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A entrevista por telefone do advogado e professor de Direito Fernandes Braga ao Jornal Itapuama, da Rádio Itapuama FM, nesta terça-feira, 21, reposicionou o foco da crise aberta na noite anterior na Câmara de Vereadores de Arcoverde


Por Raul Silva para O estopim | 21 de abril de 2026



Citado durante a Tribuna Livre da sessão que terminou em tumulto, Fernandes Braga afirmou que sua atuação no caso envolvendo o agora ex-vereador Claudelino Costa foi “exclusivamente técnica”, acusou o uso indevido da tribuna para ataques pessoais, anunciou reação nas esferas ética e penal e disse que o episódio expôs uma deterioração do debate político e jurídico dentro da Casa.


Homem de óculos, vestindo terno azul e gravata xadrez, olha seriamente para a câmera. Fundo cinza, imagem formal e profissional.
Fernandes Braga advogado de Claudelino Costa e irmão de Israel Rubis a quem teriam sido dirigidos insultos em comentários no Instagram e em citações na Câmara de Veredares de Arcoverde, na noite desta segunda (20), durante seção plenária | Foto: Assessoria Dr. Fernandes Braga

A fala veio depois de uma sessão marcada por bate-boca, interrupções e confusão generalizada. O pano de fundo era a análise do parecer sobre a denúncia apresentada por Micael Lopes de Gois contra Claudelino Costa, já em cenário alterado pela renúncia do parlamentar ao mandato. Na prática, a renúncia embaralhou o eixo da discussão, ampliou a disputa de versões sobre a perda ou não do objeto do processo e abriu mais uma frente de desgaste para o presidente da Câmara, Luciano Pacheco, também citado por Braga e por outros atores do caso.


Logo no início da entrevista, Fernandes Braga reagiu ao fato de ter sido citado na sessão e adotou um tom duro contra o advogado que se pronunciou na Tribuna Livre. Em um dos trechos centrais da fala, disse:


“Primeiro, quero dar os parabéns ao advogado que sustentou ontem lá na Câmara dos Vereadores. Eu não me recordo o nome dele, que geralmente tem essa dificuldade de recordar quem não me deixa lembrança. Mas enfim, quero dar os parabéns a ele e dizer que mais uma vez ele vai ter um minuto de fama. Cavou mais um pente sobre mim. Eu nem estava presente.”

Braga buscou marcar distância entre o embate político travado na Câmara e sua condição de defensor de Claudelino Costa. Segundo ele, sua presença no caso se deu para sustentar uma linha estritamente jurídica, ligada ao curso do processo e à suspensão do feito em razão da ação penal em andamento. Na entrevista, afirmou:


“Então, assim, a minha atividade, a minha atribuição é exclusivamente técnica.”

A partir daí, o advogado passou a sustentar que a sessão ultrapassou os limites de uma discussão de mérito.


“Então, assim, é inadmissível que um profissional do Direito utilize o púlpito de uma Casa legislativa do Poder Legislativo para agredir pessoas”, declarou, antes de acrescentar que houve exaltação, quebra de microfone e ofensas dirigidas a seu irmão, o delegado Israel Rubis.

O núcleo jurídico da entrevista de Fernandes Braga foi a tentativa de separar o debate processual da escalada pessoal registrada na Câmara. Segundo ele, a menção ao seu nome e ao do irmão extrapolou o terreno do contraditório e avançou para a imputação de crimes.



Foi nesse ponto que ele elevou o peso das acusações. Nas palavras transcritas do arquivo da entrevista:


“A partir do momento que esse vereador, esse advogado, diz lhe que esse advogado aqui que vos fala se defendia se proteger através de um distintivo de um delegado de polícia que é o meu irmão. Ele está dizendo de um lado, atacando o delegado, dizendo que o delegado está praticando um crime de advocacia administrativa e do outro norte e imputando a mim um fato criminoso de tráfico de influência. Isso é muito sério. Isso é muito grave. Isso tem que ficar claro.”

Ao formular essa leitura, Braga procurou converter a crise política em questão de responsabilização formal. Na mesma entrevista, afirmou que o outro advogado “vai ter que responder no tribunal de Ética e Disciplina” e acrescentou que pretende ingressar com queixa-crime, sustentando que houve imputação de fatos criminosos sem base.


Se a primeira metade da fala de Fernandes Braga foi dedicada a rebater as menções feitas a ele e ao irmão, a segunda deslocou parte da responsabilidade para o comando da sessão. Para o advogado, a desorganização do debate não foi um acidente lateral, mas consequência da forma como os trabalhos foram conduzidos.


