Por Raul Silva para O estopim | 18 de junho de 2026
Como dar block no tigrinho? Brasileiros que querem parar de apostar em jogos como o chamado Tigrinho já podem usar uma ferramenta oficial do governo federal para bloquear o próprio CPF em plataformas de apostas autorizadas. O serviço se chama autoexclusão centralizada e funciona pelo gov.br, com acesso por conta prata ou ouro.
Campanha pede que as pessoas assinem movimento contra as plataformas de jogos online | Foto: Reprodução
A ferramenta permite que o cidadão restrinja o próprio acesso a todas as plataformas de apostas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, por prazo determinado ou indeterminado. O sistema também impede novos cadastros e o recebimento de publicidade direcionada das bets reguladas.
A autoexclusão é um bloqueio voluntário. Na prática, a pessoa informa ao governo que não quer acessar casas de apostas autorizadas no Brasil. Depois da solicitação, as empresas reguladas devem impedir o acesso daquele CPF durante o período escolhido.
O Ministério da Fazenda informa que a ferramenta foi criada para prevenir danos financeiros, emocionais, sociais e de saúde causados pelo jogo excessivo. O serviço é gratuito e o prazo estimado para efetivação é de até 72 horas, contadas a partir da identificação da solicitação pelas casas de apostas.
Passo a passo para dar block no Tigrinho pelo gov.br
Entre na página oficial Solicitar a autoexclusão centralizada, Apostas, dentro do portal gov.br, e clique em Iniciar. O serviço também é indicado pelo Ministério da Fazenda na página de autoexclusão da Secretaria de Prêmios e Apostas.
O acesso exige autenticação com conta gov.br de nível prata ou ouro. Contas bronze precisam ser elevadas antes de usar o serviço.
3. Autorize o compartilhamento de dados:
Depois do login, o sistema pede autorização para uso dos dados pessoais necessários ao módulo de impedidos do Sistema de Gestão de Apostas. Sem essa autorização, o bloqueio não é concluído.
4. Clique em “Solicitar ou consultar minha exclusão das plataformas”:
Segundo o Ministério da Saúde, após entrar na plataforma, o cidadão deve usar a opção Solicitar ou consultar minha exclusão das plataformas, no menu lateral.
5. Escolha o prazo do bloqueio:
O usuário deve escolher por quanto tempo deseja ficar impedido de acessar as bets autorizadas. As opções vão de 1 mês a período indeterminado.
6. Informe o motivo da autoexclusão:
O sistema pede a seleção do motivo. A opção pode ir de decisão voluntária à prevenção do uso de dados em plataformas de apostas.
7. Leia e aceite os termos:
Antes de confirmar, o cidadão precisa aceitar os Termos de Uso e a Política de Uso de Dados Pessoais. Também declara ciência de que, durante o prazo escolhido, não poderá acessar plataformas autorizadas nem receber publicidade direcionada.
8. Confirme a solicitação:
Depois da confirmação, o pedido é enviado para a base centralizada. A efetivação pode levar até 72 horas após a identificação da solicitação pelas casas de apostas.
O bloqueio vale para qualquer Tigrinho?
Não necessariamente. O ponto central é que a ferramenta do gov.br atinge plataformas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas. Se o jogo estiver em site clandestino, link de grupo de mensagem, aplicativo não autorizado ou página sem licença, o bloqueio pelo gov.br pode não ser suficiente.
O próprio Ministério da Fazenda afirma que a norma dos jogos online não libera nem proíbe um jogo específico. Ela estabelece regras de certificação. Jogos que não passarem por certificação não podem ser considerados legais.
Por isso, quem quer se proteger do Tigrinho deve combinar três medidas: autoexclusão pelo gov.br, remoção dos aplicativos e bloqueio de sites no celular, navegador ou roteador.
Dá para cancelar o bloqueio?
Depende do prazo escolhido. Segundo o Ministério da Fazenda, quando a autoexclusão é feita por prazo determinado, não é possível revogar antes do fim do período. Quando é feita por prazo indeterminado, a revogação só pode ser solicitada depois de 12 meses.
Quando procurar ajuda?
