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O presidente da Câmara de Vereadores de Arcoverde, Luciano Pacheco, publicou um vídeo de cerca de um minuto em que reage ao pedido de cassação que tramita contra ele, acusa a autora da denúncia de ter interesses políticos e comerciais no embate e exibe documentos de empenho ligados a órgãos da administração municipal. A gravação, divulgada na noite de segunda-feira, 4 de maio, intensifica uma disputa que já mistura denúncia por suposto exercício irregular da advocacia, guerra de versões, questionamentos sobre rito interno da Casa e uma nova sessão extraordinária marcada para esta terça-feira, 5 de maio, às 19h.


Por Raul Silva para O estopim | 5 de maio de 2026


Político fala ao microfone em uma sala com bandeiras ao fundo. Tela exibe votos; crucifixo na parede. Ele parece enfático.
Luciano Pacheco, presidente da Câmara de Vereadores de Arcoverde | Foto: Reprodução

A fala de Luciano parte de uma pergunta. Segundo ele, é preciso entender por que alguém pediria a cassação de seu mandato. Em seguida, o vereador cita Mércia Cavalcante de Lira Lumba e sustenta haver possíveis irregularidades em contratos da livraria Lira Cultural com órgãos do município, entre eles a Secretaria de Assistência Social, a AESA e a Secretaria de Educação.


Documento textual com informações financeiras e administrativas. Texto circulado: secretaria, data, valor empenhado, onde é e nome.
Empenho apresentado por Luciano Pacheco em vídeo | Foto: Reprodução

Na parte final, o vídeo passa a exibir imagens de empenhos e registros administrativos. Luciano usa o material para sustentar que existe conflito de interesses e afirma que a autora da denúncia não poderia contratar com o município por ter vínculo familiar com integrante da gestão. A acusação é grave, mas, até a manhã desta terça-feira, não havia resposta pública das pessoas citadas no vídeo nem posicionamento formal da Prefeitura de Arcoverde sobre o tema.


Documento financeiro com texto em português. Destaques em vermelho incluem "AESA," nome, data (07/10/2025) e valor (R$ 1.683,00). Emoção neutra.
Empenho apresentado por Luciano Pacheco em vídeo | Foto: Reprodução

O movimento tem peso político evidente. Em vez de se limitar à defesa jurídica sobre o mérito da denúncia que atinge seu mandato, Luciano tenta abrir uma frente paralela de desgaste contra a denunciante e contra a administração municipal.


Tabela com texto sobre subsídio para manutenção de espaço cultural. Valor destacado: R$ 6.000,00. Fundo branco com texto preto.
Empenho apresentado por Luciano Pacheco em vídeo | Foto: Reprodução

O caso ganhou corpo no início de abril, quando foi protocolado pedido de cassação contra Luciano Pacheco. A denúncia sustenta que ele teria exercido atividade privativa de advogado enquanto já ocupava a presidência da Câmara de Arcoverde, o que os denunciantes tratam como incompatível com o cargo.


Segundo documentos e relatos, os fatos centrais apontados na denúncia estão concentrados entre 28 e 30 de abril de 2025. A acusação cita presença de Luciano em cartório da 4ª Vara Criminal da Comarca de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, para acesso a mídias de processo, além de registro de atuação em sessão do Tribunal do Júri na defesa de um acusado. Para os denunciantes, a sequência indica exercício efetivo da advocacia quando ele já estava impedido por exercer função na Mesa Diretora do Legislativo.


A base legal invocada é o artigo 28, inciso I, do Estatuto da Advocacia, que trata da incompatibilidade do exercício da advocacia por membros da Mesa do Poder Legislativo. A denúncia também resgata questionamentos antigos sobre episódio semelhante em 2010, quando Luciano já havia presidido a Câmara.


Luciano nega irregularidade. Sua linha de defesa foi apresentada em etapas. Primeiro, afirmou que a ofensiva tem motivação política e ligação com seu rompimento com o grupo do prefeito Zeca Cavalcanti. Depois, passou a sustentar que houve falhas regimentais na tramitação interna da denúncia.


Em meados de abril, ele divulgou vídeo afirmando que os próprios vereadores tiveram de anular atos iniciais do processo, entre eles a leitura da denúncia e o sorteio da comissão de avaliação realizados em 6 de abril. Segundo Luciano, a movimentação teria sido conduzida de forma atabalhoada e sem respeito ao Regimento Interno e à Lei Orgânica do Município.


