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Em conversa desta segunda-feira (26) Lula também abordou combate à lavagem de dinheiro; no interior de Pernambuco, produtores rurais aguardam recuo sobre tarifas de exportação


Por Clara Mendes da Redação de O estopim | 26 de janeiro de 2026


Na manhã dessa segunda-feira, presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, conversaram por telefone. Durante o contato, os mandatários confirmaram um encontro oficial para março, na Casa Branca, e discutiram temas sensíveis como a situação política na Venezuela e a proposta brasileira de cooperação contra o crime organizado internacional.


Lula e Trump | Foto: Reprodução
Lula e Trump | Foto: Reprodução

Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula propôs estreitar a parceria com os Estados Unidos na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. O presidente brasileiro sugeriu o intercâmbio de dados bancários para asfixiar financeiramente grupos criminosos que atuam na América do Sul. A proposta, de acordo com o governo brasileiro, foi "bem recebida" por Trump.


Sobre a Venezuela, tema que historicamente divide as opiniões dos dois governos, Lula reiterou a posição do Brasil de buscar a estabilidade regional por meio do diálogo, focando no "bem-estar do povo venezuelano". O comunicado não detalhou se houve consenso sobre medidas específicas em relação a Caracas.


Embora a pauta oficial tenha focado em segurança e diplomacia, o setor produtivo de Pernambuco monitora o diálogo com outra preocupação: o comércio exterior. Desde o ano passado, a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros pelo governo Trump tem gerado instabilidade no Vale do São Francisco.


A região de Petrolina, vizinha ao Sertão do Moxotó, é responsável por grande parte da manga e da uva exportadas para os Estados Unidos. A taxação elevada encarece a fruta brasileira no mercado americano, o que pode gerar excedente de produção e queda de preços no mercado interno, afetando a economia de cidades conectadas pela BR-232, como Arcoverde.


"O produtor não pode simplesmente deixar a fruta apodrecer no pé, mas redirecionar tudo para o mercado nacional quebra o preço e inviabiliza o custo de produção", avalia Jailson Lira, representante de cooperativas da região, em declaração recente sobre a crise tarifária. A expectativa do agronegócio pernambucano é que a reunião presencial em março traga algum alívio para as barreiras alfandegárias.


Esta não é a primeira interação direta entre os dois líderes desde o retorno de Trump ao poder. Em outubro de 2025, logo após a escalada das tarifas comerciais, Lula e Trump conversaram em tom descrito como "pragmático". A relação bilateral atravessa um momento de reajuste, após o alinhamento automático do ex-presidente Jair Bolsonaro com Trump no passado e a proximidade de Lula com o governo Biden nos anos anteriores.

 
 
 

Da Redação de O estopim | 05 de Janeiro de 2026 | Produzido com Inteligência Artificial


Na última década, a América Latina foi palco de transformações marcantes, com destaque para a crise humanitária e política na Venezuela e sua influência sobre vizinhos como o Brasil. A intervenção americana na Venezuela, muitas vezes justificada por preocupações com direitos humanos e democracia, intensificou a crise diplomática entre Brasil e EUA, aprofundando a complexidade da política sul-americana.


Censura na Vnezuela sob Maduro
Censura na Vnezuela sob Maduro | Foto: Reprodução

A censura digital implementada pelo governo venezuelano levou à repressão da liberdade de imprensa e incentivou a adoção de ferramentas como VPNs na América do Sul, possibilitando à população acessar informações alternativas e promover a resistência digital. Paralelamente, ataques cibernéticos na Venezuela evidenciam a vulnerabilidade dos sistemas governamentais e reforçam a necessidade de estratégias inovadoras de proteção de dados e comunicação. Em meio à instabilidade, os criptoativos surgiram como instrumentos essenciais durante a crise econômica e social, permitindo transferências financeiras e fornecendo relativa autonomia para cidadãos e grupos de resistência. Essa digitalização das finanças tornou-se um símbolo de enfrentamento à repressão e às restrições impostas pelo regime. O cenário latino-americano é ainda permeado por desafios estruturais, como a corrupção no Congresso brasileiro, que impacta negativamente a democracia, a liberdade de imprensa e os direitos humanos em todo o continente. Em Arcoverde, cidade emblemática do Sertão pernambucano, as movimentações políticas locais refletem as tensões nacionais, com debates acalorados sobre transparência, cultura e representatividade. A cultura do Sertão pernambucano, marcada pela resiliência e criatividade, inspira movimentos de resistência e engajamento social em tempos de crise. A análise política do Brasil e de seus vizinhos revela que a luta pela liberdade de expressão, transparência e soberania digital permanece central. Iniciativas por liberdade de imprensa e contra a censura digital ganham força diante das ameaças à democracia. Ao mesmo tempo, a geopolítica latino-americana aponta para a necessidade de diálogo multilateral, respeito à soberania e fortalecimento das instituições democráticas. Em suma, a resistência digital na Venezuela e a luta por direitos humanos e transparência no Brasil e na América Latina demonstram que, apesar dos desafios, há espaço para inovação, solidariedade e esperança. O futuro da região depende do engajamento de sua sociedade civil, do respeito às liberdades fundamentais e da construção de pontes entre culturas e nações.

