top of page
O estopim (2400 x 2400 px)8.png

Por Raul Silva para O estopim | 29 de março de 2026



A governadora Raquel Lyra (PSD) chega ao domingo, 29 de março, nos últimos dias da janela partidária de 2026 com uma contradição política no centro de sua estratégia eleitoral. De um lado, avançou sobre a base proporcional, reforçou o PSD, atraiu apoios no interior e ampliou a musculatura do bloco governista na Assembleia Legislativa. De outro, entra na semana decisiva sem apresentar uma definição fechada para a chapa majoritária que tentará levá-la à reeleição.


Mulher de camisa branca fala ao microfone em palco, fundo azul com texto "PERNAMBUCO". Outro homem ao fundo, atmosfera formal.
Raquel Lyra participa de evento no Recife, onde evita comentar sobre o cenário eleitoral e mantém indefinição sobre a chapa para 2026. | Foto: Reprodução

O impasse não é apenas de calendário. Ele expõe a natureza da disputa que Raquel precisará administrar até as convenções. A governadora acumulou alianças, mas ainda não resolveu com nitidez quem ocupará a vice, como serão distribuídas as duas vagas ao Senado e de que forma a recém-homologada Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, se comportará em Pernambuco depois da formalização nacional.


Na prática, Raquel entra na última semana da janela partidária com mais base do que no início do ano, mas sem a fotografia final de sua chapa.


A situação da governadora não é a de isolamento político, como em momentos anteriores de sua gestão. O quadro mudou. O União Brasil declarou apoio à sua reeleição em 18 de março, e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho aceitou o convite para disputar o Senado ao seu lado. Ao mesmo tempo, o PSD seguiu recebendo novas filiações, entre elas a do deputado federal Guilherme Uchôa Júnior, num movimento que ajuda Raquel a demonstrar capacidade de atração no plano partidário.


Mas uma coisa é ampliar a base. Outra, bem diferente, é concluir a engenharia da chapa.


Nem a vice-governadora Priscila Krause (PSD) foi confirmada publicamente na vice. A própria Raquel já evitou cravar sua permanência e disse, ainda em fevereiro, que a composição poderia ser fechada apenas mais adiante. A fala foi interpretada como sinal de que todas as peças ainda estavam em negociação.


No Senado, o quadro também permanece incompleto. Miguel Coelho passou a ocupar uma das vagas mais visíveis do campo governista, mas o segundo nome segue cercado de dúvidas. O senador Fernando Dueire (MDB) se movimenta como opção, porém enfrenta um problema político e partidário: o MDB tende a permanecer mais próximo da Frente Popular. Já o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) continua no radar, mas a relação com o governo sofreu desgaste nas últimas semanas e a federação recém-homologada adicionou uma nova camada de disputa interna.


A janela partidária e o prazo real de pressão


Pelo calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral, a janela partidária de 2026 começou em 5 de março e termina em 3 de abril. É nesse período que deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de legenda sem perder o mandato. Embora a definição da chapa majoritária não dependa formalmente do fim da janela, esse prazo funciona como acelerador político. É nele que se mede força, se distribui espaço, se testam lealdades e se desenham os contornos reais de cada palanque.


Para Raquel Lyra, esse cronograma importa por duas razões. Primeiro, porque o governo ainda aguarda o fechamento da janela para saber com mais precisão como ficarão as bancadas e em quais condições poderá operar na Alepe nos próximos meses. Segundo, porque a governadora precisa mostrar que a ampliação da base não é apenas numérica, mas também eleitoral.


Sem essa tradução para a chapa, o ganho de musculatura partidária corre o risco de parecer incompleto.


Pessoas em pé em um palco com fundo azul exibindo “União Progressista” e “UP”. Plateia observa, cenário formal e solene.
Anúncio oficial da formação da Federação União Progressista na Câmara, com líderes e membros keyados reunidos para o evento. | Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

A homologação da União Progressista pelo TSE, em 26 de março, reorganizou o tabuleiro. Em tese, a federação reforça o bloco de centro e centro-direita com o qual Raquel tenta montar sua reeleição. Em Pernambuco, a tendência predominante continua sendo de apoio à governadora. Mas a formalização nacional não eliminou os conflitos locais. Em alguns casos, ela apenas os concentrou.


O principal deles envolve protagonismo. Miguel Coelho, hoje já apresentado como pré-candidato ao Senado ao lado de Raquel, representa o núcleo do União Brasil que aderiu ao palanque governista. Eduardo da Fonte, por sua vez, mantém influência decisiva no PP e assumirá peso ainda maior dentro da federação em Pernambuco. O problema é que os dois orbitam o mesmo espaço de poder e têm pretensões que nem sempre cabem de forma harmoniosa na mesma equação.


