top of page

Encontro nesta terça-feira (10), no auditório da AESA, abre etapa de escuta sobre impactos ambientais do trecho entre São Caetano e Arcoverde; governo estadual aponta prioridade para chegar à cidade no primeiro lote.


Por Raul Silva para O estopim | 10 de Março de 2026


Vice-governadora de Pernambuco em entrevista em Arcoverde PE | Foto: Portal Panorama
Vice-governadora de Pernambuco em entrevista em Arcoverde PE | Foto: Portal Panorama

A audiência pública sobre a duplicação, adequação e restauração da BR-232 no trecho entre São Caetano e Arcoverde foi realizada na manhã desta terça-feira (10), em Arcoverde, no Sertão do Moxotó. O encontro, no auditório da Autarquia de Ensino Superior de Arcoverde (AESA), teve como foco a apresentação do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) e a coleta de contribuições da população, dentro do processo de licenciamento.



A vice-governadora Priscila Krause participou da audiência e afirmou que a gestão estadual precisou reiniciar o planejamento para avançar com a duplicação após o trecho já duplicado até São Caetano.


“Quando assumimos o governo, não havia estudo nem projeto para continuar a duplicação. Foi necessário começar do zero, estruturar o projeto e buscar os recursos para tornar essa obra possível”, afirmou.

O prefeito de Arcoverde, Zeca Cavalcanti, defendeu a continuidade da obra até o município e associou o avanço à existência de um projeto executivo e ao licenciamento.


“Durante muitas eleições se falou em duplicar a BR-232, mas nada avançava porque não existia projeto. A governadora Raquel Lyra teve a coragem de começar do zero e transformar essa promessa em realidade. Para Arcoverde, é uma notícia extraordinária, porque essa primeira etapa chega até a nossa cidade”, afirmou.

Em outra fala registrada por publicações locais, o prefeito acrescentou:


“Depois da duplicação até São Caetano, aquela região deu um salto econômico. Agora Arcoverde e o Sertão entram nesse novo momento de desenvolvimento, com mais mobilidade, mais investimentos e mais oportunidades, graças à boa gestão da governadora Raquel Lyra para o nosso povo”.

O projeto em discussão integra o processo de licenciamento ambiental e o trecho de intervenção entre São Caetano e Arcoverde tem cerca de 109 quilômetros e impacta diretamente seis municípios: São Caetano, Tacaimbó, Belo Jardim, Sanharó, Pesqueira e Arcoverde. Além da audiência em Arcoverde, uma segunda audiência pública foi marcada para a tarde desta terça-feira (10), em Belo Jardim.


Em publicação institucional, o DER-PE informou que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do empreendimento ficaram disponíveis para consulta pública no portal da CPRH, com prazo de 45 dias para o recebimento de comentários e solicitações relacionadas ao processo de licenciamento.


A proposta apresentada nas audiências faz parte de um plano mais amplo de duplicação no interior, um pacote de aproximadamente 264,9 quilômetros de duplicação, ligando São Caetano a Serra Talhada, com prioridade inicial para o trecho até Arcoverde.


Em etapa paralela de articulação técnica, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que realizou, em fevereiro, reunião e visita técnica com o DER-PE para discutir o projeto de duplicação da BR-232 entre São Caetano e Belo Jardim, dentro do Novo PAC.


O diretor-presidente do DER-PE, André de Souza Fonseca, já havia citado a BR-232 como corredor logístico estratégico do estado em declaração recente sobre obras na rodovia.


“A BR-232 é um dos principais corredores logísticos de Pernambuco, e cada intervenção realizada representa mais segurança, mobilidade e desenvolvimento para o Estado”, afirmou.

Esta fase de audiências ocorre no momento em que o EIA/Rima é apresentado ao público e recebe contribuições formais, etapa exigida no licenciamento ambiental para empreendimentos de grande porte. A duplicação da BR-232 é uma demanda recorrente no interior desde a conclusão do trecho Recife-Caruaru, executado há cerca de duas décadas.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim & @muira.ubi

Jornalista, Escritor e Professor. Raul Silva é a mente que arquitetou O estopim. Sua missão é desmontar narrativas hegemônicas e oferecer um jornalismo que não tem medo de comprar briga com o poder estabelecido. Aqui, ele assina as principais análises editoriais e coordena a visão estratégica do portal.

