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Por Raul Silva para O estopim | 19 de junho de 2026



Fachada de prédio histórico à noite, iluminada em verde, vermelho e dourado, com palmeiras e céu escuro ao fundo.
Palácio do Campo das Princesas sede do Governo pernambucano | Foto: Reprodução

O Governo de Pernambuco decretou ponto facultativo para a próxima segunda-feira, 22 de junho, nas repartições públicas e entidades da administração direta e indireta do Estado. A medida se soma à decisão já tomada no fim de maio de transferir o ponto facultativo de Corpus Christi, antes previsto para 4 de junho, para a terça-feira, 23, véspera de São João. Na prática, o calendário administrativo estadual abre duas datas consecutivas sem expediente regular antes do feriado junino de 24 de junho.


A nova decisão alcança os órgãos da estrutura estadual e, segundo o governo, não se aplica aos serviços considerados essenciais. Isso significa que áreas indispensáveis ao atendimento da população seguem funcionando de acordo com a avaliação dos gestores de cada pasta.


Com o novo desenho, o expediente do funcionalismo estadual fica assim: segunda-feira, 22 de junho, ponto facultativo; terça-feira, 23 de junho, ponto facultativo transferido de Corpus Christi; quarta-feira, 24 de junho, feriado de São João.


A alteração mais sensível no calendário já havia sido formalizada no fim de maio, quando o Palácio do Campo das Princesas deslocou o ponto facultativo de Corpus Christi para 23 de junho. Com isso, o expediente foi mantido normalmente em 4 de junho, data litúrgica celebrada pela Igreja Católica, e a folga administrativa passou a ser incorporada à véspera de São João.


A decisão foi lida dentro do governo como uma forma de alinhar o calendário oficial ao peso cultural e econômico das festas juninas em Pernambuco, sobretudo em cidades que concentram programação turística, circulação de visitantes e aumento no consumo durante o ciclo de junho.


Para o funcionalismo estadual, a combinação das datas cria um intervalo mais longo no entorno do feriado de São João. A segunda-feira facultativa antecede o ponto transferido de terça e desemboca no feriado do dia 24. O impacto direto recai sobre o expediente administrativo comum, enquanto os serviços essenciais permanecem preservados.


O governo também já havia anunciado a antecipação do pagamento da folha de junho para a segunda-feira, 22, o que reforça o movimento de concentração de medidas administrativas no início da semana junina.


Na prática, o cidadão deve esperar redução de atendimento em repartições administrativas do Estado entre os dias 22 e 24 de junho. Demandas presenciais que dependem de expediente burocrático, protocolo, análise documental e atendimento interno podem sofrer interrupção ou funcionar em regime especial, a depender do órgão.


A recomendação é que usuários consultem previamente canais oficiais antes de buscar atendimento presencial. Na área da saúde, a Farmácia de Pernambuco já informou suspensão do atendimento nos dias 23 e 24, com retomada prevista para 25 de junho.


A sequência adotada pelo governo expõe um dado político e cultural relevante. Em Pernambuco, São João mobiliza cidades, movimenta a economia regional e interfere diretamente no planejamento do setor público. Ao deslocar o ponto facultativo de Corpus Christi e, depois, abrir mais uma data na segunda-feira que antecede o feriado, o Estado sinaliza que o calendário junino foi tratado neste ano como prioridade administrativa.


Isso não transforma automaticamente as datas em feriados civis estaduais fora do que a lei estabelece, mas reorganiza o funcionamento da máquina pública para acompanhar o período de maior intensidade das festas.


Corpus Christi não é feriado estadual em Pernambuco. Por isso, o que o governo administra nesse caso é o ponto facultativo do serviço público. Já o São João, celebrado em 24 de junho, segue como referência central do calendário cultural pernambucano e, na prática, orienta decisões de expediente em diversos municípios e órgãos públicos.


A combinação entre tradição, circulação econômica e gestão administrativa ajuda a explicar por que o Executivo estadual preferiu concentrar a folga institucional na semana mais forte dos festejos juninos.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, gestão pública e temas de interesse regional, com foco em contexto, impacto e serviço.