No trecho mais direto contra a presidência da Casa, ele afirmou que:


“o maior responsável outrora por esse episódio chama se o presidente da Casa Legislativa”. Depois, aprofundou a crítica ao dizer que “todo esse processo é deflagrado em decorrência da irresponsabilidade e da incompetência de se conduzir os processos da casa legislativa”.

A crítica tem peso político porque a atual crise da Câmara de Arcoverde já não se limita ao caso Claudelino. Nas últimas semanas, o ambiente legislativo local passou a ser marcado por acusações cruzadas, questionamentos sobre a legalidade de atos internos e nova pressão sobre Luciano Pacheco, citado em outros procedimentos e já submetido a desgaste público crescente.


O tumulto da noite de 20 de abril foi registrado por veículos e perfis locais com versões convergentes em um ponto central: a sessão saiu do controle antes da conclusão da pauta. A discussão se acirrou durante a Tribuna Livre, quando o advogado Eldy Magalhães, que atuou pela parte denunciante no caso Claudelino Costa, passou a fazer referências a Fernandes Braga, à vereadora Célia Galindo e ao delegado Israel Rubis.


Célia reagiu, ainda que à distância, por telefone. Israel Rubis também entrou na cena do conflito. A sessão acabou encerrada sem conclusão regular da votação prevista, o que ampliou a percepção de colapso institucional em uma Câmara já atravessada por disputas políticas, jurídicas e pessoais.


Fernandes Braga retomou esse ponto para sustentar que a tribuna perdeu completamente o foco do objeto formal. Em outro trecho literal da entrevista, afirmou:


“Eu tinha um minuto, eu tinha um tempo regimental e lá eu colocava o objeto que eu vou sentar e o processo de cassação, abertura, suspensão. Claudelino, vereador Claudelino. E ontem eu não sei qual era o objeto. O objeto agora é uma vereadora. Uma outra hora é um ataque a um delegado, outra hora é um ataque a um colega advogado, um advogado atacando, outro ataca a própria OAB.”

A crise não ficou restrita ao plenário. O episódio avançou para entrevistas, postagens e comentários em redes sociais, especialmente nas publicações da Itapuama FM que passaram a repercutir o caso na manhã desta terça-feira. Em um desses comentários posteriores, ainda repercutidos publicamente, apareceu a referência a “correr pra Paraíba”, expressão que voltaria a ser mencionada por Fernandes Braga ao vivo.


Na entrevista, o advogado retomou o tema de forma explícita e procurou responder tanto ao tumulto da sessão quanto à repercussão digital. Disse:


“eu quantas vezes eu precisar ir a cidade de Arcoverde eu vou, não vou correr pra Paraíba. Eu não sou um foragido. Eu não sou um homem contra a lei. Eu não sou um marginal, não vive à margem da lei.”

Ao mesmo tempo, voltou a subir o tom contra o colega ao afirmar:


“É um cidadão misógino. É um cidadão homofóbico, inclusive veiculando em comentários no WhatsApp dizendo que o delegado iria correr para a Paraíba, de que ele não tinha a intenção de ter relações homo homossexuais comigo.”

Trata-se de uma acusação atribuída exclusivamente a Fernandes Braga. Até a publicação deste texto, O estopim não encontrou manifestação pública nova de Eldy Magalhães especificamente sobre essas declarações feitas no Jornal Itapuama.


No plano jurídico, um dos pontos mais sensíveis do episódio é o debate sobre a continuidade ou não do processo político após a renúncia de Claudelino Costa. Fernandes Braga sustentou, ao longo da entrevista, que seu papel foi o de defender tecnicamente a leitura de suspensão e, depois, de perda de objeto. Esse entendimento dialoga com o cenário que já vinha sendo apresentado na própria pauta legislativa da Câmara e em reportagens locais sobre o parecer da comissão prévia.


Na prática, a renúncia deslocou o centro da crise. O que seria uma sessão voltada à apreciação de um parecer relacionado a Claudelino transformou-se em novo capítulo da crise de governabilidade da Casa. Foi justamente essa mudança de eixo que Braga tentou enfatizar ao afirmar que a Tribuna Livre deixou de discutir o objeto formal e passou a operar como espaço de ataque pessoal e disputa paralela.


