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Mobilização de 26 de março reúne estudantes e trabalhadores da educação, enquanto SINTEPE contesta o índice de 40% usado pelo governo para vender valorização da categoria; gestão destaca obras, nomeações e programas, mas segue cobrada por resultados concretos na carreira e no cotidiano escolar


Por Helena Valente para O estopim | 26 de março de 2026


Multidão de manifestantes em camisas vermelhas protestam segurando bandeiras e faixas por respeito e valorização. Ambiente externo.
Professores de Pernambuco cobram respeito e valorização de Raquel Lyra que, apesar das propagandas e estratégias narrativas, não entrega o que exibe nos anúncios do governo na TV | Foto: Sintepe Digital

A mobilização do Dia Nacional da Paralisação dos Estudantes, realizada nesta quinta-feira (26), recolocou a educação no centro da disputa política em Pernambuco. Em meio a atos em defesa da escola pública, gratuita e de qualidade, estudantes, professores e demais profissionais da rede estadual passaram a ecoar uma crítica que já vinha crescendo: a de que o governo Raquel Lyra construiu uma narrativa de valorização da educação mais robusta do que os efeitos concretos percebidos por quem vive a escola. O ponto mais sensível está no reajuste salarial da categoria e no desgaste provocado pela diferença entre o discurso oficial e os números apresentados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco, o SINTEPE.


Estudantes e profissionais da educação ocupam a mesma trincheira


O texto de apoio à paralisação estudantil enviado à reportagem sintetiza o tom da mobilização. A mensagem afirma que o dia 26 de março começou com estudantes nas ruas, nas escolas e nas praças de todo o país, levantando suas vozes em defesa da educação pública. O documento também registra o apoio de professores e demais profissionais da educação, que associam a luta estudantil à defesa de escolas com estrutura digna, valorização de quem ensina e de quem aprende, condições reais de ensino e respeito à escola pública.


O dado político mais relevante desse encontro é que ele amplia o alcance da insatisfação. Quando estudantes e trabalhadores da educação se reconhecem na mesma pauta, o debate deixa de ser apenas corporativo e passa a envolver a qualidade do serviço prestado à população. O desgaste, nesse caso, atinge diretamente o governo estadual, que há mais de três anos tenta se apresentar como protagonista de uma virada na educação pernambucana.


Raquel Lyra mente: a disputa pelos números do reajuste


O centro do conflito está na forma como o governo apresenta os ganhos salariais da categoria. Em material divulgado pelo SINTEPE, a presidenta da entidade, Ivete Caetano, afirma que o reajuste acumulado nos últimos quatro anos não foi de 40%, como sustentou o governo do Estado. Segundo o sindicato, o reajuste com repercussão efetiva na carreira, isto é, aquele que alcança todas e todos os profissionais da educação sem excluir segmentos, foi de apenas 16%.


Grupo de pessoas com camisetas vermelhas e bandeiras protestam animadamente ao ar livre. Fundo com cartaz "Alepe Mulher". Muita energia.
Reajuste além de obrigatório ao Governo de Raquel Lyra só foi conquistado graças a luta dos professores e após paralizações na Rede e agora a Governadora tenta vender a narrativa de que foi fruto da valorização que seu governo dá a categoria, o que, segundo eles, não é totalmente verdade e os números comprovam | Foto: Sintepe Digital

Ainda de acordo com a entidade, mesmo quando se considera o reajuste de 13,5% concedido em 2023, que não teria contemplado mais de 52 mil trabalhadoras e trabalhadores da educação, o acumulado chega a 31,7%, e não a 40%. A diferença não é apenas contábil. Ela revela uma divergência sobre o que pode ou não ser apresentado como valorização real.


