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Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: G1 | terça-feira (10) de março de 2026


Decisão atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República, que apontou falta de provas para sustentar a investigação.


Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (10) o arquivamento do inquérito que investigava o empresário Elon Musk, dono e CEO da rede social X, por supostas condutas relacionadas ao funcionamento da plataforma no Brasil.


Musk era investigado por possível prática dos crimes de obstrução à Justiça, inclusive em organização criminosa, e incitação ao crime. A decisão de Moraes atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentado na última semana, que defendeu o encerramento da apuração por falta de provas.


De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, os elementos reunidos durante a investigação não foram suficientes para demonstrar que a atuação da rede X tenha ocorrido de forma intencional contra a autoridade do Poder Judiciário brasileiro.


Na avaliação da PGR, os episódios de descumprimento de decisões judiciais foram classificados como falhas operacionais, que acabaram sendo corrigidas posteriormente, sem comprovação de ação deliberada para afrontar o Supremo.


O inquérito havia sido aberto em abril de 2024, após declarações públicas de Elon Musk com críticas a decisões tomadas por Alexandre de Moraes no âmbito de investigações conduzidas pelo STF. Na ocasião, o empresário também ameaçou reativar perfis de usuários da plataforma que haviam sido bloqueados por ordem judicial.


Nos últimos anos, Moraes determinou o bloqueio de contas em redes sociais de investigados, especialmente apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, sob o argumento de que os perfis estariam sendo usados para disseminar desinformação, discurso de ódio e ataques às instituições democráticas.


Com o arquivamento, a investigação é formalmente encerrada, sem apresentação de denúncia contra Elon Musk.


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Guerra Híbrida | América Latina | Tecnologia


A “Operação Absolute Resolve” não derrubou apenas o comando militar em Caracas; ela detonou uma corrida frenética pela preservação da informação e do patrimônio. Enquanto caças F-22 sobrevoavam o Palácio de Miraflores, a população travava sua própria batalha nas telas dos smartphones.


Da Redação de O Estopim | Caracas / Brasília — 04 de janeiro de 2026


Proteção digital em momentos de crise - VPNs e wallets na Venezuela | Imagem: oestopim.com
Proteção digital em momentos de crise - VPNs e wallets na Venezuela | Imagem: oestopim.com

Na madrugada deste sábado (3), o céu de Caracas foi iluminado não pelas luzes da cidade, mas pelas explosões da Operação Absolute Resolve. A incursão militar dos Estados Unidos, que culminou na captura cinematográfica de Nicolás Maduro e Cilia Flores em Fuerte Tiuna, trouxe consigo um efeito colateral imediato e devastador: um apagão coordenado que atingiu os estados de Caracas, Miranda, Aragua, Nueva Esparta e La Guaira.


No entanto, no vácuo de poder e eletricidade que se seguiu, um fenômeno silencioso tomou conta do país. Dados de tráfego de rede monitorados nas últimas 24 horas revelam que a sociedade civil venezuelana, calejada por anos de crise, ativou um protocolo de emergência digital. Ocorre, neste momento, uma explosão de downloads de VPNs (Redes Virtuais Privadas), aplicativos de Proxy e Wallets (carteiras de criptomoedas).


Para o venezuelano comum, a guerra não é apenas sobre quem senta na cadeira presidencial; é sobre furar o cerco da censura e impedir que suas economias desapareçam junto com o regime.


O Grande Firewall de Caracas e a busca pela verdade VPN


Assim que as primeiras denotações atingiram a base aérea de La Carlota, a infraestrutura de internet da Venezuela entrou em colapso parcial. A queda foi física — devido ao corte de energia nos nós de transmissão — mas também lógica. O provedor estatal CANTV iniciou bloqueios agressivos contra redes sociais e portais de notícias estrangeiros na tentativa de conter imagens da rendição de forças leais a Maduro.


Em resposta, aplicativos como NordVPN, ExpressVPN e Psiphon dispararam para o topo das lojas de aplicativos (acessadas via dados móveis intermitentes).


"Não sabíamos se Maduro estava vivo, morto ou em Nova York. A TV estatal passava desenhos animados enquanto ouvíamos as bombas. Só conseguimos ver o vídeo de Trump anunciando a captura quando ligamos a VPN para simular uma conexão fora da Venezuela," relatou Carlos, um estudante de engenharia residente em Chacao, via Bridgefy (um app de mensagens offline).

O uso de VPNs tornou-se uma questão de segurança física. Com o medo de represálias por parte dos "Colectivos" (paramilitares chavistas) ou de forças de ocupação, navegar anonimamente virou o único escudo contra a espionagem.


Pânico Bancário e a "Cripto-Dolarização" Forçada


Se a busca por VPNs foi motivada pelo medo do escuro, a busca por Wallets foi motivada pelo medo da fome. Com o anúncio de Donald Trump de que os EUA "geririam" a Venezuela temporariamente e a incerteza sobre quem controla o Banco Central da Venezuela (BCV), o sistema bancário tradicional paralisou.


O medo de um "corralito" (congelamento de contas) ou de que o Bolívar Soberano perdesse o restante de seu valor ínfimo levou a uma migração em massa para o USDT (Tether) — uma criptomoeda pareada ao dólar.


Plataformas como Binance, Trust Wallet e Reserve viram um pico de atividade. O "Dólar Binance" tornou-se, na prática, a única moeda funcional em Caracas nas últimas 30 horas. Comerciantes que abriram suas portas em meio ao caos estão recusando bolívares e aceitando pagamentos exclusivamente via transferências cripto P2P (ponto a ponto).


A "Limpeza Digital" e o fim do VenApp


Um movimento paradoxal acompanha os novos downloads: uma onda massiva de desinstalações. O alvo é o VenApp, aplicativo criado pelo governo Maduro para "serviços públicos", mas que foi amplamente utilizado como ferramenta de vigilância e delação de opositores após as eleições de 2024.


Temendo que os dados do aplicativo caiam nas mãos erradas — seja de vingadores anti-chavistas ou de agências de inteligência dos EUA — ou que o app seja usado para localizar militantes do partido governista, milhões de venezuelanos estão apagando o software e limpando seus rastros digitais. É a "higiene cibernética" de uma população que aprendeu que, em uma mudança de regime, o histórico do celular pode ser uma sentença de morte.


A ajuda que vem do espaço


Em meio ao blecaute que deixou hospitais operando com geradores e famílias incomunicáveis, uma intervenção externa adicionou uma nova camada à complexidade do cenário. A Starlink, empresa de satélites de Elon Musk, anunciou a liberação de sinal de internet gratuito para a Venezuela até 3 de fevereiro.


A medida, embora celebrada por muitos como humanitária, é vista por analistas como parte integrante da estratégia de estabilização dos EUA, visando quebrar o monopólio de informação da infraestrutura estatal venezuelana e permitir a coordenação da oposição liderada (teoricamente) por figuras que agora tentam preencher o vácuo de poder.


O que vem a seguir?


Enquanto Delcy Rodríguez tenta manter a aparência de governo e Trump promete reconstruir a indústria petrolífera com empresas americanas, o povo venezuelano vota com seus polegares nas telas de vidro.


Eles votam pela criptografia, pela descentralização financeira e pelo acesso irrestrito à informação. A Venezuela de 4 de janeiro de 2026 é um país onde as instituições físicas ruíram, e a única soberania que resta ao cidadão reside em uma carteira digital e um servidor proxy criptografado.\


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