O domingo, 21 de setembro de 2025, marcou um dos dias mais significativos da mobilização democrática brasileira recente, com manifestações simultâneas em pelo menos 33 cidades contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia. Entre os destaques desse movimento nacional pela democracia, a cidade de Arcoverde, no sertão pernambucano, protagonizou uma das mobilizações mais representativas do interior do país, reunindo diversas forças políticas de esquerda em defesa dos princípios democráticos e do Estado de Direito.


Manifestação contra a PEC da Blindagem e PL da Anistia - Fonte: Reprodução
Manifestação contra a PEC da Blindagem e PL da Anistia - Fonte: Reprodução

Mobilização nacional e internacional contra a Blindagem


As manifestações, convocadas pela Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, reuniram milhares de pessoas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife e outras 28 cidades. O movimento, que ganhou dimensões internacionais, contou com protestos em Londres, Berlim, Paris e Lisboa, demonstrando a repercussão global da questão democrática brasileira.


Avenida Paulista - Ato contra a PEC da Blindagem - Foto: Reprodução TV Globo
Avenida Paulista - Ato contra a PEC da Blindagem - Foto: Reprodução TV Globo

Em São Paulo, o Monitor do Debate Político da USP contabilizou 42,4 mil pessoas no ápice da manifestação na Avenida Paulista, número ligeiramente superior ao registrado no ato bolsonarista de 7 de setembro. No Rio de Janeiro, artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan se apresentaram em Copacabana, transformando o protesto em um grande ato cultural.


A PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara dos Deputados em 16 de setembro, estabelece que parlamentares só podem ser investigados criminalmente com autorização de suas respectivas casas legislativas, em votação secreta. Críticos apontam que, quando regra similar vigorou entre 1988 e 2001, apenas uma investigação foi autorizada entre mais de 250 solicitações.


Recife e Pernambuco na linha de frente


Em Pernambuco, as manifestações ganharam especial relevância. No Recife, cerca de 50 mil pessoas, segundo organizadores, participaram de uma passeata que saiu do Ginásio Pernambucano, na Rua da Aurora, e seguiu até o Marco Zero. O ato teve caráter político-cultural, com dois trios elétricos apresentando atrações da cultura popular pernambucana.


Ato no Recife contra anistia e PEC da Blindagem reuniu 50 mil pessoas, segundo organizadores — Foto: Ezequiel Quirino/TV Globo
Ato no Recife contra anistia e PEC da Blindagem reuniu 50 mil pessoas, segundo organizadores — Foto: Ezequiel Quirino/TV Globo

A capital pernambucana registrou um contraste político significativo: enquanto o prefeito João Campos (PSB) se posicionou publicamente contra a PEC da Blindagem, sua bancada partidária na Câmara dos Deputados votou a favor da proposta. "Sou totalmente contrário à PEC da Blindagem. Não votei e não orientei a bancada do PSB na Câmara a votar a favor", declarou o prefeito, tentando se distanciar da decisão partidária que incluiu o voto favorável de seu próprio irmão, o deputado Pedro Campos.


Um dos aspectos mais notáveis do cenário político pernambucano foi a ausência de posicionamento inicial da governadora Raquel Lyra (PSD) sobre a PEC da Blindagem. Somente após pressão da imprensa e da sociedade civil, em 19 de setembro, Lyra se manifestou contrária à proposta, afirmando que "não dialoga com o sentimento do povo".


Contudo, sua posição tardia contrastou com a atuação de seu partido, o PSD, que orientou voto favorável à PEC na Câmara. A situação se tornou ainda mais emblemática considerando que Lyra migrou do PSDB para o PSD em março de 2025, após divergências com a linha política nacional tucana. Seu partido anterior, o PSDB, também não se posicionou claramente contra a medida no âmbito nacional.


A governadora, que se elegeu com forte apoio popular em 2022, enfrentou críticas por não ter se manifestado espontaneamente contra uma proposta que atinge diretamente os princípios democráticos que defendeu durante sua campanha eleitoral.


Arcoverde: um símbolo da Resistência Democrática


Entre todas as manifestações realizadas no interior do país, Arcoverde se destacou como um verdadeiro símbolo da luta democrática. A cidade do sertão pernambucano concentrou uma das mobilizações mais plurais e representativas, reunindo praticamente todo o espectro da esquerda política local.


