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Tráfego no Estreito de Ormuz quase zera após retaliação iraniana; seguradoras cancelam cobertura de risco de guerra e petróleo dispara no mercado internacional.


Por Clara Mendes para O estopim | 2 de Março de 2026


Estreito de Ormuz, imagem de satélite | Foto: Google Earth
Estreito de Ormuz, imagem de satélite | Foto: Google Earth

Pelo menos 150 embarcações, incluindo petroleiros e navios de gás natural liquefeito (GNL), ficaram ancoradas no Estreito de Ormuz e em águas próximas neste domingo (1º), após a escalada do conflito envolvendo o Irã e novos ataques na região que derrubaram o ritmo de navegação na principal passagem de escoamento de petróleo do Golfo Pérsico.


O “engarrafamento” ocorre depois de bombardeios de EUA e Israel contra o Irã e da sequência de ataques a navios na área, relatados por autoridades e empresas de navegação. As interrupções já deixaram ao menos cinco petroleiros danificados e registraram duas mortes, segundo informações compiladas por agências e operadores.


Dados de rastreamento marítimo citados em relatórios internacionais apontam que os navios se concentraram em áreas abertas próximas às costas de grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita e Iraque, e também perto do Catar, maior exportador mundial de GNL, enquanto armadores evitam cruzar a rota sob risco de novos ataques.



Ataques, avisos de risco e divergência sobre “fechamento”


Em um dos episódios reportados, o navio de produtos “Stena Imperative”, de bandeira dos EUA, sofreu danos por “impactos aéreos” quando estava atracado no Golfo; uma morte foi registrada no local, segundo a empresa responsável pela embarcação. Em outro caso, um tripulante morreu após um projétil atingir o petroleiro “MKD VYOM” enquanto navegava próximo à costa de Omã, ainda de acordo com relatos do setor.


A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que não recebeu comunicação de “fechamento oficial” do Estreito de Ormuz pelos canais reconhecidos de segurança marítima, mas ressaltou que há atividade militar em curso e “ameaça elevada” à navegação comercial. A via tem cerca de 34 km de largura no ponto mais estreito e é a principal ligação marítima do Golfo com o restante do mundo.


No fim de fevereiro, o Joint Maritime Information Center (JMIC) elevou o nível de risco marítimo regional para “CRITICAL”, afirmando que ataques com mísseis e drones contra embarcações comerciais foram confirmados em áreas do Golfo de Omã e proximidades.


Seguro de guerra cai e custo do frete sobe com o fechamento de Ormuz


Com a piora do cenário, seguradoras marítimas anunciaram cancelamentos de cobertura de risco de guerra para operações no Golfo e áreas adjacentes, com vigência a partir de 5 de março, segundo comunicados publicados por clubes e seguradoras do setor. O movimento eleva o custo de viagens e pressiona o frete de petróleo e derivados.


No mercado, prêmios de seguro de guerra chegaram a subir para até 1% do valor da embarcação em cerca de 48 horas, segundo fontes do setor ouvidas em relatórios internacionais, contra aproximadamente 0,2% na semana anterior.


Reflexo no Brasil e no Nordeste


A disparada do petróleo já entrou no radar da Petrobras. Fontes ouvidas pela Reuters relataram que a estatal monitora o impacto do conflito e pretende observar a trajetória do preço do barril e do câmbio ao longo da semana antes de decidir sobre preços de combustíveis no mercado interno.


Analistas consultados pela CNN Brasil apontam que o Brasil, mesmo exportador de petróleo fora da zona de risco, pode sentir efeitos em cadeia, com pressão sobre custos de energia, frete e insumos importados, como fertilizantes, além de risco inflacionário se o impasse se prolongar. No interior do Nordeste, o diesel pesa diretamente no transporte rodoviário que

abastece cidades do Sertão e do Agreste com alimentos e mercadorias, o que amplia a sensibilidade a oscilações internacionais do barril.


Contexto


O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima de saída do petróleo e do gás do Golfo Pérsico e concentra cerca de um quinto do consumo global de petróleo. Na prática, mesmo sem bloqueio físico permanente, ataques a navios e a decisão de armadores de suspender travessias têm efeito imediato de paralisar o fluxo e criar filas de embarcações dos dois lados da passagem.


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Clara Mendes

Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista do portal O estopim, com foco em economia, política e acontecimentos urgentes com impacto direto no Nordeste.

 
 
 
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