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Por Raul Silva | Morre Erich von Däniken

Leitura de 3 minutos • Compartilhe antes que a nave parta


Autor best-seller Erich von Däniken © dpa / picture alliance / Frank Pusch
Autor best-seller Erich von Däniken © dpa / picture alliance / Frank Pusch

Era uma daquelas tardes em Arcoverde onde o sol não pede licença, ele arromba a porta. O calor estava tão grande que, se você olhasse fixamente para o asfalto tremulando na Avenida Agamenon Magalhães, juraria ver uma miragem ou, quem sabe, uma nave espacial pousando para pedir um copo d'água.


Foi nesse cenário, entre um gole de café quente (porque sertanejo que é sertanejo combate fogo com fogo) e o barulho de uma moto cortando giro, que chegou a notícia: Erich von Däniken partiu.


Não partiu para Caruaru, nem para o Recife. O suíço que passou a vida dizendo que as pirâmides foram construídas por ETs e que nossos antepassados recebiam visitas de "deuses astronautas" finalmente foi tirar a prova dos nove. Morreu o homem que ensinou o mundo a olhar para o céu com desconfiança e fascínio.


O Sertão é um aeroporto de OVNIs (e a gente já sabia) Erich von Däniken nunca soube


Para quem não liga o nome à pessoa, Däniken foi o autor de "Eram os Deuses Astronautas?". Ele vendeu milhões de livros dizendo que a humanidade teve uma "ajudinha" extraterrestre. Mas, cá entre nós, Däniken cometeu um erro grave em sua carreira: ele nunca veio investigar o Sertão de Pernambuco.


Se tivesse vindo, teria encontrado material para mais dez livros.


Enquanto os blogs tradicionais apenas postaram a foto dele com uma nota de pesar copiada da agência de notícias (provavelmente entre uma postagem sobre buraco de rua e outra sobre briga de vereador), aqui no O estopim, nós fomos além. Nós entendemos a conexão mística.


Pense bem: quem já andou pelo Vale do Catimbau e viu aquelas formações rochosas que desafiam a gravidade, ou quem já ouviu as histórias de "luzes correndo" nas veredas da caatinga à noite, sabe que o nosso chão tem mistério. Däniken dizia que os desenhos em Nazca, no Peru, eram pistas de pouso. É porque ele nunca viu o trânsito de Arcoverde em dia de feira — aquilo sim exige uma tecnologia alienígena para ser compreendido.


A Teoria da Conspiração da Macaxeira


A verdade é que a morte de Däniken nos deixa órfãos de imaginação. Num mundo cada vez mais explicado, chato e litúrgico, ele era o sujeito que olhava para uma pedra antiga e dizia: "Isso aqui não foi feito com talhadeira, foi laser de marciano".


Aqui no Sertão, a gente tem um pouco disso também. Nossas Lendas de Pernambuco e nossa Cultura Popular são recheadas de visagens, de coisas que não têm explicação. O vaqueiro que vê a bola de fogo, a velha que benze espinhela caída com um ramo de arruda e uma oração que ninguém entende... O que é isso senão a nossa própria versão do contato com o desconhecido?


Se os deuses eram astronautas, como dizia o velho Erich, tenho certeza de que, ao passarem por cima do Nordeste, eles olharam para baixo e pensaram: "Ali não vamos descer não, que esse povo é brabo e capaz de querer vender uma rifa pra gente".


O Veredito


Erich von Däniken se foi. Talvez tenha sido abduzido para a grande nave-mãe, ou talvez tenha apenas virado pó, como todos nós viraremos sob este sol inclemente.


Fica a lição de que a vida precisa de mistério. Precisa de alguém para apontar o dedo para o óbvio e perguntar: "Será?". Que ele descanse em paz, e que, se encontrar os tais alienígenas lá em cima, pergunte se eles não querem investir numa infraestrutura aqui pro Agreste, porque a gente tá precisando.


O Sertão, meus amigos, não é para amadores. E pelo visto, o universo também não.


E aí, Erich von Däniken era um Louco ou Visionário das paradas não terrenas?

  • Louco de pedra!

  • Ele sabia a verdade!


Para os Curiosos de Plantão: Você sabia que o Vale do Catimbau é considerado um dos lugares com maior energia mística do Brasil?



Gostou da crônica? Envie para aquele seu amigo que jura ter visto um OVNI na estrada para Buíque. E não deixe de seguir O estopim, o único site que conecta a Suíça ao Sertão sem escala.

 
 
 

Guerra Híbrida | América Latina | Tecnologia


A “Operação Absolute Resolve” não derrubou apenas o comando militar em Caracas; ela detonou uma corrida frenética pela preservação da informação e do patrimônio. Enquanto caças F-22 sobrevoavam o Palácio de Miraflores, a população travava sua própria batalha nas telas dos smartphones.