 
 
 

Da Redação de O estopim | 4 de Janeiro de 2026


A madrugada de 3 de janeiro de 2026 não marcou apenas o fim do governo de Nicolás Maduro; marcou o colapso da arquitetura de segurança que manteve a América do Sul livre de conflitos interestatais diretos por décadas. Com a execução da Operação Absolute Resolve, que culminou na extração cirúrgica de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores por forças especiais dos EUA, o Presidente Donald Trump não apenas removeu um adversário de longa data, mas rasgou o manual diplomático do pós-Guerra Fria na região.


Maduro Preso - Foto: Redes Sociais de Donald Trump
Maduro Preso - Foto: Redes Sociais de Donald Trump

O que emerge dos escombros de Fuerte Tiuna não é a democracia instantânea prometida por falcões de Washington, mas um cenário volátil de ocupação estrangeira, insurgência assimétrica e uma América do Sul fraturada ao meio.


O "Corolário Trump" e a morte do multilateralismo América do Sul


A justificativa americana para a invasão — baseada no combate ao narcoterrorismo e na recuperação de ativos petrolíferos — consolida o que analistas já chamam de "Corolário Trump" à Doutrina Monroe. Diferente das intervenções do século XX, focadas em conter o comunismo, esta nova doutrina é explicitamente transacional e unilateral. Ao declarar que os EUA vão "gerir" (run) a Venezuela durante a transição e "ficar com o petróleo" para custear a operação, Washington sinalizou que a soberania nacional na região é agora condicional aos interesses econômicos e de segurança dos Estados Unidos.


Este movimento decretou a irrelevância funcional da OEA (Organização dos Estados Americanos). Ao agir sem mandato regional, os EUA transformaram o organismo em um espectador de luxo, forçando países como o Brasil e a Colômbia a buscarem respostas bilaterais urgentes para uma crise que bate às suas portas.


A nova cortina de ferro Sul-Americana


A reação regional expôs uma divisão profunda, não mais apenas ideológica, mas existencial.


De um lado, o eixo da "Nova Direita", liderado pela Argentina de Javier Milei e pelo Equador de Daniel Noboa, celebrou a operação como um golpe necessário contra o crime organizado transnacional. Para Milei, a queda de Maduro é a validação de sua política externa de alinhamento total aos EUA, e Buenos Aires espera agora colher os dividendos econômicos dessa lealdade.


Do outro lado, o Brasil e a Colômbia enfrentam um pesadelo estratégico. Para o governo Lula, a invasão é um "afronta grave" que implode a doutrina de autonomia regional. O Itamaraty sabe que condenar a invasão é diplomacia básica, mas a realidade impõe o pragmatismo: com a fronteira em Pacaraima militarizada e o risco de meio milhão de novos refugiados em Roraima, o Brasil terá que negociar com quem quer que detenha o poder em Caracas — mesmo que seja um general americano ou uma administração fantoche.


O dilema existencial da Colômbia


Nenhum país, contudo, está mais exposto que a Colômbia. O presidente Gustavo Petro viu sua política de "Paz Total" ser implodida da noite para o dia. O ELN e as dissidências das FARC, que usavam a Venezuela como santuário e mesa de negociação, agora têm um inimigo comum: o "invasor ianque".


Gustavo Petro presidente da Bolivia e Lula em encontro na Colombia antes da COP 30 | Foto Reprodução
Gustavo Petro presidente da Bolivia e Lula em encontro na Colombia antes da COP 30 | Foto Reprodução

A inteligência regional alerta para a "iraquização" da fronteira colombo-venezuelana. Grupos armados, misturando-se a colectivos urbanos em Caracas, preparam-se para uma guerra de guerrilha prolongada. A promessa de Trump de "consertar" a infraestrutura petrolífera da Venezuela esbarra na realidade tática: oleodutos são alvos fáceis para sabotagem, e a segurança necessária para que a Chevron ou a ExxonMobil operem em escala exigirá uma presença militar americana de longo prazo, algo que inflama o sentimento nacionalista até mesmo entre opositores do chavismo.


O vácuo em Caracas: entre a resistência e a cooptação


Internamente, a Venezuela vive um cenário de "poder dual" surreal. Enquanto Maduro aguarda julgamento em Nova York, a Vice-Presidente Delcy Rodríguez foi alçada pela Suprema Corte a uma presidência interina precária. A aposta de Washington parece ser a de cooptar a elite chavista "pragmática", usando Rodríguez como uma figura de transição para evitar o colapso total do Estado, enquanto marginaliza a líder da oposição democrática, María Corina Machado.


Isso cria um paradoxo perigoso: os EUA removeram o ditador, mas podem acabar sustentando a estrutura do regime para garantir a estabilidade do fluxo de petróleo, traindo as esperanças de restauração democrática da população venezuelana.


A geopolítica da incerteza


A invasão da Venezuela removeu a peça central do tabuleiro, mas não resolveu o jogo; ela virou a mesa. A China e a Rússia, credores de bilhões da dívida venezuelana, observam cautelosamente, prontas para travar batalhas jurídicas e assimétricas para proteger seus ativos.


Para a América do Sul, a era da integração retórica acabou. A região entra em 2026 como um arquipélago de nações desconfiadas, militarizando suas fronteiras e recalculando suas alianças, sob a sombra projetada de uma superpotência que decidiu, mais uma vez, que o seu quintal precisa de uma reforma forçada. A questão que assombra Brasília, Bogotá e Santiago hoje não é mais "o que fazer com Maduro", mas sim "quem será o próximo?" se os interesses de Washington assim o ditarem.

 
 
 
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