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Quando o governo humilha professores, a governadora já falou


Opinião de Helena Valente para O estopim | 11 de abril de 2026




Mulher de blusa lilás gesticula animadamente, sentada ao lado de taça de vinho em ambiente interno. No fundo, bandeira colorida.
Debate sobre educação em Pernambuco: Raquel Lyra se envolve em novo escândalo, levantando questionamentos sobre sua visão dos educadores. | Foto: Diego Nigro/Valor

Há uma tentativa recorrente, quase automática, de salvar autoridades políticas de episódios moralmente desastrosos com um truque velho da linguagem institucional: separar o poder da sua própria voz. Quando o escândalo explode, começam as manobras de assepsia. Diz-se que não foi a governadora, foi a Procuradoria. Não foi o governo, foi uma peça técnica. Não foi uma posição política, foi uma formulação jurídica. Não foi desprezo, foi apenas excesso retórico. Essa operação de limpeza verbal tem uma função muito precisa: arrancar do poder a responsabilidade pelo que o poder diz quando se sente contrariado.


Mas essa separação é falsa. E é falsa não apenas politicamente. Ela é falsa do ponto de vista do discurso, da hierarquia do Estado e da própria lógica do governo. Quando agentes públicos investidos na função de defender judicialmente os atos do Executivo humilham professores, quem se manifesta ali não é um indivíduo privado, descolado do mundo. É a máquina estatal em atuação. E, quando a máquina estatal fala, ela fala sob o comando político de quem governa. Em Pernambuco, isso tem nome: Raquel Lyra.


É nesse ponto que a discussão precisa ser recolocada com mais honestidade e menos conveniência. A pergunta central não é se a governadora digitou ou não digitou a expressão ofensiva. Essa é uma pergunta burocraticamente útil e politicamente infantil. A pergunta séria é outra: pode uma governadora ser considerada politicamente alheia à humilhação praticada por órgãos que trabalham diretamente para sustentar juridicamente o seu governo? A resposta, em qualquer leitura minimamente consistente de responsabilidade política, é não.


A governadora talvez não tenha formulado pessoalmente a frase. Mas isso não a desobriga. Ao contrário. É precisamente por não governar sozinha, por exercer poder por meio de estruturas, cargos, assessorias, secretarias, procuradorias e aparatos institucionais, que sua responsabilidade se amplia. O poder moderno não se exerce apenas pela fala direta do chefe. Ele se exerce pela fala autorizada dos que falam em seu nome, sob sua autoridade e para defender seus interesses administrativos e políticos. Em estruturas de governo, a cadeia de comando não desaparece porque a frase veio por escrito ou porque saiu de um órgão técnico. Ela se materializa justamente nisso.


Por isso, quando professores são retratados com deboche por uma instância do Estado encarregada de defender o governo, não estamos diante de um mero desvio de linguagem. Estamos diante de um sintoma. Um sintoma de ambiente político. Um sintoma de cultura administrativa. Um sintoma de uma forma de enxergar os professores não como sujeitos de direito, mas como incômodo. E ambientes políticos não nascem sozinhos. Eles são formados, tolerados, cultivados ou, no mínimo, não interrompidos pelo comando superior.


É aí que a responsabilidade da governadora deixa de ser apenas abstrata e passa a ser concreta. Porque, numa estrutura hierárquica, o que agentes sob comando dizem publicamente sobre uma categoria profissional não pode ser tratado como capricho individual isolado, principalmente quando o ataque não é um comentário casual, mas aparece no interior de uma atuação institucional, com finalidade política evidente: enfraquecer moralmente a legitimidade de quem reivindica direito. Não se trata só de ofender. Trata-se de enquadrar discursivamente os professores como caricatura, como exagero, como incômodo judicial, como entrave administrativo. Esse tipo de formulação não é neutro. É uma tecnologia de rebaixamento.


Toda violência institucional, antes de se consolidar como prática administrativa, costuma passar pela linguagem. Primeiro se muda o nome das coisas. Depois se distorce a posição moral de quem reivindica. Em seguida se esvazia a legitimidade da demanda. Por fim, a exclusão ou a precarização aparecem como solução racional. É um método conhecido. Quem quer negar o direito à convocação não começa dizendo que quer negar direitos. Começa rebaixando simbolicamente quem cobra esse direito. Chama de exagerado, de oportunista, de frustrado, de problema. O insulto não é ornamento. O insulto prepara o terreno.