Na prática, a crítica sindical é a de que o governo soma percentuais de naturezas diferentes, com impactos distintos sobre a folha e sobre a carreira, para construir um saldo político mais favorável. É esse tipo de operação que transforma um anúncio administrativo em peça de propaganda. Quando isso ocorre numa área tão sensível quanto a educação, o ruído deixa de ser apenas técnico e passa a afetar a confiança da categoria e da sociedade.


O que o governo mostra e o que ainda não resolve


Seria impreciso dizer que a gestão Raquel Lyra nada fez na área. As páginas públicas do Governo de Pernambuco e da Secretaria de Educação destacam investimentos em infraestrutura, construção de creches, entrega de ônibus escolares, distribuição de notebooks, realização de eventos literários, pagamento de bônus e nomeações de professores. O programa Juntos pela Educação também segue sendo apresentado como a principal vitrine da política educacional do governo.


Essas iniciativas existem e têm peso administrativo. O problema é outro. Elas não encerram, por si só, as cobranças sobre salário, carreira, condições de trabalho e coerência entre discurso e realidade. Uma gestão pode inaugurar quadras, abrir editais, entregar equipamentos e ampliar a rede de serviços. Ainda assim, permanecer vulnerável a críticas quando a base da educação considera que segue subvalorizada, excluída de parte dos reajustes ou obrigada a conviver com precarização.


É justamente aí que a crítica ao governo Raquel Lyra ganha consistência. O erro político da gestão não está apenas em enfrentar uma categoria organizada. Está em tentar converter toda ação administrativa em prova suficiente de valorização, mesmo quando o cotidiano da rede ainda produz contestação. Em vez de reduzir a tensão, essa estratégia pode aprofundá-la, porque aumenta a distância entre a comunicação oficial e a experiência concreta de quem está no chão da escola.



A Alepe vira novo campo de prova para o governo


Segundo o material do SINTEPE, o projeto de lei do reajuste da educação já está em tramitação na Assembleia Legislativa de Pernambuco e foi encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça. Isso desloca parte do conflito para o Legislativo, onde a disputa passa a ser também sobre narrativa pública, custo político e capacidade de articulação do Palácio do Campo das Princesas.


Nesse ambiente, o governo será pressionado a demonstrar com mais clareza o alcance real do reajuste que anuncia. Já a oposição e os movimentos ligados à educação tendem a explorar a divergência entre o percentual divulgado oficialmente e os números apresentados pela categoria. A questão central deixa de ser apenas qual índice cabe no orçamento. Passa a ser também qual versão dos fatos resiste melhor ao escrutínio público.


O problema de fundo é a confiança


A educação é uma área em que governos costumam buscar resultados de imagem com rapidez. Obras rendem fotografias. Entregas rendem agenda positiva. Programas com nomes fortes rendem marca política. Mas educação não se sustenta apenas com vitrine. Ela exige continuidade, financiamento, diálogo com a base e valorização profissional que faça sentido no contracheque, na progressão e no ambiente escolar.


Grupo de pessoas segurando placas de protesto em praça, com cartazes em vermelho e preto. Ambiente urbano ao fundo, emoções sérias.
As manifestações e atos públicos de hoje aconteceram em todo país e ganharam apoio e adesão em todo o estado de Pernambuco, incluindo Arcoverde | Foto: Michael Andrade/Agência O estopim+

O que a paralisação estudantil de 26 de março expõe, em Pernambuco, é que o governo Raquel Lyra ainda não conseguiu pacificar a percepção sobre sua política educacional. Ao contrário. A mobilização mostra que permanece aberta uma frente de desconfiança. Estudantes denunciam descaso, precarização e falta de compromisso com a escola pública. Trabalhadores da educação contestam números, cobram respeito à carreira e afirmam que o reajuste anunciado não contempla integralmente a categoria.


Quando esse conjunto de vozes passa a se sobrepor ao discurso oficial, o sinal para o governo é claro. Não basta investir e comunicar. É preciso convencer. E convencer, nesse caso, depende menos de marketing institucional e mais de transparência, negociação efetiva e reconhecimento material de quem sustenta a educação pública todos os dias.


