Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: G1 | 27 de maio de 2026
Falha no Meu INSS teria permitido consultas sem autenticação; segundo a Dataprev, 98% dos CPFs acessados eram de pessoas falecidas, mas cerca de 52 mil pessoas vivas tiveram dados expostos

O vazamento de dados de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, atingiu 2,8 milhões de CPFs, segundo informações divulgadas pela Dataprev, estatal responsável pela gestão tecnológica de bases de dados de aposentados, pensionistas e beneficiários da Previdência Social. O número é superior ao informado inicialmente por técnicos do próprio INSS, que haviam citado cerca de 2 milhões de registros expostos.
De acordo com a Dataprev, 98% dos CPFs acessados pertenciam a pessoas já falecidas. Ainda assim, o incidente também atingiu cidadãos vivos: aproximadamente 52 mil pessoas tiveram a data de nascimento exposta durante a falha de segurança registrada em abril. A informação foi apresentada nesta terça-feira, 26, por Edmar dos Santos Ferreira Junior, representante da Dataprev, durante reunião do Conselho Nacional da Previdência Social.
Embora a investigação ainda não tenha sido concluída, a Dataprev informou que já identificou uma vulnerabilidade em uma consulta de serviço vinculada ao aplicativo Meu INSS. Segundo o representante da estatal, a funcionalidade deveria exigir autenticação por login, mas aceitava resposta como se estivesse em ambiente público, permitindo o acesso sem a etapa adequada de segurança.
Ferreira Junior afirmou que o incidente durou um dia e que a falha foi corrigida assim que identificada. A Dataprev também informou que trabalha em uma atualização para restringir as consultas, permitindo que apenas um usuário consulte um CPF por vez.
O caso veio a público na semana passada, quase um mês após a identificação da falha, em 22 de abril. Em nota anterior, o INSS informou que havia adotado providências e destacou que a maior parte dos dados acessados era de cidadãos falecidos. A autarquia também afirmou que concessões de benefícios e operações como empréstimos consignados dependem de documentos, validações e etapas adicionais de segurança.
Ainda assim, o episódio levanta preocupação sobre a proteção de dados em sistemas públicos que concentram informações sensíveis de milhões de brasileiros. Mesmo quando a maioria dos CPFs pertence a pessoas falecidas, a exposição indevida pode abrir brechas para fraudes, consultas abusivas e uso irregular de informações pessoais.
O vazamento também não é um caso isolado. Em 2024, o próprio INSS confirmou outra vulnerabilidade em seus sistemas, que deixou expostas informações sigilosas de pessoas com aposentadorias, benefícios sociais e assistenciais. A repetição de falhas reforça a necessidade de auditoria permanente, transparência na comunicação dos incidentes e responsabilização técnica e institucional quando dados de cidadãos são colocados em risco.
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