Por Helena Valente para O estopim | 23 de Maio de 2026



A denúncia apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco, o Sintepe, sobre possíveis irregularidades em contratos de manutenção e reforma de escolas estaduais colocou a gestão Raquel Lyra diante de uma pergunta que não cabe mais na propaganda oficial: onde foi parar o dinheiro destinado à educação pública? O caso ganhou força após vídeo da presidenta licenciada do sindicato, Ivete Caetano, circular com imagens de boletins de medição, valores milionários e escolas que, segundo a entidade, seguem com infiltrações, mofo, risco elétrico, forros quebrados e ambientes sem condições adequadas para estudantes e profissionais.


O episódio atinge o centro do discurso político da governadora. Raquel Lyra tem repetido que passou parte do governo “arrumando a casa” e que agora Pernambuco “acelerou”. A denúncia do Sintepe inverte o sentido da frase e impõe outra leitura: se a casa foi arrumada, por que escolas listadas como atendidas por reformas continuam parecendo abandonadas? Se o governo acelerou, acelerou a entrega real ou acelerou a liberação de pagamentos sem garantia pública de resultado?


A pergunta é dura, mas necessária. Não se trata de afirmar, sem conclusão dos órgãos de controle, que houve desvio. Trata-se de cobrar explicação imediata sobre a distância entre a planilha oficial e a parede mofada, entre o boletim de medição e o fio exposto, entre o valor liquidado e a sala sem segurança.


Fachada branca de prédio alto com janelas verticais, galhos de árvore na frente e brasão na base.
Fachada da ETEPAM, escola que consta como recém reformada e onde os boletins de medição afirmam que foram gastos mais de R$ 2 milhões em melhorias | Foto: Sintepe

O Sintepe afirma ter coletado informações no Portal da Transparência do Governo de Pernambuco sobre um contrato de manutenção de escolas no valor total de R$ 182.784.905,05. Segundo a entidade, o contrato teria abrangido 798 unidades de ensino em todo o Estado.


A partir de boletins de medição de obra, o sindicato informou ter analisado parte da documentação e realizado vistoria presencial em uma amostra de dez escolas. A conclusão apresentada em coletiva foi grave: unidades que aparecem como contempladas por serviços de manutenção e reforma seguiriam com problemas estruturais incompatíveis com os valores informados.


Entre os problemas apontados estão:

  • infiltrações e mofo em paredes, tetos e salas de aula;

  • fiação exposta e risco de choque elétrico;

  • ambientes interditados ou inadequados para atividades pedagógicas;

  • banheiros sem condições adequadas de uso;

  • quadras deterioradas;

  • climatização insuficiente;

  • relatórios fotográficos com possíveis inconsistências;

  • suspeita de repetição de imagens em boletins de medição de períodos diferentes.


O sindicato diz ter encaminhado a denúncia ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público de Pernambuco e ao Tribunal de Contas da União. A apuração desses órgãos será decisiva para separar erro administrativo, falha de fiscalização, irregularidade contratual e eventual dano ao erário.


Em vídeo publicado nas redes sociais, Ivete Caetano aparece diante da Escola ETEPAM e apresenta documentos, mostrando valores que passam de R$ 1,4 milhão, R$ 1,6 milhão e R$ 2,3 milhões para intervenções em unidades da rede estadual. Ela questiona, como escolas que aparecem em registros oficiais de manutenção continuam com sinais de precariedade.


Esse é o ponto central. O caso não depende apenas da retórica oposicionista nem da defesa automática do Palácio. O que precisa ser respondido é documental: qual serviço foi contratado, qual serviço foi executado, quem mediu, quem atestou, quem pagou, qual fonte de recurso foi usada e qual escola recebeu efetivamente cada intervenção.


A força da fala de Ivete Caetano está justamente na exposição de uma contradição concreta. Se o boletim informa manutenção elétrica, por que há denúncia de risco elétrico? Se o relatório fotográfico comprova serviço, por que o Sintepe aponta repetição de imagens? Se a escola foi reformada, por que professores e estudantes ainda convivem com mofo, infiltração e teto comprometido?



A denúncia vem sendo tratada no debate público como mais um escândalo na educação pernambucana e levanta questionamentos sobre dinheiro vinculado à educação, especialmente em um ambiente de confusão entre Fundeb, Fundef, precatórios e despesas de manutenção.


Essa distinção importa. O Fundeb financia a educação básica e possui regras de vinculação. Parte dos recursos deve ser destinada à remuneração de profissionais da educação e outra parte pode custear ações de manutenção e desenvolvimento do ensino. Já os precatórios do Fundef, decorrentes de diferenças históricas no financiamento educacional, também carregam forte marca de vinculação à educação e de disputa jurídica com trabalhadores da área.