Se a pessoa não consegue parar de apostar, mente sobre perdas, pede dinheiro para cobrir dívidas ou sente ansiedade quando tenta interromper o jogo, o bloqueio digital pode ser apenas o primeiro passo.
O Ministério da Saúde orienta que pessoas com problemas relacionados a apostas procurem Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial, profissionais de saúde de confiança ou a Ouvidoria do SUS pelo telefone 136.
Dar block no Tigrinho pelo gov.br não é só uma decisão tecnológica. É uma medida de proteção financeira, emocional e familiar. A aposta online foi desenhada para manter o usuário dentro da plataforma. O bloqueio, quando feito cedo, interrompe o ciclo antes que a dívida, a ansiedade e o isolamento cresçam.
O serviço oficial não resolve todos os problemas sozinho, sobretudo quando o acesso ocorre por sites clandestinos. Mas coloca uma barreira importante no CPF do apostador e cria uma primeira distância entre impulso e aposta.
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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do O estopim, com foco em serviço público, política, tecnologia e temas de interesse social.
Opinião de Raul Silva, editor-chefe de O estopim | 24 de maio de 2026
Apresentador Luciano Huck em "evento fechado" para o empreseriado em Guarulhos/SP | Foto: Divulgação/Esfera Brasil)
O problema na fala de Luciano Huck sobre o Bolsa Família não é apenas o desconhecimento. É a combinação de desconhecimento com autoridade midiática, juízo moral sobre a pobreza e uma tentativa de recuo que piora o quadro. Ao participar do 5º Fórum Esfera, no Guarujá, neste sábado (23), Huck afirmou que faltaria estímulo para uma família sair do programa e disse, ao citar Senhor do Bonfim, na Bahia, que famílias buscariam “atalhos” para permanecer no benefício “ad aeternum”. No dia seguinte, diante da repercussão, tentou reduzir o dano afirmando que se tratava de uma fala em “evento fechado” e que o trecho circulou “fora de contexto”. O recuo não responde ao essencial. Responde apenas ao constrangimento público.
O ponto central é simples. Em que contexto exatamente chamar beneficiários de um programa de proteção social de gente à procura de “atalhos” para ficar no sistema eternamente deixa de ser preconceituoso, raso e tecnicamente errado? Se a crítica era à gestão, por que a frase escolhida criminaliza o comportamento dos pobres? Se a preocupação era com emancipação econômica, por que o comentário despreza mecanismos do programa que já existem justamente para evitar dependência, facilitar a transição para o trabalho e garantir proteção em momentos de oscilação de renda?
A desculpa também produz uma pergunta incômoda. Se fosse um evento aberto, transmitido em rede nacional, ele diria a mesma coisa? Se não diria, o problema não está no corte. Está na sinceridade seletiva. E, se diria, então a tese do “fora de contexto” cai por terra. Em qualquer das hipóteses, sobra o mesmo dilema: dois pesos e duas medidas para a mesma fala, conforme o tamanho da plateia e o risco reputacional envolvido.
O mais impressionante é que Luciano Huck listou, na tentativa de correção, exatamente elementos que já estruturam o Bolsa Família. Ao se defender, disse ser favorável a aperfeiçoar programas sociais com tecnologia, eficiência, individualização, combate à corrupção, educação de qualidade, geração de oportunidades e direito de escolha. O problema é que essa formulação vende como novidade algo que o programa já carrega há anos, em desenho institucional e em regras formais.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social informa que o Bolsa Família exige inscrição e atualização no Cadastro Único, tem critério de renda por pessoa, acompanhamento cadastral e integração com políticas públicas. O programa também mantém condicionalidades de saúde e educação, com acompanhamento vacinal, pré-natal, estado nutricional de crianças e frequência escolar. Em janeiro de 2026, o próprio MDS reiterou que essas condicionalidades são instrumentos centrais para assegurar acesso das famílias à assistência social, à saúde e à educação, e que o descumprimento gera repercussões graduais e acompanhamento socioassistencial. Ou seja, não se trata de depósito cego de dinheiro. Trata-se de uma política pública articulada com direitos básicos e monitoramento permanente.
