Câmara aprova PEC que acaba com escala 6x1 e proposta segue para o Senado
- Michael Andrade

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Por Michael Andrade, da redação de O estopim | Fonte: BBC News Brasil | quarta-feira (27) de maio de 2026
Texto prevê dois dias de folga semanais e redução gradual da jornada de trabalho sem corte salarial.

A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil. O texto agora segue para análise do Senado Federal.
A proposta foi aprovada com 461 votos favoráveis e 19 contrários no segundo turno de votação.
A PEC estabelece uma transição para a nova jornada de trabalho. Pelo texto aprovado, os trabalhadores passarão a ter obrigatoriamente dois dias de folga por semana 60 dias após a promulgação da proposta.
Já a redução da carga horária semanal ocorrerá em etapas. Inicialmente, a jornada cairá de 44 para 42 horas semanais e, após um ano, será reduzida para 40 horas.
O texto também determina que os trabalhadores não terão redução salarial com a mudança.
O acordo para aprovação da proposta foi articulado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
Durante a votação, o tema provocou debates entre parlamentares da base governista e da oposição.
O deputado Kim Kataguiri criticou a proposta e afirmou que a mudança poderia aumentar a informalidade e gerar demissões. Já Hugo Motta defendeu que produtividade não depende apenas da quantidade de horas trabalhadas.
“Trabalhadores mais descansados produzem mais”, declarou o presidente da Câmara.
A deputada Erika Hilton, uma das principais defensoras da proposta, afirmou que o fim da escala 6x1 representa uma pauta ligada à qualidade de vida dos trabalhadores.
O texto ainda precisará ser aprovado em dois turnos no Senado Federal. Caso haja alterações, a PEC retorna para nova análise da Câmara.
A proposta ganhou força após mobilizações do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e passou a ser defendida pelo governo federal como uma das principais pautas trabalhistas do ano.
Especialistas apontam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, mas também gerar impactos econômicos e desafios para empresas na adaptação ao novo modelo.
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