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Por Raul Silva para O estopim | 17 de junho de 2026



Homem de terno fala ao microfone em close-up, com fundo abstrato colorido e expressão séria.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, em encontro com jornalistas | Foto: Douglas Gomes/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal encontrou diálogos no celular do banqueiro Daniel Vorcaro em que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), aparece pedindo a liberação de um empréstimo do Banco Master para uma empresa ligada à sua cunhada. A informação, revelada nesta terça-feira, amplia a pressão política sobre Motta e aprofunda o desgaste de um caso que já vinha mobilizando órgãos de controle, o Congresso e o Banco Central.


O novo elemento muda o eixo da crise. Até aqui, o caso era tratado publicamente como uma operação privada entre o Banco Master e Bianca Medeiros, irmã da esposa de Motta. Com a revelação de que a PF identificou mensagens em que o deputado atua diretamente junto a Vorcaro para destravar o crédito, a discussão deixa de girar apenas em torno do parentesco e passa a atingir a eventual intermediação política de um negócio privado com forte potencial de conflito de interesses.


Segundo a nova revelação, os investigadores localizaram no aparelho de Vorcaro conversas nas quais Hugo Motta pede a liberação do empréstimo do Master para a empresa da cunhada. A informação surge no contexto das apurações sobre a rede de relações políticas e empresariais do ex-controlador do Banco Master, alvo de investigação em diferentes frentes.


A descoberta reforça a suspeita de proximidade entre o comando político da Câmara e um banqueiro já implicado em uma série de episódios sob escrutínio público e institucional. Também recoloca sob nova luz os movimentos anteriores de Motta em matérias legislativas que, segundo adversários e investigadores, podem ter beneficiado interesses ligados ao entorno de Vorcaro.


Antes mesmo da revelação dos diálogos, o empréstimo à cunhada de Motta já havia se tornado alvo de questionamentos. Reportagens publicadas em março mostraram que Bianca Medeiros contratou ao menos R$ 22 milhões com o Banco Master em 2024 para comprar o terreno de uma antiga fábrica de cimento em João Pessoa, área destinada a um futuro empreendimento imobiliário.


Os documentos conhecidos até aqui indicam que a operação foi firmada poucos dias depois de Bianca assumir o controle da ETC Participações. As cotas da empresa foram dadas em garantia ao banco. A transação chamou atenção não apenas pelo valor, mas pelo contexto político em torno do grupo familiar e da relação de Hugo Motta com o núcleo de influência de Brasília.


A partir daí, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu que a Corte avaliasse a operação, inclusive para verificar se houve uso direto ou indireto de recursos públicos, garantias estatais ou falhas de supervisão por parte do Banco Central. No Senado, parlamentares também cobraram esclarecimentos sobre as condições do contrato, as garantias oferecidas e a compatibilidade da operação com padrões usuais de mercado.


Até aqui, a linha pública de defesa de Hugo Motta tem sido a de negar participação no negócio. Em manifestações anteriores, o presidente da Câmara afirmou que se tratava de uma operação entre partes privadas e sustentou que não tem relação societária com a empresa envolvida. Também destacou que o empréstimo foi fechado em 2024, antes de sua chegada ao comando da Câmara.


Bianca Medeiros, por sua vez, declarou que o contrato foi celebrado em condições usuais de mercado, com garantias compatíveis com o valor da operação, e que a escolha do Banco Master decorreu das condições negociais apresentadas à época. A empresária também afirmou que a empresa responsável pela operação não possui relação societária, comercial ou de gestão com Hugo Motta.


A nova informação sobre os diálogos, no entanto, pressiona essa versão ao sugerir uma atuação direta do parlamentar na liberação do crédito. O ponto central, agora, não é apenas saber se a empresa tem vínculo formal com Motta, mas se houve uso de influência política ou pessoal para viabilizar uma operação privada em favor de familiar próximo.


A revelação tem peso por atingir um dos cargos mais poderosos da República. O presidente da Câmara controla a pauta da Casa, influencia negociações com o governo federal e ocupa posição central em votações de alto impacto econômico e institucional. Quando o ocupante desse posto aparece em diálogos com um banqueiro investigado para pedir um empréstimo a familiar, o dano político não depende apenas da tipificação penal do ato. Ele nasce do problema de interesse público e da erosão da confiança.


No entorno do caso Master, esse tipo de relação é especialmente sensível. Daniel Vorcaro passou a ser associado a uma rede de contatos com parlamentares, ministros e operadores políticos, em um ambiente em que favores privados e decisões públicas passaram a conviver de forma cada vez mais nebulosa. As novas mensagens atribuídas a Motta empurram o caso para esse mesmo terreno.


A tendência é que o episódio alimente novos pedidos de apuração no Congresso, no TCU e em outras instâncias de controle. A pressão deve se concentrar em três frentes: a origem e as condições do empréstimo, a eventual interferência de Hugo Motta na operação e os reflexos políticos da relação entre Vorcaro e agentes públicos com poder de decisão.


Também cresce a cobrança para que Motta apresente explicações públicas mais detalhadas sobre a natureza de sua relação com Vorcaro, o conteúdo das conversas citadas pela PF e o grau de envolvimento que teve no financiamento à empresa da cunhada. Em crise política, o silêncio costuma proteger pouco. E, neste caso, cada nova camada da investigação amplia a distância entre a versão de negócio estritamente privado e a hipótese de uma operação atravessada por capital político.