É por isso que a governadora, mesmo com a federação homologada, ainda não pode vender a narrativa de chapa encerrada. A união fortalece o bloco, mas não resolve automaticamente a distribuição das posições mais cobiçadas.


O contraste com João Campos pesa para Raquel Lyra


A indefinição de Raquel também é lida em contraste com o avanço do campo adversário. João Campos (PSB) entrou no fim de semana com o apoio formalizado do PT, consolidando uma chapa com Humberto Costa, Marília Arraes e Carlos Costa. Esse desenho dá ao prefeito do Recife uma vantagem narrativa importante: a de quem conseguiu converter articulação em imagem pronta.


Raquel ainda não está nessa etapa. Seu campo tem ativos, prefeitos, partidos, estrutura e capilaridade. Mas ainda precisa transformar isso numa mensagem simples para o eleitor. Em política majoritária, a diferença entre ter apoios e parecer ter rumo pode ser decisiva.


Há, evidentemente, uma racionalidade na demora. Antecipar a chapa antes de acomodar todos os aliados pode produzir perdas desnecessárias. Fechar cedo demais pode empurrar insatisfeitos para candidaturas proporcionais hostis, reduzir margem de negociação e aprofundar fissuras dentro de uma coalizão heterogênea.


Dois indivíduos seguram microfones, parecendo falar em eventos separados. A mulher veste listras e o homem usa terno azul. Fundo neutro.
Governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e o prefeito do Recife, João Campos, em destaque como potenciais adversários políticos nas eleições de 2026. | Foto: Reprodução/Folha de Pernambuco

Raquel parece apostar justamente no movimento contrário. Em vez de anunciar a moldura final, prefere preservar flexibilidade. Foi essa a linha adotada quando evitou comentar o cenário eleitoral durante agenda de governo no Recife, em 23 de março, sob o argumento de que não queria misturar gestão e disputa eleitoral. Publicamente, o discurso é o de foco administrativo. Politicamente, porém, a leitura é de que a governadora tenta ganhar tempo para fechar melhor a conta.


Esse cálculo tem vantagens, mas também custo. Quanto mais a adversária posterga a definição, mais o campo oposicionista explora a imagem de um palanque ainda sem forma final.


O problema não é falta de nomes, mas excesso de vetores


Dizer que Raquel entra na última semana da janela sem definição de chapa não significa dizer que lhe faltam opções. O problema é outro. Existem nomes demais, interesses demais e centros de força demais para poucas posições.


Priscila Krause representa continuidade administrativa e lealdade de governo. Miguel Coelho traz o peso do Sertão e de uma família politicamente estruturada. Fernando Dueire oferece mandato, trânsito em Brasília e experiência senatorial. Eduardo da Fonte carrega densidade partidária, capilaridade e capacidade de negociação. Ao redor deles, gravitam ainda outros atores de peso, como Mendonça Filho, quadros do Podemos, do Avante e lideranças municipais que querem participar da equação.


Esse excesso de vetores ajuda a explicar por que a chapa ainda não saiu do terreno da hipótese para o da formalização política plena.


Two women smiling and holding hands. One in a floral blouse, the other in a black shirt. Brazilian flag visible in the background. Warm mood.
Raquel ainda pondera sobre a continuidade de Priscila Krause como sua vice-governadora. | Foto: Reprodução

Os próximos dias serão decisivos menos pelo anúncio imediato de uma chapa completa e mais pela sinalização de autoridade política. Raquel precisará mostrar pelo menos três coisas.


A primeira é que o crescimento do PSD e da base governista na janela partidária se traduz em comando real sobre o processo.


A segunda é que a federação União Progressista não se tornará uma nova frente de instabilidade dentro do seu palanque.


A terceira é que sua reeleição não dependerá apenas da força da máquina estadual, mas de uma narrativa organizada, com alianças coerentes e direção clara.


Se conseguir isso, a indefinição atual poderá ser lida como prudência estratégica. Se não conseguir, ela passará a ser interpretada como dificuldade de coordenação.


Entre a ampliação da base e a ausência de moldura


Neste domingo, o retrato de Raquel Lyra é o de uma governadora que melhorou sua posição em relação ao começo do ano, mas ainda não concluiu a peça central da disputa. Ela chega aos últimos dias da janela partidária com mais partidos, mais filiações e mais conversas, porém sem ter transformado tudo isso numa chapa fechada.


Num cenário em que João Campos já avança com imagem mais organizada do seu campo, a governadora entra na semana final pressionada a converter força difusa em desenho político compreensível. O que está em jogo não é apenas a ocupação de vagas. É a capacidade de fazer o eleitor enxergar quem está com ela, por quê e em torno de qual projeto.


