Por Raul Silva para O estopim | 9 de abril de 2026

A nova pesquisa RealTime Big Data para o Governo de Pernambuco, divulgada em 8 de abril e feita com 1.600 entrevistas entre os dias 7 e 8, mostra João Campos (PSB) na dianteira da corrida estadual, com vantagem relevante sobre a governadora Raquel Lyra (PSD). No cenário estimulado principal, o ex-prefeito do Recife tem 50% das intenções de voto, contra 33% da atual governadora. O resultado chega poucos dias depois da saída formal de João da Prefeitura para disputar o Palácio do Campo das Princesas e num momento em que a disputa pelo Senado também pressiona a montagem das chapas.
O dado mais forte do levantamento é a distância entre os dois principais nomes quando o eleitor recebe a lista de candidatos. João Campos aparece com 50%, Raquel Lyra tem 33%, Eduardo Moura marca 8% e Ivan Moraes fica em 2%. Nulo ou branco soma 4%, e 3% não souberam responder.

Há um segundo recorte ainda mais duro para o Palácio. Num cenário reduzido aos dois nomes centrais, João sobe para 52%, e Raquel vai a 40%. A margem de erro do estudo é de 2 pontos percentuais, o que recomenda cautela antes de transformar o número em previsão fechada de vitória em primeiro turno. Ainda assim, o desenho é claro: no retrato de agora, João entra na fase aberta da pré-campanha em posição de comando.
Se o cenário estimulado empurra João para perto da maioria absoluta, a espontânea traz um alerta metodológico e político. Quando o entrevistado responde sem receber nomes, 48% dizem não saber em quem votariam. João aparece com 21%, Raquel com 18%, Eduardo Moura com 1%, outros nomes somam 3%, e nulo ou branco fica em 9%.

A leitura é importante. A vantagem de João é real, mas o eleitorado ainda não está inteiramente consolidado. A espontânea revela uma disputa em que o favorito é reconhecido, porém ainda convive com um grande estoque de indecisão. Isso significa que a campanha entra em campo com espaço para crescimento, ataque e reposicionamento.
Nos dados segmentados, João Campos aparece numericamente à frente entre homens, mulheres e em todas as faixas etárias exibidas na pesquisa. Entre os homens, ele tem 48%, contra 35% de Raquel. Entre as mulheres, a diferença cresce para 52% a 31%.
Por idade, o ex-prefeito registra 53% entre eleitores de 16 a 34 anos, 50% na faixa de 35 a 59 anos e 47% entre os que têm 60 anos ou mais. Raquel marca 31%, 35% e 32%, respectivamente.

O corte de renda ajuda a entender a geografia social da disputa. João chega a 54% entre quem recebe até dois salários mínimos, enquanto Raquel tem 29%. Na faixa de dois a cinco salários, a diferença diminui para 46% a 40%. Entre os eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, a governadora aparece numericamente à frente, com 46%, contra 37%.
Esse bloco sugere um ponto sensível para a campanha de Raquel. Seu melhor desempenho está justamente na faixa de renda mais alta, menor em volume dentro da amostra. João, ao contrário, domina entre os segmentos de renda mais baixa, onde a massa eleitoral é mais larga.
A pesquisa também mede rejeição múltipla, e o resultado reforça o tamanho do problema para a governadora. 39% dizem que não votariam em Raquel Lyra. O índice é maior que o de João Campos, com 30%, de Ivan Moraes, com 33%, e de Eduardo Moura, com 25%.

Quando se observa a votabilidade, João também leva vantagem. Entre os entrevistados, 23% afirmam que votariam nele com certeza, e 40% dizem considerar essa possibilidade. É um potencial receptivo de 63%. Raquel soma 19% de voto certo e 35% de possibilidade, chegando a 54%. Ao mesmo tempo, 41% dizem conhecê-la e não votar nela. Em João, esse grupo fica em 31%.
Em linguagem de campanha, isso significa que João parte de uma base mais ampla de expansão e enfrenta uma barreira negativa menor. Raquel continua competitiva, mas precisa crescer enfrentando um teto de rejeição mais pesado.
Um dos dados mais relevantes do levantamento está na diferença entre aprovação administrativa e força eleitoral. O trabalho da governadora é aprovado por 51% e desaprovado por 45%. Em tese, é um saldo positivo.