A entrevista de Fernandes Braga interessa por duas razões. A primeira é imediata: ela oferece a resposta de um dos personagens citados na sessão mais caótica recente da Câmara de Arcoverde. A segunda é estrutural: ela ajuda a dimensionar como a crise local deixou de ser apenas um conflito sobre mandato, denúncia ou regimento e passou a atingir o próprio ambiente institucional do Legislativo.


Quando um advogado usa a rádio para anunciar representação ética, queixa-crime, crítica à presidência da Casa e repúdio à forma como a tribuna foi usada, o caso já não se resume ao plenário. Ele se projeta para a arena pública, para a disputa de narrativas e para os desdobramentos formais que podem surgir nos próximos dias.


A Câmara de Arcoverde terá de responder não apenas sobre o futuro processual do caso Claudelino, mas também sobre a condução de uma sessão que terminou sem ordem, sem deliberação conclusiva e com repercussões políticas, jurídicas e públicas ainda em aberto.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, instituições, justiça e bastidores do poder local, com foco em contexto, apuração documental e interesse público.

Em entrevista ao Jornal Itapuama, advogado nega provocação, acusa ex-vice-prefeito de tentar agredi-lo, contesta parecer pelo arquivamento do caso Claudelino Costa e diz que vai à Corregedoria e à Justiça


Por Raul Silva para O estopim | 21 de abril de 2026




Homem de terno e gravata vermelha fala ao microfone. Fundo azul com letras "ÂMARA" visíveis. Atmosfera formal e profissional.
Eldy Magalhães em sua fala na Câmara de Vereadores de Arcoverde na seção desta segunda (20) | Foto: Reprodução/YouTube da Câmara de Vereadores de Arcoverde

O advogado Eldy Magalhães afirmou, em entrevista por telefone concedida à jornalista Zalxijoane Lins no Jornal Itapuama, que o tumulto generalizado registrado na noite de segunda-feira, 20, na Câmara de Vereadores de Arcoverde nasceu da disputa em torno do processo político-administrativo contra o ex-vereador Claudelino Costa, foi agravado por embates em plenário e terminou com acusações cruzadas entre ele, o ex-vice-prefeito e delegado Israel Rubis e a vereadora Célia Galindo. Eldy negou ter provocado Israel, disse que pretende acionar a Corregedoria de Polícia e afirmou que também vai buscar reparação nas esferas cível e criminal.


A entrevista ocorreu menos de 24 horas depois de uma sessão que terminou sem conclusão regular dos trabalhos, em meio a gritos, interrupções e forte repercussão política na cidade. O caso ganhou dimensão maior porque a discussão em plenário tratava de um processo que, dias antes, havia sido recolocado em movimento por decisão judicial, o que elevou a temperatura do debate dentro e fora da Casa.


Antes da entrevista à Rádio Itapuama, o ambiente já estava carregado por uma fala de Eldy na tribuna, que circulou em vídeo e ajudou a explicar a reação posterior de Israel Rubis. No trecho transcrito enviado à reportagem, o advogado diz:


“...É com muita satisfação que nós estamos aqui, nessa noite de hoje, logrando êxito no pleito que a gente plantou aqui ainda no ano de 2025, o qual foi tentado ser achincalhado por um advogado parlapatão que, do alto dessa tribuna, deblaterava como um cachorro bradando, sem nenhum conhecimento técnico, se escondendo na imagem de um irmão delegado.Mas o povo de Arcoverde fez a repercussão necessária, não teve medo do distintivo do delegado, nem da carteira sem nível de seu irmão.”

O conteúdo da fala foi lido, na prática, como a passagem em que a discussão jurídica transbordou para o terreno pessoal e político. Foi a partir daí que o bate-boca escalou, a sessão saiu do eixo e a noite terminou com versões conflitantes sobre o que ocorreu na saída do plenário.



Na conversa com Zalxijoane Lins, Eldy tentou reorganizar sua versão dos fatos e afirmou que não havia chamado Célia Galindo de pessoa sem confiança. Segundo ele, a crítica foi dirigida ao comportamento político da vereadora.


“Eu não disse que Célia era uma pessoa sem confiança. Eu disse que Célia agia por conveniência política e não que ela não era uma pessoa de confiança.”

Ao relatar o momento de maior tensão, o advogado responsabilizou Israel Rubis pela escalada física do confronto.


“Ele foi um homem totalmente desequilibrado, agressivo, armado dentro da Câmara de Vereadores, tentando partir pra me agredir fisicamente.”

No mesmo trecho da entrevista, Eldy negou que tenha provocado o delegado.