Mais adiante, ao final da sessão de 27 de abril, acrescentou outro eixo à defesa. Disse que a OAB Pernambuco arquivou denúncia sobre seu exercício profissional e que o Ministério Público de Pernambuco também não apontou ilícito penal. Segundo a versão do vereador, o compromisso jurídico no Rio de Janeiro era anterior à sua posse como presidente da Câmara e o que houve foi apenas o cumprimento de obrigação processual já assumida, sem captação de novos clientes.


A defesa de Mércia Lira rebateu esse argumento. Em nota pública, o advogado Tércio Soares Belarmino afirmou que Luciano tenta confundir a opinião pública ao vincular o arquivamento de um procedimento a outro caso distinto. Segundo ele, a representação disciplinar apresentada pela denunciante à subseção da OAB em Arcoverde foi encaminhada ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB Pernambuco e continuaria sem relação direta com a narrativa de absolvição apresentada pelo presidente da Câmara.


Esse ponto é central porque revela o tamanho da disputa. Já não se discute apenas o fato original, mas também qual versão documental prevalece. Em outras palavras, o caso deixou de ser apenas uma apuração sobre eventual incompatibilidade funcional e virou uma batalha sobre credibilidade, rito, competência institucional e opinião pública.


A denúncia não ficou restrita ao protocolo. Ela explodiu dentro do plenário. Em 6 de abril, a Câmara viveu uma sessão marcada por tumulto, interrupções e forte embate entre Luciano e vereadores da base governista. Naquele episódio, a denúncia foi recebida por nove votos a zero, depois de o vice-presidente Claudelino Costa conduzir a apreciação em meio a microfones desligados, acusações de manobra política e troca de ofensas entre grupos rivais.


No sorteio realizado na sessão extraordinária de 6 de abril, a comissão foi formada por Heriberto do Sacolão, João Taxista e Rodrigo Rôa. Luciano reagiu dizendo que a tramitação seria judicializada. Claudelino, por sua vez, sustentou que o presidente da Casa, por ser o investigado, não poderia conduzir os atos da própria apuração. 


O clima seguiu em escalada nas semanas seguintes e o caso transformou-se em crise institucional. A disputa extrapolou o campo técnico e passou a reorganizar as forças políticas da Câmara, com reflexos diretos na relação entre Luciano e o governo municipal.


Rua com prédios, bandeiras e céu azul. Pessoas andam na calçada. Criança em triciclo. Placa "Doe Sangue" visível. Igreja ao fundo.
Câmara de Vereadores de Arcoverde | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Para a noite desta terça-feira, 5 de maio, a Câmara marcou sessão extraordinária destinada à leitura e votação do parecer da comissão prévia sobre a admissibilidade da denúncia. O rito é decisivo. Se a maioria aceitar o parecer favorável ao prosseguimento, será necessário um novo sorteio para formação de comissão processante. Se a admissibilidade cair, a tentativa de abertura formal do processo sofre novo revés político.


Até a publicação desta matéria, não havia resultado da sessão porque o encontro estava previsto para as 19h, horário de Brasília. O que já se sabe é que o ambiente chega contaminado por semanas de acusações cruzadas, documentos expostos em redes sociais e disputa aberta entre o presidente da Câmara, seus pares e setores da gestão municipal.


Há, neste momento, pelo menos quatro planos simultâneos em curso. O primeiro é o plano jurídico, sobre a existência ou não de incompatibilidade entre o mandato de presidente da Câmara e a atuação de Luciano no processo do Rio de Janeiro. O segundo é o plano regimental, que envolve a validade dos atos praticados no Legislativo municipal. O terceiro é o plano político, marcado pelo rompimento de Luciano com o grupo governista e pela tentativa de reorganização de maioria na Casa. O quarto é o plano comunicacional, no qual vídeos, notas e documentos passaram a ser usados como instrumentos de convencimento e pressão.


O vídeo publicado agora se insere exatamente nesse quarto plano, mas busca influenciar todos os outros. Ao atacar a autora da denúncia, Luciano tenta enfraquecer a legitimidade política do processo. Ao mostrar empenhos, tenta produzir suspeição sobre quem o acusa. Ao escolher a linguagem direta das redes, fala menos para os autos e mais para a opinião pública.