Mas a avaliação qualitativa revela entusiasmo contido. Apenas 29% classificam a gestão como ótima ou boa. A maioria, 46%, escolhe a opção regular. Outros 22% veem o governo como ruim ou péssimo.
Esse descolamento ajuda a explicar por que uma governadora com maioria simples de aprovação não lidera a disputa. Aprovar uma gestão não é o mesmo que desejar sua recondução automática. O eleitor pode reconhecer entregas, mas ainda assim preferir mudança, sobretudo quando um adversário entra no jogo com alto recall, baixa rejeição relativa e discurso de continuidade com renovação.
A pesquisa foi divulgada logo após uma etapa decisiva do calendário eleitoral. João Campos oficializou sua pré-candidatura ao governo em março e deixou a Prefeitura do Recife em 2 de abril para cumprir a exigência legal. Em 6 de abril, Victor Marques tomou posse como novo prefeito. Raquel Lyra, por sua vez, permanece no cargo e segue combinando agenda de governo com movimento eleitoral.
Esse contexto importa porque reduz a zona cinzenta da disputa. O eleitor passa a olhar menos para suposições e mais para candidaturas efetivamente em marcha. O RealTime Big Data capta justamente esse momento de transição entre especulação e enfrentamento direto.
Poucos dias antes, um levantamento do instituto Veritá havia apontado um quadro muito mais apertado, com empate entre João Campos e Raquel Lyra. O contraste entre as duas fotografias não autoriza conclusão apressada sobre tendência definitiva, mas revela uma campanha que ainda está em deslocamento acelerado.
Em outras palavras, o retrato de abril não é de estabilização plena. É de rearranjo. João larga na frente nesta rodada, mas o tamanho da indecisão espontânea e a velocidade das mudanças mostram que o jogo ainda admite variações.
Se no governo há um favorito, na disputa para o Senado o cenário é mais fragmentado. Em todos os cenários testados, Marília Arraes aparece na liderança.

No cenário 1 consolidado, que reduz a soma de primeiro e segundo votos para 100%, Marília tem 27%, seguida por Miguel Coelho, com 20%, Anderson Ferreira, com 18%, Humberto Costa, com 17% e Mendonça Filho, com 12%.
No cenário 2 consolidado, sem Miguel e com Eduardo da Fonte, Marília vai a 29%, Anderson marca 19%, Humberto fica com 17%, Mendonça registra 15% e Eduardo da Fonte chega a 11%.
No cenário 3 consolidado, com Miguel Coelho e Túlio Gadelha, Marília aparece com 28%, Miguel com 21%, Anderson com 19%, Humberto com 17% e Túlio com 8%.
A conclusão política é direta. A primeira vaga, hoje, parece mais próxima de Marília. A segunda segue aberta e depende fortemente da composição das chapas, da nacionalização da disputa e da capacidade de cada bloco de organizar palanque e transferência.
Quando o entrevistado aponta qual deve ser a prioridade do próximo governador, segurança pública lidera com 24%, seguida por saúde, com 20%, transporte, com 14%, e educação, com 12%. Economia e infraestrutura aparecem com 8% cada.

O dado tem peso estratégico. Ele indica que a eleição pernambucana, ao menos neste momento, tende a ser menos abstrata e mais prática. O eleitor quer saber quem entrega ordem, serviço e circulação. A pesquisa ainda traz um item final repetido como infraestrutura em uma das lâminas, com 6%, o que exige cautela na leitura desse último bloco. Mesmo assim, a hierarquia principal está nítida.
Para João Campos, o desafio é clássico de quem lidera cedo: evitar a acomodação e impedir que a frente ampla que o cerca se torne um espaço de disputa interna pelo Senado e pela vice. Sua vantagem cresce quando a eleição se simplifica, mas ele ainda precisa converter popularidade municipal e capital simbólico em maioria estadual duradoura.
Para Raquel Lyra, a tarefa é mais complexa. Ela precisa transformar aprovação administrativa em desejo de recondução, reduzir rejeição, recuperar terreno entre eleitores de renda média e baixa e impedir que João consolide a narrativa de mudança segura. Como governadora no cargo, tem a máquina, a vitrine e a agenda. Mas carrega também o peso da comparação constante entre gestão e promessa.
A pesquisa RealTime Big Data ouviu 1.600 eleitores de Pernambuco entre 7 e 8 de abril de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança. O levantamento está registrado sob o número PE-05363/2026.
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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, eleições, dados públicos e temas de interesse coletivo.
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