Mais do que isso, a chamada Regra de Proteção existe justamente para evitar o efeito perverso que críticos mal informados costumam atribuir ao programa. Quando a renda do trabalho aumenta, a família não perde imediatamente o benefício. Ela pode permanecer por um período de transição, e, se a renda voltar a cair, o valor integral pode ser restabelecido. O MDS também criou o Retorno Garantido, que permite a reintegração prioritária por até 36 meses para famílias que saem do programa e voltam à pobreza. Em português claro: o Bolsa Família já tem porta de entrada, ponte de transição e porta de retorno. Ele não desestimula o trabalho. Ele tenta impedir que um emprego precário, instável ou sazonal empurre a família de volta à fome por medo de perder tudo de uma vez.
Huck falou em mobilidade social como se o programa a bloqueasse. Os dados recentes caminham na direção oposta. Em outubro de 2025, o governo federal informou que 2 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família após aumento de renda. Isso não prova que todo problema foi resolvido, mas desmonta a caricatura segundo a qual o programa produziria acomodação em massa. Mostra, ao contrário, que proteção social e aumento de renda podem coexistir.
Há um padrão antigo na fala pública brasileira: exigência máxima de virtude para quem recebe transferência de renda e indulgência quase infinita com privilégios, renúncias, subsídios, lobby, isenções e ganhos privados. Quando o alvo é o pobre, tudo vira suspeita moral. Quando o alvo é o topo da pirâmide, tudo vira eficiência, mercado, oportunidade, empreendedorismo.
É nesse ponto que a fala de Luciano Huck se torna mais reveladora do que ele talvez gostaria. O apresentador não é um comentarista anônimo. É um dos comunicadores mais poderosos do país. Sua palavra ajuda a construir imaginários. Quando ele sugere, num fórum empresarial, que beneficiários procuram “atalhos” para eternizar o benefício, não está apenas emitindo opinião. Está reforçando um repertório histórico de desconfiança contra os pobres, repertório que costuma tratar a miséria como falha de caráter e a desigualdade como mero problema de esforço individual.
Essa chave moralista ganha contornos ainda mais contraditórios quando se observa o ecossistema comercial em que Huck circula. Em 2025, a revista Veja registrou que o apresentador passou a anunciar comercial da Bet MGM, no contexto da entrada mais agressiva das casas de aposta no mercado brasileiro. No mesmo período, levantamento do Procon-SP apontou que 39,7% dos apostadores se endividaram após o início da relação com bets, e que 56,6% dos apostadores disseram se sentir influenciados por propagandas com celebridades. A CNC, em dados divulgados pela Agência Brasil, estimou que as bets retiraram R$ 143 bilhões do varejo entre janeiro de 2023 e março de 2026 e podem ter levado 270 mil famílias à inadimplência severa.
O contraste é brutal. Para o pobre que recebe proteção social do Estado, desconfiança. Para o mercado de apostas, que cresce justamente em ambiente de vulnerabilidade, publicidade com celebridade. A pergunta é inevitável: de que lugar Luciano Huck fala quando acusa famílias pobres de procurar atalhos? Do lugar de quem monetiza a audiência em um setor que autoridades e entidades de defesa do consumidor já associam a endividamento, risco e influência publicitária sobre pessoas de renda baixa. A régua moral parece bastante seletiva.
Antigo Auxílio Brasil, programa criado pelo governo Bolsonaro, envolvido em escândalos de desvio do público-alvo | Foto: Portal Contábeis
Também é intelectualmente desonesto discutir o Bolsa Família de 2026 ignorando o que foi feito com o programa social no governo Bolsonaro. O Auxílio Brasil não foi apenas uma troca de nome. Foi um rearranjo turbulento, com fragilidades de focalização e uso político explícito em ano eleitoral.
Em dezembro de 2022, o TCU concluiu auditoria apontando desvio do público-alvo no Auxílio Brasil, além de piora na custo-efetividade do combate à pobreza. Em 2024, o STF derrubou a emenda constitucional que havia liberado benefícios em pleno processo eleitoral de 2022, por considerá-la inconstitucional. Em outras palavras, a Justiça reconheceu que houve, sim, uma excepcionalidade indevida no uso de benefícios durante o ano da disputa presidencial.
