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Por Clara Mendes da Redação de O estopim | 25 de janeiro 2026


Deputado finalizava caminhada de 240 km quando descarga elétrica atingiu manifestantes na Praça do Cruzeiro; governo critica manutenção do evento sob tempestade.


O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) rechaçou, na noite deste domingo (25), as acusações de falta de planejamento em sua “Caminhada pela Liberdade”, que terminou em tragédia na Praça do Cruzeiro, em Brasília. Por volta das 13h, durante uma forte tempestade, um raio atingiu o local onde apoiadores aguardavam a chegada do parlamentar, deixando pelo menos 30 pessoas feridas. Nikolas, que completava um trajeto a pé iniciado em Minas Gerais, classificou o incidente como uma fatalidade que “foge do controle humano”.


João Paulo Nunes / Metrópoles
Nikolas Ferreira diz que tem muita gente orando pelos manifestantes atingidos por raio | Foto: João Paulo Nunes / Metrópoles

Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, entre os feridos encaminhados ao Hospital de Base e ao Hospital Regional da Asa Norte, oito apresentavam quadro de instabilidade, incluindo queimaduras e paradas cardiorrespiratórias momentâneas recuperadas pelas equipes de socorro.


“Não foi por irresponsabilidade. Foi literalmente algo que foge do nosso controle”, declarou Nikolas após visitar as vítimas. O deputado, que chegou ao evento usando um colete à prova de balas, aproveitou o discurso para atacar o Supremo Tribunal Federal, afirmando que não se vencerá a “tirania” na força, mas pelo diálogo.


A oposição, no entanto, reagiu prontamente. Parlamentares da base do governo, como Lindbergh Farias (PT-RJ) e Glauber Braga (PSOL-RJ), classificaram o ato como “irresponsável” por não ter sido dispersado diante do alerta de tempestade severa emitido pelas autoridades meteorológicas.


O evento reuniu cerca de 18 mil pessoas, de acordo com o Monitor do Debate Político no Meio Digital da USP. Relatos de testemunhas à CNN Brasil descrevem cenas de pânico e “um clarão que bateu no peito”, derrubando dezenas de manifestantes instantaneamente.


Este episódio marca o fim conturbado de uma agenda que tentava reaquecer a militância bolsonarista nas ruas, após meses de desmobilização. A “Caminhada pela Liberdade” tentava emular marchas históricas, mas acaba marcada pela imprudência diante dos alertas climáticos, comuns nesta época do ano no Centro-Oeste.


Embora o raio tenha caído no Planalto Central, o trovão ecoa forte nos grupos políticos de Pernambuco e do interior nordestino. Em Arcoverde e cidades vizinhas, onde os atos de rua são o coração da política local, o incidente acende um alerta sobre a segurança de grandes aglomerações a céu aberto, especialmente em períodos chuvosos. Além disso, o episódio já movimenta os grupos de WhatsApp da região, acirrando os ânimos entre lulistas e bolsonaristas locais, que usam a tragédia para medir forças sobre a responsabilidade de seus líderes. Aqui está um vídeo relevante sobre o incidente:

“O que aconteceu foi um incidente natural. Não foi irresponsabilidade nossa, não foi por falta de organização, não foi tumulto, foi algo que foge do controle”, declarou. | Fonte: Metróples

 
 
 

Enquanto Nikolas Ferreira pedia um "sinal dos céus" na Praça do Cruzeiro, a natureza respondeu com uma descarga elétrica (raio). Saldo do domingo: 72 atendidos, 8 em estado grave e a confirmação de que a "intervenção" veio, mas não a militar.


Por Redação O Estopim | Brasília, 25 de janeiro de 2026


Tempestade em Brasília provocou raios neste domingo (18). (Foto: reprodução/ilustração)
Tempestade em Brasília provocou raios neste domingo (25) | Foto: reprodução/ilustração

Se o lema era "Deus acima de todos", a meteorologia decidiu testar a fé dos patriotas neste domingo (25). O que deveria ser a apoteose da "Caminhada pela Liberdade", liderada pelo deputado e peregrino de ocasião Nikolas Ferreira (PL-MG), transformou-se no mais novo episódio da tragicomédia política nacional quando um raio, sim, uma descarga atmosférica, não uma metáfora, atingiu o epicentro da manifestação bolsonarista em Brasília.


O evento, desenhado para protestar contra a prisão do ex-capitão Jair Bolsonaro (atualmente desfrutando da hospitalidade estatal na "Papudinha" pelos próximos 27 anos) , ignorou um pequeno detalhe técnico: a ciência. Mesmo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) gritando em alerta laranja que o céu iria desabar , a liderança do movimento achou por bem manter milhares de pessoas aglomeradas no ponto mais alto do Plano Piloto, ao redor de guindastes e metais, debaixo de tempestade. O resultado foi chocante, literalmente.