Por isso, a gestão estadual precisa responder com precisão: os R$ 182,7 milhões questionados saíram de qual fonte? Houve uso de recursos de precatórios do Fundef? Houve mistura com outras rubricas da educação? Algum valor relacionado ao Fundeb entrou na execução? As despesas foram classificadas corretamente? As escolas receberam o serviço correspondente ao que foi liquidado?


Quando o dinheiro é carimbado para educação, a régua de transparência precisa ser mais alta. Não basta dizer que houve manutenção. É preciso mostrar a ordem de serviço, a nota de empenho, a medição, a foto, o fiscal responsável, a liquidação, o pagamento e o resultado físico dentro da escola.


Teto de sala vazia com placas faltando, luminárias e alto-falantes; paredes cinza e porta azul ao fundo.
Auditório da ETEPAM após reforma | Fonte: Sintepe.

A denúncia revela uma fratura comum na administração pública: a diferença entre a escola que aparece na planilha e a escola que o estudante encontra quando chega para estudar.


Na planilha, há valores milionários, medições, relatórios, fotos e atestos. No chão da escola, segundo o Sintepe, há mofo, fiação exposta, teto quebrado e calor. Essa distância é o verdadeiro escândalo, independentemente do desfecho jurídico.


Se a manutenção foi paga e não resolveu o problema, houve ao menos falha de planejamento. Se a medição foi atestada sem execução adequada, houve falha de fiscalização. Se documentos foram repetidos ou usados para justificar serviços não realizados, o caso entra em patamar mais grave e precisa de responsabilização administrativa, civil e, se for o caso, criminal.


A pergunta que o governo precisa responder não é apenas “quanto foi investido?”. A pergunta correta é: o que mudou na escola depois que o dinheiro saiu do cofre público?


Armários azuis gastos com cadeados em corredor, com adesivos e arranhões; pequeno texto branco visível.
Armários usados na ETEPAM após melhorias estruturais feitas pelo Governo Raquel Lyra na escola | Fonte: Sintepe

A Secretaria de Educação informou à imprensa que vem empenhando esforços para tornar o ambiente escolar mais seguro e adequado ao processo de ensino e aprendizagem. Também afirmou que as escolas passam por serviços de manutenção, reforma e ampliação, além de citar repasses do Programa Investe Escola para ações pedagógicas, conservação e melhorias de infraestrutura.


Em manifestação ao Jamildo.com, a Secretaria declarou que não haveria impedimento legal para a contratação da empresa Cetus Construtora e que duplicidades em boletins de medição teriam sido identificadas e saneadas.


A resposta, no entanto, não encerra o caso. Ao contrário, abre novas perguntas. Se havia duplicidade, quando ela foi identificada? Quem identificou? Qual foi o impacto financeiro? Houve pagamento indevido? O valor foi glosado? A empresa foi notificada? Houve responsabilização de fiscais? A documentação corrigida foi publicada de forma acessível?


A expressão “saneada” não pode funcionar como borracha administrativa. Em contratos de quase R$ 183 milhões, toda inconsistência precisa deixar rastro público de correção.



A empresa citada nos registros e nas reportagens é a Cetus Construtora Ltda.. A discussão sobre a contratação envolve valores elevados, serviços espalhados por centenas de unidades e execução simultânea em regiões diferentes do Estado.


Esse tipo de contrato exige fiscalização robusta. Não basta que a empresa apresente boletim. O Estado precisa conferir a execução física, validar quantidades, verificar qualidade, cruzar datas, comparar fotos, ouvir a direção da escola e registrar eventuais falhas.


A administração pública não pode terceirizar a confiança. Quando uma escola continua com problema depois de uma suposta manutenção, o fiscal do contrato precisa explicar por que atestou. Quando a foto se repete, alguém precisa explicar por que ela passou. Quando o serviço é pago e o usuário final não percebe a melhoria, o gestor precisa mostrar o que foi feito.


O caso da educação não aparece isolado. Ele se soma a uma sequência de episódios em áreas sensíveis do governo estadual, especialmente na saúde, onde a narrativa de obras e requalificações também tem sido confrontada por imagens de precariedade.