A sessão desta noite tende a definir o próximo capítulo, mas não deve encerrar o caso. Seja qual for o resultado, a tendência é de continuidade da disputa em mais de uma frente. Se a denúncia avançar, a pressão sobre Luciano aumentará e o processo ganhará novo peso político. Se recuar, aliados do presidente tratarão o desfecho como prova de perseguição frustrada. Em qualquer cenário, a judicialização permanece como caminho provável.


No centro de tudo está uma questão maior do que o destino individual de um vereador. A Câmara de Arcoverde vive uma crise de autoridade, de rito e de confiança pública. E, quando o plenário vira extensão da guerra política, o prejuízo deixa de ser apenas dos envolvidos. Passa a ser da instituição.


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Raul Silva é jornalista, escritor e produtor de conteúdo de O estopim. Atua com reportagem, análise política e cobertura de temas de interesse público, com foco em contexto, apuração e impacto social.

Em entrevista por telefone ao Jornal Itapuama, na manhã desta terça-feira, ex-vice-prefeito afirmou que estava na academia quando ouviu seu nome ser mencionado na sessão, foi ao plenário para cobrar explicações e reagiu após o que classificou como ofensas e provocação


Por Raul Silva, da redação de O estopim - Fonte: Jornal Itapuama | 21 de abril de 2026



Homem de óculos fala ao microfone em estúdio de rádio. Veste camisa clara. Mesa branca com revista à direita. Ambiente profissional.

A crise política que voltou a expor a Câmara de Vereadores de Arcoverde na noite da segunda-feira, 20 de abril, ganhou novo capítulo na manhã desta terça-feira, 21, com a entrevista concedida por telefone por Israel Rubis à jornalista Zalxijoane Lins, durante o Jornal Itapuama. Na conversa, o ex-vice-prefeito e delegado apresentou sua versão para o tumulto registrado no plenário e sustentou que não tinha qualquer envolvimento com o processo político que dominava a sessão, afirmando que só foi até a Casa Legislativa depois de ouvir seu nome ser citado durante a transmissão. A sessão discutia o parecer da comissão prévia sobre o caso envolvendo Claudelino Costa, que havia renunciado ao mandato horas antes, e terminou interrompida em meio a bate-boca, acusações e confusão no plenário.


Na entrevista, Israel Rubis buscou, desde o início, construir uma defesa apoiada na ideia de distanciamento da política eleitoral e de ausência de vínculo com o episódio em debate na Câmara.

“Como é público e notório, em 2022, eu renunciei a um mandato. De lá pra cá, eu venho construindo gradativamente um cenário de me afastando do debate público e eleitoral”, afirmou.

Na mesma linha, acrescentou que sua rotina hoje é centrada no serviço público, nos estudos e na vida pessoal, tentando afastar a imagem de alguém movido por disputa política ou por desejo de confronto.

“Eu sou um sujeito de personalidade tranquila”, disse. “Minha vida é uma vida muito tranquila. Eu sou um cara de casa para o trabalho.”

O contexto da sessão ajuda a dimensionar o peso dessa declaração. A reunião da Câmara ocorreu poucas horas depois de Claudelino Costa formalizar a renúncia ao mandato em Arcoverde, em meio a acusações que vinham tensionando o ambiente político local. Com a saída do então vereador, o parecer em discussão apontava para o arquivamento do caso por perda de objeto, já que o processo de cassação não chegaria a ser concluído após a renúncia. Foi nesse cenário de desgaste institucional que a tribuna livre se transformou no principal foco de tensão da noite.



Segundo Israel Rubis, ele não acompanhava a sessão presencialmente. Disse que estava na academia com a esposa, mantendo sua rotina habitual, quando resolveu ouvir a transmissão.

“Ontem, como eu costumeiramente faço, fui para a academia com minha esposa”, relatou. Em seguida, explicou como passou a acompanhar o que se dizia no plenário: “Durante a atividade física, deu vontade de ver a sessão da Câmara. Eu estava escutando uma videoaula com um fone. Aí botei na sessão da Câmara.”

Foi, segundo sua narrativa, nesse momento que ouviu referências ao seu nome e decidiu deixar a academia para ir ao prédio do Legislativo.