O que está em jogo daqui para frente


A tramitação do reajuste na Alepe tende a ser apenas uma etapa de um conflito maior. O embate envolve remuneração, carreira, prioridade orçamentária e credibilidade política. Também envolve o direito da sociedade de saber se a valorização anunciada pelo governo corresponde, de fato, ao que chega aos profissionais da educação.


Se o Palácio insistir em tratar a contestação como mero ruído de oposição ou resistência sindical previsível, corre o risco de agravar o próprio desgaste. Porque, na educação, o problema raramente começa no ato público. O ato é só a parte visível de uma insatisfação acumulada. O estopim, quase sempre, já veio antes.


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Assembleia convocada pelo Sintepe valida pagamento retroativo para quem está abaixo do piso nacional e reajuste linear a partir de junho para os demais cargos; governo promete enviar projeto de lei à Alepe.


Por Raul Silva para O estopim | 19 de Março de 2026


Pessoa de roupa vermelha levanta cartaz em auditório lotado. Multidão veste vermelho e segura cartazes, em ambiente iluminado. Emoção coletiva.
Manifestação de educadores celebra a aprovação do acordo salarial entre Sintepe e o Governo do Estado, destacando a valorização e respeito à educação | Foto: Sintepe Digital

A rede estadual de ensino de Pernambuco aprovou, por unanimidade, o acordo salarial da Campanha Salarial Educacional 2026 negociado entre o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) e o Governo de Pernambuco. A deliberação ocorreu em assembleia com mais de mil participantes, no Recife, na noite de 18 de março.


O principal ponto do acordo é a aplicação do reajuste de 5,4% do Piso do Magistério em toda a carreira, com extensão para demais cargos da educação na rede estadual. Para professores com vencimentos abaixo do piso nacional, fixado em R$ 5.130,63 para jornada de 40 horas semanais, o pagamento deve ser retroativo a janeiro de 2026. Para docentes que já recebem acima do piso e para os demais servidores da educação, o aumento deve ser aplicado de forma linear a partir de junho, alcançando professores, analistas, administrativos, ativos e aposentados, efetivos e temporários, além do apoio escolar.


O piso nacional do magistério foi atualizado pelo Ministério da Educação (MEC) em 30 de janeiro, por meio da Portaria nº 82/2026, com efeitos financeiros a partir de janeiro deste ano. O valor de referência passou de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, um acréscimo de 5,4%, com proporcionalidade para outras jornadas.


A atualização nacional de 2026 ocorre sob a nova metodologia instituída pela Medida Provisória nº 1.334/2026. Pela regra, o reajuste anual considera a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado no ano anterior somada a 50% da média da variação, em termos reais, da receita do Fundeb nos cinco anos anteriores.



Na negociação em Pernambuco, o Sintepe defendeu que o percentual do piso repercutisse em toda a matriz de vencimentos, o que significa que o índice não fique restrito ao vencimento inicial do magistério. O sindicato também incluiu na pauta a atualização dos vencimentos-base de analistas educacionais, assistentes e auxiliares administrativos, com extensão para toda a carreira.


Além do reajuste, o acordo prevê mudanças na carreira e em gratificações. Para analistas educacionais, a Gratificação de Função Técnico-Pedagógica deve ser reajustada para R$ 1.000 a partir de junho de 2026. Outra medida acordada altera o fluxo da progressão funcional: servidores que concluírem o estágio probatório poderão participar da avaliação de desempenho logo após o fim do período, com acesso à progressão para quem concluir o probatório até setembro.


O acordo também mantém a Gratificação de Educação Especial para a Educação Inclusiva e Socioeducativa e assegura que profissionais lotados em unidades socioeducativas (GEUSP) continuem recebendo gratificação durante a licença-prêmio.


