Por Michael Andrade, da redação de O estopim | Fonte: CNN Brasil | terça-feira (26) de maio de 2026
Declaração ocorreu durante o lançamento da primeira encíclica de Leão XIV, que também fez alertas sobre guerras, algoritmos e novas formas de exploração.

O papa Leão XIV reconheceu que a Igreja Católica não condenou de forma contundente a escravidão transatlântica até o século XIX e pediu desculpas publicamente durante o lançamento de sua primeira encíclica, intitulada Magnifica Humanitas, no Vaticano.
“Isso constitui uma ferida na memória cristã. Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, escreveu o pontífice no documento.
A encíclica, publicada nesta segunda-feira (25), tem como tema central os impactos da inteligência artificial e cobra regulamentação internacional para desacelerar o desenvolvimento de sistemas que, segundo o papa, podem disseminar desinformação, aprofundar desigualdades e ampliar riscos de conflitos.
Leão XIV defendeu que decisões envolvendo tecnologias de inteligência artificial não fiquem exclusivamente nas mãos de empresas privadas. Para ele, é necessário maior envolvimento político para proteger direitos, preservar trabalhadores e impedir que crianças sejam expostas a riscos provocados por novas tecnologias.
“O que é necessário é um envolvimento político mais ativo, capaz de desacelerar as coisas quando tudo está se acelerando”, escreveu.
O pontífice também afirmou que qualquer uso de inteligência artificial em guerras deve estar sujeito às mais rigorosas restrições éticas. Segundo ele, confiar decisões letais a sistemas automatizados é “inadmissível”.
No texto, Leão XIV denunciou o que chamou de “novas formas de escravidão”, citando trabalhadores envolvidos na cadeia de produção de equipamentos tecnológicos e pessoas submetidas a condições perigosas para extração de minerais usados em computadores, celulares e outros dispositivos.
A encíclica também traz críticas ao avanço das guerras no mundo, ao enfraquecimento de organismos multilaterais e aos lucros da indústria armamentista. O papa afirmou que a humanidade está mergulhando em uma cultura violenta de poder, em que a paz passa a ser vista apenas como intervalo frágil entre conflitos.
Leão XIV ainda fez uma das declarações mais diretas de um papa contra a chamada teoria da “guerra justa”, usada historicamente pela Igreja para avaliar conflitos. Para ele, a doutrina está ultrapassada.
“A teoria da ‘guerra justa’, que muitas vezes tem sido usada para justificar qualquer tipo de guerra, está agora ultrapassada”, escreveu.
O papa também demonstrou preocupação com líderes que possam utilizar conflitos armados como forma de desviar a atenção de problemas internos.
As encíclicas estão entre os documentos mais importantes de ensinamento de um papa aos fiéis católicos. O texto divulgado agora tem cerca de 43 mil palavras e foi aguardado desde a eleição de Leão XIV.
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