“De forma alguma eu provoquei o delegado, até porque eu não sou de provocar ninguém.”

Ao falar sobre os próximos passos, ele disse que pretende judicializar o caso e acionar instâncias de controle.


“eu vou tomar as providências legais, vou representá lo na Corregedoria de Polícia, vou entrar com um processo por reparação cível, processo criminal.”

E, ao tratar do foco principal da disputa, reafirmou a defesa de continuidade do processo contra o ex-vereador.


“O processo segue a marcha normal até o seu final, culminando com a votação dos vereadores pela cassação, por meio da inelegibilidade dos direitos políticos do ex-vereador Laudelino.”

A sessão de segunda-feira terminou em confusão e foi encerrada sem normalidade depois do agravamento do bate-boca em torno da fala de Eldy na Tribuna Popular. Também está documentado que o advogado atuou em nome do empresário Micael Lopes de Gois no mandado de segurança que questionou a paralisação do processo político-administrativo envolvendo Claudelino Costa.


Homem de terno preto e gravata roxa em pé, mãos cruzadas. Fundo bege. Expressão séria. Ambiente interno.
Eldy Magalhães | Fonte: Assessoria de Eldy Magalhães

A decisão da 2ª Vara Cível da Comarca de Arcoverde, assinada em 17 de abril, reconheceu a ilegalidade da suspensão do processo pela Câmara e determinou o imediato prosseguimento do rito previsto no Decreto-Lei nº 201/1967. O Judiciário, porém, negou o pedido de afastamento cautelar do então vereador do mandato e da vice-presidência da Casa. Na prática, a sessão de 20 de abril ocorreu sob pressão institucional, com o Legislativo tendo de decidir como reagiria à ordem judicial e ao parecer que defendia o arquivamento por perda do objeto após a renúncia.


A entrevista de Eldy não foi apenas uma resposta emocional ao tumulto. Ela também funcionou como uma tentativa de sustentar, para a opinião pública, a tese que ele vinha defendendo desde 2025. Segundo essa linha, a renúncia de Claudelino Costa não encerraria automaticamente o processo político-administrativo, sobretudo porque a discussão envolveria também consequências políticas futuras.


Foi nesse ponto que a sessão se tornou explosiva. De um lado, havia o parecer atribuído a Célia Galindo, favorável ao arquivamento sob o argumento de perda do objeto. De outro, a posição do advogado e do grupo que defende Micael Lopes, para quem a Câmara ainda precisava oferecer uma resposta institucional de mérito. A decisão judicial que mandou retomar o processo deu novo fôlego a essa tese e empurrou a crise para dentro do plenário.


Em sua fala nesta manhã Eldy apresenta uma narrativa clara de vítima de agressão e de reação desproporcional por parte de Israel Rubis. Essa, porém, não é a única versão em circulação. Na cobertura local, Israel sustenta que foi ofendido, que teve a imagem atacada e que houve dedo no rosto durante a confusão. O contraste entre os relatos mostra que o episódio permanece cercado por disputa de narrativas.


O que a reportagem consegue afirmar com segurança, neste momento, é que houve tumulto, que a sessão terminou sob forte desordem e que a tensão não se limitou à divergência técnica sobre o caso Claudelino. O debate passou a misturar processo legislativo, ressentimentos políticos, ataques pessoais e uma crise de autoridade dentro da Câmara.


Ao anunciar representação na Corregedoria e ações nas esferas cível e criminal, Eldy transforma a entrevista em uma etapa nova do conflito. O caso deixa de ser apenas um episódio de plenário e passa a ter desdobramento institucional fora da Câmara. Ao mesmo tempo, a Casa segue pressionada a dar destino ao processo político-administrativo que esteve na origem da crise.


Se a Câmara optar por encerrar a controvérsia com novo arquivamento, a tendência é que o embate volte ao Judiciário. Se decidir avançar, o caso seguirá como mais um capítulo de uma disputa que já ultrapassou o rito formal e se converteu em crise política aberta em Arcoverde.


O que a entrevista de Eldy expõe, no fim, é um Legislativo atravessado por animosidades acumuladas, por interpretações opostas sobre os limites da renúncia e por um ambiente em que a política local deixou de caber apenas no campo da argumentação jurídica.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, bastidores do poder local e temas de interesse público, com foco em contexto, método e responsabilidade editorial.