Da Redação de O Estopim | Caracas / Brasília — 04 de janeiro de 2026


Proteção digital em momentos de crise - VPNs e wallets na Venezuela | Imagem: oestopim.com
Proteção digital em momentos de crise - VPNs e wallets na Venezuela | Imagem: oestopim.com

Na madrugada deste sábado (3), o céu de Caracas foi iluminado não pelas luzes da cidade, mas pelas explosões da Operação Absolute Resolve. A incursão militar dos Estados Unidos, que culminou na captura cinematográfica de Nicolás Maduro e Cilia Flores em Fuerte Tiuna, trouxe consigo um efeito colateral imediato e devastador: um apagão coordenado que atingiu os estados de Caracas, Miranda, Aragua, Nueva Esparta e La Guaira.


No entanto, no vácuo de poder e eletricidade que se seguiu, um fenômeno silencioso tomou conta do país. Dados de tráfego de rede monitorados nas últimas 24 horas revelam que a sociedade civil venezuelana, calejada por anos de crise, ativou um protocolo de emergência digital. Ocorre, neste momento, uma explosão de downloads de VPNs (Redes Virtuais Privadas), aplicativos de Proxy e Wallets (carteiras de criptomoedas).


Para o venezuelano comum, a guerra não é apenas sobre quem senta na cadeira presidencial; é sobre furar o cerco da censura e impedir que suas economias desapareçam junto com o regime.


O Grande Firewall de Caracas e a busca pela verdade VPN


Assim que as primeiras denotações atingiram a base aérea de La Carlota, a infraestrutura de internet da Venezuela entrou em colapso parcial. A queda foi física — devido ao corte de energia nos nós de transmissão — mas também lógica. O provedor estatal CANTV iniciou bloqueios agressivos contra redes sociais e portais de notícias estrangeiros na tentativa de conter imagens da rendição de forças leais a Maduro.


Em resposta, aplicativos como NordVPN, ExpressVPN e Psiphon dispararam para o topo das lojas de aplicativos (acessadas via dados móveis intermitentes).


"Não sabíamos se Maduro estava vivo, morto ou em Nova York. A TV estatal passava desenhos animados enquanto ouvíamos as bombas. Só conseguimos ver o vídeo de Trump anunciando a captura quando ligamos a VPN para simular uma conexão fora da Venezuela," relatou Carlos, um estudante de engenharia residente em Chacao, via Bridgefy (um app de mensagens offline).

O uso de VPNs tornou-se uma questão de segurança física. Com o medo de represálias por parte dos "Colectivos" (paramilitares chavistas) ou de forças de ocupação, navegar anonimamente virou o único escudo contra a espionagem.


Pânico Bancário e a "Cripto-Dolarização" Forçada


Se a busca por VPNs foi motivada pelo medo do escuro, a busca por Wallets foi motivada pelo medo da fome. Com o anúncio de Donald Trump de que os EUA "geririam" a Venezuela temporariamente e a incerteza sobre quem controla o Banco Central da Venezuela (BCV), o sistema bancário tradicional paralisou.


O medo de um "corralito" (congelamento de contas) ou de que o Bolívar Soberano perdesse o restante de seu valor ínfimo levou a uma migração em massa para o USDT (Tether) — uma criptomoeda pareada ao dólar.


Plataformas como Binance, Trust Wallet e Reserve viram um pico de atividade. O "Dólar Binance" tornou-se, na prática, a única moeda funcional em Caracas nas últimas 30 horas. Comerciantes que abriram suas portas em meio ao caos estão recusando bolívares e aceitando pagamentos exclusivamente via transferências cripto P2P (ponto a ponto).


A "Limpeza Digital" e o fim do VenApp


Um movimento paradoxal acompanha os novos downloads: uma onda massiva de desinstalações. O alvo é o VenApp, aplicativo criado pelo governo Maduro para "serviços públicos", mas que foi amplamente utilizado como ferramenta de vigilância e delação de opositores após as eleições de 2024.


Temendo que os dados do aplicativo caiam nas mãos erradas — seja de vingadores anti-chavistas ou de agências de inteligência dos EUA — ou que o app seja usado para localizar militantes do partido governista, milhões de venezuelanos estão apagando o software e limpando seus rastros digitais. É a "higiene cibernética" de uma população que aprendeu que, em uma mudança de regime, o histórico do celular pode ser uma sentença de morte.


A ajuda que vem do espaço


Em meio ao blecaute que deixou hospitais operando com geradores e famílias incomunicáveis, uma intervenção externa adicionou uma nova camada à complexidade do cenário. A Starlink, empresa de satélites de Elon Musk, anunciou a liberação de sinal de internet gratuito para a Venezuela até 3 de fevereiro.


A medida, embora celebrada por muitos como humanitária, é vista por analistas como parte integrante da estratégia de estabilização dos EUA, visando quebrar o monopólio de informação da infraestrutura estatal venezuelana e permitir a coordenação da oposição liderada (teoricamente) por figuras que agora tentam preencher o vácuo de poder.


O que vem a seguir?


Enquanto Delcy Rodríguez tenta manter a aparência de governo e Trump promete reconstruir a indústria petrolífera com empresas americanas, o povo venezuelano vota com seus polegares nas telas de vidro.


Eles votam pela criptografia, pela descentralização financeira e pelo acesso irrestrito à informação. A Venezuela de 4 de janeiro de 2026 é um país onde as instituições físicas ruíram, e a única soberania que resta ao cidadão reside em uma carteira digital e um servidor proxy criptografado.\


 
 
 
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