O Governo de Pernambuco informou ao sindicato que deve encaminhar, nos próximos dias, um projeto de lei à Assembleia Legislativa de Pernambuco para formalizar o acordo. O calendário eleitoral foi citado em atos e comunicados anteriores do Sintepe como fator de pressão, por impor prazos para tramitação de propostas com impacto financeiro.


Linha do tempo da campanha


A Campanha Salarial Educacional 2026 começou formalmente em 6 de fevereiro, quando o Sintepe entregou ao gabinete da governadora e às secretarias estaduais de Educação e de Administração a pauta de reivindicações aprovada pela categoria. Em março, antes do desfecho do acordo, o sindicato convocou paralisações e protestos cobrando proposta concreta e celeridade na negociação.


Nos comunicados que antecederam o acordo, a direção do Sintepe afirmou que, após uma mesa de negociação, não havia proposta concreta apresentada pela gestão e indicou 4 de abril como prazo-limite para aprovação de projeto de lei naquele ano, em razão das normas eleitorais.


A pauta de reivindicações não se limitou ao reajuste. O documento entregue ao governo incluiu temas como revisão do Plano de Cargos, Carreira e Rendimentos (PCCR), progressão por titulação, formação continuada, concurso público e incorporação de gratificações.


Entre as reivindicações que circularam durante a campanha, apareceram queixas sobre problemas estruturais em escolas, rede elétrica insuficiente para instalação de equipamentos, falta de climatização e qualidade da merenda. A Secretaria de Educação de Pernambuco tem um programa de climatização em andamento e divulgou, em 2025, que 500 unidades já estavam climatizadas e que a meta era concluir a climatização das demais escolas até 2026.


A pasta também projetou investimentos para ampliar a climatização, incluindo a aquisição de mais de 15 mil aparelhos de ar-condicionado e obras de infraestrutura elétrica, como construção de subestações e reforço de rede em parte das unidades. A rede estadual pernambucana atende cerca de 500 mil estudantes e reúne pouco mais de 1.080 escolas, segundo dados divulgados a partir da primeira etapa do Censo Escolar 2025.


Pesquisas científicas sobre ambiente escolar e aprendizagem são usadas por redes de ensino para embasar políticas de infraestrutura. Um estudo publicado em 2020 no American Economic Journal: Economic Policy analisou milhões de registros escolares nos Estados Unidos e encontrou queda de aprendizagem em anos letivos mais quentes quando as escolas não tinham ar-condicionado, com mitigação do efeito em unidades com climatização.


No campo de políticas de pessoal, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta que a falta de professores e a evasão da carreira se agravaram em diferentes países, com impacto na oferta de profissionais. Um relatório global da organização destaca que taxas de saída de professores do ensino primário cresceram na última década e cita remuneração e condições de trabalho entre os fatores frequentemente associados à permanência na profissão.


Após a assembleia que aprovou o acordo, o Sintepe informou que seguirá cobrando do governo a tramitação do projeto de lei e a continuidade de discussões sobre itens não encerrados da pauta educacional. Do lado do Executivo estadual, a formalização depende do envio do texto à Alepe e da votação dentro do prazo considerado viável para implementação em 2026.


Esta não é a primeira vez que a Campanha Salarial da Educação em Pernambuco se organiza em torno do piso nacional e do impacto no plano de carreira. Em 2025, o piso nacional havia sido fixado em R$ 4.867,77 para 40 horas, antes da atualização de 5,4% em 2026.


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Jornalista, Escritor e Professor. Raul Silva é a mente que arquitetou O estopim. Sua missão é desmontar narrativas hegemônicas e oferecer um jornalismo que não tem medo de comprar briga com o poder estabelecido. Aqui, ele assina as principais análises editoriais e coordena a visão estratégica do portal.

Direto do Cecora, presidenta do SINTEPE alerta para os perigos do "PL da Dosimetria", critica a privatização da Compesa e convoca a categoria para a luta coletiva.