Em entrevista por telefone ao Jornal Itapuama, na manhã desta terça-feira, ex-vice-prefeito afirmou que estava na academia quando ouviu seu nome ser mencionado na sessão, foi ao plenário para cobrar explicações e reagiu após o que classificou como ofensas e provocação


Por Raul Silva, da redação de O estopim - Fonte: Jornal Itapuama | 21 de abril de 2026



Homem de óculos fala ao microfone em estúdio de rádio. Veste camisa clara. Mesa branca com revista à direita. Ambiente profissional.

A crise política que voltou a expor a Câmara de Vereadores de Arcoverde na noite da segunda-feira, 20 de abril, ganhou novo capítulo na manhã desta terça-feira, 21, com a entrevista concedida por telefone por Israel Rubis à jornalista Zalxijoane Lins, durante o Jornal Itapuama. Na conversa, o ex-vice-prefeito e delegado apresentou sua versão para o tumulto registrado no plenário e sustentou que não tinha qualquer envolvimento com o processo político que dominava a sessão, afirmando que só foi até a Casa Legislativa depois de ouvir seu nome ser citado durante a transmissão. A sessão discutia o parecer da comissão prévia sobre o caso envolvendo Claudelino Costa, que havia renunciado ao mandato horas antes, e terminou interrompida em meio a bate-boca, acusações e confusão no plenário.


Na entrevista, Israel Rubis buscou, desde o início, construir uma defesa apoiada na ideia de distanciamento da política eleitoral e de ausência de vínculo com o episódio em debate na Câmara.

“Como é público e notório, em 2022, eu renunciei a um mandato. De lá pra cá, eu venho construindo gradativamente um cenário de me afastando do debate público e eleitoral”, afirmou.

Na mesma linha, acrescentou que sua rotina hoje é centrada no serviço público, nos estudos e na vida pessoal, tentando afastar a imagem de alguém movido por disputa política ou por desejo de confronto.

“Eu sou um sujeito de personalidade tranquila”, disse. “Minha vida é uma vida muito tranquila. Eu sou um cara de casa para o trabalho.”

O contexto da sessão ajuda a dimensionar o peso dessa declaração. A reunião da Câmara ocorreu poucas horas depois de Claudelino Costa formalizar a renúncia ao mandato em Arcoverde, em meio a acusações que vinham tensionando o ambiente político local. Com a saída do então vereador, o parecer em discussão apontava para o arquivamento do caso por perda de objeto, já que o processo de cassação não chegaria a ser concluído após a renúncia. Foi nesse cenário de desgaste institucional que a tribuna livre se transformou no principal foco de tensão da noite.



Segundo Israel Rubis, ele não acompanhava a sessão presencialmente. Disse que estava na academia com a esposa, mantendo sua rotina habitual, quando resolveu ouvir a transmissão.

“Ontem, como eu costumeiramente faço, fui para a academia com minha esposa”, relatou. Em seguida, explicou como passou a acompanhar o que se dizia no plenário: “Durante a atividade física, deu vontade de ver a sessão da Câmara. Eu estava escutando uma videoaula com um fone. Aí botei na sessão da Câmara.”

Foi, segundo sua narrativa, nesse momento que ouviu referências ao seu nome e decidiu deixar a academia para ir ao prédio do Legislativo.


Na versão apresentada por Rubis, o incômodo começou quando a discussão em tribuna, que na avaliação dele deveria se limitar ao mérito jurídico e político do caso em pauta, passou a incluir ataques pessoais.

“Ao invés de falar a respeito do processo lá, do mérito que ele desejava sustentar, ele começou a fazer julgamentos, começou a praticar ofensas”, declarou.

Em seguida, afirmou que o discurso atingiu primeiro seu irmão, o advogado Fernandes Braga, e depois passou a mencioná-lo nominalmente.

“Ele começou a me ofender, começou a querer me ridicularizar, me ofender. Eu não tenho nada a ver com esse processo de cassação.

A transmissão ao vivo da própria Câmara de Vereadores, confirma que a escalada de tensão teve início a partir do uso da Tribuna Popular pelo advogado Eldy Magalhães, que atuou em nome do empresário Micael Lopes no caso envolvendo Claudelino Costa. O advogado fez críticas a Fernandes Braga e também citou a vereadora Célia Galindo, o que ampliou a irritação no plenário. Em dado momento, ao rebater a parlamentar, Eldy Magalhães fez referência a embates anteriores envolvendo Israel Rubis, aumentando ainda mais a temperatura política da sessão.


Foi diante dessa citação, segundo sua entrevista, que Rubis decidiu ir à Câmara.