A desorganização também apareceu nos cadastros. Em 2023, já no governo Lula, começou uma revisão ampla das distorções herdadas. A própria CGU avaliou procedimentos de inclusão e averiguação de famílias unipessoais no CadÚnico, e o MDS passou a endurecer regras e a exigir entrevista domiciliar em novas entradas desse perfil. O governo informou, ao longo da revisão, que milhões de benefícios foram bloqueados para averiguação e cerca de 3,7 milhões acabaram efetivamente cancelados por inconsistências, ao mesmo tempo em que a busca ativa incluiu famílias vulneráveis que estavam fora da rede. O MDS também divulgou a inclusão de 1,3 milhão de lares por busca ativa desde março de 2023. Isso mostra dois movimentos simultâneos: retirar pagamentos indevidos e recolocar para dentro quem tinha direito e estava invisível.
Esse ponto é de suma importância, porque desmonta outro vício do debate superficial. O problema real de programas sociais não é sua existência. O problema é sua captura política, seu desenho ruim, sua execução frouxa e seu uso eleitoral. Quando isso ocorreu no ciclo do Auxílio Brasil, a reação de setores da elite econômica e midiática foi muito menos ruidosa do que a indignação de hoje contra o pobre supostamente “acomodado”.
Repercussão nas redes | Foto: Reprodução/X
A justificativa de Huck falha por outro motivo. Ela tenta deslocar a discussão do conteúdo para o ambiente. Como se uma fala dita diante de empresários, e não do grande público, tivesse menor peso ético. Isso é indefensável para qualquer comunicador profissional.
A responsabilidade sobre o que se diz não depende do local do microfone. Ao contrário. Em ambientes de elite, muitas falas são mais reveladoras porque escapam do filtro da linguagem publicitária.
Luciano Huck conhece o poder da comunicação. Vive dela. Lucra com ela. Construiu carreira inteira na interseção entre entretenimento, consumo, emoção e autoridade pública. Por isso, a tese do “eu não disse isso desse jeito, disseram por mim” convence pouco. O registro público mostra que ele falou em falta de estímulo e em “atalhos” para permanência eterna. A reação não nasce de má-fé alheia. Nasce do que foi dito.
Não é a primeira vez que Huck entra em rota de colisão com grupos socialmente vulneráveis ou produz comentários que revelam um olhar paternalista. Em 2025, foi alvo de críticas após pedir que indígenas escondessem celulares e roupas “comuns” em gravação no Xingu, afirmando “limpa a cultura de vocês aí”. O episódio foi repudiado porque reproduzia a ideia de que só existe “cultura original” quando o outro cabe no enquadramento exótico que a televisão deseja exibir. A lógica é parecida: o Brasil real atrapalha a fantasia confortável das elites.
No fundo, o que parece incomodar parte da elite brasileira não é a dependência do Estado. É quem depende dele. Quando o Estado garante renda mínima para impedir que famílias passem fome, surge uma patrulha moral disposta a vigiar o prato alheio. Quando o Estado concede vantagens tributárias, crédito subsidiado, renúncia fiscal ou socorro a setores poderosos, quase nunca se ouve a mesma fúria moral.
Luciano Huck poderia ter usado seu alcance para defender melhora de gestão, qualificação profissional, expansão de creches, ensino integral, integração com políticas de emprego, redução das desigualdades regionais e combate a fraudes com base em evidência. Preferiu o caminho mais preguiçoso e mais cruel: insinuar que famílias pobres querem viver de atalhos.
Errou no diagnóstico. Errou no alvo. E errou de novo no remendo. Porque um comentário injusto não vira responsável só porque foi proferido em auditório seleto. E uma fala preconceituosa não ganha contexto salvador quando a internet a arranca da bolha onde ela parecia socialmente aceitável.