No Hospital da Restauração, maior emergência pública de Pernambuco, o governo anunciou investimentos milionários em reforma, ampliação e requalificação. Ainda assim, vídeos recentes mostraram água invadindo áreas internas, parte do teto cedendo e relatos de pacientes e acompanhantes com medo durante as chuvas. Também circularam registros de vazamentos por luminárias, tomadas e paredes.


A comparação é inevitável porque o padrão político se repete: o governo anuncia obra, exibe número, produz peça publicitária e vende a ideia de aceleração. Depois, a realidade aparece por baixo da pintura, na água que escorre, no teto que cede, no fio exposto, no mofo e no medo de quem precisa usar o serviço público.


Educação e saúde são áreas diferentes, com contratos diferentes e fontes de recurso diferentes. Mas a pergunta pública é a mesma: o dinheiro anunciado está virando entrega real ou está virando apenas imagem de governo?


Governos têm direito de divulgar ações. Mas propaganda pública não pode ocupar o lugar da transparência. Quando uma gestão diz que “arrumou a casa”, precisa aceitar que a sociedade abra a porta e olhe os cômodos.


No caso das escolas, o que se vê nas denúncias do Sintepe é um choque entre narrativa e evidência. O governo diz que acelerou. O sindicato diz que encontrou escolas deterioradas apesar de pagamentos milionários. A imprensa mostrou que a própria Secretaria reconhece ter havido duplicidades em boletins, ainda que afirme que o problema foi corrigido.


Esse conjunto é suficiente para exigir investigação ampla. Não basta uma nota de assessoria. Pernambuco precisa saber se houve erro, negligência, desperdício, pagamento indevido ou fraude.


Fachada moderna do Tribunal de Contas de Pernambuco, com placa Edif. Dom Helder Câmara, vista em ângulo.
Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco | Fonte: TCE/PE

O Tribunal de Contas, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União precisam atuar com rapidez, porque escolas continuam funcionando enquanto a apuração se arrasta.


O caminho mínimo passa por cinco providências:

  • auditoria dos contratos, empenhos, liquidações e pagamentos;

  • cruzamento entre boletins de medição e vistorias presenciais;

  • análise das fotografias usadas para comprovar execução;

  • identificação dos fiscais que atestaram cada serviço;

  • verificação da origem dos recursos e da compatibilidade com as regras da educação.


Também é necessário ouvir diretores, professores, estudantes, empresas contratadas, fiscais de contrato e gestores da Secretaria de Educação. A investigação não pode ficar limitada à formalidade dos documentos, porque a denúncia trata justamente da distância entre documento e realidade.


Mulher de camisa branca fala ao microfone em sala com painéis de madeira, em postura séria e concentrada.
Raquel Lyra atual governadora de Pernambuco | Foto: Reprodução

Raquel Lyra chegou ao governo prometendo gestão técnica, reconstrução administrativa e capacidade de entrega. A denúncia do Sintepe atinge esse núcleo de imagem. Se a gestão se vende como organizada, precisa provar que sabe controlar contratos. Se diz que acelerou, precisa demonstrar que a aceleração não atropelou a fiscalização.


O problema não é apenas contábil. É político, social e moral. Cada real mal aplicado em uma escola pública é retirado de estudantes que já enfrentam desigualdade, salas quentes, evasão, violência, falta de estrutura e desvalorização dos profissionais.


Não há política educacional séria quando o prédio adoece. Não há valorização do professor quando ele trabalha sob risco elétrico. Não há aprendizagem plena quando o aluno precisa dividir atenção entre a aula e a infiltração no teto.


O Governo de Pernambuco deve explicações objetivas à sociedade. Não basta dizer que investiu. Precisa provar que entregou.


As perguntas centrais são:

  • qual foi o valor total contratado, empenhado, liquidado e pago à Cetus Construtora na manutenção das escolas;

  • quais escolas foram atendidas e quais serviços foram realizados em cada unidade;

  • qual foi a fonte de recurso usada em cada pagamento;

  • quem foram os fiscais responsáveis por atestar os boletins;

  • quais boletins tiveram duplicidade ou inconsistência;

  • se houve glosa, ressarcimento, penalidade ou correção contratual;

  • por que escolas apontadas como reformadas seguem com problemas estruturais;

  • como o governo pretende proteger estudantes e servidores enquanto a apuração ocorre.


A resposta precisa vir com documentos, não com slogans.


O Sintepe e Ivete Caetano colocaram uma pergunta que o governo não pode tratar como ataque político: cadê a reforma das escolas?