“De repente, vem meu nome numa situação lá de cima, de uma coisa que eu não tinha nada a ver”, disse.

Já no plenário, afirmou que permaneceu atrás e que não chegou ao local para partir imediatamente para a agressão.

“Se eu tivesse toda a vontade e a consciência de querer agredi-lo, eu tinha partido de onde eu estava”, declarou.

A frase funciona, na lógica de sua defesa, como tentativa de rebater a imagem divulgada em vídeos e relatos segundo a qual ele teria avançado sobre o advogado durante a confusão. Registros públicos do episódio publicados por perfis e veículos locais apontam que houve contenção física no plenário e que a sessão acabou encerrada após o tumulto.

Ao detalhar o momento decisivo da confusão, Israel Rubis disse que tentou interpelar o advogado após o encerramento da fala na tribuna.


“Eu sinalizei que eu estava querendo falar com ele. Eu disse: ‘Velho, o que aconteceu? Ficou difícil pra você me falar meu nome aqui’”, relatou.

Na sua versão, o quadro saiu do campo verbal para o físico quando, segundo ele, houve um gesto de intimidação.

“Ele simplesmente, em determinado momento, partiu com o dedo em riste dentro da minha cara. E aí eu realmente me irritei profundamente”, afirmou.

Em outro trecho, disse que seu desejo era deixar o local e voltar para casa:


“Eu quero ir pra minha casa.”

Essa narrativa é semelhante, em parte, à que já havia aparecido em relatos reproduzidos por veículos da região na cobertura da noite anterior. Em um deles, Rubis afirmou ter sido “agredido verbalmente” e declarou que o advogado o ofendeu sem que ele tivesse, segundo sua versão, qualquer relação com o caso. O mesmo relato aponta que, após o bate-boca, pessoas que estavam no plenário contiveram os envolvidos, enquanto o presidente da Câmara encerrou a sessão por falta de condições de prosseguimento.


Outro ponto central da fala de Israel Rubis foi a tentativa de separar sua figura da atuação profissional do irmão, Fernandes Braga, alvo de parte das críticas feitas na sessão.

“Meu irmão é um homem de 45 anos, tem a formação própria dele, é professor universitário, é advogado. E não cabe a mim dizer quem deve ou quem não deve ser defendido pelo meu irmão”, afirmou.

A declaração foi usada para responder, de maneira indireta, à linha de ataque que vinha sendo construída a partir da atuação jurídica de Fernandes no caso relacionado a Claudelino Costa.


No plano político, a entrevista também procurou fixar a imagem de Rubis como alguém que não pretende retornar à disputa eleitoral.


“Não tenho interesse de ser candidato, de me filiar a partido nenhum, de apoiar B, C, D, E, J, o que for. Não tenho interesse”, disse.

Trata-se de uma afirmação relevante porque o ambiente de Arcoverde tem sido marcado por sucessivas crises entre vereadores, denúncias, trocas de acusações e reacomodações de grupos políticos. A renúncia de Claudelino Costa, anunciada ontem, já havia alterado a pauta e o eixo do debate legislativo local, e o tumulto acrescentou mais instabilidade a um quadro que já era delicado.

O que se tem de objetivamente consolidado até o momento é que a sessão da Câmara de Arcoverde terminou em confusão, que a pauta estava diretamente ligada aos desdobramentos da renúncia de Claudelino Costa e que a intervenção de Eldy Magalhães na tribuna foi o estopim imediato para a desordem no plenário. A partir daí, a dinâmica exata do confronto entre o advogado e Israel Rubis permanece atravessada por versões dos envolvidos e pela disputa pública em torno da responsabilidade pelo episódio.

Na entrevista ao Jornal Itapuama, Israel Rubis deixou claro qual é a interpretação que deseja fixar sobre os fatos: a de que não fazia parte do conflito político central da sessão, a de que foi nominalmente atacado sem ter ligação com o caso debatido e a de que sua reação se deu, segundo ele, depois de ofensas e provocação direta.


“Eu não tenho envolvimento nenhum com essa situação”, declarou.

Em uma Câmara que já vinha operando sob temperatura alta, a manhã desta terça-feira serviu menos para esfriar os ânimos do que para ampliar a batalha de versões sobre um episódio que expôs, mais uma vez, o esgarçamento da política local. Em Arcoverde, o plenário virou arena; novidade, infelizmente, só para quem ainda acredita em conto de fadas legislativo.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim, com atuação em política, poder local e fiscalização do setor público.

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