Siddhant Bhatia, por “Sounds Of Kumbha”; Burna Boy, “No Sign of Weakness”; Youssou N’Dour, por “Eclairer le monde - Light the World”; Shakti, por “Mind Explosion (50th Anniversary Tour Live)”; e Anoushka Shankar, Alam Khan & Sarathy Korwar, por “Chapter III: We Return To Light”.
Esse é o primeiro Grammy Awards de Maria Bethânia e o terceiro de Caetano Veloso. O cantor já havia ganhado o gramofone dourado de Melhor Álbum de Música Global por “Livro”, em 2000, e no ano seguinte, por “João Voz e Violão”.
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Investigação revela como vídeo que circula no Telegram e WhatsApp utiliza anacronismos grosseiros e manipulação histórica para transformar a memória da Ditadura Militar em arma de guerra política.
Da Redação de O estopim | 01 de fevereiro de 2026
Vídeo circula na internet espalhando desinformação deliberada pela extrema-direita com objetivo de angariar votos de jovens que devem votar pela primeira vez esse ano | Fonte: Reprodução/WhatsApp
Um vídeo granulado, acompanhado de legendas alarmistas e um texto repleto de emojis e apelos urgentes, tornou-se a nova peça central de uma campanha de desinformação que já visa as eleições presidenciais de 2026. O conteúdo, compartilhado massivamente em grupos de Telegram e WhatsApp, alega revelar um "arquivo dos anos 80" supostamente ocultado pela Rede Globo a mando do PT, financiado via "Roubanet".
A peça não é apenas uma fake news comum; é um artefato de guerra híbrida desenhado com um alvo demográfico preciso: a geração Z. Ao dissecarmos o conteúdo, encontramos uma fabricação que desafia a lógica temporal, a verdade jurídica e a história documentada do Brasil.
O anacronismo da "Roubanet": A fake news que a cronologia desmascara
A base da acusação viral desmorona diante de uma simples verificação de calendário. O texto afirma que o Partido dos Trabalhadores (PT) pagou para "enterrar" o arquivo nos anos 80 utilizando a Lei Rouanet (pejorativamente chamada de "Roubanet").
Esta afirmação é uma impossibilidade histórica. A Lei de Incentivo à Cultura (Lei 8.313), conhecida como Lei Rouanet, foi sancionada apenas em 23 de dezembro de 1991, durante o governo de Fernando Collor de Mello. É cronologicamente impossível que qualquer transação tenha ocorrido "via Rouanet" na década de 1980, uma vez que o mecanismo legal sequer existia à época.
Além disso, na década de 1980, o PT era um partido de oposição emergente, sem acesso à máquina federal e com uma relação historicamente conflituosa com a Rede Globo, culminando na edição do debate de 1989 que prejudicou Lula. A ideia de um conluio financiado pelo Estado naquela época é uma fabricação que tenta projetar ressentimentos políticos atuais sobre o passado.
Dilma Rousseff e o "Cofre do Adhemar": O Que Dizem os Fatos
O vídeo utiliza montagens de áudio e cortes abruptos para sugerir que a ex-presidente Dilma Rousseff seria uma criminosa comum ou uma "assaltante de bancos" que confessaria seus crimes em um arquivo secreto. A realidade histórica, documentada pelo Superior Tribunal Militar (STM) e pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), é muito mais complexa e difere radicalmente da narrativa bolsonarista.
Dilma Rousseff militou nas organizações COLINA (Comando de Libertação Nacional) e VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares) durante a ditadura. Documentos da repressão da época a descrevem como uma liderança intelectual ("um dos cérebros") e organizadora, mas não como uma executora de ações armadas na linha de frente.
O episódio mais explorado, o roubo do cofre do ex-governador Adhemar de Barros em 1969, foi realizado pela VAR-Palmares. No entanto, investigações históricas e processos do próprio regime militar indicam que Dilma não participou da execução do assalto no Rio de Janeiro. Embora tenha tido conhecimento da ação como dirigente e participado da gestão dos recursos para a manutenção da organização clandestina, ela não estava na cena do crime.
A narrativa viral apaga deliberadamente o contexto de exceção: a luta armada surgiu como resposta ao fechamento do regime após o AI-5 (1968). Além disso, o vídeo omite o fato de que Dilma foi presa em 1970 e submetida a torturas brutais — pau-de-arara, choques e espancamentos — durante quase três anos, crimes de lesa-humanidade reconhecidos pelo Estado brasileiro. Transformar uma vítima de tortura estatal em mera "bandida" é uma estratégia de revisionismo histórico.
Este vídeo circula em grupos do Telegram e WhatsApp, utilizando dados históricos distorcidos e/o fora de contexto para gerar desinformação deliberada com intuito de radicalizar jovens e angariar votos para a extrema-direita nas eleições 2026 | Fonte: Reprodução/WhatsApp
A Estratégia do "Colapso de Contexto" no Telegram
A disseminação deste material depende da arquitetura de aplicativos como o Telegram e o WhatsApp. O fenômeno, conhecido por pesquisadores como "colapso de contexto", ocorre quando uma informação perde sua fonte original e autoria à medida que é encaminhada.
No Telegram, grupos com até 200 mil membros funcionam como "bunkers digitais". Diferente das redes sociais abertas, onde o conteúdo pode ser checado ou contestado publicamente, esses aplicativos criam câmaras de eco onde a mentira circula sem contraditório. O vídeo chega ao usuário "limpo" de metadados, validado apenas pela confiança em quem o enviou (um amigo ou familiar), o que aumenta sua credibilidade percebida.
O texto viral instrui explicitamente: "Não esconda esta sujeira", "Temos que enviar este vídeo para o mundo inteiro". Este é um gatilho de ação projetado para transformar cada usuário em um soldado da desinformação, criando um senso de urgência artificial.
O Alvo: "Os Jovens de 2021" e o Pleito de 2026
O aspecto mais perigoso do texto é seu foco explícito na demografia juvenil. Ao listar as idades ("15 anos está com 19", etc.), a mensagem revela uma estratégia de recrutamento geracional para as eleições de 2026.
Jovens que hoje têm entre 16 e 20 anos não possuem memória vivida da Ditadura Militar, nem mesmo dos governos do PT do início dos anos 2000. Eles são o alvo perfeito para o revisionismo histórico. A extrema-direita tem se posicionado nessas redes como uma força "contracultural" e "rebelde", oferecendo a esses jovens uma versão da história onde a ditadura foi uma "revolução necessária" e a esquerda é um "sistema corrupto" a ser varrido.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Polícia Federal já identificaram que a desinformação organizada e o uso de Inteligência Artificial para criar deepfakes (vídeos falsos hiper-realistas) serão os maiores desafios para a integridade das eleições de 2026 .
O Risco Democrático
A retórica de "terminar a faxina" e "varrer a esquerdalha" utiliza metáforas de limpeza que historicamente precedem a violência política real. Ao desumanizar adversários e falsificar a história, essas redes preparam o terreno não apenas para ganhar votos, mas para contestar a legitimidade do processo democrático caso o resultado não lhes agrade, repetindo o roteiro de 2022.
Combater essa desinformação exige mais do que apenas checagem de fatos; exige letramento digital e histórico. É fundamental entender que o vídeo do "arquivo enterrado" não é uma revelação secreta, mas uma montagem fraudulenta desenhada para manipular a indignação de quem não viveu a história.