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Política

Esta reportagem especial de O estopim inaugura a série "Sob Escuta – Pernambuco em Disputa". Aqui, dissecamos as denúncias de espionagem política, o abuso da estrutura de Estado e o uso da Polícia Civil de Pernambuco em disputas de poder sob a gestão da governadora Raquel Lyra.


Por Heitor Lemos Especialista em Sociedade e Comportamento Político | 26 de janeiro de 2026


Governadora Raquel Lyra em evento da Polícia Civil de Pernambuco | Foto: Miva Filho
Governadora Raquel Lyra em evento da Polícia Civil de Pernambuco | Foto: Miva Filho

Ao longo de uma apuração exaustiva, conectamos documentos oficiais, reportagens de alcance nacional, manifestações contundentes na Assembleia Legislativa e falas de entidades de classe. O objetivo é explicar, nos mínimos detalhes, como a máquina pública do governo de Pernambuco teria sido convertida em uma ferramenta para fins político-eleitorais.


Raquel Lyra: O Estado contra o Cidadão?


Nos últimos meses, uma sucessão de denúncias colocou a segurança pública do governo de Pernambuco sob forte suspeita. Relatos vindos de dentro da própria corporação, de parlamentares de oposição e das vítimas do monitoramento indicam que a Polícia Civil de Pernambuco pode ter sido utilizada para vigiar adversários políticos e assessores estratégicos do prefeito do Recife, João Campos. Ele é, hoje, o principal adversário da governadora Raquel Lyra na disputa rumo a 2026.


A investigação, iniciada a partir de reportagens em rede nacional e ampliada por discursos inflamados na Assembleia Legislativa, notas do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) e documentos anexados a pedidos de impeachment, aponta para um cenário de filme de espionagem. Delegados e agentes teriam instalado rastreadores em veículos, recorrido a softwares de reconhecimento facial e compartilhado informações sigilosas em grupos de WhatsApp. Tudo isso ocorreu sem autorização judicial e sem a abertura de inquérito formal. O que está em jogo aqui é a própria integridade da forma como o governo de Pernambuco utiliza suas estruturas de inteligência e segurança.


Secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro | Foto: Divulgação
Secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro | Foto: Divulgação

Segundo as denúncias, essa operação informal, apelidada sugestivamente de "Nova Missão", teria monitorado de forma contínua o secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro. A partir de um rastreador instalado clandestinamente em um veículo, agentes acompanhariam deslocamentos diários, encontros políticos e rotinas familiares. Prints de conversas de WhatsApp atribuídas a integrantes da Polícia Civil mostram o compartilhamento de mapas de localização, placas de veículos e registros fotográficos, sem qualquer referência a um procedimento oficial.



Raquel Lyra governadora de Pernambuco | Foto: Reprodução
Raquel Lyra governadora de Pernambuco | Foto: Reprodução

Em paralelo à espionagem física, cresce a suspeita de que o Palácio do Campo das Princesas abriga uma estrutura de comunicação agressiva. Essa engrenagem é apelidada por oposicionistas de "milícia digital". Tal estrutura, que seria coordenada a partir do próprio gabinete da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, é acusada de financiar contas anônimas e perfis oficiais. O objetivo seria atacar opositores, distorcer fatos, espalhar desinformação e tentar descredibilizar parlamentares que cobram transparência. Entre as vítimas desses ataques está a deputada estadual Dani Portela, autora do pedido de instalação da CPI do Bilhão, comissão que investiga os vultosos contratos de comunicação do Governo de Pernambuco.


Ônibus da Logo Caruaruense empresa pertencente ao pai de Raquel Lyra | Foto: Reprodução
Ônibus da Logo Caruaruense empresa pertencente ao pai de Raquel Lyra | Foto: Reprodução

As suspeitas de desvio de finalidade não se limitam ao campo da segurança pública ou da comunicação digital. Denúncias encaminhadas à Assembleia Legislativa e a órgãos de imprensa apontam para um possível conflito de interesses envolvendo contratos públicos e a atuação da empresa de ônibus Logo Caruaruense, historicamente ligada à família da governadora. Relatórios técnicos e reportagens indicam uma frota envelhecida, falhas em vistorias obrigatórias e pagamentos do poder público a uma empresa que estaria em situação irregular. Isso alimenta a acusação de nepotismo e favorecimento dentro do governo de Pernambuco.