É por isso que reduzir esse caso a um problema de “termo inadequado” é, no fundo, proteger o essencial. O problema não é apenas a grosseria. O problema é o projeto discursivo que a grosseria cumpre. Ao ridicularizar professores aprovados que buscam reconhecimento institucional, o Estado desloca a cena. Em vez de se discutir a precarização, a não convocação, a opção por vínculos frágeis e o desprestígio do concurso público, passa-se a discutir o comportamento dos próprios atingidos. Eles deixam de ser apresentados como trabalhadores lesados e passam a ser enquadrados como personagens inconvenientes, quase infantis, supostamente incapazes de aceitar a realidade. É uma operação clássica de poder: transformar a vítima da arbitrariedade em caricatura moral da sua própria reivindicação.


Nesse plano, a governadora não pode se colocar do lado de fora da cena. Porque a cena existe para proteger o governo. A fala institucional não foi produzida contra a vontade do poder. Foi produzida para defender a vontade do poder. Esse é o dado decisivo. A estrutura que humilha professores não está atuando contra o Palácio. Está atuando em favor do Palácio. Está produzindo linguagem de defesa para um governo que precisa justificar administrativamente aquilo que politicamente o expõe. Portanto, dizer que Raquel Lyra nada tem a ver com isso porque não pronunciou a frase é aceitar uma ficção conveniente demais para ser séria.


Em política, há duas formas elementares de responsabilidade. A responsabilidade autoral e a responsabilidade de comando. A primeira recai sobre quem diz ou faz diretamente. A segunda recai sobre quem chefia, autoriza, sustenta, se beneficia e responde pela estrutura que diz ou faz. Governadores quase nunca precisam pronunciar com a própria boca os absurdos que sustentam suas políticas. O aparelho fala por eles. O que distingue um governante responsável de um governante cínico é justamente a forma como reage quando o aparelho revela, em voz alta, aquilo que o poder tentava manter sob verniz institucional.


Se a governadora se cala, o silêncio não é neutro. O silêncio, nesse contexto, funciona como ratificação por conveniência. E esse talvez seja o ponto mais duro de toda a análise. Porque o silêncio posterior não apaga o insulto anterior. Ele o estabiliza. Ele informa à burocracia que não houve excesso intolerável. Informa à categoria que a dignidade do magistério não foi suficiente para provocar correção imediata. Informa à sociedade que professores podem ser publicamente diminuídos por órgãos do Estado sem que o comando político se sinta obrigado a restabelecer o mínimo civilizatório.


Há quem tente refugiar a governadora numa distinção formal entre “governo” e “corpo técnico”. Essa distinção até pode ser útil para a administração de rotinas ordinárias. Mas ela desaba em episódios de violência institucional. Em momentos como esse, a técnica deixa de ser neutra e revela sua função política. A peça jurídica não é um texto de gabinete sem mundo. Ela é um instrumento de contenção de direitos, de blindagem de decisões e de produção de narrativa oficial. A técnica, aqui, não vem depois da política. Ela é política escrita em linguagem administrativa.


E é justamente por isso que esse tipo de agressão tem tanta força simbólica. Porque ele não sai da boca de um provocador qualquer. Sai do interior da linguagem estatal. E a linguagem estatal tem um peso específico. Quando ela ofende, ela não apenas insulta. Ela rebaixa institucionalmente. Ela sinaliza quem merece escuta e quem merece desprezo. Ela distribui dignidade e humilhação conforme a conveniência do poder. Ela ensina, inclusive aos escalões inferiores da administração, qual é o tom permitido contra determinadas categorias. Em outras palavras, ela produz cultura governamental.


Nenhum governo que respeite substantivamente a educação permite que professores sejam tratados dessa forma por quem o representa. Isso não é uma afirmação moral abstrata. É uma constatação sobre o que significa governar. Respeito à educação não se mede apenas em palanque, nem em slogan, nem em cerimônia, nem em postagem oficial sobre valorização docente. Respeito à educação se mede também no vocabulário que o Estado usa quando os professores deixam de ser foto e viram conflito. É nesse instante que cai a maquiagem do discurso público. É nesse instante que aparece o que o poder realmente pensa sobre quem educa.