A sociedade pernambucana tem o direito de fazer outra: se a gestão passou três anos dizendo que arrumava a casa e agora diz que acelerou, acelerou exatamente o quê?


A resposta precisa aparecer nas escolas. Não no vídeo oficial, não no discurso de palanque, não na placa de obra. Precisa aparecer na sala sem mofo, no banheiro funcionando, no fio protegido, na quadra segura, no teto firme e no dinheiro público aplicado onde deveria estar.


Enquanto isso não acontecer, a denúncia sobre os R$ 183 milhões continuará sendo mais que uma disputa entre governo e sindicato. Será um retrato incômodo de um Estado que anuncia transformação, mas ainda precisa provar que transformou a vida de quem depende da escola pública.


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Helena Valente é repórter especial e analista de Educação de O estopim. Dedica sua cobertura às políticas públicas, ao financiamento da educação, às desigualdades escolares e aos impactos das decisões de Brasília no cotidiano de estudantes, professores e comunidades. Sua escrita une apuração, análise crítica e compromisso com a defesa da escola pública, gratuita, laica, inclusiva e socialmente referenciada.

Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: G1 | domingo (3) de maio de 2026


Balanço do governo estadual confirma seis mortes, 30 abrigos abertos e 27 municípios em situação de emergência.


Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

As fortes chuvas que atingiram Pernambuco entre a sexta-feira (1º) e o sábado (2) deixaram 9.540 pessoas desabrigadas ou desalojadas, segundo balanço divulgado na noite deste domingo (3) pelo governo do estado.


De acordo com a Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil de Pernambuco, são 1.632 pessoas desabrigadas, que precisaram deixar suas casas e estão em abrigos públicos, e 7.908 desalojadas, que saíram de suas residências, mas têm onde ficar.


Ao todo, 30 abrigos foram abertos para acolher a população afetada. O governo também informou que mais de 4,4 mil itens de ajuda humanitária já foram entregues, incluindo colchões, kits de limpeza, materiais de higiene, alimentos e lençóis.


O balanço confirma seis mortes no Grande Recife. Cinco vítimas morreram em deslizamentos de barreiras na Zona Norte do Recife e em Olinda. A sexta foi arrastada por uma correnteza em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana. Entre os mortos, estão três crianças.


Segundo a governadora Raquel Lyra, mais de 900 pessoas foram resgatadas durante as ações emergenciais. Em entrevista à GloboNews, ela afirmou que equipes seguem atuando na reconstrução, assistência humanitária e levantamento dos danos nos municípios atingidos.


A governadora esteve em Goiana, na Mata Norte, neste domingo (3), onde acompanhou ações emergenciais. Segundo ela, máquinas foram enviadas para restabelecer acessos entre áreas rurais e urbanas, além de operações de resgate com helicóptero para pessoas que precisavam de atendimento médico, como pacientes em hemodiálise.


Ainda de acordo com o governo, há áreas alagadas em Goiana, Jaboatão dos Guararapes e Recife, embora as cotas dos rios estejam baixando. A previsão meteorológica indica redução das chuvas, com possibilidade de precipitações fracas a moderadas nos próximos dias.


No sábado (2), o governo estadual decretou situação de emergência em 27 municípios atingidos pelas chuvas. A medida tem validade de 180 dias e busca agilizar ações emergenciais, além de facilitar a solicitação de apoio e recursos junto ao governo federal.


Entre os municípios com registros de pessoas desabrigadas ou desalojadas estão Goiana, Timbaúba, Olinda, Recife, Jaboatão dos Guararapes, Pombos, Itambé, Moreno, São Lourenço da Mata, Igarassu, Paulista, Camaragibe, Aliança, Vicência, Nazaré da Mata, Paudalho, Glória do Goitá e Limoeiro.


Segundo o levantamento, Recife registra 671 pessoas desabrigadas. Olinda tem 400 desabrigados. Jaboatão dos Guararapes contabiliza 268 desabrigados e 82 desalojados. Timbaúba tem 15 desabrigados e 2.500 desalojados. Pombos registra 45 desabrigados e 2.500 desalojados.


Em Goiana, são 146 desabrigados e 994 desalojados. Itambé tem 720 desalojados, enquanto Moreno registra 515. São Lourenço da Mata contabiliza 180 desalojados.


O governo informou que seguirá realizando o levantamento dos danos para apresentar as necessidades do estado ao governo federal em reunião prevista para a próxima terça-feira.


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