Diante desse cenário complexo, a reportagem de O estopim Política se organiza em múltiplos eixos para facilitar a compreensão do leitor sobre a gravidade da situação.


Os eixos da investigação


  1. Operação "Nova Missão"

    Investigamos como teria funcionado o monitoramento de Gustavo Monteiro e de outros aliados do prefeito João Campos. Analisamos qual o papel da inteligência da Polícia Civil de Pernambuco nesse xadrez e o que dizem, ou deixam de dizer, o governo e a corporação.


  2. Milícia digital e desinformação

    Detalhamos as acusações de existência de uma rede estruturada para atacar adversários políticos da governadora Raquel Lyra. Abordamos o caso da denúncia anônima contra Dani Portela e o impacto tóxico desse ambiente nas redes sociais e na democracia estadual.


  3. Pressão sobre policiais civis

    Trazemos os relatos de escutas clandestinas dentro de delegacias, vigilância interna, transferências punitivas e o clima de medo entre agentes e delegados que ousam questionar ordens superiores.


  4. CPI do Bilhão e contratos de comunicação

    Dissecamos o contrato de até R$ 1,2 bilhão em publicidade do governo de Pernambuco. Investigamos a suspeita de ligação com familiares da governadora e o papel crucial da Assembleia Legislativa ao abrir uma CPI para auditar esses gastos.


  5. Logo Caruaruense e nepotismo

    Resgatamos o histórico da empresa de ônibus da família da governadora de Pernambuco. Expomos as irregularidades apontadas e o pedido de impeachment que chega à Alepe, questionando a moralidade administrativa.


  6. Impactos políticos e sociais

    Refletimos sobre o que esse conjunto de denúncias revela sobre a saúde da democracia em Pernambuco. Discutimos o papel das instituições de controle e o risco real de captura do Estado por interesses privados e partidários.


Cada um desses eixos será aprofundado em textos próprios, com linguagem acessível, dados rigorosamente checados e espaço garantido para o contraditório. A proposta de O estopim é oferecer ao leitor um panorama completo e organizado. Queremos ir além das manchetes rápidas e permitir que qualquer pessoa entenda o que está em jogo quando se fala em espionagem política, milícia digital e contratos bilionários dentro do governo de Pernambuco.


Acompanhe a série de reportagens de O estopim


Este texto é apenas o primeiro capítulo da série investigativa "Sob Escuta – Pernambuco em Disputa", publicada por O estopim Política. Aqui, trataremos das denúncias que envolvem o governo de Pernambuco, a gestão da governadora Raquel Lyra, a atuação da Polícia Civil de Pernambuco, contratos públicos e a feroz disputa pelo poder no estado. Ao longo dos próximos capítulos, o leitor encontrará linhas do tempo detalhadas, contextualização jurídica, perfis dos principais personagens e explicações didáticas sobre o funcionamento das instituições responsáveis por fiscalizar o Executivo.


Nas próximas reportagens, vamos detalhar a fundo a Operação "Nova Missão", a suposta milícia digital ligada ao Palácio do Campo das Princesas, a pressão sobre policiais civis, a CPI do Bilhão e o caso Logo Caruaruense. Sempre ouviremos todos os lados, incorporando notas oficiais e atualizando a apuração conforme novas informações surgirem. O objetivo é que o público de Pernambuco, e de todo o Brasil, possa formar sua própria opinião com base em informação de qualidade.


Para acompanhar a série completa, acesse oestopim.com, salve o site nos seus favoritos e procure por "O estopim Política", "espionagem política em Pernambuco", "governo Raquel Lyra", "governo de Pernambuco", "Polícia Civil de Pernambuco" e termos relacionados nos buscadores e agregadores de notícias da Apple, Google e Microsoft. Quanto mais leitores acessarem, compartilharem e salvarem essas reportagens, maior será a chance de este conteúdo aparecer em destaque quando alguém buscar informações sobre Pernambuco, governo de Pernambuco, Raquel Lyra, governadora de Pernambuco e os rumos políticos do estado.