Por isso, a tentativa de dissociar Raquel Lyra da humilhação dirigida aos professores é menos uma defesa jurídica do que uma operação de blindagem simbólica. Busca preservar a figura da governadora da contaminação moral produzida por sua própria máquina. Mas, no plano da responsabilidade política, essa descontaminação não se sustenta. Quem ocupa a chefia do Executivo responde, sim, pelo teor das agressões produzidas em nome do seu governo. Responde porque nomeia, responde porque comanda, responde porque se beneficia da atuação desses órgãos, responde porque tem dever de correção e responde, sobretudo, porque poder sem responsabilidade vira apenas covardia hierárquica.


A dureza desse diagnóstico não decorre de exagero verbal. Decorre da própria natureza do caso. Professores não foram tratados com descuido acidental. Foram enquadrados por um discurso que busca diminuir sua estatura cívica, enfraquecer sua legitimidade e preparar a opinião pública para aceitar que sua reivindicação não seja vista como direito, mas como inconveniência. Isso é grave em qualquer área. Na educação, é ainda mais revelador. Porque expõe uma contradição central de governos que se dizem comprometidos com a escola pública, mas permitem que a máquina trate educadores como entraves quando esses educadores cobram coerência entre discurso e prática.


Daí a conclusão política inevitável. Mesmo que a frase ofensiva não tenha sido pronunciada diretamente por Raquel Lyra, ela já foi dita pelo seu governo. E, quando o governo diz, a governadora já falou. Não no sentido literal da autoria material, mas no sentido real do poder. Falou porque foi sua estrutura que falou. Falou porque foi em sua defesa que se falou. Falou porque a linguagem usada pertence ao campo de ação do Estado que ela chefia. Falou, enfim, porque ninguém assume o bônus do mando e terceiriza, quando convém, a brutalidade produzida pela própria engrenagem.


Se quiser romper com isso, a governadora tem um caminho simples e inequívoco: repudiar publicamente o conteúdo, restabelecer a dignidade institucional violada e reconhecer que professor não pode ser alvo de deboche por parte de quem age em nome do Estado. Qualquer resposta menor do que isso será apenas continuação do problema por outros meios. E qualquer tentativa de se esconder atrás da burocracia confirmará, na prática, aquilo que o episódio já revelou no discurso: quando a educação exige respeito concreto, o poder prefere o aparato ao compromisso.


No fim das contas, é isso que torna o caso tão politicamente devastador. Não é só uma frase. É um retrato. Um retrato de como a linguagem do Estado pode ser usada para deslegitimar professores. Um retrato de como a técnica pode funcionar como máscara da agressão. Um retrato de como a cadeia de comando tenta usufruir da distância entre assinatura e responsabilidade. E, acima de tudo, um retrato de uma verdade que governos detestam admitir: toda vez que a máquina humilha, o comando já está implicado.


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Helena Valente é repórter especial e analista de Educação de O estopim, com foco em políticas públicas, trabalho docente, financiamento educacional e desigualdades estruturais que atravessam a escola pública brasileira.


Esta reportagem especial de O estopim inaugura a série "Sob Escuta – Pernambuco em Disputa". Aqui, dissecamos as denúncias de espionagem política, o abuso da estrutura de Estado e o uso da Polícia Civil de Pernambuco em disputas de poder sob a gestão da governadora Raquel Lyra.


Por Heitor Lemos Especialista em Sociedade e Comportamento Político | 26 de janeiro de 2026


Governadora Raquel Lyra em evento da Polícia Civil de Pernambuco | Foto: Miva Filho
Governadora Raquel Lyra em evento da Polícia Civil de Pernambuco | Foto: Miva Filho

Ao longo de uma apuração exaustiva, conectamos documentos oficiais, reportagens de alcance nacional, manifestações contundentes na Assembleia Legislativa e falas de entidades de classe. O objetivo é explicar, nos mínimos detalhes, como a máquina pública do governo de Pernambuco teria sido convertida em uma ferramenta para fins político-eleitorais.


Raquel Lyra: O Estado contra o Cidadão?