O "sinal" veio forte


Eram 13h00 quando o céu de Brasília, talvez cansado de tanta oratória sobre "tomada de poder", decidiu intervir. Um raio caiu próximo ao trio elétrico e ao guindaste onde se concentravam os apoiadores. O fenômeno, conhecido como "tensão de passo", fez com que dezenas de manifestantes caíssem simultaneamente, numa coreografia que, se não fosse trágica, seria poética.


O saldo da imprudência travestida de bravura cívica: 72 pessoas atendidas pelos bombeiros (que já estavam lá, prevendo o caos), cerca de 30 hospitalizados entre o Hospital de Base e o HRAN, e 8 patriotas em estado grave na UTI. Felizmente, não houve óbitos, apenas o orgulho ferido e algumas queimaduras de Lichtenberg, aquelas figuras na pele que parecem tatuagens de samambaia, ironicamente, a planta mais comum nas repartições públicas que eles tanto odeiam.


Nikolas e a lógica do martírio


Nikolas Ferreira, que caminhou 240 km de Paracatu a Brasília mimetizando um calvário messiânico, mostrou que o show tem que continuar. Mesmo com ambulâncias correndo e apoiadores sendo reanimados no gramado enlameado, o deputado manteve o ato por um período, postando vídeos sob a chuva como um capitão que se recusa a abandonar o navio... ou melhor, o trio elétrico.


A ironia não passou despercebida: enquanto exigem que o Estado cuide menos da vida das pessoas, foi o Estado (via SUS e Corpo de Bombeiros) que correu para salvar os que ignoraram os alertas da Defesa Civil estatal.


Xandão, o Senhor dos Raios?


Como o brasileiro processa a tragédia através do escárnio, a internet não perdoou. A coincidência de um raio atingir um acampamento bolsonarista pela segunda vez (a primeira foi no QG do Exército em 2022)  acendeu a teoria da conspiração mais hilária do dia: Alexandre de Moraes teria comprado o HAARP?


Nas redes, o ministro do STF foi promovido de "Vigiar e Punir" para "Thor do Cerrado". Memes sugerem que, após cansar de assinar mandados de prisão, a "canetada" agora vem em forma de 300 milhões de volts. "Nem Deus aguenta mais", comentou um internauta, sugerindo que a descarga elétrica foi uma tentativa divina de dispersão, já que a PM não podia fazer muito.


Enquanto isso, na Papudinha...


Longe da chuva e dos raios, Jair Bolsonaro segue seguro em sua cela de 64m² na unidade da Polícia Militar. Com direito a banho de sol privativo e Smart TV, o ex-presidente assistiu de camarote seus fiéis seguidores servirem de para-raios para sua causa. A defesa tenta usar sua saúde para conseguir prisão domiciliar, mas, pelo visto, hoje era mais seguro estar preso na Papuda do que solto na "Caminhada pela Liberdade".


O episódio de hoje entra para a história como o momento em que a extrema-direita brasileira descobriu, da pior forma, que ignorar a climatologia pode ser tão perigoso quanto ignorar a Constituição. O raio não politiza, mas a política, certamente, eletrocuta.

 
 
 

Por Raul Silva para O Estopim | 04 de janeiro de 2026


A madrugada de 3 de janeiro de 2026 expôs a víscera mais inflamada da extrema-direita brasileira. Enquanto bombas norte-americanas estilhaçavam a soberania de uma nação sul-americana e tropas estrangeiras sequestravam um chefe de Estado no Palácio de Miraflores, uma parcela ruidosa de parlamentares brasileiros não sentiu apreensão, cautela ou respeito diplomático. Eles sentiram êxtase.


A mascara caída do falso patriotismo — Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP, Saul Loeb/AFP e Mario Agra/Câmara dos Deputados
A mascara caída do falso patriotismo — Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP, Saul Loeb/AFP e Mario Agra/Câmara dos Deputados

A celebração de figuras como Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Bia Kicis e Flávio Bolsonaro diante da Operação Absolute Resolve não é apenas um sintoma de antipetismo patológico. É a confissão definitiva de que o movimento bolsonarista abandonou qualquer pretensão de nacionalismo para abraçar um projeto de submissão colonial. A festa com a queda de Caracas é, na verdade, um pedido de socorro de quem falhou em dar um golpe com as próprias mãos em 8 de janeiro de 2023 e agora implora para que o "Grande Irmão" do Norte venha terminar o serviço em Brasília.


A peregrinação da traição: de Brasília a Washington Patriotismo


Para entender o júbilo de janeiro de 2026, é preciso olhar para o trabalho de formiga feito nos anos anteriores. O bolsonarismo inaugurou uma nova modalidade de política externa: a diplomacia da delação premiada.


