top of page

Tudo

Por Raul Silva para O estopim | 21 de janeiro de 2026


Mineápolis/Washington — Uma onda de protestos em defesa de imigrantes tem ganhado força nos Estados Unidos nas últimas semanas, em reação ao endurecimento das operações do Immigration and Customs Enforcement (ICE), a Polícia da Imigração, e ao aumento de prisões e deportações sob o governo Donald Trump. A mobilização, descrita por organizações civis e por veículos internacionais como uma resposta “de base” a abordagens agressivas e a denúncias de perfilamento racial, transformou a região de Mineápolis–Saint Paul (Minnesota) em um dos principais epicentros do embate político e jurídico.


O estopim recente foi a morte de Renee Nicole Good, 37, cidadã americana baleada por um agente do ICE em 7 de janeiro, durante uma ação em Mineápolis. Segundo relatos reunidos por A Pública, Good e o companheiro tentavam protestar pacificamente contra detenções no bairro quando o agente disparou contra o carro. O caso impulsionou atos em diversas cidades e ampliou a crítica às táticas de “megaoperações” migratórias.


Manifestantes protestam contra o ICE em Minneapolis  • REUTERS/Seth Herald
Manifestantes protestam contra o ICE em Minneapolis  • REUTERS/Seth Herald

“Apitos”, redes de alerta e bloqueios de viaturas do ICE


Em várias regiões, moradores têm organizado redes comunitárias para avisar vizinhos sobre a presença de agentes federais. A dinâmica — com uso de apitos, acompanhamento de abordagens e tentativas de bloquear prisões cercando veículos — aparece tanto no relato de A Pública quanto em reportagens internacionais que descrevem uma rotina de tensão em Mineápolis durante operações de grande escala.


A coluna publicada pela A Pública ressalta um aspecto que se repete em imagens e relatos: a composição multiétnica dos protestos, reunindo cidadãos americanos, residentes legais e imigrantes. “Vergonha” (shame) virou grito comum diante de detenções nas ruas, segundo o texto.


Operações ampliadas e reação: gás, spray de pimenta e restrições judiciais


O aumento do atrito não ficou só nas ruas. Em Minnesota, manifestantes e governos locais recorreram à Justiça alegando abusos e violações de direitos, incluindo uso de gás lacrimogêneo contra observadores e exigência de documentos a cidadãos americanos negros, latinos, indígenas e asiáticos.


Na quarta-feira (21), uma Corte de Apelações suspendeu temporariamente uma decisão de primeira instância que restringia o uso de força e certas táticas por agentes federais contra protestos pacíficos — um movimento visto por críticos como sinal de escalada e, pelo governo, como “necessário” para garantir a política migratória.


O conflito também ganhou contornos políticos explícitos. O Departamento de Justiça emitiu intimações e abriu apurações para investigar se líderes democratas do estado e de cidades como Mineápolis e St. Paul teriam “obstruído” a atuação federal. As autoridades locais negam e afirmam que o governo tenta intimidar opositores e “provocar caos” para justificar ainda mais endurecimento.


A meta de deportações e o aumento de recursos


No pano de fundo, está a promessa de Trump de acelerar deportações. A Pública aponta que a política teria sido organizada com meta de 1 milhão de deportações por ano, além de reforço orçamentário e contratação acelerada de agentes. A Agência Brasil destacou que houve destinação de dezenas de bilhões para ampliar centros de detenção, com entidades alertando para o salto nos recursos do sistema migratório.


A mesma coluna cita pesquisas indicando desgaste: levantamento da CNN mostraria avaliação negativa do primeiro ano do mandato, enquanto outra sondagem registraria desaprovação da forma como o ICE conduz a fiscalização.


Clima nacional: de Minnesota para outros estados


Embora Minnesota concentre os episódios mais recentes de confronto e judicialização, a reação tem se espalhado. Reportagens mostram novas operações federais e tensão em outros estados, como Maine, onde prisões e ações do ICE também provocaram críticas de autoridades locais e protestos.


Enquanto isso, a Casa Branca e o Departamento de Segurança Interna sustentam que as ações são legais e necessárias; do outro lado, organizações civis e governos estaduais afirmam que o país vive um “teste de estresse” entre política migratória, direitos individuais e limites do poder federal. Se a intenção era “normalizar” a megacampanha, os protestos estão fazendo exatamente o contrário: transformando o tema em vitrine — daquelas que ninguém consegue ignorar.

 
 
 

Da Redação de O estopim | 21 de janeiro de 2026


Audio cover
Professor é afastado por suspeita de abuso sexual em escola estadual no RecifeAgência de Rádio Conexão Notícias | Repórter: Diogo Bastos.

