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A polícia migratória de Trump recebeu "carteira branca" para matar. Em Minnesota, a primeira vítima fatal. Em Arcoverde, o medo de quem depende do dólar para sobreviver.


Por Raul Silva para O estopim | Análise de Geopolítica e Economia | 12 de janeiro de 2026


ICE saia de Minnesota agora é o que diz o cartaz de uma mulher durante os protesto contra a polícia da imigração de Trump após o assassinato de Renee NIcole Good | Foto: Reprodução Redes Sociais
ICE saia de Minnesota agora é o que diz o cartaz de uma mulher durante os protesto contra a polícia da imigração de Trump após o assassinato de Renee NIcole Good | Foto: Reprodução Redes Sociais

RESUMO DO FATO: O SANGUE EM MINNESOTA


O mundo acordou em choque nos últimos dias com as notícias vindas de Minneapolis. O que antes era retórica de campanha, virou bala de prata. Renee Nicole Good, uma mulher desarmada, foi morta durante uma operação do ICE (a polícia de imigração americana) no último dia 8.


Não foi um acidente. É o resultado direto da "Nova Ordem" de Donald Trump. Para cumprir a promessa de deportar 15 milhões de pessoas, o governo americano baixou a régua: eliminou limites de idade para contratação de agentes, reduziu o tempo de treinamento e, mais grave, abriu as portas para supremacistas brancos.


Sob o pretexto de recrutar "patriotas" para "salvar a América", Washington está, na prática, uniformizando milicianos e simpatizantes de ideologias neonazistas. É a institucionalização do ódio. O Estado americano não apenas permite, mas paga para que extremistas cacem latinos, negros e imigrantes. É a volta da lógica da Ku Klux Klan (KKK), não mais com capuzes brancos nas florestas, mas com distintivos federais e proteção jurídica nas ruas.


ANÁLISE TÉCNICA: A ECONOMIA DO ÓDIO DE TRUMP


Para entendermos como chegamos aqui, precisamos descer do palanque e olhar os dados e a história.


1. O Que é a "Supremacia Legitimada"? Historicamente, a KKK servia para manter uma hierarquia racial através do terror. Hoje, ao relaxar os critérios de entrada no ICE (Immigration and Customs Enforcement) e focar o recrutamento em bases eleitorais radicais, Trump cria uma força paramilitar leal a ele, e não à Constituição. Relatórios do FBI de 2006 a 2024 já alertavam sobre a infiltração de supremacistas na polícia; agora, eles foram convidados a entrar.


2. O "Alien Enemies Act" e a Economia Trump invocou leis de 1798 (Alien Enemies Act) para pular o devido processo legal.


  • Termo Chave: Deportação Expressa. Sem juiz, sem defesa.

  • O Impacto Econômico nos EUA: Ironicamente, isso é um tiro no pé. A economia americana depende da mão de obra imigrante. Sem eles, a inflação nos EUA vai disparar (falta gente para colher, construir e limpar). Mas o populismo não liga para a matemática; liga para o espetáculo de crueldade.


O "EFEITO ARCOVERDE": COMO ISSO CHEGA NA PORTA DA SUA CASA


Você pode estar se perguntando: "Isso é horrível, mas Minneapolis fica a 8.000 km da Avenida Agamenon Magalhães. O que muda na minha vida aqui no Sertão?"


A resposta é simples e dói no bolso: O seu vizinho, o seu primo, o comércio da cidade.


Aqui em Arcoverde, e em toda a região do Moxotó, temos uma "economia invisível". Não é o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) nem o comércio local que sustentam muitas famílias. São as Remessas de Dólares.


O "PIB invisível" do sertão secou


Muitos arcoverdenses que foram tentar a vida na América (legal ou ilegalmente) enviam mensalmente dólares para suas famílias aqui.


  • A conta é simples: 100 dólares lá são quase 600 reais aqui. Esse dinheiro paga a feira no São Cristóvão, a reforma da casa no Boa Vista, a prestação da moto.

  • O Impacto: Com o terror do ICE, o imigrante para de trabalhar. Ele se esconde. Se ele não trabalha, não manda dinheiro. Se não manda dinheiro, a padaria de Arcoverde vende menos, a loja de construção demite. É um efeito dominó imediato.


A volta dos "Retornados"


Com a aceleração das deportações, Arcoverde deve se preparar para receber filhos da terra que voltarão sem nada.


