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'Sinhá Moça', 'Rei do Gado', 'Terra Nostra': relembre novelas de Benedito Ruy Barbosa

Michael Andrade, da redação do Portal O estopim

Fonte: G1 terça-feira (7), de julho


Autor e dramaturgo morreu nesta terça-feira (7). Conhecido por verdadeiras sagas, o dramaturgo construiu histórias que atravessam o universo rural brasileiro.




Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, autor de novelas como "Pantanal" e "Terra Nostra", morreu nesta terça-feira (7) em São Paulo. A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor).


Conhecido por verdadeiras sagas, o dramaturgo construiu histórias que atravessam o universo rural brasileiro, exploram a diversidade cultural – com interesse especial na imigração italiana – e apresentam amores intensos.


Seu legado inclui tramas icônicas como "Meu Pedacinho de Chão" (1971), "Pantanal" (1990), "O Rei do Gado" (1996) e "Terra Nostra" (1999), marcadas por protagonistas de "bom caráter, determinação para a luta, crença em valores positivos" – como o próprio definiu.


Separamos 9 novelas para você conhecer melhor a obra de Benedito Ruy Barbosa:


'Paraíso'


Exibida entre 1982 e 1983, a trama girou em torno da paixão entre o peão José Eleutério (Kadu Moliterno), o "Filho do Diabo", e Maria Rita (Cristina Mullins), a "Santinha". Eles vivem no interior em meio a lendas locais, boatos de milagres e fortes disputas políticas entre os seus pais.


Imagem: Divulgação
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Santinha e Zé Eleutério vivem um conturbado romance cheio de idas e vindas. Após ela quase se casar com outro devido a uma promessa religiosa, ela abandona o noivo no altar para terminar nos braços de seu verdadeiro amor.



'Cabocla'


Destaque nos anos 1970, a novela se passa nos anos 1920, destacando a história de Luís Jerônimo (Fábio Jr.), que deixa o Rio de Janeiro para tratar uma pneumonia e acaba conhecendo e se apaixonando pela cabocla Zuca (Glória Pires).


Imagem: Divulgação
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A história também destaca a forte disputa pelo poder político regional entre os influentes coronéis Boanerges (Cláudio Corrêa e Castro) e Justino (Gilberto Martinho).


'Pantanal'


Sucesso que ganhou releitura na TV Globo em 2022, a primeira versão foi transmitida na extinta Rede Manchete.


Imagem: Divulgação
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A história retrata o pecuarista José Leôncio (Cláudio Marzo) tentando se reaproximar do filho urbano, Jove (Marcos Winter), que volta ao Pantanal após anos. O rapaz, que é vegano, choca o pai rústico e se apaixona por Juma Marruá (Cristiana Oliveira), jovem arredia que carrega a lenda de se transformar em onça.


'Renascer'


Divulgação
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Outra novela de Benedito Ruy Barbosa que fez sucesso nos anos 1990 e ganhou releitura em 2024.


Nela, o coronel do cacau José Inocêncio (Antônio Fagundes) rejeita o filho caçula, João Pedro (Marcos Palmeira), culpando-o pela morte da mãe no parto. O abismo entre eles cresce quando o pai se apaixona e se casa com Mariana (Adriana Esteves), namorada e antigo amor de João Pedro.


'O Rei do Gado'


Antonio Fagundes em cena de 'O Rei do Gado' — Foto: Cida Souza/TV Globo
Antonio Fagundes em cena de 'O Rei do Gado' — Foto: Cida Souza/TV Globo

Envolta na histórica rivalidade entre os Mezenga e os Berdinazi, a obra traz um marcante debate social sobre a reforma agrária por meio dos sem-terra.


O pano de fundo é a paixão entre o pecuarista Bruno Mezenga (Antônio Fagundes) e a boia-fria Luana (Patrícia Pillar). Ela perdeu a memória em um acidente e nem imagina que pertence à linhagem da família rival.


'Terra Nostra'


Ana Paula Arósio em cena de 'Terra Nostra' — Foto: Jorge Baumann/TV Globo
Ana Paula Arósio em cena de 'Terra Nostra' — Foto: Jorge Baumann/TV Globo

No fim do século XIX, os jovens italianos Matteo (Thiago Lacerda) e Giuliana (Ana Paula Arósio) se apaixonaram a bordo de um navio rumo ao Brasil.


Ao desembarcarem para trabalhar no café, eles se perdem e enfrentam uma jornada cheia de mentiras para se reunirem.