Na versão apresentada por Rubis, o incômodo começou quando a discussão em tribuna, que na avaliação dele deveria se limitar ao mérito jurídico e político do caso em pauta, passou a incluir ataques pessoais.

“Ao invés de falar a respeito do processo lá, do mérito que ele desejava sustentar, ele começou a fazer julgamentos, começou a praticar ofensas”, declarou.

Em seguida, afirmou que o discurso atingiu primeiro seu irmão, o advogado Fernandes Braga, e depois passou a mencioná-lo nominalmente.

“Ele começou a me ofender, começou a querer me ridicularizar, me ofender. Eu não tenho nada a ver com esse processo de cassação.

A transmissão ao vivo da própria Câmara de Vereadores, confirma que a escalada de tensão teve início a partir do uso da Tribuna Popular pelo advogado Eldy Magalhães, que atuou em nome do empresário Micael Lopes no caso envolvendo Claudelino Costa. O advogado fez críticas a Fernandes Braga e também citou a vereadora Célia Galindo, o que ampliou a irritação no plenário. Em dado momento, ao rebater a parlamentar, Eldy Magalhães fez referência a embates anteriores envolvendo Israel Rubis, aumentando ainda mais a temperatura política da sessão.


Foi diante dessa citação, segundo sua entrevista, que Rubis decidiu ir à Câmara.

“De repente, vem meu nome numa situação lá de cima, de uma coisa que eu não tinha nada a ver”, disse.

Já no plenário, afirmou que permaneceu atrás e que não chegou ao local para partir imediatamente para a agressão.

“Se eu tivesse toda a vontade e a consciência de querer agredi-lo, eu tinha partido de onde eu estava”, declarou.

A frase funciona, na lógica de sua defesa, como tentativa de rebater a imagem divulgada em vídeos e relatos segundo a qual ele teria avançado sobre o advogado durante a confusão. Registros públicos do episódio publicados por perfis e veículos locais apontam que houve contenção física no plenário e que a sessão acabou encerrada após o tumulto.

Ao detalhar o momento decisivo da confusão, Israel Rubis disse que tentou interpelar o advogado após o encerramento da fala na tribuna.


“Eu sinalizei que eu estava querendo falar com ele. Eu disse: ‘Velho, o que aconteceu? Ficou difícil pra você me falar meu nome aqui’”, relatou.

Na sua versão, o quadro saiu do campo verbal para o físico quando, segundo ele, houve um gesto de intimidação.

“Ele simplesmente, em determinado momento, partiu com o dedo em riste dentro da minha cara. E aí eu realmente me irritei profundamente”, afirmou.

Em outro trecho, disse que seu desejo era deixar o local e voltar para casa:


“Eu quero ir pra minha casa.”

Essa narrativa é semelhante, em parte, à que já havia aparecido em relatos reproduzidos por veículos da região na cobertura da noite anterior. Em um deles, Rubis afirmou ter sido “agredido verbalmente” e declarou que o advogado o ofendeu sem que ele tivesse, segundo sua versão, qualquer relação com o caso. O mesmo relato aponta que, após o bate-boca, pessoas que estavam no plenário contiveram os envolvidos, enquanto o presidente da Câmara encerrou a sessão por falta de condições de prosseguimento.


Outro ponto central da fala de Israel Rubis foi a tentativa de separar sua figura da atuação profissional do irmão, Fernandes Braga, alvo de parte das críticas feitas na sessão.

“Meu irmão é um homem de 45 anos, tem a formação própria dele, é professor universitário, é advogado. E não cabe a mim dizer quem deve ou quem não deve ser defendido pelo meu irmão”, afirmou.

A declaração foi usada para responder, de maneira indireta, à linha de ataque que vinha sendo construída a partir da atuação jurídica de Fernandes no caso relacionado a Claudelino Costa.


No plano político, a entrevista também procurou fixar a imagem de Rubis como alguém que não pretende retornar à disputa eleitoral.


“Não tenho interesse de ser candidato, de me filiar a partido nenhum, de apoiar B, C, D, E, J, o que for. Não tenho interesse”, disse.

Trata-se de uma afirmação relevante porque o ambiente de Arcoverde tem sido marcado por sucessivas crises entre vereadores, denúncias, trocas de acusações e reacomodações de grupos políticos. A renúncia de Claudelino Costa, anunciada ontem, já havia alterado a pauta e o eixo do debate legislativo local, e o tumulto acrescentou mais instabilidade a um quadro que já era delicado.