  • Imagine centenas de pessoas voltando de uma vez, sem emprego, sem casa própria (muitos venderam tudo para ir) e com traumas psicológicos severos.

  • Isso sobrecarrega o nosso sistema de saúde (SUS) e aumenta a disputa por empregos informais na cidade. A prefeitura não tem caixa para absorver essa demanda social explosiva.


O preço da gasolina e o Dólar


A instabilidade nos EUA gera incerteza no mercado global. Quando o mercado tosse lá, o Dólar sobe aqui.


  • Dólar Alto = Combustível Caro. O preço do diesel e da gasolina é atrelado ao dólar.

  • Se o frete sobe, o feijão, o arroz e o cimento em Arcoverde ficam mais caros na prateleira. A política de ódio de Trump inflaciona o seu almoço.


O assassinato de Renee Good e a militarização do ICE não são apenas notícias de TV a cabo. São o prenúncio de uma tempestade econômica e humanitária que vai desembarcar no Aeroporto de Recife e pegar a BR-232 rumo ao interior.


Nós, do O estopim, alertamos: a geopolítica não respeita fronteiras municipais. Quando a maior democracia do mundo decide vestir o capuz da intolerância, a sombra inevitavelmente escurece o sol do nosso Sertão. Preparem-se.


Gostou da análise? Compartilhe com quem precisa entender que o mundo é, na verdade, um grande bairro.


O ESTOPIM: Jornalismo que conecta os pontos.

 
 
 

Brasília, 3 de Janeiro de 2026 – O Presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou veementemente, na manhã deste sábado, a operação militar realizada pelos Estados Unidos em solo venezuelano, que resultou na captura do Presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Em comunicado oficial, Lula classificou a ação como uma "afronta gravíssima" à soberania nacional e alertou que o episódio estabelece um "precedente extremamente perigoso" para a comunidade internacional.


Presidente Lula - Foto: REUTERS/Amanda Perobelli/Foto de arquivo
Presidente Lula - Foto: REUTERS/Amanda Perobelli/Foto de arquivo

"Linha inaceitável" Lula


Através de uma publicação na rede social X (antigo Twitter), o chefe de Estado brasileiro não poupou críticas à administração de Donald Trump. Lula afirmou que "os bombardeamentos em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável".

Para o Presidente brasileiro, a operação viola flagrantemente o direito internacional e ameaça a estabilidade de toda a região sul-americana. "Estes atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela. Atacar países à margem do direito internacional é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", declarou Lula.


O contexto da operação Americana


A reação do Brasil surge horas após Donald Trump confirmar, a partir da sua residência em Mar-a-Lago, que forças especiais norte-americanas realizaram uma operação "brilhante" em Caracas, resultando na extração de Nicolás Maduro. O Departamento de Justiça dos EUA acusa o líder venezuelano de "narco-terrorismo" e tráfico de droga, justificações utilizadas para legitimar a incursão militar.


Até ao momento, o paradeiro exato de Maduro é desconhecido, embora fontes da Casa Branca indiquem que este se encontra sob custódia norte-americana em local não revelado. Em Caracas, a Vice-Presidente Delcy Rodríguez exigiu "provas de vida" imediatas do casal presidencial e denunciou o ato como um "sequestro".



Repercussões Diplomáticas e Regionais


A declaração de Lula reflete uma preocupação profunda com o regresso de táticas intervencionistas na América Latina. "A ação recorda os piores momentos de interferência na política da América Latina e das Caraíbas e ameaça a preservação da região como zona de paz", sublinhou o líder brasileiro.


O governo brasileiro convocou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto, envolvendo os ministros da Defesa, Relações Exteriores e a chefia do Estado-Maior, para avaliar os impactos da crise na segurança fronteiriça e nas relações diplomáticas.


Além do Brasil, outras potências globais manifestaram-se. A Rússia condenou o ataque, classificando-o como uma violação injustificável da soberania venezuelana, enquanto a China expressou "profundo choque" e apelou à contenção.


Apelo à ONU


Na sua nota, Lula apelou ainda a uma intervenção rápida das instituições multilaterais. "A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa de responder de forma vigorosa a este episódio", escreveu, reiterando que o Brasil continua disposto a promover a via do diálogo, apesar da escalada militar.


A crise marca um dos momentos de maior tensão nas relações hemisféricas das últimas décadas, colocando Brasília numa posição delicada entre a defesa da não-intervenção e a necessidade de gerir as relações com a nova administração Trump.

 
 
 
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