Por enquanto, o que era um empréstimo cercado de suspeitas passa a ser tratado como possível evidência de trânsito direto entre o comando da Câmara e o dono de um banco sob investigação. Para Motta, o problema já não é apenas o vínculo familiar com a beneficiária da operação. É a possibilidade de que a PF tenha encontrado, nas mensagens, o registro explícito de sua intervenção.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do O estopim, com foco em política, poder e temas de interesse público.

Por Michael Andrade, da redação de O estopim

| terça-feira (19) de maio de 2026


Nove vereadores divulgaram vídeo conjunto contra o presidente da Câmara, Luciano Pacheco, que respondeu com acusações e críticas à ausência dos parlamentares.


Foto: Michael Andrade
Foto: Michael Andrade

A crise política na Câmara de Vereadores de Arcoverde ganhou novos capítulos nesta segunda-feira (18), após a segunda sessão consecutiva ser cancelada por falta de quórum. Em meio ao impasse, nove vereadores divulgaram um vídeo conjunto criticando o presidente da Casa, Luciano Pacheco, que respondeu com outra gravação publicada nas redes sociais.


Participaram do vídeo os vereadores Célia Galindo, Luiza Margarida, Sargento Brito, João Taxista, João Marcos, Paulinho, Wellington Siqueira, Rodrigo Roa e Eriberto do Sacolão.


Na gravação, a vereadora Célia Galindo afirma que o grupo não reconhece mais a legitimidade de Luciano Pacheco na presidência da Câmara.


“Tenho dez mandatos de vereadora. Arcoverde me conhece. Eu não brinco com a verdade. Verdade não tem meio termo. Ou é, ou não é”, declarou.


Os vereadores também questionaram a atuação de Luciano Pacheco como servidor efetivo da Prefeitura de Arcoverde desde 1994.


Segundo o vídeo divulgado, o presidente da Câmara teria recebido, ao longo dos anos, quase meio milhão de reais como servidor público municipal.


“Surge então uma nova pergunta: advogado, vereador, fazendeiro e cantor nas horas vagas, será que o presidente da Câmara cumpre seu expediente de seis horas, de segunda a sexta-feira, na Prefeitura?”, diz um trecho da gravação.


Ainda no vídeo, os parlamentares afirmam que as ausências nas sessões são motivadas pela falta de reconhecimento da legitimidade da presidência da Casa.


“Chegamos ao limite. Os vereadores já não mais reconhecem a legitimidade do presidente Luciano Pacheco. Esse é o motivo das nossas ausências às sessões da Câmara”, afirmam.


Horas depois, Luciano Pacheco respondeu às acusações em outro vídeo divulgado nas redes sociais.


O presidente da Câmara afirmou que representações feitas contra ele já foram arquivadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).


“A OAB já arquivou duas vezes a representação que chegou contra mim”, declarou.


Luciano também rebateu os questionamentos sobre ser servidor efetivo do município.


“Eu sou funcionário público efetivo, concursado desde 1994. Eles fizeram uma denúncia grave porque eu sou concursado da Prefeitura”, afirmou.


Durante o pronunciamento, Luciano acusou vereadores de praticarem nepotismo e manterem familiares empregados na gestão municipal.


“O vídeo que os vereadores gravaram, eles tinham que dizer onde as esposas estão trabalhando, onde as irmãs estão trabalhando”, disse.


O presidente da Câmara também criticou a ausência dos parlamentares nas sessões legislativas.


“É normal os vereadores se combinarem para não vir para a sessão? Uma sessão uma vez por semana, segunda-feira à noite?”, questionou.


A troca pública de acusações amplia o clima de tensão política no Legislativo municipal, que vive um período de instabilidade marcado por denúncias, pedidos de cassação e sessões sem funcionamento por falta de presença parlamentar.


Até o momento, a Câmara de Arcoverde segue sem definição sobre quando os trabalhos legislativos voltarão à normalidade.


Nota da redação: Em meio à troca de acusações, ausência de sessões e disputa política, quem acaba sendo prejudicada é a população de Arcoverde, que permanece sem o funcionamento regular do Poder Legislativo municipal.


Confira os vídeos completos nas redes sociais dos parlamentares e do presidente da Câmara.


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Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Portal Panorama PE | segunda-feira (11) de maio de 2026


Presidente da Casa, Luciano Pacheco, afirmou que denúncias serão apresentadas em plenário e que comissões serão formadas.


Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

A Câmara de Vereadores de Arcoverde deve ler, na sessão desta segunda-feira (11), dois novos pedidos de cassação de mandato contra parlamentares da Casa.


A informação foi confirmada pelo presidente da Câmara, Luciano Pacheco, em entrevista ao Blog do Júnior Campos. Segundo ele, os pedidos foram recebidos pela presidência e serão apresentados oficialmente durante a reunião.


“Eu recebi como presidente dois pedidos de cassação de mandato de dois parlamentares. Então vai ser lida a denúncia, vão ser formadas as comissões e vai se iniciar mais dois processos de cassação de mandato de dois parlamentares”, declarou.

De acordo com Luciano Pacheco, a sessão também deverá definir a formação das comissões responsáveis por conduzir os processos.


A Câmara ainda não divulgou oficialmente os nomes dos parlamentares envolvidos nos novos pedidos de cassação.


O anúncio ocorre em meio a um momento de tensão política no Legislativo municipal, que já vinha registrando aumento no interesse público pelas sessões e pelas comissões em andamento.


Luciano Pacheco também convidou a população a acompanhar a sessão presencialmente ou pela transmissão on-line da Câmara, marcada para as 19h.


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