O que se tem de objetivamente consolidado até o momento é que a sessão da Câmara de Arcoverde terminou em confusão, que a pauta estava diretamente ligada aos desdobramentos da renúncia de Claudelino Costa e que a intervenção de Eldy Magalhães na tribuna foi o estopim imediato para a desordem no plenário. A partir daí, a dinâmica exata do confronto entre o advogado e Israel Rubis permanece atravessada por versões dos envolvidos e pela disputa pública em torno da responsabilidade pelo episódio.

Na entrevista ao Jornal Itapuama, Israel Rubis deixou claro qual é a interpretação que deseja fixar sobre os fatos: a de que não fazia parte do conflito político central da sessão, a de que foi nominalmente atacado sem ter ligação com o caso debatido e a de que sua reação se deu, segundo ele, depois de ofensas e provocação direta.


“Eu não tenho envolvimento nenhum com essa situação”, declarou.

Em uma Câmara que já vinha operando sob temperatura alta, a manhã desta terça-feira serviu menos para esfriar os ânimos do que para ampliar a batalha de versões sobre um episódio que expôs, mais uma vez, o esgarçamento da política local. Em Arcoverde, o plenário virou arena; novidade, infelizmente, só para quem ainda acredita em conto de fadas legislativo.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim, com atuação em política, poder local e fiscalização do setor público.

Por Raul Silva para O estopim | 6 de abril de 2026



Fachada da Câmara de Vereadores de Arcoverde com placa verde "Poder Legislativo". Edifício cinza, entrada central. Ambiente urbano.
Fachada da Câmara de Vereadores de Arcoverde, conhecida como Casa James Pacheco, destacando a instituição do Poder Legislativo Municipal em Pernambuco. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um pedido de cassação protocolado nesta segunda-feira (6) contra o presidente da Câmara de Arcoverde, Luciano Pacheco, abriu um novo capítulo da crise política no município. A denúncia sustenta que o vereador teria exercido a advocacia de forma incompatível com o cargo que ocupa na Mesa Diretora da Casa, enquanto a defesa do parlamentar afirma que há perseguição política em curso após o rompimento com o grupo do prefeito Zeca Cavalcanti.


A peça foi apresentada pela cirurgiã-dentista Mércia Cavalcante de Lira Lumba, representada pelo advogado Tércio Soares Belarmino, e aponta que Pacheco teria praticado atos privativos da advocacia em 29 e 30 de abril de 2025, no âmbito de uma ação penal que tramita na 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. A acusação se apoia no artigo 28, inciso I, do Estatuto da Advocacia, que estabelece incompatibilidade para o exercício da advocacia por membros da Mesa do Poder Legislativo.


No documento consultado pela reportagem, o pedido é dirigido ao vice-presidente da Câmara, Claudelino Costa, e pede a abertura do rito político-administrativo previsto no Regimento Interno da Casa. A denúncia também anexou referências a documentos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e ofícios da OAB de 2011 para sustentar a tese de reincidência.


Homem de terno cinza e gravata roxa em um escritório, com bandeiras brasileiras ao fundo. Expressão séria. Ambiente formal.
O vereador Luciano Pacheco, que ocupa a presidência da câmara, está enfrentando um pedido de cassação que envolve Mércia Cavalcante Lira Lumba. Ela é irmã da Secretária de Ação Social do Governo Zeca Cavalcanti. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Nas páginas iniciais do material, a autora da denúncia afirma que Luciano Pacheco, eleito presidente da Câmara em 1º de janeiro de 2025, não poderia mais advogar enquanto ocupasse a função. A peça menciona uma certidão processual segundo a qual o vereador teria ido ao cartório buscar informações sobre mídias anexadas ao processo no Rio de Janeiro e, depois, participado da sessão do júri “na defesa do acusado”. O texto ainda cita um episódio de 2011, quando a incompatibilidade entre presidência da Câmara e advocacia já teria sido levada à OAB.