'Esperança'


Mais uma novela com personagens de origem italiana, “Esperança” retrata os anos 1930, sob o impacto da Grande Depressão.


Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Na obra, o jovem italiano Toni (Reynaldo Gianecchini) imigra sozinho para o Brasil em busca de uma vida melhor, após o pai rico de sua amada, Maria (Priscila Fantin), proibir o romance. Grávida, ela acaba forçada a casar com outro.


'Sinhá Moça'


Lucélia Santos, Marcos Paulo e Sérgio Viotti em "Sinhá Moça" — Foto: Acervo
Lucélia Santos, Marcos Paulo e Sérgio Viotti em "Sinhá Moça" — Foto: Acervo

No clássico da teledramaturgia exibido pela primeira vez em 1986 e ambientado no período escravocrata do Brasil, Sinhá Moça (Lucélia Santos) retorna ao interior paulista e passa a confrontar o pai escravocrata, o Barão de Araruna (Rubens de Falco).


Defensora da liberdade, ela se apaixona pelo abolicionista Rodolfo (Marcos Paulo), sem saber que ele liberta escravos secretamente à noite.


'Velho Chico'


Lucy Alves e Domingos Montagner em cena de "Velho Chico" — Foto: Globo/Estevam Avellar
Lucy Alves e Domingos Montagner em cena de "Velho Chico" — Foto: Globo/Estevam Avellar

Veiculada em 2016, foi a última novela do autor, a trama foca na disputa pela terra e pelo poder entre famílias nos anos 1960.


Maria Tereza (Camila Pitanga) e Santo (Domingos Montagner) vivem um amor proibido que resulta na gravidez dela, mas o filho, Miguel, é criado por outro homem após mentiras.


Trajetória


O mais velho entre cinco irmãos, Ruy Barbosa nasceu em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, e passou a infância na vizinha Vera Cruz, uma região de cafezais habitada por imigrantes japoneses e italianos.


Com a morte precoce do pai, precisou trabalhar desde cedo para ajudar a família. Ao longo da juventude, trabalhou como auxiliar em uma firma comercial, vendedor de verduras e faxineiro, até conseguir um emprego como revisor no jornal "O Estado de S. Paulo".


Autor Benedito Ruy Barbosa — Foto: João Miguel Júnior/TV Globo
Autor Benedito Ruy Barbosa — Foto: João Miguel Júnior/TV Globo

O gosto pela escrita levou Benedito a criar seu primeiro romance, "Fogo Frio", que foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, o começo de sua trajetória como roteirista.


Sua estreia na televisão aconteceu em 1966, com "Somos Todos Irmãos", na TV Tupi. Nos anos seguintes, passou por emissoras como Excelsior, Record e TV Cultura. Em 1971, escreveu "Meu Pedacinho de Chão", novela produzida por uma parceria da Cultura com a Globo e exibida por ambas.


Cinco anos depois, assinou com a Globo, onde deu início a uma sequência de sucesso na faixa das 18h. Nessa época, adaptou o romance de Ribeiro Couto em "Cabocla" (1979).


Em 1990, ao se transferir para a TV Manchete, Benedito escreveu "Pantanal", que inovou ao utilizar locações externas e explorar a cultura e os mistérios do bioma brasileiro.


Com o sucesso, retornou à Globo para escrever "Renascer" (1993), trama ambientada no interior baiano e marcada pelo duelo de gerações do coronel José Inocêncio. Ambas seriam refilmadas décadas depois, com o roteirod de seu neto, Bruno Luperi.


Com "O Rei do Gado" (1996), Benedito abordou a rivalidade entre duas famílias de imigrantes italianos, enquanto discutia temas como a posse de terra e a reforma agrária.


Já em "Terra Nostra" (1999), retratou o drama dos italianos Matteo e Giuliana, separados ao chegarem ao Brasil no início do século XX.


Ruy Barbosa também revisitou suas próprias obras. Em 2006 e 2014, assinou as refilmagens de "Sinhá Moça" e "Meu Pedacinho de Chão".



Na versão cheia de cores da segunda obra, declarou que finalmente conseguiu colocar no ar ideias que a censura havia barrado na primeira versão, durante a ditadura militar.


Em 2016, escreveu "Velho Chico", ambientada na fictícia cidade de Grotas do São Francisco, no sertão nordestino. A novela trouxe um embate de gerações e a disputa por terra e poder no interior do Brasil.








 
 
 

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