Nos últimos meses, uma sucessão de denúncias colocou a segurança pública do governo de Pernambuco sob forte suspeita. Relatos vindos de dentro da própria corporação, de parlamentares de oposição e das vítimas do monitoramento indicam que a Polícia Civil de Pernambuco pode ter sido utilizada para vigiar adversários políticos e assessores estratégicos do prefeito do Recife, João Campos. Ele é, hoje, o principal adversário da governadora Raquel Lyra na disputa rumo a 2026.


A investigação, iniciada a partir de reportagens em rede nacional e ampliada por discursos inflamados na Assembleia Legislativa, notas do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) e documentos anexados a pedidos de impeachment, aponta para um cenário de filme de espionagem. Delegados e agentes teriam instalado rastreadores em veículos, recorrido a softwares de reconhecimento facial e compartilhado informações sigilosas em grupos de WhatsApp. Tudo isso ocorreu sem autorização judicial e sem a abertura de inquérito formal. O que está em jogo aqui é a própria integridade da forma como o governo de Pernambuco utiliza suas estruturas de inteligência e segurança.


Secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro | Foto: Divulgação
Secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro | Foto: Divulgação

Segundo as denúncias, essa operação informal, apelidada sugestivamente de "Nova Missão", teria monitorado de forma contínua o secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro. A partir de um rastreador instalado clandestinamente em um veículo, agentes acompanhariam deslocamentos diários, encontros políticos e rotinas familiares. Prints de conversas de WhatsApp atribuídas a integrantes da Polícia Civil mostram o compartilhamento de mapas de localização, placas de veículos e registros fotográficos, sem qualquer referência a um procedimento oficial.



Raquel Lyra governadora de Pernambuco | Foto: Reprodução
Raquel Lyra governadora de Pernambuco | Foto: Reprodução

Em paralelo à espionagem física, cresce a suspeita de que o Palácio do Campo das Princesas abriga uma estrutura de comunicação agressiva. Essa engrenagem é apelidada por oposicionistas de "milícia digital". Tal estrutura, que seria coordenada a partir do próprio gabinete da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, é acusada de financiar contas anônimas e perfis oficiais. O objetivo seria atacar opositores, distorcer fatos, espalhar desinformação e tentar descredibilizar parlamentares que cobram transparência. Entre as vítimas desses ataques está a deputada estadual Dani Portela, autora do pedido de instalação da CPI do Bilhão, comissão que investiga os vultosos contratos de comunicação do Governo de Pernambuco.


Ônibus da Logo Caruaruense empresa pertencente ao pai de Raquel Lyra | Foto: Reprodução
Ônibus da Logo Caruaruense empresa pertencente ao pai de Raquel Lyra | Foto: Reprodução

As suspeitas de desvio de finalidade não se limitam ao campo da segurança pública ou da comunicação digital. Denúncias encaminhadas à Assembleia Legislativa e a órgãos de imprensa apontam para um possível conflito de interesses envolvendo contratos públicos e a atuação da empresa de ônibus Logo Caruaruense, historicamente ligada à família da governadora. Relatórios técnicos e reportagens indicam uma frota envelhecida, falhas em vistorias obrigatórias e pagamentos do poder público a uma empresa que estaria em situação irregular. Isso alimenta a acusação de nepotismo e favorecimento dentro do governo de Pernambuco.


Diante desse cenário complexo, a reportagem de O estopim Política se organiza em múltiplos eixos para facilitar a compreensão do leitor sobre a gravidade da situação.


Os eixos da investigação


  1. Operação "Nova Missão"

    Investigamos como teria funcionado o monitoramento de Gustavo Monteiro e de outros aliados do prefeito João Campos. Analisamos qual o papel da inteligência da Polícia Civil de Pernambuco nesse xadrez e o que dizem, ou deixam de dizer, o governo e a corporação.


  2. Milícia digital e desinformação

    Detalhamos as acusações de existência de uma rede estruturada para atacar adversários políticos da governadora Raquel Lyra. Abordamos o caso da denúncia anônima contra Dani Portela e o impacto tóxico desse ambiente nas redes sociais e na democracia estadual.


  3. Pressão sobre policiais civis

    Trazemos os relatos de escutas clandestinas dentro de delegacias, vigilância interna, transferências punitivas e o clima de medo entre agentes e delegados que ousam questionar ordens superiores.