Do ponto de vista jurídico, o centro da controvérsia está menos na atividade política de Pacheco e mais na interpretação da vedação profissional prevista em lei. O Estatuto da Advocacia trata a hipótese como incompatibilidade, e não como mero impedimento parcial, o que, em tese, veda a prática da advocacia enquanto o agente estiver na Mesa Diretora. Isso não significa, por si só, cassação automática. Significa que a Câmara precisará decidir primeiro se recebe a denúncia e, em seguida, se entende haver prova suficiente para abrir comissão processante.


Na reação pública, Luciano Pacheco disse ver no pedido uma tentativa de esvaziar politicamente sua atuação à frente do Legislativo. Na nota divulgada após o protocolo, ele afirmou que virou alvo de “perseguição implacável” por defender a autonomia da Câmara e por colocar seu nome à disposição para uma pré-candidatura a deputado federal. Também acusou o grupo governista de usar a máquina pública e vínculos familiares para tentar atingir sua reputação.


Foi nessa mesma manifestação que Pacheco deu tom político ainda mais agudo ao caso. Ele afirmou que Mércia Cavalcante de Lira Lumba é mãe de Caio Lira, descrito por ele como comissionado da área de Turismo, Esportes e Eventos, e irmã de Neila Lira, citada na nota como ligada à Assistência Social da gestão municipal. A referência foi usada pelo presidente da Câmara para sustentar a tese de que a denúncia tem motivação política, e não apenas jurídica.


Dois homens de camisa amarela levantam as mãos sorrindo em um comício. Fundo azul e verde. Camisetas com adesivos "Zeca 20". Atmosfera alegre.
Prefeito Zeca e vice-prefeito Siqueirinha que romperam politicamente com Luciano Pacheco, sinalizando um novo rumo na administração municipal. | Foto: Reprodução/Divulgação de Campanha Zeca Cavalcanti

O pedido de cassação não aparece num ambiente neutro. Em 24 de março, o prefeito Zeca Cavalcanti e o vice-prefeito Siqueirinha divulgaram nota oficial tornando público o afastamento político de Luciano Pacheco do grupo da gestão. O comunicado não detalhou os motivos do rompimento e informou apenas que, dali em diante, a relação com o vereador passaria a ser exclusivamente institucional.


Seis dias depois, a temperatura subiu. A sessão ordinária da Câmara prevista para 30 de março foi cancelada por falta de quórum. Dos dez vereadores, apenas Luciano Pacheco compareceu ao plenário. A ausência coletiva travou a pauta, impediu a abertura formal dos trabalhos e virou símbolo do racha entre o presidente da Casa e a base alinhada ao Executivo. Coberturas locais e reações institucionais passaram a tratar o episódio como um esvaziamento político do Legislativo.


A repercussão foi imediata. A UVP - UNIÃO DE VEREADORES DE PERNAMBUCO classificou o caso como grave e disse que a ausência coletiva compromete a representação popular e a credibilidade das instituições democráticas. A ANV - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE VEREADORES, em nota repercutida dias depois, também demonstrou preocupação com possível interferência do Executivo nas atividades do Legislativo e reforçou a necessidade de independência entre os poderes locais.


LEIA O PEDIDO DE CASSAÇÃO NA INTEGRA OU FAÇA O DOWNLOAD




Presidente da Câmara de Arcoverde, Luciano Pacheco, se manifesta contra o pedido de cassação em nota oficial, denunciando perseguição política e uso indevido da máquina pública. | Foto: Reprodução/Rede Social do vereador Luciano Pacheco
Presidente da Câmara de Arcoverde, Luciano Pacheco, se manifesta contra o pedido de cassação em nota oficial, denunciando perseguição política e uso indevido da máquina pública. | Foto: Reprodução/Rede Social do vereador Luciano Pacheco

Arcoverde entrou numa disputa em que o processo jurídico e a guerra política caminham lado a lado. De um lado, há uma acusação formal baseada em lei federal, em registros processuais e em documentos anexados ao protocolo. De outro, há um presidente de Câmara que responde dizendo ser alvo de retaliação política logo após romper com o grupo do prefeito e depois de ver o plenário esvaziado numa sessão ordinária.


A próxima etapa será institucional. Caberá à Câmara decidir se recebe ou não a denúncia e se abre o rito previsto em seu regimento. O que está em julgamento, portanto, não é apenas a permanência de Luciano Pacheco no cargo, mas a capacidade do Legislativo municipal de separar prova, disputa de poder e pressão política num momento em que a crise já transbordou para o centro da cena pública em Arcoverde.


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