Por Raul Silva para O estopim | 14 de dezembro de 2025


Em uma demonstração clara de que o sindicalismo se faz no chão da realidade e não apenas em gabinetes, a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEPE), Ivete Caetano, concedeu uma entrevista neste sábado, direto da Feira do Cecora, em Arcoverde. A conversa, conduzida pela jornalista Zalxijoane Lins no programa Sábado na Itapuama (Rádio Itapuama FM), serviu de palco para análises sobre a conjuntura nacional, a defesa da escola pública e os riscos iminentes à democracia brasileira.


Ivete Caetano Presidenta do SINTEPE em entrevista na feira do CECORA para Zalxijoane Lins da Rádio Itapuama FM - Foto: Raul Silva/O estopim
Ivete Caetano, Presidenta do SINTEPE em entrevista na feira do CECORA para Zalxijoane Lins da Rádio Itapuama FM - Foto: Raul Silva/O estopim

Ivete, que estava na cidade para uma confraternização com o núcleo regional do sindicato (evento que reuniu mais de 200 trabalhadores da educação), elogiou a iniciativa da rádio de se instalar no meio da feira, destacando a simbologia de estar onde a população está. "É ouvir o povo, é ser parte do povo, é ajudar o povo", definiu a líder sindical, reforçando a filosofia de sua gestão: "A gente luta não por vocês, mas a gente luta com vocês".


A contradição da água: Lei Federal x Privatização Estadual Ivete Caetano


Um dos pontos altos da entrevista foi a discussão sobre a recém-sancionada lei federal que obriga todas as escolas do Brasil a terem acesso à água potável. Questionada sobre como fiscalizar o cumprimento da lei em um país continental, Ivete foi enfática ao apontar uma contradição perigosa no estado de Pernambuco: a intenção do Governo Raquel Lyra de privatizar a Compesa.


Para a presidenta do SINTEPE, transformar a gestão da água em negócio privado fere o direito básico de acesso, o que impactará diretamente às escolas públicas.


"O governo estadual quer privatizar a Compesa, e quando você privatiza, o produto ali é uma mercadoria, que vai ter quem pode pagar. Deixa de ser um direito", alertou Ivete.

Ela convocou a sociedade, pais e estudantes a utilizarem a comunicação como ferramenta de denúncia. "Botar a boca no mundo", disse ela, sugerindo que a falta de água nas escolas seja denunciada nas rádios locais como forma de pressão popular e fiscalização ativa.


Quem é Ivete Caetano e qual sua relevância na educação pernambucana?

Ivete Caetano é a atual presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEPE). Ela lidera a luta pelos direitos de mais de 35 mil profissionais da educação no estado, negociando pautas como o piso salarial, plano de carreira e melhorias na infraestrutura escolar.

Qual a relação entre a falta de água nas escolas e a privatização da Compesa citada na entrevista?

Ivete aponta uma contradição crítica: enquanto uma nova lei federal obriga o fornecimento de água potável em todas as escolas, o Governo de Pernambuco avança com a privatização da Compesa. Segundo a sindicalista, tratar a água como mercadoria dificultará o acesso e o cumprimento da lei nas escolas públicas.

Por que o "PL da Dosimetria" é considerado perigoso pelo SINTEPE?

Embora apelidado de "PL da Anistia" por visar beneficiar o ex-presidente Bolsonaro e envolvidos nos atos de 8 de janeiro, Ivete alerta que a mudança na dosimetria das penas beneficiará também estupradores e membros de facções criminosas organizadas, gerando impunidade generalizada.

O que foi o evento em Arcoverde mencionado na reportagem?

A entrevista ocorreu durante a visita de Ivete Caetano à Feira do Cecora em Arcoverde, aproveitando uma confraternização regional do SINTEPE que reuniu mais de 200 trabalhadores da educação do Sertão do Moxotó.