Até aqui, Raquel reuniu peças. A semana que começa dirá se conseguirá montar o tabuleiro.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Raul Silva é jornalista, escritor e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, sociedade e cultura, com foco em contexto, interesse público e verificação dos fatos.

Encontro nesta terça-feira (10), no auditório da AESA, abre etapa de escuta sobre impactos ambientais do trecho entre São Caetano e Arcoverde; governo estadual aponta prioridade para chegar à cidade no primeiro lote.


Por Raul Silva para O estopim | 10 de Março de 2026


Vice-governadora de Pernambuco em entrevista em Arcoverde PE | Foto: Portal Panorama
Vice-governadora de Pernambuco em entrevista em Arcoverde PE | Foto: Portal Panorama

A audiência pública sobre a duplicação, adequação e restauração da BR-232 no trecho entre São Caetano e Arcoverde foi realizada na manhã desta terça-feira (10), em Arcoverde, no Sertão do Moxotó. O encontro, no auditório da Autarquia de Ensino Superior de Arcoverde (AESA), teve como foco a apresentação do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) e a coleta de contribuições da população, dentro do processo de licenciamento.



A vice-governadora Priscila Krause participou da audiência e afirmou que a gestão estadual precisou reiniciar o planejamento para avançar com a duplicação após o trecho já duplicado até São Caetano.


“Quando assumimos o governo, não havia estudo nem projeto para continuar a duplicação. Foi necessário começar do zero, estruturar o projeto e buscar os recursos para tornar essa obra possível”, afirmou.

O prefeito de Arcoverde, Zeca Cavalcanti, defendeu a continuidade da obra até o município e associou o avanço à existência de um projeto executivo e ao licenciamento.


“Durante muitas eleições se falou em duplicar a BR-232, mas nada avançava porque não existia projeto. A governadora Raquel Lyra teve a coragem de começar do zero e transformar essa promessa em realidade. Para Arcoverde, é uma notícia extraordinária, porque essa primeira etapa chega até a nossa cidade”, afirmou.

Em outra fala registrada por publicações locais, o prefeito acrescentou:


“Depois da duplicação até São Caetano, aquela região deu um salto econômico. Agora Arcoverde e o Sertão entram nesse novo momento de desenvolvimento, com mais mobilidade, mais investimentos e mais oportunidades, graças à boa gestão da governadora Raquel Lyra para o nosso povo”.

O projeto em discussão integra o processo de licenciamento ambiental e o trecho de intervenção entre São Caetano e Arcoverde tem cerca de 109 quilômetros e impacta diretamente seis municípios: São Caetano, Tacaimbó, Belo Jardim, Sanharó, Pesqueira e Arcoverde. Além da audiência em Arcoverde, uma segunda audiência pública foi marcada para a tarde desta terça-feira (10), em Belo Jardim.


Em publicação institucional, o DER-PE informou que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do empreendimento ficaram disponíveis para consulta pública no portal da CPRH, com prazo de 45 dias para o recebimento de comentários e solicitações relacionadas ao processo de licenciamento.


A proposta apresentada nas audiências faz parte de um plano mais amplo de duplicação no interior, um pacote de aproximadamente 264,9 quilômetros de duplicação, ligando São Caetano a Serra Talhada, com prioridade inicial para o trecho até Arcoverde.


Em etapa paralela de articulação técnica, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que realizou, em fevereiro, reunião e visita técnica com o DER-PE para discutir o projeto de duplicação da BR-232 entre São Caetano e Belo Jardim, dentro do Novo PAC.


O diretor-presidente do DER-PE, André de Souza Fonseca, já havia citado a BR-232 como corredor logístico estratégico do estado em declaração recente sobre obras na rodovia.


“A BR-232 é um dos principais corredores logísticos de Pernambuco, e cada intervenção realizada representa mais segurança, mobilidade e desenvolvimento para o Estado”, afirmou.

Esta fase de audiências ocorre no momento em que o EIA/Rima é apresentado ao público e recebe contribuições formais, etapa exigida no licenciamento ambiental para empreendimentos de grande porte. A duplicação da BR-232 é uma demanda recorrente no interior desde a conclusão do trecho Recife-Caruaru, executado há cerca de duas décadas.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim & @muira.ubi

Jornalista, Escritor e Professor. Raul Silva é a mente que arquitetou O estopim. Sua missão é desmontar narrativas hegemônicas e oferecer um jornalismo que não tem medo de comprar briga com o poder estabelecido. Aqui, ele assina as principais análises editoriais e coordena a visão estratégica do portal.

bottom of page