TSE retoma nesta terça julgamento que pode cassar Cláudio Castro e decretar fim do governo do Rio
- Raul Silva

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Por Raul Silva para O estopim | 10 de março de 2026
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma nesta terça-feira, 10 de março, às 19h, o julgamento do processo que pede a cassação do mandato e a inelegibilidade por oito anos do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). A ação, que envolve acusações graves de abuso de poder político e econômico durante a campanha à reeleição de 2022, tem o potencial de redesenhar completamente o cenário político fluminense, e nacional.

O caso foi iniciado em setembro de 2022, quando o Ministério Público Eleitoral (MPE) e a coligação do então deputado federal Marcelo Freixo, do PSB, principal adversário de Castro na disputa pelo Palácio Guanabara, ingressaram na Justiça Eleitoral contra o governador. As denúncias apontam para três eixos centrais:
Contratações irregulares em massa: Cerca de 27 mil vínculos temporários firmados pela Fundação CEPERJ (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro) e outros 18 mil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sem amparo legal e sem concurso público, caracterizando o que o MPE classifica como uma "folha de pagamento secreta" montada com finalidade eleitoral
Desvio de recursos públicos: Envio de R$ 248 milhões — outras fontes apontam cifra superior a R$ 300 milhões — a entidades desvinculadas da administração pública estadual, no âmbito da descentralização orçamentária capitaneada pela CEPERJ
Conduta vedada na campanha: Uso estrutural da máquina do Estado para garantir vantagem eleitoral ao candidato à reeleição, com ampliação dos programas sociais e aumento exponencial do orçamento da fundação sem previsão legal
Segundo a ministra Isabel Gallotti, relatora do caso no TSE, "a CEPERJ e a UERJ foram desvirtuadas para servir de fachada em um esquema de cooptação de votos".
O caso tramitou pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que, em maio de 2024, absolveu o governador por maioria de 4 votos a 3, sob o argumento de que o conjunto probatório era insuficiente para demonstrar a finalidade eleitoral das condutas. O Ministério Público recorreu ao TSE, que aceitou a ação e iniciou o julgamento em novembro de 2025.
Em 4 de novembro de 2025, a ministra Gallotti votou de forma contundente pela cassação do mandato de Cláudio Castro, pela inelegibilidade de oito anos e pela realização de novas eleições para o governo do estado. Mas a sessão foi imediatamente interrompida por um pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira, que citou a complexidade do processo e o volume de documentos para justificar mais tempo de análise. Em dezembro do mesmo ano, Ferreira renovou o pedido por mais 30 dias, empurrando definitivamente a decisão para 2026.
Com o retorno do julgamento agendado para esta noite, o ministro Antônio Carlos Ferreira será o próximo a votar, seguido de outros seis ministros do tribunal, que definirão o destino político de Castro. A defesa do governador sustenta que ele apenas sancionou uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa e um decreto para regulamentar a atuação da CEPERJ, e que não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades operacionais da fundação.
Em nota, Castro afirmou que:
"todas as ações do governo seguiram dentro da legalidade, sem qualquer relação com a campanha eleitoral" e que respeita "a vontade soberana dos quase 5 milhões de eleitores fluminenses" que o reelegeram.
Além do governador, também está no polo passivo do processo Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. À época dos fatos, Bacellar era secretário de Governo do estado, papel central na articulação das contratações investigadas. O parlamentar se tornou ainda mais vulnerável após ser preso preventivamente em dezembro de 2025, suspeito de vazar informações sigilosas de uma investigação da Polícia Federal sobre a infiltração do crime organizado em órgãos públicos fluminenses.
Uma eventual condenação pelo TSE significaria a cassação imediata do mandato de Cláudio Castro, que teria seu governo encerrado antes do fim do prazo constitucional, com a consequente realização de novas eleições no estado. Além disso, a inelegibilidade por oito anos bararia qualquer candidatura de Castro ao Senado Federal nas eleições de 2026 — cenário que já era considerado pelo governador como próximo passo em sua trajetória política. A decisão desta noite será uma das mais impactantes da política fluminense em anos recentes.
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Jornalista, Escritor e Professor. Raul Silva é a mente que arquitetou O estopim. Sua missão é desmontar narrativas hegemônicas e oferecer um jornalismo que não tem medo de comprar briga com o poder estabelecido. Aqui, ele assina as principais análises editoriais e coordena a visão estratégica do portal.
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