O "PL da Dosimetria": Um cheque em branco para o crime


Com a precisão política que lhe é característica, Ivete Caetano desconstruiu a narrativa em torno do Projeto de Lei que tramita no Congresso Nacional, popularmente conhecido como "PL da Dosimetria”, mas que tecnicamente trata-se de uma Anistia disfarçada às penas dos condenados pelo 08 de janeiro de 2023 e que pode causar um verdadeiro caos na atual legislação penal e no Judiciário no país inteiro.


A jornalista Zalxijoane Lins levantou a questão sobre o Congresso, classificado por muitos analistas como o pior da história, e a tentativa de perdoar os crimes contra o Estado Democrático de Direito. Ivete explicou que a manobra legislativa, desenhada sob medida para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e os golpistas de 8 de janeiro, abre precedente gravíssimos para a segurança pública.


"Porque esse PL foi pensado para livrar a cara de Bolsonaro, mas ele livra estupradores, ele livra membros das facções criminosas do crime organizado. Gente que inclusive já foi julgada e está presa, pode pedir a redução da pena", denunciou Ivete.

A presidenta do SINTEPE enfatizou a gravidade da situação, sintetizando o absurdo da proposta legislativa:


"Para livrar Bolsonaro da cadeia, você vai livrar estupradores e as facções criminosas do crime organizado."

Além do conteúdo do projeto, a forma como ele foi conduzido também foi alvo de duras críticas. Ivete lembrou a natureza sorrateira da votação, típica de medidas impopulares que não resistem à luz do dia.


"O povo precisa saber o que foi feito na calada da noite, Zalxijoane. Foram duas horas da madrugada que esse PL foi votado, quando o povo brasileiro estava dormindo. Qual é a intenção de quem faz as coisas escondido, na calada da noite?"

Educação e Futuro


Apesar do cenário adverso no legislativo federal, Ivete trouxe perspectivas de luta para a categoria. Ela citou o destravamento das progressões do plano de carreira, uma vitória após 20 anos de espera, e a continuidade das negociações com a Secretaria de Administração do Estado.


No âmbito nacional, a defesa é pelo novo Plano Nacional de Educação (PNE), que garanta 10% do PIB para a área. "Basta tirar dos ricos e dar para os pobres", resumiu, ao defender que os recursos existem, mas precisam ser redirecionados para garantir escolas de "primeiro mundo", com climatização, bibliotecas e estrutura digna.


Profª. Sueli Maria, Coordenadora do Núcleo Regional do SINTEPE; Ivete Caetano, Presidenta do SINTEPE; Zalxijoane Lins, Rádio Itapuama FM - Foto: Raul Silva/O estopim
Profª. Sueli Maria, Coordenadora do Núcleo Regional do SINTEPE; Ivete Caetano, Presidenta do SINTEPE; Zalxijoane Lins, Rádio Itapuama FM - Foto: Raul Silva/O estopim

Ao final, ao lado da professora Sueli Maria, liderança local que reforçou o convite para um ato público neste domingo na Feira de São Cristóvão, das 9h às 11h da manhã, contra o "PL da Dosimetria", Ivete deixou um recado sobre a consciência de classe para 2026. Ela alertou sobre o voto de cabresto moderno e a compra de votos que, no final, custa os direitos do trabalhador.


"O dinheiro que ele dá para você no dia da votação, ele tira naquilo que ele faz no Congresso: tirando a sua vida, tirando o seu emprego, tirando o seu direito, tirando o SUS, tirando a escola pública."

A passagem de Ivete Caetano por Arcoverde reafirma que O Estopim tem alertado: a luta sindical e a luta política são indissociáveis, e a vigilância contra o retrocesso deve ser diária, seja nos corredores de Brasília ou nas feiras do interior de Pernambuco.


Palavras-chave: SINTEPE; PL da Anistia; Privatização da Compesa; Educação Pública Pernambuco; Ivete Caetano.

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