Enquanto Nikolas Ferreira pedia um "sinal dos céus" na Praça do Cruzeiro, a natureza respondeu com uma descarga elétrica (raio). Saldo do domingo: 72 atendidos, 8 em estado grave e a confirmação de que a "intervenção" veio, mas não a militar.
Por Redação O Estopim | Brasília, 25 de janeiro de 2026

Se o lema era "Deus acima de todos", a meteorologia decidiu testar a fé dos patriotas neste domingo (25). O que deveria ser a apoteose da "Caminhada pela Liberdade", liderada pelo deputado e peregrino de ocasião Nikolas Ferreira (PL-MG), transformou-se no mais novo episódio da tragicomédia política nacional quando um raio, sim, uma descarga atmosférica, não uma metáfora, atingiu o epicentro da manifestação bolsonarista em Brasília.
O evento, desenhado para protestar contra a prisão do ex-capitão Jair Bolsonaro (atualmente desfrutando da hospitalidade estatal na "Papudinha" pelos próximos 27 anos) , ignorou um pequeno detalhe técnico: a ciência. Mesmo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) gritando em alerta laranja que o céu iria desabar , a liderança do movimento achou por bem manter milhares de pessoas aglomeradas no ponto mais alto do Plano Piloto, ao redor de guindastes e metais, debaixo de tempestade. O resultado foi chocante, literalmente.
O "sinal" veio forte
Eram 13h00 quando o céu de Brasília, talvez cansado de tanta oratória sobre "tomada de poder", decidiu intervir. Um raio caiu próximo ao trio elétrico e ao guindaste onde se concentravam os apoiadores. O fenômeno, conhecido como "tensão de passo", fez com que dezenas de manifestantes caíssem simultaneamente, numa coreografia que, se não fosse trágica, seria poética.
O saldo da imprudência travestida de bravura cívica: 72 pessoas atendidas pelos bombeiros (que já estavam lá, prevendo o caos), cerca de 30 hospitalizados entre o Hospital de Base e o HRAN, e 8 patriotas em estado grave na UTI. Felizmente, não houve óbitos, apenas o orgulho ferido e algumas queimaduras de Lichtenberg, aquelas figuras na pele que parecem tatuagens de samambaia, ironicamente, a planta mais comum nas repartições públicas que eles tanto odeiam.
Nikolas e a lógica do martírio
Nikolas Ferreira, que caminhou 240 km de Paracatu a Brasília mimetizando um calvário messiânico, mostrou que o show tem que continuar. Mesmo com ambulâncias correndo e apoiadores sendo reanimados no gramado enlameado, o deputado manteve o ato por um período, postando vídeos sob a chuva como um capitão que se recusa a abandonar o navio... ou melhor, o trio elétrico.
A ironia não passou despercebida: enquanto exigem que o Estado cuide menos da vida das pessoas, foi o Estado (via SUS e Corpo de Bombeiros) que correu para salvar os que ignoraram os alertas da Defesa Civil estatal.
Xandão, o Senhor dos Raios?
Como o brasileiro processa a tragédia através do escárnio, a internet não perdoou. A coincidência de um raio atingir um acampamento bolsonarista pela segunda vez (a primeira foi no QG do Exército em 2022) acendeu a teoria da conspiração mais hilária do dia: Alexandre de Moraes teria comprado o HAARP?
Nas redes, o ministro do STF foi promovido de "Vigiar e Punir" para "Thor do Cerrado". Memes sugerem que, após cansar de assinar mandados de prisão, a "canetada" agora vem em forma de 300 milhões de volts. "Nem Deus aguenta mais", comentou um internauta, sugerindo que a descarga elétrica foi uma tentativa divina de dispersão, já que a PM não podia fazer muito.
Enquanto isso, na Papudinha...
Longe da chuva e dos raios, Jair Bolsonaro segue seguro em sua cela de 64m² na unidade da Polícia Militar. Com direito a banho de sol privativo e Smart TV, o ex-presidente assistiu de camarote seus fiéis seguidores servirem de para-raios para sua causa. A defesa tenta usar sua saúde para conseguir prisão domiciliar, mas, pelo visto, hoje era mais seguro estar preso na Papuda do que solto na "Caminhada pela Liberdade".
O episódio de hoje entra para a história como o momento em que a extrema-direita brasileira descobriu, da pior forma, que ignorar a climatologia pode ser tão perigoso quanto ignorar a Constituição. O raio não politiza, mas a política, certamente, eletrocuta.
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