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Por Raul Silva para O estopim | 19 de junho de 2026



Homem de terno azul toca o nariz com a mão, em pose pensativa, diante de fundo neutro.
Carlos Bolsonaro | Foto: Reprodução

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réus Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, e outros seis ex-assessores em uma ação penal sobre suspeita de rachadinha na Câmara Municipal do Rio. O grupo responderá pelos crimes de organização criminosa e peculato, que envolve desvio ou apropriação de dinheiro público.


A decisão é do juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa. Ao receber a denúncia, o magistrado considerou haver elementos suficientes para abertura da ação penal contra os sete acusados. Carlos Bolsonaro não foi denunciado nesta ação, mas a investigação sobre ele segue aberta no Ministério Público do Rio.


Segundo o Ministério Público, o esquema teria funcionado entre junho de 2005 e dezembro de 2021 dentro do gabinete de Carlos Bolsonaro. A acusação sustenta que servidores nomeados recebiam salários pagos pela Câmara e, em seguida, faziam saques ou transferências em benefício de Jorge Luiz Fernandes.


O valor total atribuído aos repasses é de cerca de R$ 1,9 milhão. Para o MP, os pagamentos não representariam movimentações pessoais isoladas, mas um sistema organizado de devolução de parte dos vencimentos de assessores.


A denúncia atribui a Jorge Luiz Fernandes o papel de líder e mentor da organização. Ele foi nomeado no gabinete em 2001 e assumiu a chefia em 2018. A decisão também registra que Jorge era próximo da família Bolsonaro e teria articulado a nomeação dos demais denunciados.


Entre os sete réus está Regina Célia, mulher de Jorge Fernandes. Segundo a investigação, ela teria repassado mais de R$ 800 mil para a conta do marido após ser nomeada. Outra ré citada é Juciara da Conceição Raimundo da Cunha, apontada como responsável por cerca de R$ 650 mil em saques e transferências em benefício de Jorge.


Carlos Bolsonaro não integra a lista de denunciados nesta ação penal. Quando a denúncia contra os ex-assessores foi apresentada, em setembro de 2024, o Ministério Público havia arquivado a investigação contra ele sob o argumento de que os elementos reunidos não indicavam circulação de valores ou pagamentos ao então vereador.


Esse arquivamento, porém, foi questionado pela Justiça em 2025. O caso foi enviado à Procuradoria-Geral de Justiça, e o Ministério Público do Rio decidiu reabrir a investigação contra Carlos Bolsonaro pela suspeita de rachadinha. Essa frente segue em andamento.


O recebimento da denúncia não significa condenação. Significa que a Justiça entendeu haver justa causa para transformar os acusados em réus e iniciar a ação penal. Agora, o processo entra em uma etapa mais formal, com apresentação de defesa, produção de provas, depoimentos e interrogatórios.


A mudança é relevante porque tira o caso do campo preliminar e o coloca no centro de uma ação criminal. Os sete réus terão prazo de 10 dias para apresentar defesa por escrito. Depois da análise das manifestações, a Justiça deve marcar as audiências de testemunhas.


A suspeita de rachadinha no gabinete de Carlos Bolsonaro já vinha sendo investigada há anos. Em 2023, reportagem de O Globo registrada na base do Senado apontou que Jorge Luiz Fernandes havia recebido mais de R$ 2 milhões de servidores nomeados pelo gabinete, com base em levantamento do Ministério Público do Rio.


Agora, com a denúncia aceita, o centro do processo passa a ser a responsabilização criminal dos ex-assessores. O ponto que a Justiça terá de esclarecer é se os repasses foram compatíveis com relações privadas legítimas ou se compuseram um esquema de desvio de salários pagos com dinheiro público.


A defesa dos réus ainda terá oportunidade de contestar a acusação. Mas a decisão desta sexta-feira marca uma nova fase: o caso da rachadinha no gabinete de Carlos Bolsonaro deixa de ser apenas investigação contra ex-servidores e passa a tramitar como ação penal contra sete acusados.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do O estopim, com foco em política, investigação, poder e temas de interesse público.

Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Agência Brasil | domingo (15) de março de 2026


Fenaj, Abraji e Sindicato dos Jornalistas do DF cobram proteção a profissionais que atuam em frente ao Hospital DF Star.


Foto: Marcelo Camargo
Foto: Marcelo Camargo

Entidades que representam jornalistas brasileiros repudiaram as agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa que trabalham em frente ao Hospital DF Star, em Brasília, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13).


A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção aos profissionais que acompanham a movimentação no hospital.


Segundo a Abraji, os ataques começaram após uma influenciadora digital bolsonarista divulgar um vídeo em que acusa jornalistas que aparecem em imagens gravadas na porta da unidade hospitalar de desejarem a morte do ex-presidente. O conteúdo foi compartilhado por parlamentares e também pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem milhões de seguidores nas redes sociais.


Na avaliação da associação, a divulgação do vídeo, sem verificação prévia, foi irresponsável e expôs profissionais que estavam apenas exercendo o trabalho jornalístico a ameaças, ofensas e campanhas de difamação.


A Abraji informou ainda que as agressões não ficaram restritas ao ambiente digital. Pelo menos duas repórteres teriam sofrido ataques presenciais após serem reconhecidas na rua. Segundo a entidade, também passaram a circular montagens e vídeos produzidos com uso de inteligência artificial, incluindo simulações de violência contra uma jornalista, além da exposição de fotos de filhos e parentes de profissionais da imprensa como forma de intimidação.


Em nota conjunta, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembraram que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico. As entidades informaram que devem solicitar reforço da Polícia Militar em frente ao hospital para impedir agressões e cerceamento ao trabalho da imprensa.


As organizações também pediram apuração rigorosa das ameaças virtuais, identificação dos responsáveis e responsabilização dos autores. Além disso, cobraram das empresas jornalísticas apoio jurídico e condições de segurança para os trabalhadores escalados para a cobertura.


Internação


Bolsonaro está internado na UTI do Hospital DF Star tratando de uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Segundo boletim médico divulgado neste domingo, o quadro clínico é estável, com melhora da função renal, mas houve elevação de marcadores inflamatórios, levando os médicos a ampliar a dosagem de antibióticos.


Ainda não há previsão de alta da UTI. Após deixar o hospital, Bolsonaro deverá retornar à Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados.


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Por Michael Andrade, da redação de O estopim

Fonte: Agência Brasil | sexta-feira (13) de março de 2026


O ex-presidente Jair Bolsonaro não tem previsão de alta, informou nesta sexta-feira (13) o senador Flávio Bolsonaro, em conversa com jornalistas em frente ao Hospital DF Star, em Brasília, onde o pai está internado.


Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

De acordo com boletim médico, Bolsonaro chegou ao hospital com febre alta, baixa saturação de oxigênio, calafrios e sudorese. Exames confirmaram broncopneumonia bacteriana bilateral.


No momento, o ex-presidente permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo tratamento com antibióticos e acompanhamento clínico.


Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro voltou a defender a prisão domiciliar para o pai.


Segundo ele, o ex-presidente deveria cumprir a pena em casa, onde poderia receber cuidados permanentes da família e acompanhamento técnico de enfermagem.


Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão na chamada Papudinha, ala para presos especiais do 19º Batalhão da Polícia Militar, no presídio da Papuda, em Brasília. Ele foi condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado.


A defesa tenta converter a pena em prisão domiciliar. Na semana passada, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou o último pedido nesse sentido, afirmando que a estrutura da Papudinha oferece suporte médico adequado.


Michael Andrade

Da redação de O estopim


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