Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Portal G1 | segunda-feira (2) de março de 2026
Resolução proíbe impulsionamento de conteúdos produzidos por IA nas 72 horas antes do pleito e veta recomendações de candidaturas por plataformas.
FOTO: MARCELO CAMARGO
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou nesta segunda-feira (2) uma nova resolução que estabelece regras para a propaganda eleitoral nas eleições de 2026, com foco no uso da inteligência artificial e no combate à desinformação.
O texto proíbe a publicação, republicação ou impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial nas 72 horas que antecedem o pleito e nas 24 horas após o encerramento da votação. Em caso de descumprimento, o conteúdo poderá ser removido imediatamente por iniciativa do provedor ou por ordem judicial.
A resolução determina ainda que o uso de inteligência artificial para criar, alterar ou mesclar imagens e sons na propaganda eleitoral deverá ser informado de forma explícita, destacada e acessível. O eleitor também deverá ser avisado quando estiver interagindo com chatbots, avatares ou conteúdos sintéticos.
Outra medida estabelece que empresas provedoras de inteligência artificial não poderão ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatos, partidos ou coligações. Também ficam proibidas de emitir opiniões, indicar preferência eleitoral ou recomendar voto, inclusive por meio de respostas automatizadas.
A norma também proíbe a criação de conteúdos falsos com cenas de sexo, nudez ou pornografia envolvendo candidatas, além de vetar publicidade eleitoral que represente violência política contra a mulher. Perfis falsos com prática reiterada de condutas que comprometam o processo eleitoral deverão ser banidos das plataformas.
A resolução prevê ainda que materiais impressos de campanha, como folhetos e adesivos, garantam acessibilidade, incluindo impressão em Braille e texto alternativo para audiodescrição de imagens.
Segundo o relator da proposta, ministro Nunes Marques, as mudanças não ameaçam a liberdade de expressão e buscam garantir o debate eleitoral com responsabilidade e integridade.
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O general português Agostinho Costa afirmou, em entrevista à Agência Brasil, que o Irã mantém capacidade militar relevante e tem conseguido impor pressão estratégica aos Estados Unidos e a Israel no atual cenário de conflito no Oriente Médio.
Segundo o militar, a avaliação inicial de que o Irã estaria fragilizado e teria sua capacidade de mísseis rapidamente degradada não se confirmou. Para ele, houve uma má avaliação por parte dos EUA ao considerar que o regime iraniano poderia “ruir como um castelo de cartas” em poucos dias.
Costa destacou que Teerã teria se preparado para um conflito dessa magnitude, dispersando equipamentos balísticos ao longo de seu território, que possui cerca de 1,6 milhão de quilômetros quadrados. O especialista também afirmou que ataques direcionados a bases dos EUA na região indicariam precisão estratégica, possivelmente associada ao acesso iraniano ao sistema chinês de satélites BeiDou — informação que, segundo ele, explicaria a eficácia dos bombardeios.
O general também comentou o impacto do fechamento parcial do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária iraniana. A região é estratégica para o comércio global de petróleo e qualquer interrupção pode gerar pressão econômica internacional, afetando mercados e ampliando tensões diplomáticas.
Em relação à capacidade aérea, Costa avalia que nem Israel nem os EUA teriam estabelecido superioridade plena sobre o território iraniano. Segundo ele, a maior parte das ações observadas envolve drones, muitos deles abatidos, e operações realizadas a partir de porta-aviões ou bases distantes.
Sobre a duração do conflito, o militar ponderou que não é possível prever por quanto tempo o Irã conseguirá sustentar a pressão militar, mas também questionou a capacidade dos EUA de manter uma guerra prolongada diante de fatores econômicos e logísticos.
No campo diplomático, declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicaram endurecimento da posição norte-americana. Autoridades iranianas, por sua vez, negaram qualquer retomada imediata de negociações.
A análise ocorre em meio à escalada de ataques envolvendo mísseis e drones contra alvos israelenses e norte-americanos na região, além de tensões no Golfo Pérsico que repercutem nos mercados internacionais.
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Tráfego no Estreito de Ormuz quase zera após retaliação iraniana; seguradoras cancelam cobertura de risco de guerra e petróleo dispara no mercado internacional.