O debate sério sobre pobreza exige método, dado e humanidade. Não slogan de fórum empresarial. Muito menos aula sobre mérito vinda de um dos homens mais bem remunerados da televisão, cuja renda anual, segundo estimativas de imprensa que apontam salário fixo de cerca de R$ 4 milhões por mês, supera com folga o total anual do Novo Bolsa Família em pequenos municípios brasileiros, como Ouro Branco (AL), com R$ 5,55 milhões em 2025, e Curral Novo do Piauí (PI), com R$ 4,64 milhões. O contraste não torna sua opinião inválida por si só. Mas torna ainda mais grave falar da fome alheia sem rigor, sem escuta e sem noção do próprio privilégio.
A fala de Luciano Huck não caiu porque foi mal editada. Caiu porque, confrontada com os fatos, não se sustenta.
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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim, com foco em política, transparência pública, desinformação e análise crítica de temas de interesse coletivo.
Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: G1 | sexta-feira (13) de fevereiro de 2026
Reportagem relata incômodo com materiais publicitários, cita questionamentos sobre ordenamento urbano e registra debate sobre limites da propaganda de casas de apostas em eventos populares.
Imagem: Reprodução
Moradores e fazedores de cultura de Olinda, cidade reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1982, relatam aumento da poluição visual e do lixo nas ruas durante o carnaval após o crescimento de ações publicitárias ligadas a casas de apostas. O tema foi abordado em reportagem do G1, que também registra críticas ao ordenamento da festa e a discussão nacional sobre propaganda de bets.
No Centro Histórico, a presença de marcas no entorno de pontos tradicionais do carnaval passou a ser alvo de queixas desde a retomada da festa em 2023, após a interrupção durante a pandemia. Segundo a reportagem, o retorno coincidiu com a expansão das bets no país e com aumento de investimentos do setor em publicidade.
Em Olinda, a Esportes da Sorte foi escolhida como patrocinadora oficial do carnaval no ano passado, com distribuição de itens promocionais e uso de logomarca em banners, balões e parte da decoração oficial. A reportagem aponta que parte do material publicitário utiliza poliéster, derivado de plástico, e que moradores perceberam maior volume de resíduos ao fim do dia.
A produtora cultural Beatriz Arcoverde, citada na reportagem, afirmou que sempre houve ações de publicidade na festa, mas que o volume teria crescido nos últimos anos. Ela relaciona o aumento de materiais a falhas na gestão de limpeza urbana e diz não ter visto, no ano passado, ações como o “arrastão da limpeza”, citado como prática de recolhimento mais intenso durante o período.
O G1 informou que procurou a Esportes da Sorte para comentar valores de patrocínio, mas a empresa não se posicionou. A reportagem menciona que, no ano anterior, a gestão municipal informou custo de R$ 1,6 milhão para o patrocínio oficial em Olinda. O texto registra ainda que, neste ano, a empresa foi novamente escolhida patrocinadora oficial do carnaval de Olinda e também do Recife.
A reportagem também aborda a reação de artistas ao avanço da publicidade de bets. A artista Catarina Aragão, que assina como Catarina Dee Jah, lançou em janeiro o manifesto “Bet A Feia”, em sátira ao tema, e relata ter recebido notificação extrajudicial por suposta alusão à marca patrocinadora. Ela diz que relançou a arte após alterações, com apoio jurídico.
O texto contextualiza que o debate sobre publicidade de casas de apostas ocorre no país, inclusive no Senado, onde tramita proposta para restringir esse tipo de propaganda, citando argumentos relacionados a impactos sociais e financeiros. A reportagem menciona estudo que aponta milhões de brasileiros com características de jogo de risco ou problemático em 2023.
Além da publicidade, a DW registra críticas de grupos tradicionais sobre ordenamento do carnaval, com reclamações sobre obstáculos em vias, logística e pagamentos de cachês referentes a 2025. Procurada, a Prefeitura de Olinda não respondeu aos questionamentos, segundo a reportagem.
Representantes de troças e blocos citados apontam que o aumento do custo do carnaval no período pós-pandemia ampliou a dependência de patrocínios privados para garantir a saída de agremiações. Organizadores ouvidos afirmam que o problema central não seria a existência de patrocínio, mas a ausência de regras e controle para evitar poluição visual, excesso de material e impactos na cidade histórica.
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