Acesse, compartilhe e acompanhe. Esta série de O estopim quer ajudar a iluminar um dos capítulos mais sensíveis e obscuros da história recente de Pernambuco.

 
 
 

Por Clara Mendes da Redação de O estopim | 25 de janeiro 2026


Deputado finalizava caminhada de 240 km quando descarga elétrica atingiu manifestantes na Praça do Cruzeiro; governo critica manutenção do evento sob tempestade.


O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) rechaçou, na noite deste domingo (25), as acusações de falta de planejamento em sua “Caminhada pela Liberdade”, que terminou em tragédia na Praça do Cruzeiro, em Brasília. Por volta das 13h, durante uma forte tempestade, um raio atingiu o local onde apoiadores aguardavam a chegada do parlamentar, deixando pelo menos 30 pessoas feridas. Nikolas, que completava um trajeto a pé iniciado em Minas Gerais, classificou o incidente como uma fatalidade que “foge do controle humano”.


João Paulo Nunes / Metrópoles
Nikolas Ferreira diz que tem muita gente orando pelos manifestantes atingidos por raio | Foto: João Paulo Nunes / Metrópoles

Segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, entre os feridos encaminhados ao Hospital de Base e ao Hospital Regional da Asa Norte, oito apresentavam quadro de instabilidade, incluindo queimaduras e paradas cardiorrespiratórias momentâneas recuperadas pelas equipes de socorro.


“Não foi por irresponsabilidade. Foi literalmente algo que foge do nosso controle”, declarou Nikolas após visitar as vítimas. O deputado, que chegou ao evento usando um colete à prova de balas, aproveitou o discurso para atacar o Supremo Tribunal Federal, afirmando que não se vencerá a “tirania” na força, mas pelo diálogo.


A oposição, no entanto, reagiu prontamente. Parlamentares da base do governo, como Lindbergh Farias (PT-RJ) e Glauber Braga (PSOL-RJ), classificaram o ato como “irresponsável” por não ter sido dispersado diante do alerta de tempestade severa emitido pelas autoridades meteorológicas.


O evento reuniu cerca de 18 mil pessoas, de acordo com o Monitor do Debate Político no Meio Digital da USP. Relatos de testemunhas à CNN Brasil descrevem cenas de pânico e “um clarão que bateu no peito”, derrubando dezenas de manifestantes instantaneamente.


Este episódio marca o fim conturbado de uma agenda que tentava reaquecer a militância bolsonarista nas ruas, após meses de desmobilização. A “Caminhada pela Liberdade” tentava emular marchas históricas, mas acaba marcada pela imprudência diante dos alertas climáticos, comuns nesta época do ano no Centro-Oeste.


Embora o raio tenha caído no Planalto Central, o trovão ecoa forte nos grupos políticos de Pernambuco e do interior nordestino. Em Arcoverde e cidades vizinhas, onde os atos de rua são o coração da política local, o incidente acende um alerta sobre a segurança de grandes aglomerações a céu aberto, especialmente em períodos chuvosos. Além disso, o episódio já movimenta os grupos de WhatsApp da região, acirrando os ânimos entre lulistas e bolsonaristas locais, que usam a tragédia para medir forças sobre a responsabilidade de seus líderes. Aqui está um vídeo relevante sobre o incidente:

“O que aconteceu foi um incidente natural. Não foi irresponsabilidade nossa, não foi por falta de organização, não foi tumulto, foi algo que foge do controle”, declarou. | Fonte: Metróples

 
 
 

Enquanto Nikolas Ferreira pedia um "sinal dos céus" na Praça do Cruzeiro, a natureza respondeu com uma descarga elétrica (raio). Saldo do domingo: 72 atendidos, 8 em estado grave e a confirmação de que a "intervenção" veio, mas não a militar.