  4. CPI do Bilhão e contratos de comunicação

    Dissecamos o contrato de até R$ 1,2 bilhão em publicidade do governo de Pernambuco. Investigamos a suspeita de ligação com familiares da governadora e o papel crucial da Assembleia Legislativa ao abrir uma CPI para auditar esses gastos.


  5. Logo Caruaruense e nepotismo

    Resgatamos o histórico da empresa de ônibus da família da governadora de Pernambuco. Expomos as irregularidades apontadas e o pedido de impeachment que chega à Alepe, questionando a moralidade administrativa.


  6. Impactos políticos e sociais

    Refletimos sobre o que esse conjunto de denúncias revela sobre a saúde da democracia em Pernambuco. Discutimos o papel das instituições de controle e o risco real de captura do Estado por interesses privados e partidários.


Cada um desses eixos será aprofundado em textos próprios, com linguagem acessível, dados rigorosamente checados e espaço garantido para o contraditório. A proposta de O estopim é oferecer ao leitor um panorama completo e organizado. Queremos ir além das manchetes rápidas e permitir que qualquer pessoa entenda o que está em jogo quando se fala em espionagem política, milícia digital e contratos bilionários dentro do governo de Pernambuco.


Acompanhe a série de reportagens de O estopim


Este texto é apenas o primeiro capítulo da série investigativa "Sob Escuta – Pernambuco em Disputa", publicada por O estopim Política. Aqui, trataremos das denúncias que envolvem o governo de Pernambuco, a gestão da governadora Raquel Lyra, a atuação da Polícia Civil de Pernambuco, contratos públicos e a feroz disputa pelo poder no estado. Ao longo dos próximos capítulos, o leitor encontrará linhas do tempo detalhadas, contextualização jurídica, perfis dos principais personagens e explicações didáticas sobre o funcionamento das instituições responsáveis por fiscalizar o Executivo.


Nas próximas reportagens, vamos detalhar a fundo a Operação "Nova Missão", a suposta milícia digital ligada ao Palácio do Campo das Princesas, a pressão sobre policiais civis, a CPI do Bilhão e o caso Logo Caruaruense. Sempre ouviremos todos os lados, incorporando notas oficiais e atualizando a apuração conforme novas informações surgirem. O objetivo é que o público de Pernambuco, e de todo o Brasil, possa formar sua própria opinião com base em informação de qualidade.


Para acompanhar a série completa, acesse oestopim.com, salve o site nos seus favoritos e procure por "O estopim Política", "espionagem política em Pernambuco", "governo Raquel Lyra", "governo de Pernambuco", "Polícia Civil de Pernambuco" e termos relacionados nos buscadores e agregadores de notícias da Apple, Google e Microsoft. Quanto mais leitores acessarem, compartilharem e salvarem essas reportagens, maior será a chance de este conteúdo aparecer em destaque quando alguém buscar informações sobre Pernambuco, governo de Pernambuco, Raquel Lyra, governadora de Pernambuco e os rumos políticos do estado.


Acesse, compartilhe e acompanhe. Esta série de O estopim quer ajudar a iluminar um dos capítulos mais sensíveis e obscuros da história recente de Pernambuco.

Em um vídeos divulgados no canal oficial do Governo de Pernambuco – disponível em Canal Oficial –, o Governo do Estado exalta que, graças às políticas da atual gestão, o estado teria alcançado uma taxa de alfabetização de 90% em 2024. No entanto, uma investigação minuciosa de dados oficiais, relatórios do INEP e denúncias de sindicatos e especialistas revela uma realidade bem diferente.


Falência orquestrada da educação e da cultura por parte da gestão Rachel Lyra
Falência orquestrada da educação e da cultura por parte da gestão Rachel Lyra
A Narrativa Oficial vs. A Realidade dos Números

No vídeo, a gestão estadual celebra o suposto marco de 90% de alfabetização, afirmando que as ações implementadas transformaram radicalmente o cenário educacional pernambucano. Contudo, documentos e pesquisas recentes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) indicam que, em diversos municípios, os índices de alfabetização permanecem em torno de 58%.


De acordo com o Censo Escolar 2024 divulgado pelo INEP, enquanto grandes centros urbanos apresentam resultados mais próximos da meta, muitas cidades do interior ainda lutam para superar desafios históricos de acesso e qualidade na educação. Esses dados foram corroborados por análises de especialistas e pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), que tem reiterado, em diversas ocasiões, a disparidade entre as projeções oficiais e a realidade vivida nas escolas.


