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Por Mário Toledo para O estopim | 19 de junho de 2026



Lance de futebol na área, bola no alto da rede, goleiro de amarelo e jogadores da Argentina e México sob olhar da torcida.
Lionel Mesi durante partida entre Argentina e Argélia pela Copa do Mundo de 2026 - 16 de junho de 2026 | Foto: Siphiwe Sibeko

A Argélia apresentou nesta sexta-feira (19) uma reclamação formal à comissão de arbitragem da Fifa após a derrota por 3 a 0 para a Argentina, pela Copa do Mundo 2026. A seleção argelina questiona principalmente um lance do primeiro tempo, quando Lionel Messi atingiu a panturrilha do capitão Aissa Mandi, não foi punido e depois marcou os três gols da vitória argentina. A informação foi publicada pela Reuters e reproduzida pelo UOL.


Segundo a Reuters, a Argélia enviou carta à comissão de arbitragem da Fifa com referência direta ao lance envolvendo Messi e Mandi. Torcedores argelinos pediram expulsão no momento da jogada, mas o árbitro Szymon Marciniak não aplicou cartão ao argentino.

O episódio ganhou peso porque Messi permaneceu em campo e decidiu a partida com um hat-trick. Para a Argélia, a ausência de punição não foi apenas um detalhe técnico, mas um lance capaz de alterar o roteiro competitivo do jogo.


A reclamação argelina não se limita ao camisa 10. A seleção africana também questiona um lance do segundo tempo envolvendo Alexis Mac Allister e Ibrahim Maza. De acordo com a Reuters, a Argélia alega que houve uma cotovelada não punida no rosto do jogador argelino.


A partida foi apitada pelo polonês Szymon Marciniak, árbitro da final da Copa do Mundo de 2022 entre Argentina e França. A experiência do juiz amplia a cobrança, porque a discussão passa a ser menos sobre desconhecimento da regra e mais sobre critério, VAR e coragem para punir uma estrela global.


A Argentina venceu por 3 a 0 e dificilmente verá o resultado ser alterado. Mas a reclamação da Argélia toca em uma ferida antiga do futebol internacional: a sensação de que nem todas as seleções entram em campo com o mesmo peso político diante da arbitragem.


Messi é um dos maiores jogadores da história. Isso não precisa ser relativizado. O ponto é outro. Quando uma Copa movimenta bilhões, vende ídolos como produtos globais e transforma cada estrela em ativo comercial, qualquer decisão de arbitragem envolvendo esses nomes exige transparência absoluta.


A Argélia, seleção fora do eixo de poder econômico do futebol, usa o instrumento institucional que tem. Reclama, cobra explicação e obriga a Fifa a lidar com a pergunta que incomoda: a regra vale da mesma forma para todos?


A cobrança argelina não apaga a superioridade argentina no placar, mas pressiona a comissão de arbitragem a explicar o padrão adotado. Em torneios curtos, uma expulsão ignorada ou uma falta grave sem revisão pode significar classificação, eliminação e milhões em premiação.


No campo, Messi saiu como herói. Fora dele, a Argélia tenta transformar indignação em documento. A Copa segue, mas o debate sobre arbitragem, poder e tratamento das grandes estrelas já entrou de vez no torneio.


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Mário Toledo é jornalista esportivo e analista de conjuntura de O estopim. Especialista na cobertura de futebol nacional e internacional, entende o esporte como um fenômeno social e político. Disseca táticas, bastidores e os impactos socioeconômicos do esporte com rigor analítico, ética e foco na democratização do futebol.

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