Por Michael Andrade, da redação de O estopimFonte: O Globo | segunda-feira (23) de março de 2026
Sessão do Tribunal do Júri foi encerrada após abandono da defesa de Jairinho; juíza criticou a manobra e determinou sanções.

O julgamento do caso Henry Borel foi adiado para o dia 25 de maio, após uma manobra da defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, que levou ao encerramento da sessão do Tribunal do Júri nesta segunda-feira (23), no Rio de Janeiro. Com o adiamento, a mãe do menino, Monique Medeiros, teve a prisão relaxada e aguardará o novo julgamento em liberdade. Jairinho continuará preso.
Henry Borel morreu em 2021, aos 4 anos, com sinais de agressão, em um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Jairinho, então vereador do Rio, e Monique foram presos em abril daquele ano, mês seguinte à morte da criança.
Segundo o relato publicado por O Globo, a juíza Elizabeth Machado Louro chegou a sortear o Conselho de Sentença, formado por seis mulheres e um homem, e iniciou a leitura da denúncia. Em seguida, porém, os advogados de Jairinho pediram o adiamento do júri, sob a alegação de que não tiveram acesso a todas as provas do processo.
A magistrada negou o pedido e determinou o prosseguimento da sessão. Na sequência, os cinco defensores de Jairinho presentes no plenário manifestaram a intenção de deixar o julgamento, o que impediu a continuidade da sessão, já que o réu não poderia permanecer sem defesa.
Diante da situação, a juíza dispensou os jurados e encerrou o julgamento. Inicialmente, a retomada havia sido marcada para 22 de junho, mas depois foi antecipada para 25 de maio.
Na decisão, Elizabeth Machado Louro classificou a atitude da defesa como “ato atentatório contra a dignidade da Justiça” e afirmou que a conduta representou abandono processual.
A magistrada também condenou a banca de defesa de Jairinho a ressarcir os custos do julgamento, incluindo deslocamento de servidores, hospedagem dos jurados e alimentação dos envolvidos, além de determinar que a Ordem dos Advogados do Brasil avalie possíveis sanções ético-disciplinares contra os defensores.
Com o adiamento, a juíza entendeu que a prisão de Monique poderia configurar excesso de prazo e determinou sua soltura imediata. Segundo a magistrada, a defesa de Monique agiu em favor da realização do julgamento ainda nesta semana, o que pesou na decisão.
A advogada de Monique, Florence Rosa, afirmou que a decisão foi a mais adequada do ponto de vista processual. Já o promotor Fábio Vieira informou que vai recorrer do relaxamento da prisão da acusada e classificou a manobra da defesa de Jairinho como “completamente ilegal”.
Após o encerramento da sessão, Leniel Borel, pai de Henry, criticou o adiamento.
“Assassinaram meu filho pela segunda vez”, declarou.
A defesa de Jairinho sustenta que há contradições entre os laudos periciais que apontaram a causa da morte de Henry. Os advogados alegam ter obtido mensagens que indicariam interferência na produção de um dos documentos periciais e defendem a nulidade de laudos elaborados após a necropsia.
Os defensores também voltaram a sustentar que a criança não teria morrido em decorrência das agressões atribuídas a Jairinho, citando inclusive a hipótese de complicações durante manobras de ressuscitação no Hospital Barra D’Or. A Polícia Civil e o hospital, no entanto, sustentam que Henry já chegou morto à unidade.
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