RECIFE, PE – Um professor da rede estadual de ensino foi afastado de suas funções após a abertura de uma investigação por suspeita de abuso sexual e conduta agressiva dentro de sala de aula. O caso ocorreu na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Luís Delgado, localizada no bairro da Boa Vista, área central do Recife.


O afastamento é preventivo e ocorre em meio a procedimentos administrativos instaurados tanto pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) quanto pela Secretaria de Educação e Esportes do Estado (SEE-PE).


Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Luiz Delgado fica no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife — Foto: Reprodução/Google Street View
Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Luiz Delgado fica no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife — Foto: Reprodução/Google Street View

A denúncia e a investigação do caso de abuso sexual


Segundo informações divulgadas no Diário Oficial do Ministério Público nesta quarta-feira, o órgão recebeu uma denúncia anônima em dezembro de 2025. O relato aponta que o docente teria cometido assédio sexual contra alunas da instituição, além de apresentar comportamento agressivo durante as aulas.


Diante da gravidade das acusações, a Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos. O nome do professor e o número exato de vítimas não foram divulgados para preservar a identidade das estudantes e a integridade da investigação, que corre sob sigilo.


Posicionamento da Secretaria de Educação


A Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco (SEE-PE) confirmou que foi notificada pelo Ministério Público e agiu de imediato. Além de determinar o afastamento do servidor para evitar o contato com as estudantes durante a apuração, a pasta abriu um processo administrativo interno (sindicância).


Em nota, a Secretaria reforçou o compromisso com a segurança da comunidade escolar:


"A pasta reafirma o compromisso com a proteção dos estudantes e com a manutenção de um ambiente escolar seguro e respeitoso, permanecendo à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações." — Secretaria de Educação e Esportes de PE.

A EREM Luís Delgado é uma das escolas tradicionais do centro do Recife. A gestão escolar e a Gerência Regional de Educação (GRE) Recife Norte acompanham o caso para garantir o acolhimento das alunas e a continuidade das aulas sem prejuízos pedagógicos.

 
 
 

Da Redação de O estopim | 21 de janeiro de 2026


ARCOVERDE, PE — A histórica escassez de água que castiga o Sertão do Araripe motivou uma nova mobilização política em Pernambuco. Diante da exclusão da região na recente etapa de investimentos federais, foi formalizado um pedido urgente à Casa Civil para que os municípios do Araripe sejam inseridos nas obras de abastecimento rural do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).


Audio cover
Falta de água no Araripe leva região a pedir inclusão no Novo PACRádio Conexão Notícias

Diversidade do Sertão do Araripe | Foto: Acervo/Empetur
Diversidade do Sertão do Araripe | Foto: Acervo/Empetur

Sertão: o contexto da exclusão


O Governo Federal aprovou recentemente um montante de R$ 105 milhões destinados a projetos de abastecimento rural em Pernambuco. A previsão é que esse investimento beneficie cerca de 38 mil pessoas em áreas do Agreste e do Sertão.


No entanto, apesar de sua alta vulnerabilidade social e climática, a região do Araripe não foi contemplada nesta lista inicial de prioridades. O fato gerou preocupação, visto que a região enfrenta dificuldades crônicas de acesso à água potável, essenciais para a sobrevivência da agricultura familiar e a permanência do homem no campo.


A articulação política


Em resposta a esse cenário, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) encaminhou um ofício diretamente à Casa Civil. O documento solicita a revisão do planejamento para incluir as comunidades rurais do Araripe nas ações do programa "Água para Todos" ou vertentes similares do Novo PAC.


Os principais argumentos apresentados no ofício incluem:


  • Saúde Pública: A falta de água tratada impacta diretamente a incidência de doenças na população local.

  • Produção Agrícola: A região, que possui potencial produtivo (incluindo a bacia leiteira e a mandiocultura), tem sua economia travada pela insegurança hídrica.

  • Combate ao Êxodo Rural: A garantia de água é o fator determinante para que as famílias não precisem abandonar suas terras em busca de sobrevivência nos centros urbanos.

"A proposta é garantir que o Araripe também seja incluído nas ações do Novo PAC, assegurando água para quem mais precisa e fortalecendo o desenvolvimento da região." — Trecho da reportagem de Diogo Bastos, da Agência Rádio Conexão.

Entenda o Caso em Números

Dado

Detalhe

Investimento Aprovado

R$ 105 Milhões (via Governo Federal)

Público Beneficiado

Estimativa de 38 mil pessoas

Regiões Contempladas

Partes do Agreste e Sertão (exceto Araripe)

Região Reivindicante

Sertão do Araripe (Oeste de Pernambuco)

Próximos Passos


A solicitação aguarda análise técnica da Casa Civil e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. A inclusão do Araripe dependeria de um remanejamento de verbas ou da abertura de uma fase suplementar de investimentos do Novo PAC voltada especificamente para regiões de semiárido extremo que ficaram de fora do corte inicial.

 
 
 
bottom of page