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Brasil x Marrocos: análise da estreia da Seleção na Copa do Mundo 2026

Por Raul Silva para O estopim | Cobertura especial da Copa do Mundo Fifa 2026


BRASIL X MARROCOS na Copa do Mundo de 2026. Seleção estreia com empate por 1 a 1, neste sábado, 13 de junho, no Estádio de Nova York/Nova Jersey, pela primeira rodada do Grupo C


Jogador do Brasil dribla defensor do Marrocos em partida de futebol, com estádio ao fundo.
Paquetá em ação em Brasil x Marrocos | Foto: Charly Triballeau/AFP

O Brasil estreou na Copa do Mundo de 2026 com empate por 1 a 1 contra o Marrocos, neste sábado, 13 de junho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, pela primeira rodada do Grupo C. Marrocos abriu o placar aos 20 minutos, com Ismael Saibari, após passe de Brahim Díaz e finalização por cobertura sobre Alisson. O Brasil empatou aos 31 minutos, com Vinícius Júnior, em jogada individual pela esquerda, cortando para dentro e finalizando para vencer Bounou.


A estreia deixou um diagnóstico claro: o Brasil teve talento individual suficiente para não perder, mas não teve organização coletiva suficiente para vencer. Marrocos entrou mais ligado, pressionou a saída de bola brasileira, ocupou melhor os espaços no meio-campo e atacou com velocidade as costas da defesa. Até o empate brasileiro, a seleção marroquina tinha volume superior e havia finalizado mais. O Brasil, nesse período, mostrou dificuldade para sair jogando, pouca aproximação entre os setores e dependência excessiva de Vinícius Júnior para transformar posse em perigo real.


O gol marroquino expôs o principal problema defensivo brasileiro no primeiro tempo. A linha de zaga ficou desprotegida, o meio-campo não conseguiu impedir o passe vertical e Alisson acabou colocado em situação de desvantagem diante de Saibari. Não foi uma falha isolada de um jogador. Foi uma falha de estrutura. Marrocos encontrou espaço entre os volantes e os zagueiros, acelerou no momento certo e puniu a desorganização brasileira.


A resposta do Brasil veio menos por construção coletiva e mais pela capacidade individual de Vinícius Júnior. O atacante foi o jogador brasileiro mais decisivo da partida. Quando o time tinha dificuldade para avançar por dentro, ele foi a saída mais constante pela esquerda. O gol de empate nasceu justamente da sua principal virtude: receber aberto, enfrentar a marcação, cortar para dentro e finalizar com potência e precisão. A atuação reforçou que Vinícius é hoje a peça mais capaz de quebrar jogos travados pela Seleção, mas também revelou um risco: quando o Brasil depende demais dele, o adversário consegue concentrar marcação e reduzir as alternativas ofensivas.


No meio-campo, o Brasil teve dificuldade para controlar o ritmo. Casemiro sofreu com a intensidade marroquina, recebeu cartão e foi substituído no intervalo. Bruno Guimarães participou da construção do empate e tentou dar saída mais limpa, mas precisou cobrir espaços grandes demais. Lucas Paquetá buscou aproximação entre linhas, mas não conseguiu receber com frequência em posição de vantagem. A distância entre os três setores fez o Brasil perder duelos importantes e dificultou a recomposição após perda de bola.


Carlo Ancelotti mexeu no intervalo ao tirar jogadores amarelados e tentar dar mais estabilidade ao time. A entrada de Fabinho buscou reforçar a proteção central, enquanto Danilo ofereceu mais segurança defensiva. O Brasil voltou menos exposto no segundo tempo, mas não passou a dominar a partida. A equipe melhorou em estabilidade, não em criação. Continuou dependendo de ações individuais, inversões rápidas e arrancadas pelos lados.


No ataque, Igor Thiago teve pouca participação porque o Brasil não conseguiu abastecê-lo com regularidade. O centroavante ficou isolado em boa parte do jogo, sem cruzamentos limpos e sem aproximação constante dos meias. Raphinha participou, tentou dar profundidade pelo lado direito, mas teve atuação discreta e pouco impacto na área. Matheus Cunha e Luiz Henrique entraram para mudar o ritmo ofensivo, deram mais mobilidade, mas não alteraram o controle do jogo. Endrick permaneceu no banco, decisão que chama atenção porque o Brasil terminou a partida precisando de presença agressiva na área e finalização rápida.


Alisson foi decisivo para impedir um resultado pior. Além de não ter responsabilidade direta no gol sofrido, apareceu em momento importante nos acréscimos, quando Marrocos voltou a ameaçar e esteve perto da vitória. A atuação do goleiro pesa na leitura final da partida: o empate não foi injusto para Marrocos, e o Brasil terminou o jogo sem conseguir impor superioridade clara.


O comportamento dos jogadores brasileiros mostrou reação emocional depois do gol sofrido, mas também revelou instabilidade coletiva. A Seleção não se entregou, buscou o empate e teve momentos de pressão, mas não controlou o jogo como se espera de uma equipe candidata ao título. A marcação pós-perda foi irregular, a saída de bola sofreu com a pressão adversária e a ocupação da área foi insuficiente. O time criou flashes, não domínio.


O ponto positivo mais evidente foi Vinícius Júnior. O atacante assumiu responsabilidade, decidiu no lance do empate e foi a principal ameaça brasileira. Alisson também saiu fortalecido pela atuação segura. Bruno Guimarães teve participação relevante no lance do gol e foi um dos poucos a tentar acelerar a construção. Entre os pontos negativos, aparecem a dificuldade de Casemiro para acompanhar o ritmo inicial, a vulnerabilidade defensiva pelo setor de Ibañez, a baixa conexão entre Paquetá e o ataque, a atuação apagada de Raphinha e o isolamento de Igor Thiago.


O empate é administrável no formato da Copa de 2026, que tem 48 seleções e amplia as possibilidades de classificação, mas o desempenho acende alerta. O Brasil não comprometeu sua situação no grupo, mas perdeu a chance de começar com autoridade. Marrocos, semifinalista em 2022, mostrou novamente que é uma seleção organizada, competitiva e capaz de enfrentar potências sem se limitar a defender.


Para os próximos jogos, a tendência é que Ancelotti ajuste o meio-campo. O Brasil precisa reduzir os espaços entre defesa, volantes e ataque, melhorar a saída sob pressão e criar mais mecanismos para que Vinícius Júnior não receba sempre cercado por dois marcadores. Também precisa aproximar mais Paquetá do último terço e decidir se manterá um centroavante fixo ou se buscará mais mobilidade com Matheus Cunha ou outro atacante. A permanência de Casemiro como titular dependerá da capacidade do time de protegê-lo melhor e de evitar que ele seja exposto em campo aberto.


A previsão esportiva, a partir da estreia, é de classificação brasileira, mas com disputa mais aberta pela liderança do grupo. Marrocos demonstrou força suficiente para brigar pelo primeiro lugar. O Brasil segue favorito contra adversários de menor peso técnico, mas precisará vencer com desempenho mais convincente para chegar ao mata-mata sem carregar dúvidas. A estreia não derrubou a candidatura brasileira, mas mostrou que ela ainda depende de correções urgentes. O Brasil saiu vivo, mas saiu cobrado.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim, com atuação em política, poder local e fiscalização do setor público.

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