Os Dados do INEP e o Relato dos Sindicatos
  • INEP e o Censo Escolar 2024: Segundo os relatórios divulgados pelo INEP – disponíveis em seu site oficial –, a média estadual se mostra fortemente influenciada pelos índices elevados das capitais, enquanto municípios do interior registram percentuais significativamente inferiores. Em muitas localidades, os índices de alfabetização situam-se entre 55% e 60% para as faixas etárias consideradas críticas para a aquisição do conhecimento básico.

  • Denúncias do Sintepe: O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) tem sido veemente em suas denúncias: em reuniões e entrevistas, representantes da categoria afirmam que as condições nas escolas – que incluem a falta de material didático, infraestrutura precária e ausência de apoio pedagógico – comprometem a aprendizagem dos alunos.


“Enquanto a administração exalta números fantasiosos, a realidade nas salas de aula é outra: muitos estudantes sequer têm condições mínimas para aprender a ler e escrever de forma adequada”, afirmou um porta-voz do Sintepe, em entrevista recente.

  • Análises de Especialistas: Pesquisadores da área de educação, como o professor Carlos Mendes, da Universidade Federal de Pernambuco, ressaltam que a metodologia para o cálculo da taxa de alfabetização frequentemente ignora fatores contextuais, como a qualidade da rede de ensino e a efetividade dos programas de incentivo à leitura.


“Quando se fala em 90% de alfabetização, é preciso entender que números agregados podem mascarar realidades profundamente desiguais – e, em muitos municípios, a situação é alarmante”, explica Mendes.

Confronto de Narrativas: Propaganda vs. Realidade

Os vídeos publicados pelo Governo de Pernambuco adotam um tom otimista e até celebratório, enfatizando a eficácia das políticas públicas implementadas. Entre as declarações, destaca-se o orgulho de uma gestão que “transformou” a educação no estado. Contudo, esse discurso encontra forte oposição quando confrontado com os seguintes pontos:


  • Desigualdade Regional: Enquanto os índices de alfabetização nas grandes cidades podem se aproximar de patamares elevados, as áreas rurais e municípios menores ainda enfrentam sérios desafios – com índices que se mantêm na faixa dos 55% a 60%, conforme os dados do INEP.

  • Condições das Escolas: Relatos de professores e de organizações sindicais denunciam que, apesar dos investimentos anunciados, muitas escolas permanecem com infraestrutura deficiente, falta de material básico e ausência de um planejamento que contemple as reais necessidades das comunidades.

  • Indicadores Qualitativos: A simples mensuração da alfabetização por porcentagem não reflete a qualidade do ensino. Especialistas argumentam que, para que o estado avance de fato, é necessário não apenas elevar os números, mas melhorar a qualidade da aprendizagem – aspecto que ainda está longe de ser alcançado em várias regiões de Pernambuco.


O Impacto para a População

A discrepância entre o que é anunciado e a realidade tem consequências diretas para os cidadãos. Uma taxa de alfabetização inflacionada por propaganda pode mascarar a necessidade de investimentos urgentes em educação, perpetuando ciclos de exclusão e desigualdade. Enquanto as autoridades buscam construir uma imagem de sucesso, milhares de crianças e jovens, especialmente em municípios menos favorecidos, continuam sem acesso a uma educação de qualidade – o que compromete seu desenvolvimento e as perspectivas futuras para o estado.


A alegação de que Pernambuco atingiu uma taxa de alfabetização de 90% em 2024, veiculada nos vídeos do Governo Raquel Lyra, revela-se uma narrativa distante da realidade. Documentos oficiais do INEP, pesquisas do Censo Escolar e denúncias do Sintepe apontam para uma situação muito mais complexa e desigual, onde muitos municípios ainda enfrentam índices de alfabetização que rondam os 58%.


Essa disparidade evidencia a necessidade de uma revisão das políticas públicas e, sobretudo, de uma comunicação transparente que não transforme dados parciais em propaganda política.


Enquanto o governo exalta conquistas inverídicas, a verdadeira mudança exige enfrentar os desafios reais – e isso passa por reconhecer as falhas, promover um diálogo aberto com os profissionais da educação e, finalmente, investir de maneira eficaz na melhoria da qualidade do ensino em todo o estado.


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