Por Redação O Estopim | Brasília, 25 de janeiro de 2026


Tempestade em Brasília provocou raios neste domingo (18). (Foto: reprodução/ilustração)
Tempestade em Brasília provocou raios neste domingo (25) | Foto: reprodução/ilustração

Se o lema era "Deus acima de todos", a meteorologia decidiu testar a fé dos patriotas neste domingo (25). O que deveria ser a apoteose da "Caminhada pela Liberdade", liderada pelo deputado e peregrino de ocasião Nikolas Ferreira (PL-MG), transformou-se no mais novo episódio da tragicomédia política nacional quando um raio, sim, uma descarga atmosférica, não uma metáfora, atingiu o epicentro da manifestação bolsonarista em Brasília.


O evento, desenhado para protestar contra a prisão do ex-capitão Jair Bolsonaro (atualmente desfrutando da hospitalidade estatal na "Papudinha" pelos próximos 27 anos) , ignorou um pequeno detalhe técnico: a ciência. Mesmo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) gritando em alerta laranja que o céu iria desabar , a liderança do movimento achou por bem manter milhares de pessoas aglomeradas no ponto mais alto do Plano Piloto, ao redor de guindastes e metais, debaixo de tempestade. O resultado foi chocante, literalmente.


O "sinal" veio forte


Eram 13h00 quando o céu de Brasília, talvez cansado de tanta oratória sobre "tomada de poder", decidiu intervir. Um raio caiu próximo ao trio elétrico e ao guindaste onde se concentravam os apoiadores. O fenômeno, conhecido como "tensão de passo", fez com que dezenas de manifestantes caíssem simultaneamente, numa coreografia que, se não fosse trágica, seria poética.


O saldo da imprudência travestida de bravura cívica: 72 pessoas atendidas pelos bombeiros (que já estavam lá, prevendo o caos), cerca de 30 hospitalizados entre o Hospital de Base e o HRAN, e 8 patriotas em estado grave na UTI. Felizmente, não houve óbitos, apenas o orgulho ferido e algumas queimaduras de Lichtenberg, aquelas figuras na pele que parecem tatuagens de samambaia, ironicamente, a planta mais comum nas repartições públicas que eles tanto odeiam.


Nikolas e a lógica do martírio


Nikolas Ferreira, que caminhou 240 km de Paracatu a Brasília mimetizando um calvário messiânico, mostrou que o show tem que continuar. Mesmo com ambulâncias correndo e apoiadores sendo reanimados no gramado enlameado, o deputado manteve o ato por um período, postando vídeos sob a chuva como um capitão que se recusa a abandonar o navio... ou melhor, o trio elétrico.


A ironia não passou despercebida: enquanto exigem que o Estado cuide menos da vida das pessoas, foi o Estado (via SUS e Corpo de Bombeiros) que correu para salvar os que ignoraram os alertas da Defesa Civil estatal.


Xandão, o Senhor dos Raios?


Como o brasileiro processa a tragédia através do escárnio, a internet não perdoou. A coincidência de um raio atingir um acampamento bolsonarista pela segunda vez (a primeira foi no QG do Exército em 2022)  acendeu a teoria da conspiração mais hilária do dia: Alexandre de Moraes teria comprado o HAARP?


Nas redes, o ministro do STF foi promovido de "Vigiar e Punir" para "Thor do Cerrado". Memes sugerem que, após cansar de assinar mandados de prisão, a "canetada" agora vem em forma de 300 milhões de volts. "Nem Deus aguenta mais", comentou um internauta, sugerindo que a descarga elétrica foi uma tentativa divina de dispersão, já que a PM não podia fazer muito.


Enquanto isso, na Papudinha...


Longe da chuva e dos raios, Jair Bolsonaro segue seguro em sua cela de 64m² na unidade da Polícia Militar. Com direito a banho de sol privativo e Smart TV, o ex-presidente assistiu de camarote seus fiéis seguidores servirem de para-raios para sua causa. A defesa tenta usar sua saúde para conseguir prisão domiciliar, mas, pelo visto, hoje era mais seguro estar preso na Papuda do que solto na "Caminhada pela Liberdade".


O episódio de hoje entra para a história como o momento em que a extrema-direita brasileira descobriu, da pior forma, que ignorar a climatologia pode ser tão perigoso quanto ignorar a Constituição. O raio não politiza, mas a política, certamente, eletrocuta.

 
 
 
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