Por Clara Mendes para O estopim | 2 de Março de 2026
Estreito de Ormuz, imagem de satélite | Foto: Google Earth
Pelo menos 150 embarcações, incluindo petroleiros e navios de gás natural liquefeito (GNL), ficaram ancoradas no Estreito de Ormuz e em águas próximas neste domingo (1º), após a escalada do conflito envolvendo o Irã e novos ataques na região que derrubaram o ritmo de navegação na principal passagem de escoamento de petróleo do Golfo Pérsico.
O “engarrafamento” ocorre depois de bombardeios de EUA e Israel contra o Irã e da sequência de ataques a navios na área, relatados por autoridades e empresas de navegação. As interrupções já deixaram ao menos cinco petroleiros danificados e registraram duas mortes, segundo informações compiladas por agências e operadores.
Dados de rastreamento marítimo citados em relatórios internacionais apontam que os navios se concentraram em áreas abertas próximas às costas de grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita e Iraque, e também perto do Catar, maior exportador mundial de GNL, enquanto armadores evitam cruzar a rota sob risco de novos ataques.
Ataques, avisos de risco e divergência sobre “fechamento”
Em um dos episódios reportados, o navio de produtos “Stena Imperative”, de bandeira dos EUA, sofreu danos por “impactos aéreos” quando estava atracado no Golfo; uma morte foi registrada no local, segundo a empresa responsável pela embarcação. Em outro caso, um tripulante morreu após um projétil atingir o petroleiro “MKD VYOM” enquanto navegava próximo à costa de Omã, ainda de acordo com relatos do setor.
A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que não recebeu comunicação de “fechamento oficial” do Estreito de Ormuz pelos canais reconhecidos de segurança marítima, mas ressaltou que há atividade militar em curso e “ameaça elevada” à navegação comercial. A via tem cerca de 34 km de largura no ponto mais estreito e é a principal ligação marítima do Golfo com o restante do mundo.
No fim de fevereiro, o Joint Maritime Information Center (JMIC) elevou o nível de risco marítimo regional para “CRITICAL”, afirmando que ataques com mísseis e drones contra embarcações comerciais foram confirmados em áreas do Golfo de Omã e proximidades.
Seguro de guerra cai e custo do frete sobe com o fechamento de Ormuz
Com a piora do cenário, seguradoras marítimas anunciaram cancelamentos de cobertura de risco de guerra para operações no Golfo e áreas adjacentes, com vigência a partir de 5 de março, segundo comunicados publicados por clubes e seguradoras do setor. O movimento eleva o custo de viagens e pressiona o frete de petróleo e derivados.
No mercado, prêmios de seguro de guerra chegaram a subir para até 1% do valor da embarcação em cerca de 48 horas, segundo fontes do setor ouvidas em relatórios internacionais, contra aproximadamente 0,2% na semana anterior.
Reflexo no Brasil e no Nordeste
A disparada do petróleo já entrou no radar da Petrobras. Fontes ouvidas pela Reuters relataram que a estatal monitora o impacto do conflito e pretende observar a trajetória do preço do barril e do câmbio ao longo da semana antes de decidir sobre preços de combustíveis no mercado interno.
Analistas consultados pela CNN Brasil apontam que o Brasil, mesmo exportador de petróleo fora da zona de risco, pode sentir efeitos em cadeia, com pressão sobre custos de energia, frete e insumos importados, como fertilizantes, além de risco inflacionário se o impasse se prolongar. No interior do Nordeste, o diesel pesa diretamente no transporte rodoviário que
abastece cidades do Sertão e do Agreste com alimentos e mercadorias, o que amplia a sensibilidade a oscilações internacionais do barril.
Contexto
O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima de saída do petróleo e do gás do Golfo Pérsico e concentra cerca de um quinto do consumo global de petróleo. Na prática, mesmo sem bloqueio físico permanente, ataques a navios e a decisão de armadores de suspender travessias têm efeito imediato de paralisar o fluxo e criar filas de embarcações dos dois lados da passagem.
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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista do portal O estopim, com foco em economia, política e acontecimentos urgentes com impacto direto no Nordeste.