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Há 100 anos, Ford adotava jornada de 40 horas e ajudava a consolidar escala 5x2 nos EUA

Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Agência Brasil | quarta-feira (13) de maio de 2026


Decisão da montadora em 1926 marcou a história das relações de trabalho e voltou ao debate diante das discussões sobre o fim da escala 6x1 no Brasil.


Foto: REUTERS/Bridgeman Images/Arquivo
Foto: REUTERS/Bridgeman Images/Arquivo

Em maio de 1926, há exatos 100 anos, a montadora Ford adotou a jornada de trabalho de 40 horas semanais em suas fábricas nos Estados Unidos, contribuindo para consolidar o modelo de cinco dias de trabalho por dois de descanso, conhecido atualmente como escala 5x2.


Até então, trabalhadores da empresa cumpriam jornadas de seis dias por semana. A mudança implementada pela Ford se tornou um marco histórico nas relações trabalhistas e ajudou a influenciar outras empresas norte-americanas.


Na época, o modelo industrial implantado pela montadora chegou a dar nome a uma fase do capitalismo, conhecida como fordismo.


Segundo historiadores, a medida atendia tanto às reivindicações dos trabalhadores quanto aos interesses econômicos da própria empresa, que buscava aumentar produtividade, reduzir desgaste físico e ampliar o consumo entre os funcionários.


A consolidação definitiva da escala 5x2 nos Estados Unidos aconteceria em 1940, quando foi alterada a Lei de Normas Justas de Trabalho, criada em 1938. Desde então, a legislação norte-americana fixa jornada semanal de 40 horas, permitindo horas extras mediante pagamento adicional.


De acordo com estimativas históricas, trabalhadores dos Estados Unidos chegavam a cumprir jornadas médias de 60 horas semanais no início dos anos 1900, com expedientes de dez horas por dia durante seis dias na semana.


O professor de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antonio Luigi Negro, afirmou à Agência Brasil que a redução da jornada foi resultado direto da organização dos trabalhadores e da pressão sindical.


“Eles não queriam chegar acabados em casa, depois de um dia de trabalho, ou arrebentados e com problemas nos nervos quando se aposentassem”, explicou.


Com o lema “oito horas para o trabalho, oito horas para o descanso e oito horas para o que quisermos”, sindicatos norte-americanos travaram décadas de mobilização até conquistar o modelo atual.


O economista e historiador Robert M. Whaples destacou que a luta pela redução da jornada ajudou a impulsionar o crescimento dos sindicatos nos Estados Unidos entre os séculos XIX e XX.


Segundo ele, a decisão da Ford acelerou a adoção do modelo por outras grandes empresas. Em 1927, mais de 260 companhias já haviam aderido à semana de cinco dias.


Apesar disso, historiadores ressaltam que Henry Ford mantinha forte resistência à atuação sindical dentro da empresa.


Antonio Luigi Negro lembra que o empresário era hostil aos sindicatos e adotava estratégias para impedir organização operária dentro das fábricas.


Atualmente, a jornada média semanal nos Estados Unidos é de 34,3 horas, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho norte-americano divulgados em abril de 2026.


O debate sobre redução da jornada voltou ao centro das discussões também no Brasil. O governo federal defende o fim da escala 6x1 e a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial.


Nesta quarta-feira (13), governo e lideranças da Câmara dos Deputados anunciaram acordo para instituir dois dias de descanso semanal e reduzir a jornada máxima para 40 horas.


A proposta tramita no Congresso Nacional por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), com previsão de votação na comissão especial no próximo dia 27 de maio.


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