Manifestação em Arcoverde PE - Foto: Raul Silva (O estopim)
Manifestação em Arcoverde PE - Foto: Raul Silva (O estopim)

O ato na cidade contou com uma mobilização contundente contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia. Entre os presentes ao ato estavam militantes do PT, PCdoB, PV, PSOL, Unidade Popular (UP) e PCBR, bem como artistas, professores, a Juventude Petista, representantes da CTB e CNTE, com destaque para lideranças políticas locais como Alexandre Gomes (PCdoB), Draiton Albuquerque (PT/Sindicato dos Bancários), professora Sueli Maria (PT/Sintepe/CNTE), Guilherme Ribeiro (presidente do PT de Arcoverde), Anne Cavalcante (UP), Preto Monte (PSOL de Recife), e Leandro Macedo (PCBR).


O presidente da Câmara de Vereadores de Arcoverde, Luciano Pacheco (MDB), fez uma participação rápida no evento, demonstrando apoio institucional à causa democrática. Pacheco, eleito em janeiro de 2025 para presidir o Legislativo municipal no biênio 2025-2026, é formado em Direito e possui longa trajetória política no município.



Por outro lado, a ausência do prefeito Zeca Cavalcanti (Podemos) foi notória e simbólica. Assim como sua aliada política, a governadora Raquel Lyra, o gestor municipal não se posicionou publicamente sobre a PEC da Blindagem ou o PL da Anistia, contrastando com a postura de diversos prefeitos e governadores pelo país que se manifestaram contrariamente às propostas.


Em contrapartida, a vereadora Célia Galindo (Podemos), decana da Câmara Municipal com 10 mandatos consecutivos, se posicionou frontalmente contra a PEC através de entrevista anterior ao evento. "Nós, representantes do povo, temos que ser exemplo e não exceção. A Constituição é clara: todos são iguais perante a lei", declarou a parlamentar, criticando duramente o que chamou de "PEC da Bandidagem".


O contexto Político Nacional


As manifestações ocorreram em um momento de grave tensão política nacional. A PEC da Blindagem foi aprovada na Câmara com 353 votos favoráveis contra 134 contrários no primeiro turno, e 344 a 133 no segundo. Entre os deputados pernambucanos, 19 dos 25 votaram favoravelmente à proposta.


Paralelamente, o Congresso também aprovou a urgência para o PL da Anistia, que pode beneficiar condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal.


No Senado, a PEC encontra forte resistência. O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, prometeu pautar a proposta na semana seguinte às manifestações "para sepultar de vez esse assunto". O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) já sinalizou parecer pela rejeição.


Repercussões e Significado Histórico


As manifestações de 21 de setembro de 2025 representaram um marco na resistência democrática brasileira contemporânea. A mobilização simultânea em dezenas de cidades, com apoio de artistas, intelectuais, movimentos sociais e partidos políticos, demonstrou a vitalidade da sociedade civil brasileira na defesa das instituições democráticas.


Arcoverde, ao concentrar uma das mobilizações mais representativas do interior brasileiro, consolidou-se como um símbolo da resistência democrática no sertão pernambucano. A cidade, com cerca de 75 mil habitantes, mostrou que a defesa da democracia transcende os grandes centros urbanos e encontra eco nas mais diversas regiões do país.


O contraste entre a mobilização popular e o silêncio de autoridades como o prefeito Zeca Cavalcanti e o posicionamento tardio da governadora Raquel Lyra evidenciou as tensões políticas existentes mesmo entre gestores que se apresentam como democráticos.


As manifestações também revelaram a capacidade de articulação das forças progressistas brasileiras, que conseguiram organizar protestos coordenados nacionalmente em poucas semanas, mobilizando desde grandes centros urbanos até cidades do interior, passando por comunidades brasileiras no exterior.


Perspectivas futuras


Com a PEC da Blindagem seguindo para o Senado e o PL da Anistia em tramitação acelerada, o movimento democrático brasileiro demonstrou estar organizado e vigilante. As manifestações de setembro estabeleceram um precedente importante: a sociedade brasileira não aceitará passivamente retrocessos democráticos ou tentativas de blindagem da classe política contra a Justiça.


Arcoverde, com sua mobilização exemplar, inseriu-se definitivamente no mapa da resistência democrática nacional, provando que a luta pela manutenção do Estado de Direito encontra eco em todos os cantos do Brasil. A cidade do sertão pernambucano, berço de importantes lideranças políticas regionais, reafirmou sua vocação histórica de protagonismo nos momentos decisivos da vida nacional.


O dia 21 de setembro de 2025 ficará registrado como um marco da democracia brasileira, e Arcoverde poderá se orgulhar de ter estado na linha de frente dessa batalha histórica pela preservação dos valores republicanos e democráticos do país.

bottom of page