Desde a derrota em 2022, comitivas lideradas por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Gustavo Gayer (PL-GO), acompanhadas de influenciadores como Paulo Figueiredo, transformaram os corredores do Capitólio dos EUA em um muro das lamentações contra o Brasil. O objetivo nunca foi defender interesses comerciais nacionais, mas sim implorar por sanções contra a própria pátria.


A articulação com o deputado republicano Chris Smith para aprovar o No Funding or Enforcement of Censorship Abroad Act (HR 9850) é a prova cabal dessa traição. Parlamentares brasileiros eleitos com o voto popular trabalharam ativamente para que uma potência estrangeira cortasse verbas e impusesse sanções a autoridades judiciais brasileiras, sob o pretexto falacioso de "liberdade de expressão". Eles pediram, em bom inglês, que os EUA punissem o Brasil porque o STF ousou defender a democracia contra seus ataques.


O "Deus, Pátria e Família" do bolsonarismo tem um asterisco: a Pátria só serve se for governada por eles. Caso contrário, que seja sancionada, isolada ou, como sonham ao olhar para a Venezuela, invadida.


O espelho de Caracas e a fantasia golpista


A reação nas redes sociais foi pedagógica. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) não se limitou a comentar; ele divulgou montagens substituindo o rosto de Nicolás Maduro pelo do presidente Lula sendo preso por agentes estrangeiros. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), num ato falho de desejo reprimido, profetizou que "Lula será delatado" e que o "Foro de São Paulo acabou".


Essa euforia revela a impotência política do grupo que defende o "Patriotismo". Tendo falhado em mobilizar as Forças Armadas brasileiras para um golpe clássico, e vendo o cerco da Polícia Federal se fechar sobre a trama de 8 de janeiro, o bolsonarismo terceirizou sua esperança golpista para Donald Trump. Eles olham para os helicópteros Black Hawk sobre Caracas e não veem uma tragédia geopolítica; veem um trailer do que desejam para o Palácio do Planalto. É a "Síndrome de Vira-Lata" elevada à categoria de estratégia militar.


#CongressoInimigoDoPovo: A guerra interna


Enquanto seus olhos brilham com a intervenção externa, suas mãos operam a destruição interna. A bancada que aplaude o imperialismo é a mesma que transformou o Legislativo no #CongressoInimigoDoPovo. A coerência é macabra: eles odeiam a soberania nacional tanto quanto odeiam o bem-estar da população brasileira.


  1. A Anistia da Impunidade: A obsessão pela PL da Anistia para os golpistas de 8 de janeiro não é sobre justiça; é sobre autoperdão. Parlamentares como Carla Zambelli e Bia Kicis sabem que a punição dos executores é o prelúdio da punição dos mandantes. Eles querem apagar a história da tentativa de abolição do Estado de Direito para ficarem livres para tentar de novo — desta vez, talvez, com apoio logístico externo.


  2. PEC das Praias (A Venda do Litoral): O mesmo Flávio Bolsonaro que celebra a invasão da Venezuela é o relator da famigerada PEC 3/2022, que abre caminho para a privatização de terrenos de marinha. Sob o disfarce de regularização, a proposta entrega o patrimônio ambiental e estratégico do litoral brasileiro à especulação imobiliária, muitas vezes internacional. É a soberania fatiada e vendida em lotes para resorts de luxo, enquanto a população local é empurrada para longe do mar.


  3. PL do Estupro (O Ódio às Mulheres): A bancada fundamentalista, liderada por nomes como Sóstenes Cavalcante, tentou impor o PL 1904/24, equiparando o aborto legal (mesmo em casos de estupro) ao homicídio. É o sadismo legislativo: punir meninas estupradas com penas maiores que as de seus estupradores.


Não podem voltar nunca mais


A invasão da Venezuela funcionou como um reagente químico, revelando a verdadeira cor do bolsonarismo. Não é verde e amarelo; é a cor da submissão.


Um grupo político que:


  • Pede sanções econômicas contra o próprio país em Washington;

  • Celebra o bombardeio de uma capital sul-americana;

  • Posta montagens sonhando com a prisão do seu presidente por tropas estrangeiras;

  • Tenta anistiar quem destruiu os Três Poderes;

  • Quer privatizar as praias e revitimizar mulheres violentadas;


Este grupo não é "oposição". É uma facção antinacional. A defesa da democracia brasileira em 2026 passa, obrigatoriamente, pelo banimento político, através do voto, desta casta que, se pudesse, trocaria a faixa presidencial por um cargo de gerente regional de uma colônia norte-americana. O Brasil é grande demais para ser governado por quem sonha em ser pequeno.

 
 
 
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